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pirarucuO monitoramento da biodiversidade passou por uma série de adequações no contexto da pandemia. Desde março, por conta do isolamento social, como forma de dar continuidade ao trabalho, a equipe do projeto MPB – Monitoramento Participativo da Biodiversidade, do IPÊ, segue em contato com as comunidades de maneira remota. 

Com o objetivo de apresentar o protocolo de monitoramento do pirarucu e orientar sobre preenchimento dos formulários com informações bioecológicas e socioeconômicas, neste mês de outubro (dia 15), monitores da Reserva Extrativista (Resex) do Rio Unini participaram de curso ministrado pela equipe do IPÊ, acompanhados de profisisonais do ICMBio.

Segundo Pauletiane Horta, técnica em recursos pesqueiros e brigadista do NGI/ICMBio Novo Airão, o manejo do pirarucu no Rio Unini vem crescendo e ganhando seu espaço, desde 2013; o que reforça a importância dos apoiadores e parceiros. “Cada vez mais os apoiadores buscam melhorias para que os manejadores possam entender a funcionalidade do manejo e consigam ter autonomia. Nós, como técnicos e apoiadores, estamos sempre dispostos a levar nosso conhecimento para eles, pois somos multiplicadores do conhecimento”, comenta. Pauletiane contou com acesso à internet no escritório do ICMBio.

Já para Paula Pinheiro, analista ambiental do NGI/ICMBio Novo Airão, o treinamento facilitou muito a capacitação que será realizada com os monitores em campo no momento pós-pandemia. “Com a ferramenta teremos informações importantíssimas sobre o manejo do pirarucu e os fatores que afetam a efetividade do manejo; o que nos ajudará a ter uma visão mais ampla da evolução do manejo ao longo dos anos".

Ângela Midori, analista ambiental do NGI/ICMBio Novo Airão, destaca os avanços obtidos com o monitoramento do pirarucu. Para a gestão, com o monitoramento é possível compreender a atividade como ecologicamente sustentável. Já a comunidade tem condição de avaliar se a atividade é economicamente viável e se tem gerado um recurso com repartição justa. Os novos protocolos estão bem bonitos visualmente, o que acredito agradará o monitor e contribuirá com o preenchimento. Quero muito ver como vão ficar os protocolos digitais”.

Implementação   

O monitoramento do pirarucu na Resex do Rio Unini teve início em 2019 com a capacitação de oito monitores, incluindo a gestora da Unidade de Conservação (UC).

O que é o protocolo do pirarucu?

É um dos Protocolos que compõem o Subprograma Aquático Continental do programa MONITORA (IN nº 03 de 04/09/17), que consiste em um roteiro seguido pelos monitores que fazem levantamentos sobre a biodiversidade pelo MPB - Monitoramento Participativo da Biodiversidade, do IPÊ, e programa Monitora/ICMBio. 

O protocolo do pirarucu foi criado de forma participativa, com apoio de gestores de UCs do ICMBio e SEMA - Secretaria Estadual do Meio Ambiente do Amazonas, manejadores de pirarucu, analistas ambientais do IBAMA, pesquisadores e técnicos do IPÊ e parceiros. 

Aprimoramento 

O protocolo do pirarucu está em fase de teste e aprimoramento, com a participação dos grupos de manejo de quatro UCs, uma área de Acordo de Pesca (Resex Unini, Resex Baixo Juruá, Resex do Médio Juruá, RDS Uacari e Área de Acordo de Pesca do Baixo-Médio Juruá), que colocarão todas as etapas em prática. 

O resultado desse trabalho será o desenvolvimento de uma ferramenta padrão para avaliar o status da espécie e a eficiência ambiental, econômica e social do manejo sustentável de pirarucu.

Sobre o projeto MPB 

A atividade faz parte da parceria entre IPÊ e o ICMBio - Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, por meio do CEPAM - Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Amazônica, que integra o Monitora - Programa Nacional de Monitoramento da Biodiversidade, Subprograma Aquático Continental.

A iniciativa é uma atividade do projeto MPB - Monitoramento Participativo da Biodiversidade em Unidades de Conservação da Amazônia”, desenvolvido pelo IPÊ em parceria com o ICMBio, com apoio de Gordon and Betty Moore Foundation e USAID.

Nesta terça-feira, 20 de outubro, às 19h, a ESCAS/IPÊ - Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade realizará mais um encontro dos Diálogos da Conservação com o tema Educação Ambiental é Ciência – transformando desafios em resultados, no YouTube do IPÊ. Ative as notificações para acompanhar!

