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Nas Águas do Salobra

Turismo de Base Comunitária no Pantanal

Sobre o projeto

Em 2026, o IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, o Instituto Delta do Salobra (IDS) e a Associação dos Moradores do Povoado Salobra (AMPS) deram início a um projeto de Turismo de Base Comunitária na Comunidade Salobra, município de Miranda (MS), no Pantanal Sul-mato-grossense. Com duração de 18 meses e financiamento do FUNBIO via programa GEF Terrestre, o trabalho reúne pesquisa aplicada, conservação ambiental e desenvolvimento local em um dos territórios mais biodiversos do Brasil.

O objetivo é estruturar experiências turísticas operadas pelos próprios moradores: 75 famílias ribeirinhas que conhecem cada curva do Rio Miranda, cada pouso do tuiuíú, cada sinal da ariranha. Um turismo que gera renda para quem protege o território e fortalece a conservação da biodiversidade do Delta do Salobra.

O projeto está inserido no programa GEF Terrestre. Estratégias de Conservação, Restauração e Manejo para a Biodiversidade da Caatinga, Pampa e Pantanal, financiado pelo FUNBIO com recursos do GEF (Global Environment Facility) e apoio do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e do Governo Federal. O programa busca demonstrar que é possível conservar a biodiversidade desses biomas por meio de alternativas econômicas sustentáveis e do engajamento direto das comunidades locais.

“Nas Águas do Salobra” contribui especificamente para o componente de alternativas econômicas sustentáveis e engajamento comunitário na conservação — um modelo que conecta geração de renda, proteção ambiental e organização social em um território estratégico para a biodiversidade brasileira.

Experiências turísticas previstas

As experiências turísticas serão estruturadas e operadas pelos próprios moradores, com capacitação técnica e metodológica do IPÊ e do IDS. As atividades previstas incluem passeios de barco pelo Rio Miranda, com navegação guiada por barqueiros que conhecem cada braço do rio; culinária pantaneira com pesca artesanal e preparo a bordo; trilhas interpretativas pela vegetação de transição entre biomas; e birdwatching, com observação de aves como o tuiuíú, a arara-azul e dezenas de espécies aquáticas.

O diferencial dessas experiências está no conhecimento geracional dos moradores. Os barqueiros sabem onde as ariranhas aparecem, onde os jacarés descansam, onde as aves se concentram ao entardecer. Esse saber, passado de pais para filhos, não se encontra em nenhum guia turístico, o que torna o TBC no Salobra uma experiência única.

Impacto esperado

O projeto busca resultados concretos em múltiplas dimensões:

  • Geração de renda para as 75 famílias da comunidade a partir do turismo operado por elas próprias;
  • Conservação da biodiversidade do Delta do Salobra, tendo o turismo como incentivo econômico para a proteção do território;
  • Fortalecimento da AMPS como instância legítima de gestão comunitária e governança local;
  • Valorização dos saberes e da cultura pantaneira: conhecimento local sobre rios, aves, plantas e história;
  • Melhoria de infraestrutura básica: acesso à água e gestão de resíduos como legado do projeto;
  • Desenvolvimento de modelo replicável de turismo comunitário aplicável a outras comunidades do Pantanal.
O Território

O Povoado Salobra está localizado às margens do Rio Miranda e da BR-262, na porta de entrada do Pantanal. A região ocupa uma zona de transição rara entre os biomas Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica, o que lhe confere uma diversidade excepcional de fauna e flora, associada ao complexo hidrológico do Rio Salobra e seus afluentes:  corixos, baías e alagados que formam o Delta do Salobra.

A comunidade tem raízes na história da região: a ponte ferroviária sobre o Rio Miranda, construída em 1932, é um marco visual e cultural do povoado, que cresceu em torno da estação da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil. Essa memória histórica, somada ao conhecimento geracional sobre o rio, a pesca, as plantas medicinais e a fauna, constitui o patrimônio imaterial que dá identidade ao turismo comunitário.

Mapeamento do território

Uma das frentes centrais do projeto é o mapeamento territorial participativo, que combina ferramentas técnicas de geoprocessamento com o conhecimento dos moradores sobre o território. O mapeamento identifica áreas de interesse ecológico, rotas de navegação, pontos de observação de fauna, trilhas existentes, áreas de uso tradicional e zonas sensíveis. Construíndo uma base geográfica que fundamenta tanto o planejamento turístico quanto as estratégias de conservação.

Esse levantamento alimenta o diagnóstico socioambiental do projeto e será base para a estruturação dos roteiros turísticos, garantindo que as experiências valorizem os pontos mais relevantes do território sem comprometer áreas de reprodução ou habitats críticos.

Parceiros e financiamento

Parceiros de execução: Instituto Delta do Salobra (IDS) e Associação dos Moradores do Povoado Salobra (AMPS)

Financiamento: FUNBIO – Fundo Brasileiro para a Biodiversidade, via programa GEF Terrestre

Apoio institucional: GEF (Global Environment Facility), BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Governo Federal do Brasil

Duração: 18 meses (fevereiro de 2026 a agosto de 2027)

Local: Comunidade Salobra, município de Miranda, Mato Grosso do Sul

Nota editorial
Este texto foi elaborado no formato e tom editorial do site ipe.org.br para a página de projetos do Pantanal.. O conteúdo pode ser adaptado conforme a necessidade de espaço e o layout da página e espaço para adicionar imagens do território.

Onde Estamos

Rod. Dom Pedro I, km 47
Nazaré Paulista, SP, Brasil
Caixa Postal 47 – 12964-022
Tel: (11) 3590-0041

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