Últimas Notícias

As fotos capturadas por meio de câmeras escondidas na floresta muitas vezes rendem cenas interessantes como o aparecimento de um animal raro ou ainda nascimento de uma espécie nunca antes registrado, situações que dificilmente seriam capturadas com a presença de um ser humano na cena. Consideradas um grande avanço no monitoramento de mamíferos terrestres em ecossistemas ricos em biodiversidade, as armadilhas fotográficas (camera trap) surgiram para facilitar os estudos científicos em áreas florestais mais fechadas, ajudando pesquisadores na compreensão sobre o comportamento da fauna e no levantamento sobre a presença de espécies em determinadas áreas. Por essa razão, têm sido largamente utilizadas por vários projetos de pesquisa para conservação.

Inspirados na capacidade das câmeras em revelar dados importantes para a ciência, um grupo de pesquisadores decidiu organizar as informações resultantes de 170 pesquisas com mamíferos terrestres de médio a grande porte. O resultado: o maior inventário de mamíferos terrestres da Mata Atlântica com base em camera trap. O estudo foi publicado dia 31 de agosto por meio de um artigo na revista Ecology (Ecological Society of America), com a participação de 56 autores, entre eles, o pesquisador do IPÊ Fernando Lima, que liderou o levantamento.

"Esse estudo é um compilado dos esforços de pesquisa de dezenas de profissionais que se dedicam à conservação desses mamíferos na Mata Atlântica. Não fazia sentido informações tão ricas e de tanta qualidade ficarem espalhadas. Em conjunto, elas podem representar informações mais robustas, que darão suporte a estratégias de conservação de diversas espécies", afirma Fernando.

O trabalho é parte de uma grande iniciativa elaborada pelo Prof. Dr. Mauro Galetti (LABIC-Unesp) e Prof. Dr. Milton Ribeiro (LEEC-Unesp): o ATLANTIC-DATASETS. Esta iniciativa visa sistematizar e disponibilizar grandes bancos de dados sobre a biodiversidade na Floresta Atlântica para que possam ser utilizados pela comunidade acadêmica, políticas públicas e esforços conservacionistas.

Para o levantamento, foram utilizadas informações de armadilhas fotográficas espalhadas por 144 áreas, abrangendo seis tipos de vegetação de Mata Atlântica (Brasil e Argentina) e sobre a composição e riqueza das espécies. O conjunto de dados completo compreende 53.438 registros independentes de 83 espécies de mamíferos, e também inclui 10 espécies de marsupiais, 15 de roedores, 20 de carnívoros, 8 de ungulados e 6 de tatus. De acordo com o levantamento, apenas seis espécies ocorreram em mais de 50% das áreas: o cão doméstico (Canis familiar), o cachorro do mato (Cerdocyon thous), a irara (Eira barbara), o quati (Nasua nasua), o mão-pelada (Procyon cancrivorus) e o tatu-galinha (Dasypus novemcinctus). A informação contida neste conjunto de dados pode ser usada para entender padrões macroeconômicos de biodiversidade, comunidade e estrutura populacional, mas também para avaliar as consequências ecológicas da fragmentação, desfiguração e interações tróficas.

Assista aqui ao video sobre o projeto.

 

A presidente do IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas, Suzana Padua, é a mais nova vencedora do Visionaris - Prêmio UBS ao Empreendedor Social. A premiação foi criada para apoiar o trabalho de empreendedores sociais de destaque. O tema deste ano foi "Construindo alianças de impacto", identificando empreendedores sociais que tiveram sucesso na implementação de esforços de colaboração multissetoriais, maximizando o impacto de suas iniciativas.

Em sua nona edição, de 2017, o prêmio teve quatro mulheres finalistas, com trabalhos sociais e ambientais de destaque no Brasil. Além de Suzana, Claudia Werneck, da Escola de Gente - Comunicação em Inclusão, Ana Moser, do Instituto Esporte & Educação, e Priscila Fonseca, do Todos Pela Educação.

Ao todo, 63 projetos foram inscritos, inclusive o de Suzana, que contou a história de criação do IPÊ, sua dedicação ao trabalho de educação ambiental para a conservação da biodiversidade brasileira e ainda da criação da ESCAS - Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade, para disseminar conhecimento sobre o tema em todo o Brasil. Como resultados, por meio do IPÊ, já foi alcançada a marca de 2,6 milhões de árvores plantadas na Mata Atlântica, 6 mil alunos capacitados na escola, espécies estão mais protegidas como o mico-leão-preto e a anta brasileira. Os trabalhos do Instituto alcançaram mais de 10 mil pessoas e beneficiaram 200 famílias em 2016. Tudo isso, conquistado por meio de uma equipe muito capacitada e parceiros de vários setores: empresariais, governamentais e da sociedade civil.

"Quero agradecer ao Claudio (Padua), à turma do IPÊ, que eu acho que a gente inspirou e que está com a gente até hoje, que está com a gente desde o início. Agradeço também aos nossos conselheiros e parceiros. Cada um tem um papel muito importante na nossa instituição e é essa rede que a gente está formando que é tão importante. Quero agradecer à natureza brasileira por inspirar a gente. A gente vive num país absolutamente mágico e a gente precisa realmente valorizá-lo, senão a gente corre o risco de perder muita coisa", disse Suzana, em discurso durante a premiação. 