Bate-papo imperdível com Suzana Padua, presidente do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, Andrea Pupo Bartazini, coordenadora de educação ambiental no IPÊ, e Zysman Neiman, professor da Unifesp – Universidade Federal de São Paulo e da ESCAS – Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade. 

Afinal, quais são os desafios para a Educação Ambiental ser vista como Iniciativa Científica? Como isso é visto na academia?  Qual é a importância da avaliação e monitoramento junto aos projetos de Educação Ambiental? 

Acompanhe esse encontro e conheça os desafios e os avanços da Educação Ambiental como Ciência

Participantes:

SUZANA MACHADO PADUA

Co-fundadora e presidente do IPÊ. 

Uma das responsáveis pela criação da Escola do IPÊ (ESCAS - Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade). Possui Mestrado concluído na Universidade da Flórida (UF), em 1991, com foco em educação ambiental e, posteriormente, o doutorado na Universidade de Brasília (UnB), em 2004. Suzana publicou mais de 50 artigos e orientou mais de 30 estudantes de Mestrado, ao longo de sua carreira. Por conta de ações que influenciaram a transformação socioambiental e a vida de muitos estudantes, profissionais e membros da comunidade rural, especialmente mulheres, foi reconhecida por 17 prêmios nacionais e internacionais.

ANDREA PUPO BARTAZINI

Bióloga, pedagoga e mestre em Conservação da Biodiversidade e Desenvolvimento Sustentável, pela ESCAS. Coordena projetos de educação ambiental no IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas, projetos que alcançam cerca de 3 mil pessoas todos os anos.

ZYSMAN NEIMAN

Mestre e Doutor em Psicologia (Psicologia Experimental com pesquisa em Educação Ambiental). Atualmente é Pesquisador e Professor Adjunto da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), atuando como vice-coordenador e professor no curso de Bacharelado em Ciências Ambientais. É autor de diversos livros na área de Ecologia, Educação, Meio Ambiente e Sustentabilidade e é Editor Chefe da Revista Brasileira de Ecoturismo (Qualis B2). Tem experiência na área de Ecologia Humana, atuando principalmente nos seguintes temas: Educação Ambiental, Unidades de Conservação, Sustentabilidade, Percepção Ambiental, Ética e Meio Ambiente, Terceiro Setor, Ambientalismo e Ecoturismo.

Publicado também em Fauna News

Por Suzana Padua, presidente do IPÊ

Tratar Educação Ambiental como Ciência nem sempre é considerado sano. Muitos acham bobagem, principalmente quem trabalha com questões sociais per se, mesmo que de forma profunda. Todavia, a minha trajetória demandou uma outra postura e acabei concluindo que sano seria tratá-la como Ciência. Vou explicar.

Faço parte de uma organização, o IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, cuja base é Ciência – Ciência para ação, para resolver questões, também chamada de Ciência Aplicada. Talvez por isso, internamente o respeito era dado a quem produzia dados que podiam ser validados cientificamente. Passei alguns anos sendo desvalorizada, mesmo que de forma disfarçada. Afinal de contas, trabalhar na área social não tinha o mesmo valor do que em Ecologia, Biologia ou com imagens de satélite, entre outros.

Com isso, ou eu escrevia minhas próprias propostas para conseguir executar o que almejava ou os pesquisadores incluíam nas últimas linhas de suas propostas algumas ideias, em geral com enormes expectativas de transformação, envolvimento e apoio de comunidades, mas prevendo escassos recursos para educação ambiental. As histórias eram bem complexas. Por exemplo, um pesquisador que trabalhava em um local onde havia a tradição de desmatamento desejava reverter a realidade com todo o apoio das pessoas locais, ou uma espécie que estava em extinção deveria tornar-se símbolo de conservação regional. Muito a realizar com o mínimo de recursos. Ou seja, missão impossível com as sobras do que restava dos diversos projetos.

Todavia, tive a sorte de cair nas mãos de uma professora recém-chegada à Universidade da Flórida, onde eu estava cursando mestrado, a Dra. Susan Jacobson, uma aficionada por avaliação. Foi aí que desenvolvi um trabalho comparativo com os alunos que visitavam o Parque Estadual do Morro do Diabo (que na época era administrado pelo Instituto Florestal de São Paulo), onde estávamos desenvolvendo nossos projetos – Claudio, meu marido, doutorando com foco na ecologia do mico-leão-preto, e eu com um programa de educação ambiental que havia criado e implementado para essa unidade de conservação, tendo o mico como espécie bandeira.

