Últimas Notícias

A música que a Natureza precisa
Suzana Padua 

Há 25 anos assisti a uma palestra do Dr. Kent Redford que me deu grande emoção. Primeiro, o teor e a forma criativa de expor o conteúdo por meio de metáforas com sensibilidade e coerência. Segundo, porque a ocasião do evento foi a fundação do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, do qual faço parte desde o início, tendo Kent como um de nossos Conselheiros por alguns anos. O evento foi em março de 1992 no auditório da ESALQ em Piracicaba.

Do que constava sua fala? Kent comparou a conservação da natureza e das áreas protegidas a Ulisses, na Grécia antiga, que reconhecendo sua vulnerabilidade como homem, já que não era deus, pediu para ser amarrado ao mastro de seu navio para não se deixar tentar pelo canto das sereias. Cabia a ele a responsabilidade de conduzir a embarcação com segurança ao seu destino e, tanto ele quanto sua equipe sabiam que passariam próximos a uma ilha onde viviam as sereias que seduziam por sua beleza e canto cheio de magia.

Os desafios da conservação têm sido marcados pela sedução de aparentes vantagens, hoje responsáveis pela destruição maciça da natureza, seja construção de estradas, exploração de minérios valiosos, plantio de um produto rentável em larga escala, criação de animais para o abate, ou qualquer outra atividade econômica, comuns mundo afora. As escolhas humanas vêm sobrepondo à conservação e o mundo natural encontra-se cada vez mais diminuto e menos protegido. Com isso, temos que ter mais e mais cuidados para não nos deixarmos seduzir pelo canto das sereias que se proliferam exponencialmente.

Leia na íntegra em O ECO

 

13/03/2017 - Geração de valor econômico e responsabilidade socioambiental nunca andaram tão juntas. Os negócios socioambientais têm emergido como um caminho promissor para aqueles que têm um ideal e sonham em construir ou gerir negócios lucrativos que transformem a realidade socioambiental. Para falar sobre isso, as professoras Rosa Maria Fischer e Graziella Comini, farão um webinario ao vivo e gratuito amanhã - dia 14 de março - às 20h00. As inscrições devem ser feitas aqui: http://mba.ipe.org.br/webinario-inscreva-se

Em uma aula inédita da ESCAS - Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade, do IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas, os participantes vão ficar por dentro sobre o que são organizações híbridas e como são criados modelos alternativos de negócios. Serão abordados os temas:

• como é feita a gestão desse modelo de organização
• os cuidados a serem tomados e os riscos inerentes
• como gerar superávit ao mesmo tempo em que se gera valor socioambiental
• como atuar em uma lógica de mercado

As professoras são coordenadoras do MBA Gestão de Negócios Socioambientais, oferecido pela escola em parceria com o CEATS-USP e ARTEMISIA, e que está com inscrições abertas até dia 7 de abril. Mais informações: http://mba.ipe.org.br/inscreva-se

A educadora ambiental e coordenadora de projetos do IPÊ, Maria das Graças Souza, é agora vice-presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Pontal do Paranapanema. Maria das Graças representa  o segmento da sociedade civil neste grupo que, há 21 anos, discute questões relacionadas à segurança hídrica de cerca de 500 mil habitantes de 26 municípios da região de Presidente Prudente, no oeste de São Paulo.

A formação da nova diretoria do comitê foi anunciada no dia 3 de março e tem validade de dois anos. Nelson Bugalho, prefeito de Presidente Prudente, é o atual presidente do comitê, representante dos municípios, e Sandro Roberto Seldo, do DAEE - Departamento de Águas e Energia Elétrica, representa o Estado.

O Comitê completa 21 anos em 2017 e até o ano passado, investiu mais de R$44 milhões em projetos de conservação e recuperação ambiental, que incluem ações como conservação e recuperação de estradas rurais, drenagem urbana, projetos de educação ambiental e pesquisas voltadas à gestão dos recursos hídricos.

Dentre os principais desafios da nova diretoria estão a definição dos critérios de investimentos e empreendimentos para o Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro), a definição e implementação do Programa de Educação Ambiental, além do encaminhamento de projetos de recuperação de Áreas de Preservação Permanente (APPs). O comitê também debaterá as ações do Plano Integrado do Pontal do Paranapanema.

