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O maior Parque Nacional do Brasil (Parna Montanhas do Tumucumaque) tem cerca de quatro milhões de hectares. Isso significa ser quase do tamanho do estado do Rio de Janeiro e maior do que a Bélgica. Essa imensidão guarda riquezas biológicas importantes da Amazônia - muitas delas ainda não descobertas ou estudadas pela ciência.

A UC foi uma das primeiras a participar da iniciativa de Monitoramento Participativo da Biodiversidade, ainda em 2014. Após três cursos formativos para cerca de 73 pessoas, hoje a área conta com 12 monitores, espalhados em três trilhas para avaliar a biodiversidade a partir de estudos da fauna e da floresta. As atividades de monitoramento de biodiversidade e de floresta na unidade são orientadas seguindo protocolo florestal básico, avaliado regularmente por monitores comunitários e gestores do @ICMBio que atuam no parque.

Confira o VIDEO sobre a iniciativa

O projeto do IPÊ, em parceria com o ICMBio é apoiado por Gordon and Betty Moore FoundationUSAID - US Agency for International Development e Programa ARPA

 

No dia 5 de outubro, Suzana Padua recebeu o prêmio Lifetime Achievement Award 2018, durante um evento na Universidade da Flórida (UF), Estados Unidos. A presidente do IPÊ foi homenageada pelo Conselho do Centro de Estudos Latino-Americanos (LAS) da Universidade, que reconhece ex-alunos da universidade cujas realizações ao longo dos anos tiveram um impacto significativo em seu campo de forma regional, estadual ou nacional.

 

O prêmio levou em conta o papel de liderança e serviço à comunidade e à sociedade de Suzana, bem como as conquistas significativas na sua carreira, o seu histórico na capacitação para conservação e educação ambiental por meio da criação do IPÊ, do programa de educação ambiental da organização e da ESCAS - Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade.

Com mestrado concluído na Universidade da Flórida (UF), em 1991, com foco em educação ambiental e, posteriormente, o doutorado na Universidade de Brasília (UnB), em 2004, Suzana publicou mais de 50 artigos e orientou 30 estudantes de Mestrado, ao longo de sua carreira até o momento. Por conta de ações que influenciaram a transformação socioambiental e a vida de muitos estudantes, profissionais e membros da comunidade rural, especialmente mulheres, foi reconhecida por 17 prêmios nacionais e internacionais. O trabalho ao lado de seu marido, Claudio Padua, desenvolvendo programas de pós-graduação pioneiros, foi inspirado pela formação interdisciplinar que ambos receberam no Centro de Estudos Latino-Americanos da UF e no programa de Tropical Conservation Development - TCD (Conservação e Desenvolvimento Tropical) do Centro.

“Estou extremamente feliz por esse prêmio, que divido com toda a equipe do IPÊ e nossos parceiros, porque não fazemos nada sozinhos. O Centro de Estudos Latino-Americanos e o TCD influenciaram Claudio e eu tremendamente. Quando estávamos montando o currículo dos cursos de curta duração do IPÊ, Masters e até do MBA, usamos nossa experiência interdisciplinar na UF como base para o que queríamos oferecer. É assim que os temas sociais e ambientais se tornam inseparáveis, dando à vida mais significado e valor”, afirmou Suzana.

 

Criada em 2002, no Acre, a Reserva Extrativista (Resex) do Cazumbá-Iracema ocupa quase 40% do território de Sena Madureira. A área abriga 350 famílias que lutaram e continuam lutando para conservar a floresta e seus castanhais, de onde retiram o sustento.

Há quatro anos, por meio do projeto Monitoramento Participativo da Biodiversidade, realizado em parceria com o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), o IPÊ chegou para apoiar ainda mais o processo de conservação no local. Para isso, desenvolve cursos para formação de monitores e oficinas para implementação e aperfeiçoamento de protocolos de monitoramento dos castanhais. Confira no VIDEO

Com o projeto, a comunidade é protagonista e cria o seu próprio futuro. São os moradores e extrativistas que fazem a coleta de dados e sabem a hora e a maneira certa de coletar as castanhas, para que o extrativismo seja realizado de forma sustentável. Essa prática foi fruto de uma integração entre o conhecimento tradicional das populações que vivem na Resex e o aprendizado com os cursos do projeto. Jovens e adultos estão engajados para manter a floresta e os castanhais.

"Nosso maior legado para a Resex foi proporcionar a troca de conhecimentos e levar ainda mais informação. Os cursos sobre manejo dos castanhais e como aplicar o protocolo para realizar o monitoramento foram muito importantes para o processo de engajamento das pessoas pela conservação dos castanhais. Hoje, você consegue perceber de fato o envolvimento das pessoas porque, com informação, eles têm um cuidado maior, sabem o momento certo de cortar e o que cortar nos castanhais, garantindo que aquele recurso permaneça por mais tempo na Unidade de Conservação", afirma Ilnaiara Gonçalves de Sousa, pesquisadora de campo do IPÊ.

O projeto Monitoramento Participativo da Biodiversidade tem apoio de USAID, Gordon and Betty Moore Foundation e ARPA.

 

O biólogo do IPÊ Haroldo Borges Gomes participou do Fórum sobre Experiências de Monitoramento de Restauração e Conservação de Bosques, em San Juan Nepomuceno, na Colômbia. A convite do Proyecto Titi (Projeto Tití), Haroldo, que também é Mestre em agronomia, fez uma palestra sobre o sucesso do projeto de restauração florestal e de paisagens no Pontal do Paranapanema e participou de atividades de intercâmbio.

"Foi uma grande experiência. O projeto da Colômbia já vem trocando informações conosco há algum tempo, pois têm desafios semelhantes aos nossos, que são o de conservar um primata por meio da proteção e restauração de seu habitat. No evento, pude falar mais sobre a nossa atuação no Pontal e os resultados do corredor da Mata Atlântica para um público mais amplo, de diversas instituições de projetos e pesquisas, estudantes, universidades, representantes de parques nacionais de conservação da natureza", afirma Haroldo.

O Fórum compartilhou experiências sobre esforços de restauração de bosques, incluindo métodos, estratégias e resultados que possam inspirar outras organizações interessadas em promover as mesmas práticas em suas localidades.

O Projeto Tití luta para conservar o sauim-cabeça-de-algodão (Saguinus oedipus), um dos primatas mais ameaçados do mundo. A espécie foi declarada ameaçada em 1973 após a exportação de 20.000 a 40.000 micos para os Estados Unidos para uso em pesquisa biomédica. No final da década de 1970 e durante a maior parte da década de 80, verificou-se que esses primatas desenvolvem espontaneamente adenocarcinoma do cólon. Eles serviram como o principal modelo para estudos aprofundados desta doença ao longo de grande parte desta década. Hoje, a maior ameaça à sobrevivência do sauim-cabeça-de-algodão é o desmatamento para agricultura, combustível e habitação, além da coleta para o comércio local de animais de estimação na Colômbia.