Meu estudo foi mensurar a eficácia do programa de visitação que havia implantado. Levou algum tempo a ser desenvolvido, pois cada etapa era avaliada e melhorada até que recebesse graus positivos. Ao visitarem o parque, pedíamos aos alunos que respondessem um questionário simples, avaliando cada atividade: A – excelente; B – bom; C – médio e D – ruim. Ora, todas as vezes que as atividades recebiam C ou D, havia uma força-tarefa para melhorar ou, se isso não acontecia, a atividade era deletada do programa. Tal procedimento ajudou a construir um programa de qualidade, que precisava ser testado de maneira científica.

Como foi efetuado meu estudo? Uma vez que na cidade mais próxima, Teodoro Sampaio (SP), todos os alunos das escolas já haviam visitado o parque (já estavam, assim, “contamiados” por informações e experiências), foi necessário buscar em Mirante do Paranapanema (SP), na Escola Estadual de Primeiro Grau Joana Costa Rocha, alunos que ainda não conheciam a unidade de conservação.

Isso porque precisávamos de uma turma que não tivesse sido exposta ao programa de educação ambiental que seria testado. A escola que aceitou talvez não soubesse da encrenca que eu estava armando, pois os alunos foram aleatoriamente separados em “Grupo Tratamento” que visitaria o Parque, e “Grupo Controle” que não iria à visita antes da testagem. Por que a escolha precisa ser aleatória? Por exemplo, se existisse 6ª A e 6ª B, e a escolha fosse pela turma toda A ou B, correríamos o risco de ter nossa pesquisa enviesada caso a escola adotasse a metodologia de agrupar os alunos que considerava os “melhores” ou “piores” em turmas separadas na A ou na B. Assim, os estudos científicos optam por escolhas aleatórias, que isentam resultados tendenciosos.

Alunos de 5ª à 8ª séries fizeram parte do estudo. Ao todo, 144 estudantes: 70 no Grupo de Tratamento e 74 no de Controle. Todos os alunos responderam a um questionário antes da visita (pré-teste) e um questionário logo após (pós-teste). A razão de se testar logo em seguida é para as turmas terem pouco tempo de interação e assim evitar trocas de informações que possam influenciar o pós-teste.

Uma vez que eu já estava em ritmo de pesquisa, aproveitei e repeti o teste 40 dias após para averiguar a retenção de informações ou de valores nos dois grupos. Esse passo não teria sido necessário para o mestrado, mas os resultados foram interessantes. Os valores ficaram retidos e até mais aprofundados, enquanto os conhecimentos da turma Tratamento reduziram um pouco com esse pequeno espaço de tempo, mas na comparação ainda mostrou diferença significativa entre os dois grupos. Aliás, a literatura indica que 15 dias já seria o suficiente para aferir o que ficou retido, mas optei por ser mais conservadora e aplicar esse terceiro teste com mais do dobro de tempo após o tratamento (visita ao parque).

Os resultados dos questionários foram transformados em números e colocados em uma planilha para que testes estatísticos pudessem ser efetuados. Orientações de especialistas de como fazer o que são sempre bem-vindas. Tive muita ajuda, pois não sou conhecedora de estatística, mas foi utilizada a Análise de Variância, Anova, que indicou diferenças significativas entre o Grupo Tratamento e o Grupo Controle. Mas as nuances de onde estavam essas diferenças só se tornaram evidentes no Teste Scheffé, que mostrou que entre meninas e meninos e entre os alunos de 7ª e 8ª séries comparados aos de 5ª e 6ª mostravam diferenças significativas. O próprio instrumento de pesquisa, o questionário utilizado, foi avaliado quanto à sua confiabilidade. Importante mencionar que o questionário foi testado antes de sua aplicação para o estudo, de modo a verificar se a linguagem e a formatação estavam próprias para o público-alvo. Com base no que se evidenciou, foram feitas as modificações cabíveis para que se tornasse adequado e eficaz.

Esses procedimentos ajudam a avaliar as respostas obtidas quantitativamente. No entanto, algumas perguntas no questionário eram abertas e elaboradas para mensurar valores e sentimentos. Portanto, o estudo passou a ser quali-quantitativo. Tal procedimento enriqueceu sobremaneira a pesquisa, pois houve espaço para não só mensurar conhecimentos, mas averiguar valores, sentimentos e engajamento ou desejo de envolvimento em ações ligadas à conservação e ao meio ambiente em geral.

