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Estudo publicado na Revista Science por professor visitante da ESCAS/IPÊ aborda o índice elevado de desaparecimento de espécies e fala como novas tecnologias podem tornar a conservação delas mais eficiente

As ações humanas estão levando a extinção de espécies a um índice alarmante. O desaparecimento de biodiversidade global é mil vezes mais veloz do que se ele acontecesse naturalmente, sem o impacto do homem. A taxa é muito maior do que a estimada anteriormente, em 1995, que era de 100 vezes (Pimm, Stuart L., et al. "The future of biodiversity." SCIENCE (1995): 347-347). Esta é uma das conclusões de um artigo recém-publicado pela Revista Science, que tem Clinton Jenkins como coautor. Jenkins é professor visitante da ESCAS – Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade do IPÊ. Nove pesquisadores assinam o artigo, que também afirma que o mundo precisa encontrar nas novas tecnologias um meio de frear esse desaparecimento de espécies. Caso contrário, nesse ritmo, o planeta poderá passar por sua 6ª extinção em massa.

Segundo o artigo, as novas tecnologias podem ser usadas para traçar políticas e estratégias mais eficientes para conservação de espécies, porque ajudam a facilitar as tarefas de encontrar e monitorar a biodiversidade. As novas abordagens tecnológicas, segundo os autores, serão vitais para avaliar o progresso em direção às metas de conservação internacionais, como as metas de Aichi recentemente estabelecidos da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB).

Um dos exemplos de tecnologia inovadora é o Biodiversity Mapping. Criado por Jenkins, o site reúne informações de diversos biomas e o estado de conservação das suas espécies, em uma única plataforma, alimentada com dados de diversas organizações e pesquisadores de todo o mundo. O mapa da biodiversidade já identificou, por exemplo, dados relevantes sobre a Mata Atlântica como uma área prioritária para conservação, em escala mundial. "Nossos mapas mostram claramente que a Mata Atlântica no Brasil é uma das grandes prioridades globais para a prevenção de extinções. É a combinação de uma enorme concentração de espécies intrinsecamente vulneráveis e uma grande quantidade de perda de habitat, com apenas cerca de 10% da floresta original remanescente", diz.

Os cientistas ainda reiteram no estudo suas preocupações com relação às espécies desconhecidas. Apesar dos progressos recentes em conservação de espécies, eles observam muitas incertezas quanto ao número de espécies existem, onde estão, e suas taxas de extinção, sendo que muitas delas ainda são desconhecidas pela ciência, podendo enfrentar grandes ameaças. As tecnologias como base de dados e mapas, por sua vez, estão permitindo que os cientistas expandam seu foco e identifiquem padrões e tendências importantes, por exemplo, entre as espécies aquáticas e marinhas, assim como as terrestres.

"Com a reunião de dados antigamente dispersos, sabemos agora que a maioria das espécies terrestres está espalhada em pequenas áreas geográficas - a maioria delas menor do que o estado do Rio de Janeiro. Espécies com essas pequenas faixas são desproporcionalmente vulneráveis a ameaças modernas que causam extinção. Novos conhecimentos oferecem a possibilidade de a sociedade concentrar os esforços de conservação em locais críticos ao redor do planeta", afirma Jenkins.

Nessa linha, o novo estudo também confirma que espécies de água doce são provavelmente mais ameaçadas do que espécies na terra, e o potencial de extinções de espécies nos oceanos tem sido severamente subestimado. Enquanto cerca de 13% da área terrestre do planeta está protegida, apenas 2% do seu oceano está sob proteção. Medidas de conservação tradicionais, como reservas naturais, estão aquém da necessidade de conferir proteção, especialmente para espécies de água doce, sendo que a ameaça às espécies aquáticas pode começar fora das áreas protegidas. Desta forma, concluem os especialistas, embora existam dados acessíveis sobre as espécies vulneráveis e um rápido progresso no desenvolvimento de áreas protegidas, tais esforços não têm sido ecologicamente representativos.

O artigo é assinado por Clinton Jenkins (IPÊ/ ESCAS), Stuart. L. Pimm (Duke University), R. Abell, Tom M. Brooks (International Union for Conservation of Nature, IUCN), John L. Gittleman (University of Georgia), Lucas Joppa (Microsoft Research), Peter H. Raven (Missouri Botanical Garden), Callum. M. Roberts (University of York), Joseph O. Sexton (University of Maryland).