Moradores de oito assentamentos no Pontal do Paranapanema fazem parte do projeto "Jardineiras da Floresta", que incentiva o uso de abelhas Jataí (Tetragonisca angustula), sem ferrão, para a produção de mel em suas propriedades. O projeto começou em 2016 e envolve 20 famílias. Cada uma implementou quatro colmeias de abelhas nos sistemas agroflorestais de suas propriedades, com apoio do IPÊ. Além da obtenção de produtos como mel, cera, resina e própolis, para comercialização, as colmeias são instrumentos para aumentar a polinização na produção agrícola dos assentados, incluindo as áreas de "Café com Floresta" - uma iniciativa agroecológica desenvolvida pelo IPÊ há mais de 15 anos na região. As 20 propriedades participantes ainda beneficiam indiretamente a polinização de outras 80 áreas vizinhas: estima-se que as abelhas polinizem em um raio de até 1.000 metros.

O projeto é considerado uma inovação local porque fortalece as ações sociais e ambientais na região, promovendo a geração de renda e combinando produção com conservação do meio ambiente. O grande desafio nessas propriedades é a adaptação das colmeias nos sistemas agroflorestais, principalmente em assentamentos expostos a pulverização aérea de agrotóxicos. Para isso, o IPÊ promoveu a capacitação de 60 produtores (participantes do projeto e interessados), trabalhou com assistência técnica, e trocou experiências com os produtores para tentar criar mecanismos para facilitar a adaptação das colmeias nos bosques. A coleta do mel e condução das colmeias também foram pontos de preocupação nesse sistema, por isso o Instituto vai manter as atividades de assistência técnica.

"Nosso objetivo é também melhorar a relação dos produtores e sua família com a produção diversificada de subsistência e agroecológica. Monitoramos a adaptação das colmeias e criamos estratégias conjuntas dentro dos bosques para a condução dos enxames", explica Haroldo Borges, do IPÊ.

O assentado Antonio Nicolau de Andrade apostou na ideia. Ele tem em seu terreno quatro colmeias e já começa a ver os primeiros resultados. "É uma coisa que não dá muito trabalho e que pode render alguma coisa pra gente. Acho que vai ser positivo", diz ele, que já produz alimentos no Sistema Agroflorestal. Mandioca, batata, maxixe, abobrinha, entre outros, dividem harmoniosamente o espaço com árvores nativas da Mata Atlântica e garantem renda ao produtor, que comercializa os alimentos em feiras e na Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).

A estação chuvosa no Pontal do Paranapanema contribui significativamente para a produção de novas mudas nos viveiros comunitários. Entre as árvores nativas, da Mata Atlântica, sob as condições climáticas atuais, pau-viola, jatobá, copaíba, jacarandá, embaúba, jenipapo e sabão-de-soldado, levam vantagem por terem maior taxa de germinação. Em clima quente e úmido, é momento de trabalhar.

"São cerca de 30 bandejas por espécie, cada bandeja com 135 mudas, totalizando mais de 4 mil mudas de cada espécie, que estarão prontas para serem plantadas em 3 ou 4 meses", explica Valter Ribeiro, do viveiro escola Alvorada (foto).

O IPÊ acompanha e dá suporte técnico a 11 viveiros comunitários na região, que produziram só em 2016, mais de 500 mil mudas. As árvores nativas da Mata Atlântica produzidas ali, beneficiam a renda de famílias e são utilizadas nos projetos de restauração local. A produção é destinada aos mais variados clientes e os viveiristas vêm apostando em novidades para atrair cada vez mais clientes. É o caso de dona Iraci Lopes Duveza, que, além de mudas, produz bonsais de árvores nativas. Para ela, essa diversificação é importante. No viveiro Viva Verde, são produzidas cerca de 150 mil mudas nativas por ano e 40 mil ornamentais.

"Nossas mudas vão para áreas que precisam ser restauradas por lei, são vendidas para empresas e também vão para a formação do corredor da Mata Atlântica do IPÊ. Também vendemos algumas exóticas porque temos que variar. Eu faço outros produtos para chamar atenção das pessoas que passam por aqui e que querem levar outros tipos de plantas", afirma.