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Entre os dias 11 e 13 de abril, o IPÊ, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente (MMA), realiza a Oficina Técnica para Definição de Alvos e Metas de Conservação da Biodiversidade da Mata Atlântica. O encontro acontece no hotel Faro, em Atibaia, e vai viabilizar a atualização do mapa das áreas e ações prioritárias para a conservação do bioma.

Para a atualização desse mapa, foram ouvidas mais de 220 instituições e pessoas que atuam de alguma maneira com ações na Mata Atlântica, que responderam a um formulário público, disponibilizado pelo IPÊ e MMA. A proposta foi conhecer os trabalhos realizados no bioma, os dados de pesquisa em biodiversidade já levantados por profissionais, além de entender os desafios e quais ações podem ser melhoradas. A partir disso, agora, os participantes trabalharão em conjunto para avançar na produção de um mapa que será público, com o objetivo de ajudar a construção de políticas públicas em benefício da sociobiodiversidade da Mata Atlântica. Nos dias de oficina, as bases de informações utilizadas no processo serão avaliadas, definindo-se os alvos e metas de conservação do bioma e validando os mapas de distribuição dos alvos de conservação.

As Áreas Prioritárias para a Conservação, Utilização Sustentável e Repartição dos Benefícios da Biodiversidade são um instrumento de política pública para apoiar a tomada de decisão, de forma objetiva e participativa e o planejamento e implementação de ações, como criação de unidades de conservação, licenciamento, fiscalização e fomento ao uso sustentável.

As regras para a identificação de tais Áreas e Ações Prioritárias foram instituídas formalmente pelo Decreto nº 5092 no âmbito das atribuições do MMA. Cabe ainda ao ministério disponibilizar os meios e os instrumentos necessários ao processo de atualização das Áreas e Ações Prioritárias, de forma a garantir a participação da sociedade e o alcance do resultado, que deve refletir as decisões tomadas nas oficinas participativas, usando como subsídio as bases de dados compiladas durante o processo.

O trabalho do IPÊ e MMA acontece no âmbito do Projeto Biodiversidade e Mudanças Climáticas na Mata Atlântica, coordenado pelo MMA no contexto da Cooperação para o Desenvolvimento Sustentável Brasil-Alemanha, parte da Iniciativa Internacional de Proteção do Clima (IKI) do Ministério Federal do Meio Ambiente, Proteção da natureza, Construção e Segurança Nuclear (BMUB) da Alemanha. Conta com o apoio técnico da Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ) e apoio financeiro do Banco de Fomento Alemão (KfW).

 

 

O icônico tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) é considerado vulnerável à extinção, de acordo com a Lista Vermelha das Espécies (IUCN/ União Internacional para a Conservação da Natureza). No Cerrado, essa vulnerabilidade se dá, principalmente, pela falta de habitat, devido à conversão de florestas em áreas para atividade agropecuária e devido a atropelamentos nas rodovias, especialmente as que cortam o Mato Grosso do Sul. No Estado, o tamanduá é a terceira espécie com maior incidência de atropelamentos, perdendo apenas para o cachorro-do-mato e o tatu-peba.

 Além das altas velocidades nas estradas, os atropelamentos dos tamanduás ocorrem devido a crenças populares de que o animal atrai mau agouro. "Essas crenças acabam virando motivo de perseguição com os animais. Há quem acredite, por exemplo, que, ao cruzar com um desses bichos, a sorte só volte se bater no focinho dele. Outros, em posse de veículos, acabam cometendo o atropelamento proposital.", conta a bióloga Mariana Catapani.

Com o objetivo de desmistificar essa e outras ideias que prejudicam a vida da espécie, o projeto Bandeiras e Rodovias, do ICAS - Instituto de Conservação de Animais Silvestres em parceria com o IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas, produziu o livro infantil "O Incrível Tamanduá Bandeira". A ideia é levar informação a crianças e jovens sobre a importância da espécie, sua ecologia e comportamentos, de forma a conscientizá-los sobre o respeito à vida desses bichos.