Para acessar: www.sciencemag.org/lookup/doi/10.1126/science.1246752

O IPÊ, em parceria com a Fundação Almerinda Malaquias (FAM) e a Fundação Vitória Amazônica (FVA), disponibiliza para download a Cartilha Educativa do Peixe-Boi Amazônico. A cartilha, lançada em 2013, tem o objetivo de contar a história do peixe-boi para as crianças, utilizando desenhos produzidos por elas durante as atividades do IPÊ e dos parceiros, além de ser uma ferramenta educativa, com passatempos educativos.

Conheça esse trabalho e baixe a cartilha aqui: CARTILHA-PEIXE-BOI

junho 2014 bProjeto “Semeando Água” analisa espécies da Mata Atlântica e métodos que viabilizem a restauração em áreas prioritárias no Sistema Cantareira

Uma pesquisa realizada por especialistas do IPÊ vem testando e monitorando espécies nativas e métodos de baixo custo que servirão para restauração florestal. O estudo é realizado em um viveiro, em Nazaré Paulista (SP), construído pelo projeto “Semeando Água”, que é patrocinado pela Petrobras, e há oito meses desenvolve ações que permitam a conservação de corpos hídricos em propriedades rurais que compõe o Sistema Cantareira, por meio de capacitação, restauração e educação ambiental.

O projeto vem selecionando propriedades rurais que possuam áreas prioritárias para a restauração florestal como: entornos de rios, lagos e nascentes. E, junto com os proprietários os pesquisadores do “Semeando Água” escolhem o local mais apropriado para receber a intervenção.

Assim que a área a ser restaurada é definida, os pesquisadores adotam um dos modelos de baixo custo para a realização do trabalho. Os modelos utilizados envolvem a condução de: regeneração natural, nos casos em que fragmentos de florestas próximos contribuem com a dispersão de sementes, e assim a regeneração acontece; semeadura de espécies que melhor se adaptam ao local; e plantios de mudas.

Para apoiar as ações de restauração florestal pesquisadores utilizam o viveiro para estudar as mudas nativas quanto ao seu tempo de germinação e desenvolvimento para decidir quais espécies devem ser utilizadas em campo. “Estamos observando como as espécies se desenvolvem no viveiro, observamos os comportamentos de germinação e dessa forma conseguimos ter informação suficiente para a tomada de decisão”, explica a pesquisadora e coordenadora do projeto Patrícia Paranaguá.

Com a capacidade de produzir seis mil mudas, o viveiro fornecerá parte das mudas que o projeto precisará para restaurar os 15 hectares previstos. A pesquisadora explica que a função do viveiro vai além de prover mudas: “Nossa intenção com o viveiro é extrapolar a ideia de fornecimento de mudas. Ele é peça fundamental para a geração de conhecimento sobre a biologia reprodutiva de espécies para restauração florestal”, explica Patrícia.

WP 20140606 016Em comemoração à Semana do Meio Ambiente que aconteceu de 02 a 06 de junho o IPÊ-Instituto de Pesquisas Ecológicas desenvolveu ações nos municípios de Nazaré Paulista (SP) e Joanópolis (SP)para apresentar o projeto “Semeando Água” para alunos e professores da rede pública de ensino, grupo de terceira idade e população .

No primeiro dia de atividade a equipe de educação ambiental do IPÊ esteve com o Grupo da Terceira Idade do município de Nazaré Paulista, que participou ativamente da palestra. No segundo dia de evento foi a vez da Praça Doutor Alvaro Guião receber as educadoras que apresentaram o projeto “Semeando Água” por meio de exibição de um filme e distribuição de cartilhas, na ocasião a população foi presenteada com uma muda de árvore nativa. E, no último dia a equipe foi recebida nas Escolas Municipais José Benedito de Salles Bayeux e Emília Ximenes Capozoli, ambas do município de Joanópolis.

A educadora ambiental, Andrea Pupo explica que ações como essas, além de apresentar o IPÊ e os projetos, aproximam e despertam a população para as questões socioambientais. “ Essa foi uma semana produtiva, conseguimos sensibilizar 530 pessoas que se mostraram interessadas e participaram ativamente das ações”, comenta Andrea.

