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Na Reserva Extrativista (Resex) rio Unini (Amazonas), o projeto Monitoramento Participativo de Biodiversidade tem como foco monitorar os quelônios da região. Ali, com a comunidade, IPÊ e ICMBio implementam um sistema de monitoramento para a conservação de tartarugas, tracajás e irapucas. Tão importante quanto o monitoramento dessas espécies, é levar ao conhecimento da população os resultados desse trabalho a todos que participam desse projeto conjunto.

Com esse propósito, pesquisadores do IPÊ percorreram, em junho, as nove comunidades do Rio Unini (Barcelos/AM).

Cerca de 100 comunitários receberam as informações relevantes sobre o projeto Monitoramento Participativo de Quelônios no Rio Unini. A expedição foi realizada em parceria com o ICMBio e contou com a participação de outras instituições parceiras como Fundação Vitória Amazônica - FVA e Associação de Moradores do Rio Unini.

Na expedição, foram apresentados os resultados sobre os bichos de casco da região desde 2014 a 2017, compreendendo três Unidades de Conservação (UCs): Resex Unini, Parque Nacional do Jaú e Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã. Virginia Bernardes e Gustavo Mahé, do IPÊ, estiveram presentes para explicar como funciona o monitoramento e seus resultados. Desde 2014, mais de 10 praias são protegidas desde a desova até o nascimento dos filhotes e já foram soltos por volta de 11 mil filhotes: 7.180 tracajás, 2.400 irapucas e 1.800 tartarugas-da-Amazônia."Esse é um ótimo resultado, os números demonstram que as praias estão sendo cada vez mais protegidas. Começamos com duas comunidades e hoje todas as nove comunidades estão participando do projeto. Sucesso deve ser atribuído ao esforço dos comunitários monitores. No Rio Unini contamos com 65 monitores, destes 90% já foram capacitados", afirma Virginia. 

Edmilson Fragoso da Silva ,morador da comunidade Tapiira, confirma."Já é o segundo ano consecutivo que as tartarugas-da-Amazônia escolhem nossa praia protegida para desovar, com o projeto hoje sabemos que podemos aumentar o número de ninhos simplesmente protegendo as praias".

O sucesso do projeto no Rio Unini tem relação com o envolvimento dos monitores com as instituições parceiras durante as capacitações bianuais, que acontecem de forma regional no âmbito do Programa de Quelônios Do Mosaico do Baixo Rio Negro PQMBRN.

Complemento para monitoramento

Ao longo da expedição, os pesquisadores validaram junto aos comunitários a inclusão de um novo formulário complementar para o protocolo de monitoramento, elaborado em parceria com Sistema de Monitoramento de Recursos Naturais do Rio Unini (Simur), que é aplicado na região há 10 anos, pela Fundação Vitória Amazônica (FVA). Neste novo formulário foram acrescentadas duas perguntas para serem realizadas durante o questionário para monitoramento, que deve refinar ainda mais as análises. Agora, as comunidades se comprometeram a testar a proposta do protocolo.

A expedição alcançou as comunidades Lago das Pedras, Terra Nova, Patauá, Tapiira, Manapana, Lago das Pombas, Floresta II, Vista Alegre e Vila Nunes.

O projeto Monitoramento Participativo de Biodiversidade é uma iniciativa do IPÊ em parceria com o ICMBio, com apoio de USAID, Beth e Gordon Moore Foudation e Programa ARPA.

O IPÊ está contratando assistente de monitoramento da biodiversidade aquática continental, com ênfase em pesca, para Manaus (Amazonas).

O objetivo é auxiliar o IPÊ e o CEPAM/ICMBio na implementação dos protocolos de monitoramento de pesca em diferentes unidades de conservação.

Perfil: Ter formação e/ou experiência na área de biologia, ecologia, engenharia de pesca ou áreas a fins, de preferência nível Mestrado. Desejável ter habilidade com planilhas eletrônicas e conhecimento básico de banco de dados. Ter experiência com recursos pesqueiros na Amazônia e apresentar habilidade para articulação com pescadores e comunidades tradicionais. Ter disponibilidade para viajar para as áreas a serem monitoradas e potencialmente trabalhar no final de semana quando for necessário para logística de trabalhos em campo. Disponibilidade para residir em Manaus-AM é altamente recomendável.