 

 

A ESCAS - Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade do IPÊ, realiza um workshop gratuito sobre o Software R para Biologia da Conservação. No curso, o professor Marcos Vital indica os caminhos mais simples para que o aluno possa dar os primeiros passos nas Análises Bioestatísticas usando o Software R. O workshop é gratuito e acontece de 21 de setembro a 1 de outubro. Para se inscrever, basta acessar o site: http://cursos.escas.org.br/workshop-r3

O workshop também lançará as bases para um curso mais completo sobre Dominar as Análises Bioestatísticas usando o Software R em apenas 10 semanas.

Sobre o professor:

Marcos Vital é coordenador do Laboratório de Ecologia Quantitativa, e professor Bioestatística, Biomatemática e Ecologia da UFAL. Ele realiza e orienta pesquisa em áreas como Ecologia, Evolução e Biologia da Conservação, quase sempre com um forte enfoque quantitativo. Produz material didático e ministra cursos sobre Bioestatística, Modelagem e áreas afins. 

 

Os Sistemas Agroflorestais (SAFs), vêm se tornando sistemas produtivos que potencializam a produção de forma sustentável equilibrando ganhos econômicos, sociais e ambientais. Há mais de 20 anos, o IPÊ vem trabalhando com esse sistema no Pontal do Paranapanema, junto a assentados rurais, em uma área de grande impacto para a proteção da Mata Atlântica e toda a sua biodiversidade. Os resultados desse processo e como ele vem sendo estruturado ao longo do tempo pelos pesquisadores do IPÊ fazem parte agora do livro "Sistemas Agroflorestais: Experiências e Reflexões", da Embrapa Ambiental.

A publicação pode ser acessada aqui. No capítulo "Perspectivas e desafios na ampliação de sistemas produtivos sustentáveis para a agricultura familiar no Pontal do Paranapanema", é possível conhecer algumas das metodologias aplicadas no desenvolvimento dos SAFs nessa região, a importância da agroecologia para a economia e bem estar social do agricultor familiar, bem como os desafios envolvidos na implementação deste processo. A autoria é de Haroldo Borges Gomes, Laury Cullen Jr., Aline dos Santos Souza, Nivaldo Ribeiro Campos e Williana Souza Leite Marin, especialistas do IPÊ em produção agroecológica combinada à conservação da biodiversidade.

O livro, lançado dia 12 de setembro, durante VI Congresso Latino-Americano de Agroecologia e X Congresso Brasileiro de Agroecologia, é uma coletânea de diversos trabalhos e experiências de 38 pesquisadores de várias instituições de pesquisa, universidades e ONGs que trabalham com a temática juntamente com agricultores.

Leia aqui.

 

 

Estão abertas, até o dia 13 de outubro, as inscrições para o III Seminário de Boas Práticas na Gestão de Unidades de Conservação (UCs), que será realizado de 27 a 29 de novembro em Brasília. Promovido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em parceria com o IPÊ, o seminário tem como objetivo o intercâmbio de experiências bem sucedidas que promovam inovação e/ou mudanças positivas na unidade com potencial de replicação.

O tema central do seminário será as parcerias. “Queremos ressaltar as boas práticas que ocorrem com o apoio das parcerias, que não são só financeiras, mas também técnicas”, destaca a chefe da Divisão de fomento a parcerias, Carla Guaitanele. 

Nesta edição ocorrerá também o I Fórum Internacional de Parcerias na Gestão de Unidades de Conservação. A apresentação de experiências internacionais tem a intenção de enriquecer as discussões e proporcionar uma visão da importância global do Brasil em relação à biodiversidade e áreas protegidas.

Servidores federais e estaduais envolvidos na gestão de unidades de conservação, bem como seus parceiros (organizações não governamentais, empresas, comunidades, associações, universidades) poderão submeter suas práticas para apresentar durante o seminário.

Outra inovação desta edição é que servidores do ICMBio poderão apresentar propostas de boas práticas que buscam parcerias para sua execução ou o aprimoramento da proposta. “A ideia é que os gestores possam utilizar o momento de intercâmbio como uma oportunidade para buscar parcerias e concretizar as propostas”, finaliza Guaitanele.

O evento será apoiado por Gordon and Betty Moore Foundation, Projeto Desenvolvimento de Parcerias Ambientais Público-Privadas apoiado pelo Banco Interamericano para o Desenvolvimento (BID), CAIXA e Instituto Brasileiro de Administração Municipal (IBAM), a Agência de Cooperação Técnica Alemã (GIZ) e outros que buscam valorizar e estimular o diálogo a partir da divulgação de Boas Práticas em parcerias para gestão e que colaboram de forma articulada e coordenada para a implementação das UC e consequentemente para a consolidação do SNUC.

Os interessados podem acessar o edital AQUI. Dúvidas podem ser encaminhadas para o e-mail [email protected]

Um dos resultados da última edição do seminário, em 2016, foi a publicação da Revista Boas Práticas na Gestão de Unidades de Conservação