Para a criação do livro, foram utilizados os conhecimentos levantados por Bruna Oliveira, Biologa e coordenadora do Projeto Tatu Canastra Cerrado e  Mariana, que é doutoranda do programa de Ciências Ambientais da Universidade de São Paulo (USP).Elas avaliaram as crenças populares sobre a espécie a partir de mais de 500 entrevistas na região de Cerrado do Mato Grosso do Sul. "Existem diversas questões apontadas pelos entrevistados sobre não gostar da espécie, de crenças à baixa percepção estética sobre o animal. Isso é um processo psicológico e algo que passa de geração em geração. Espero que com esse livro, possamos alcançar as crianças para que elas cresçam com um olhar livre de preconceitos e desse tipo de crença que só prejudica essa espécie tão importante", afirma Mariana.

A publicação conta também com um Manual do Professor, com atividades para serem executadas em sala de aula com os alunos, e ilustrações do biólogo Pedro Rodrigues Busana. As artes são resultados do seu mestrado profissional na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). "Os desenhos têm uma abordagem científica baseados em observações científicas e entrevistas com profissionais com a função de delinear o que precisaria ficar evidente nessa arte. Buscamos um traço mais realista, para que as crianças identifiquem os animais quando avistá-los. Ao divulgar isso para as crianças, acreditamos que possamos alcançar também os adultos, já que elas são multiplicadoras de informação para os pais", comenta Pedro.

O lançamento durante Congresso da SZB - Sociedade Brasileira de Zoológicos, no dia 6 de Abril, em Brasília.  Ao todo, cinco mil exemplares serão distribuídos gratuitamente em escolas públicas (com prioridade para as rurais), em cidades com ocorrência de tamanduás no Mato Grosso do Sul. O pesquisador  Arnaud Desbiez, Coordenador do Projeto Bandeiras e Rodovias. acredita que o livro é uma ferramenta importante para ampliar o conhecimento sobre o trabalho de conservação. “Este Ano a Sociedade Brasileira de Zoológicos está lançando o Ano do Tamanduá, assim, vamos trabalhar com os diferentes zoológicos da SZB para poder alcançar  e distribuir o livro e o manual  nas salas de aula do país. Esse apoio dos educadores de zoológicos é fundamental para a gente poder aumentar o alcance da nossa mensagem pela proteção da espécie”, diz.

 

O projeto "Semeando Água", patrocinado pela Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, lançou seu novo blog. No endereço http://semeandoagua.ipe.org.br, é possível acompanhar todas as ações do projeto, que trabalha pela conservação dos recursos hídricos no Sistema Cantareira.

 

O IPÊ realizou o primeiro plantio de árvores nativas de 2018 no Pontal do Paranapanema. Desta vez, na Estação Ecológica (ESEC) Mico-Leão-Preto, localizada nos municípios de Teodoro Sampaio e Euclides da Cunha Paulista (SP). O evento contou com mais de 40 voluntários.

O plantio foi realizado em uma área de recuperação florestal da ESEC, uma das Unidades de Conservação mais importantes da região. No mutirão desta sexta, foram plantadas 150 árvores e, ao todo, serão plantadas  2000 nativas de várias espécies.

A ESEC, de 6.680,6200 hectares, junto com o Parque Estadual Morro do Diabo, de 33.845,33 hectares, formam o maior pedaço de Mata Atlântica de interior que restou na região, protegendo a espécie símbolo do Estado de São Paulo, o mico-leão-preto. As duas áreas são conectadas por um grande corredor reflorestado pelo IPÊ, que tem quase 20 quilômetros de extensão.

O reflorestamento na estação ecológica é parte de um projeto sobre mudanças climáticas chamado Climate Crowd. Em 2017, o IPÊ realizou um levantamento na região, entrevistando 33 moradores e trabalhadores da área rural sobre a percepção deles a respeito do clima. Na pesquisa, os entrevistados associaram as mudanças do clima ao longo das últimas duas décadas com as mudanças percebidas na natureza como a falta de sazonalidade nas estações do ano, o desaparecimento e a mortalidade de espécies e o avanço de pragas. A partir desse diagnóstico, foram traçadas algumas estratégias de mitigação e adaptação às mudanças climáticas localmente, como o plantio de árvores.

O evento teve apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e da organização internacional WWF.