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IPÊ, Reserva Biológica (Rebio) do Rio Trombetas (Pará) e CEPAM realizaram, entre 14 e 16 de agosto, o 1º Curso de Reciclagem do Monitoramento de Quelônios do Projeto de Quelônios do Rio Trombetas (PQT).

Nos dias 14 e 15 foram capacitados os interessados em ser voluntários das comunidades Último Quilombo e Nova Esperança. Já no dia 16, foi a vez das comunidades Tapagem, Paraná do Abuí e Abuí. A capacitação é uma importante oportunidade para as famílias que se voluntariam no PQT. "Aproximadamente 70 comunitários remanescentes de quilombolas e 12 agentes ambientais participaram do curso e tiveram a oportunidade de aprender e trocar os saberes nesses dias conosco", comenta Deborah Castro, chefe do NGI ICMBio Trombetas.

O projeto é coordenado pela Rebio do Rio Trombetas em parceria com INPA, com apoio da Mineração Rio do Norte - MRN e o Programa ARPA. A participação do IPÊ se dá por meio do projeto Monitoramento Participativo da Biodiversidade em Unidades de Conservação da Amazônia, realizado em parceria com o ICMBio, com apoio financeiro da USAID, Gordon and Betty Moore Foundation e ARPA.

Crianças - No curso realizado no interior do Lago do Erepecu, seis crianças de 4 a 12 anos que estavam acompanhando seus pais puderam realizar atividades de sensibilização ambiental sobre a conservação dos quelônios e a questão do lixo.

Temas como o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), Programa de Voluntariado, Programa de Monitoramento In Situ da Biodiversidade (MONITORA), Protocolo Complementar de Quelônios Aquáticos Amazônicos, entre outros estiveram na programação.

“Acho muito importante esse momento porque a gente se enxerga dentro de algo muito maior” disse Josinaldo Lira um dos agentes ambientais capacitados.

Desova - A desova dos Quelônios do Rio Trombetas começa em setembro para as espécies tracajá e pitiú. Em outubro ocorrem as desovas da espécie Tartaruga-da-Amazônia nas praias protegidas pelo PQT.

 

No dia do Voluntariado, 28 de agosto, está no ar o novo Sistema de Voluntariado do ICMBio. Elaborado pelo IPÊ, o sistema digital cruza as informações das UCs que precisam de voluntários, com os dados de quem deseja ser um deles. Por ali, o cadastro dos voluntários pode ser feito por eles próprios, assim como seu controle de frequência. O sistema foi desenvolvido com participação dos gestores locais das UCs e percorre todas as etapas da gestão do Programa de Voluntariado: adesão/planejamento; emissão de certificados; preparação de editais e planos de trabalho; divulgação de vagas disponíveis; avaliação e diferentes tipos de relatórios.

"Com esse sistema, queremos conectar voluntários e gestores por meio de uma ferramenta útil para ambos. Ao facilitar o contato entre eles, a tendência é que mais pessoas se interessem pela atividade e que a gente veja um aumento da participação social junto às unidades", afirma Fabiana Prado, gerente de articulação institucional do IPÊ.

O Programa de Voluntariado do ICMBio contou com muitos avanços a partir da sua reestruturação em 2015, envolvendo IPÊ, WWF-Brasil e organizações locais que atuam em conjunto com as UCs. Uma das estratégias estabelecidas foi, justamente, integrar mais a sociedade à realidade das UCs. "O programa como um todo, ajuda a formar embaixadores para a conservação da biodiversidade. A partir do momento que as pessoas se voluntariam e trabalham nas UCs, elas estão tomando contato com as dificuldades e também com as mensagens que essas áreas protegidas têm a nos oferecer. Então elas levam para seus espaços sociais, suas famílias, associações, cooperativas, para seu trabalho e outros espaços essa mensagem ambiental", afirma Paulo Russo, coordenador geral do SISBIO/ICMBio.