Saiba mais

 

Em continuidade ao trabalho de atualização das áreas prioritárias para a conservação, uso sustentável e repartição dos benefícios da biodiversidade da Mata Atlântica, o IPÊ e o Ministério do Meio Ambiente realizam, até o dia 21 de junho, a "Oficina Técnica para Análise de Custos para Conservação da Biodiversidade da Mata Atlântica", em Florianópolis (SC). O encontro é a terceira etapa da produção do novo mapa de áreas prioritárias da Mata Atlântica. Saiba mais sobre.

O evento tem a participação de especialistas de diferentes instituições, que buscam refletir a realidade dos diferentes setores que atuam no bioma. Os participantes da Oficina irão avaliar e opinar sobre o processo, fornecendo dados sobre os setores que representam ou sobre pesquisas que têm realizado, auxiliando na avaliação dos dados disponibilizados e na pertinência da sua inclusão como parte da superfície de custos.

"O objetivo da oficina é estimar onde pode existir maior dificuldade de implementação de conservação (o custo na linguagem das análises). A ideia é que um bom entendimento desse custo na extensão do bioma Mata Atlântica ajudaria na minimização de conflitos no futuro entre conservação e outras atividades", explica Clinton Jenkins, coordenador técnico do projeto.

Com os resultados deste processo, IPÊ e Ministério do Meio Ambiente esperam poder usar os dados como uma ferramenta que contribua para um sistema de planejamento mais eficaz para o novo mapa de áreas e ações prioritárias da Mata Atlântica. "Com isso, investimentos e esforços, tanto do governo quanto da iniciativa privada,poderão ser aplicados para subsidiar uma estratégia espacial que promova ações integradas de conservação e uso sustentável da biodiversidade da Mata Atlântica", afirma Angela Pellin, do IPÊ.

 

O que é o custo de conservação?

O custo de conservação representa os usos conflitantes à conservação de biodiversidade que ocorrem em cada unidade de planejamento e a dificuldade relativa para implementar ações de conservação.

Áreas com ecossistemas íntegros, sem nenhum outro uso ou ameaça, têm valores mínimos de custo de conservação. Em contrapartida, áreas extensamente ocupadas por atividades de outros setores terão valores máximos de custo de conservação. Valores altos de custo de conservação não significam, necessariamente, que tais áreas não serão selecionadas como prioritárias, mas caso existam áreas com atributos semelhantes e custos mais baixos estas serão preferidas no sistema de seleção. A principal vantagem de se considerar os custos para a conservação na escolha de áreas é diminuir o conflito na implementação. Quanto menor o custo do conjunto de áreas prioritárias escolhidas, maior é a probabilidade de sucesso na consolidação da conservação.

 

O IPÊ abriu edital para seleção e contratação de pessoa jurídica para prestação de serviço de adequação de sistemas produtivos em propriedades rurais, considerando especialmente a pecuária e as áreas de preservação permanente no âmbito do projeto Semeando Água, patrocinado pela Petrobras. A contratação é voltada preferencialmente para empresas que contam com profissionais na área de zootecnia, agronomia, florestais e afins. 

Saiba mais no EDITAL.

 

O IPÊ foi um dos participantes da Oficina Grupo Temático de Governança, dentro da iniciativa IAPA - Integración de las Áreas Protegidas del Bioma Amazónico, em Iquitos (Peru).

No encontro, dias 13 e 14 de junho, foram definidas estratégias relacionadas com os princípios de boa governança para as áreas protegidas do bioma amazônico. O voluntariado foi apontado como uma boa prática que pode favorecer essa governança. O tema foi abordado pela pesquisadora do IPÊ, Angela Pellin, coordenadora do projeto "Motivação e Sucesso na Gestão de Unidades de Conservação Federais". Ela apresentou o histórico deste trabalho, realizado pelo IPÊ em parceria com o ICMBio, e que tem como um de seus importantes resultados o impulsionamento do Programa de Voluntariado.

"O evento foi muito interessante porque permitiu compartilhar as experiências relacionadas a voluntariado no bioma amazônico e pensar em como essa iniciativa contribui para o cumprimento dos princípios de boa governança em áreas protegidas. Considerando a Amazônia, acreditamos que, localmente, o programa é uma grande oportunidade de promover maior aproximação da comunidade com a gestão das áreas protegidas, ampliando sua integração. Em um âmbito nacional, ele traz a possibilidade de mostrar a realidade amazônica para pessoas que vivem em regiões e realidades distintas, contribuindo para a formação de uma rede de apoio às causas socioambientais associadas ao bioma", comenta Angela.

O encontro também discutiu algumas diretrizes para a realização do Seminário de Boas Práticas em Governança Transfronteiriça no Bioma Amazônico.