DSCN0848O projeto “Semeando Água” que é patrocinado pela Petrobras e prevê a recuperação dos corpos hídricos em propriedades rurais que possuam nascentes que contribuem para o abastecimento do Sistema Cantareira vem desenvolvendo ações de educação ambiental, capacitação, técnicas de melhorias de uso do solo e restauração florestal em oito municípios da região: Mairiporã, Nazaré Paulista, Piracaia, Joanópolis, Vargem, Extrema , Camanducaia e Itapeva.

Mais ações como essas estão previstas nas atividades de Educação Ambiental do projeto em outros municípios que o projeto atua.

 

A ESCAS entrevistou o professor Richard Alves, mestre em desenvolvimento e gestão social e parte do corpo docente do Mestrado Profissional que acontece em Uruçuca/BA. Aqui ele nos fala um pouco sobre Economia Criativa e seus desdobramentos.

ESCAS: A UNCTAD (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento) define a economia criativa como um conceito emergente que trata da interface entre criatividade, cultura, economia e tecnologia em um mundo dominado por imagens, sons, textos e símbolos. Como você discorreria mais detalhadamente sobre este tema?

Prof. Richard Alves: A Economia Criativa deve ser entendida, antes de mais nada, como uma possível estratégia de desenvolvimento para os territórios, ou seja, desde as cidades até as regiões ou mesmo os países podem fomentar o conjunto de potencialidades relacionadas à criatividade das pessoas. Quando falamos em criatividade, esta pode ser dividir em criatividade artística (expressa na diversas expressões culturais), criatividade científica (como forma de promover pesquisas aplicadas em vários âmbitos) e, ainda, a criatividade funcional (aplicada em áreas como design e arquitetura). Os ativos criativos geram oportunidades como a inclusão sócio-produtiva das pessoas com esses talentos e pela agregação de valor e competitividade aos negócios.

Considerando que até o Ministério da Cultura já possui um órgão específico (Secretaria da Economia Criativa) para propor políticas para a área em questão, o sr. vê, nesta vertente da economia, uma possibilidade de alcançar resultados mais abrangentes? De que forma?

Com a criação da Secretaria da Economia Criativa no âmbito do Governo Federal o Brasil demonstra claramente que entende agora o que países como Austrália e Inglaterra tinham percebido há cerca de 20 anos. Os setores criativos precisam de apoio das políticas públicas para que possam gerar ainda mais resultados para as nações. Naturalmente, Economia Criativa já tem grande importância, mas com mecanismos de fomento os benefícios podem ser ainda mais ampliados. Agora será necessário que os governos nas esferas dos estados e municípios também implementem iniciativas para o setor e que cada vez mais instituições empresariais e acadêmicas abracem esta causa.

Relacionando agora sua experiência neste tema com a proposta do Mestrado Profissional da ESCAS/IPÊ, fale sobre a disciplina que o sr. ministra para a turma de 2014, da Bahia.

É muito interessante trabalhar a temática de Economia Criativa para os alunos deste mestrado profissional pois, em sua maioria, são pessoas muito engajadas com o desenvolvimento dos locais onde vivem e trabalham. Como a Economia Criativa aborda basicamente uma estratégia de desenvolvimento mais sustentável através da valorização dos ativos culturais e criativos, o ambiente do mestrado se apresenta como um ponto muito apropriado para essas discussões. O que buscamos fazer é um alinhamento dos conceitos base e histórico da Economia Criativa no Brasil e no mundo, mas entendendo também a relação do ser humano com a criatividade e a importância do contexto sociocultural para o desenvolvimento das atividades criativas. Para uma sinergia com o tema central do mestrado abordamos conteúdos como a Agenda 21 da Cultura e como a Economia Criativa pode promover o desenvolvimento mais sustentável. Outro ponto que merece destaque é a discussão dos chamados Territórios Criativos e também das Cidades Criativas. Por fim, os alunos são convidados a desenvolver um exercício prático de pensar em propostas de Economia Criativa. 

Qual é sua expectativa no que se refere à inserção do tem “Economia Criativa” nas instituições brasileiras de ensino?

Tem sido muito gratificante verificar o interessante recente das instituições de ensino na inserção da temática nos seus cursos. Isso demonstra uma sensibilidade e sintonia com temas emergentes que necessitam ser melhor aprofundados, pesquisador e discutidos no ambiente acadêmico.