 

A participação de voluntários em áreas protegidas tem crescido de forma exponencial. No Brasil, o voluntariado em Unidades de Conservação (UCs) federais acontece por meio do Programa de Voluntariado do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade). Atualmente, 168 UCs e centros de pesquisa participam do programa. Em 2017 um levantamento registrou mais de 2.200 participantes e cerca de 103.000 horas de trabalho voluntário.

Para verificar a importância do voluntariado no dia-a-dia de uma UC, em parceria com o ICMBio, o IPÊ realizou uma pesquisa sobre a percepção dos gestores dessas áreas a respeito das motivações dos voluntários e os principais benefícios e desafios associados à atividade. O estudo complementa pesquisa realizada com os voluntários, publicada ainda em 2017, e aponta similaridades importantes entre a percepção dos voluntários e dos gestores das UCs. 

"Os resultados dessa nova pesquisa permitem compreender a percepção dos gestores sobre as motivações dos voluntários e sobre os benefícios e desafios associados ao recebimento de voluntários nas UCs. O interessante é verificar que existe um alinhamento entre as percepções dos gestores e dos voluntários", afirma Angela Pellin, pesquisadora do IPÊ e coordenadora do levantamento.

Na pesquisa de 2018, 38 gestores de 17 estados e representantes de 41 unidades organizacionais foram entrevistados. De acordo com a maioria, os voluntários são principalmente motivados pelo “Desejo de contribuir para a conservação da natureza” (66%). Para eles, os principais aspectos positivos associados ao programa de voluntariado são: a ampliação do conhecimento da sociedade em geral sobre a unidade e sua importância (57,8%), e a promoção de oportunidades de participação da sociedade na conservação da biodiversidade (50,7%). Os principais desafios destacados pelos gestores foram o tempo de dedicação aos voluntários (64,5%) e a falta de estrutura (57,9%).

Além do desejo de contribuir para a conservação da natureza, outras motivações foram citadas pelos gestores como relevantes para aquelas pessoas que escolhem ser voluntárias em UCs: a “Oportunidade de obter experiência profissional” (49%), o "Interesse em aprender algo novo” (40%), o “Interesse em conhecer melhor as atividades do ICMBio e da unidade” (37%), a “Oportunidade de enriquecimento pessoal” (34%) e o “Desejo de contribuir com a unidade onde realizou atividades” (29%).

"Na pesquisa de 2017, com os voluntários, eles também apontaram como relevantes a aquisição de novas experiências e o sentimento de que estão contribuindo com uma boa causa, para ampliação da divulgação de informações sobre as características e desafios dessas áreas e para a aproximação com as comunidades locais e sociedade de forma geral", afirma Angela.

A pesquisa também demonstrou que o voluntariado nas UCs tem ajudado na melhora da relação dos gestores e da unidade com a comunidade do entorno, ampliando a possibilidade de desenvolver atividades diversificadas e a mão de obra disponível.

Com relação aos maiores desafios para a realização do voluntariado, existe uma diferença de percepção entre gestores e voluntários. Para os gestores, o tempo de dedicação aos voluntários e a falta de estrutura são os principais gargalos, seguidos por fornecimento de segurança aos voluntários (43,1%), a falta de conhecimento dos voluntários sobre a unidade e suas normas (29,9%) e a falta de conhecimento dos voluntários sobre as ações que irão desenvolver na unidade (25,7%).

"Já para os voluntários as principais deficiências relacionadas com a experiência de voluntariado nas UCs estão associadas à falta de infraestrutura e de divulgação de informações e comunicação com as unidades, à clareza em relação ao seu papel e atividades a serem realizadas e ao tempo dedicado ao voluntariado", comenta Angela.

Inscrições encerradas para o processo seletivo de contratação de pessoa jurídica na prestação de serviço de adequação de Sistemas Produtivos em Propriedades Rurais, com ênfase em pecuária e Áreas de Preservação Permanente (APPs), no projeto Semeando Água, em Nazaré Paulista (SP) e outros municípios de abrangência do Sistema Cantareira.