Esse foi o estudo que realizei para o meu mestrado que avaliou o programa de educação ambiental implantado no Parque Estadual do Morro do Diabo. Este constava de palestra preparatória e três diferentes trilhas interpretativas, além de uma visita à estação meteorológica que funcionava no parque. Devo confessar que a última era a menos apreciada e a que frequentemente recebia as notas mais baixas, por não ter emoção como entrar na mata da Trilha do Mico-Leão-Preto, onde o visitante conhecia seu habitat e descobria o que precisava para viver. O visitante participava também de jogos elaborados para a Trilha do Arboreto, ou ainda, escalava a subida inesquecível da Trilha do Morro do Diabo, que mesmo difícil, demandante e cansativa, guardava uma emoção imensa para quem chegasse ao seu cume.

O programa ainda contava com sugestões de exercícios pós-visita, que os professores podiam desenvolver em sala de aula com seus alunos. Além disso, nas escolas, por muitos anos, foram realizados eventos que exigiam preparação contínua. Esse é o caso dos Fóruns de Ciências que contavam com apoio e envolvimento dos diretores de escola, pois ali trabalhávamos um tema específico durante o ano todo e seus resultados eram exibidos em uma feira de ciências aberta ao público.

Outra atividade de grande sucesso foi a publicação de calendários com as espécies locais ou sobre a visita ao parque, por exemplo, ilustrados com desenhos dos alunos. De modo a que todas as escolas fossem contempladas nas páginas dos meses em número equivalente, os melhores desenhos de cada escola eram selecionados e um júri externo escolhia quais entrariam na publicação, mas sem saber quem eram os artistas, para que a escolha não fosse tendenciosa. O júri era composto de pessoas da sociedade, como diretor de banco, advogado, médico, entre outros. A forma de atrai-los era sempre chamar a mídia na hora da seleção dos desenhos, o que mostrou ser uma medida eficiente.

 

 

 

 

Todas as atividades desenvolvidas eram também avaliadas para que pudéssemos melhorar a oferta. Perguntas simples como “o que sugere que a gente mude nos próximos eventos ou programas?”, ou “que nota você dá para essa iniciativa?” com as opções de A a D. Essa medida pode não ser classificada como “científica” por não aplicar testes estatísticos, mas serviram para aprimorar o que estávamos oferecendo.

Importante ressaltar que a pesquisa qualitativa tem um valor inquestionável. Todavia, muitas vezes exige tempo e um cuidado redobrado na interpretação dos dados levantados. A junção da abordagem quantitativa à qualitativa adiciona aspectos de agilidade na aferição dos resultados e traz maior confiabilidade junto a cientistas que não são das áreas sociais, por indicarem de maneira mais precisa diferenças entre grupos e a própria eficácia ou não de uma estratégia analisada.

Resolvi detalhar essa pesquisa, pois retrata as medidas que adotei no meu mestrado. O estudo me ajudou a mostrar que Educação Ambiental é também Ciência, o que me rendeu maior credibilidade junto a pesquisadores de áreas variadas. Realizei outros estudos, inclusive meu doutorado, mas para não me alongar demais, achei por bem focar nesse exemplo. Como tenho orientado um grande número de alunos em Educação Ambiental, são muitas as nuances que eu poderia descrever neste artigo. Destaco apenas o exemplo da Andréa Pupo Bartazini, pesquisadora e educadora ambiental do IPÊ que orientei.

Ela aproveitou um programa que implantou para alunos da região do Sistema Cantareira e comparou os resultados imediatos que havia coletado a cada ano com os conhecimentos e valores que permaneceram, que chama de impacto. Assim, analisa e compara respostas imediatas com o impacto do que ficou após algum tempo

Espero que esta síntese seja útil e que ajude a trazer mais e mais credibilidade à Educação Ambiental, campo de suma importância para a conservação e a sustentabilidade.

Com a reabertura de Unidades de Conservação, as atividades de campo do Programa de Conservação do Mico-Leão-Preto foram retomadas em setembro. A equipe retornou ao Pontal do Paranapanema para dar continuidade ao trabalho de pesquisa de longo prazo para a conservação da espécie.

A retomada aconteceu na Estação Ecológica Mico-Leão-Preto/ICMBio. Para que isso fosse possível, a equipe seguiu um protocolo estrito de biossegurança, buscando garantir ao máximo a proteção aos micos e aos profissionais envolvidos. Os pesquisadores e assistentes de campo contam com equipamentos de proteção ainda mais específicos para evitar qualquer contaminação por SARS-CoV2. Além disso, outra aplicação nova no campo é o uso de anestesia inalatória nos animais capturados para pesquisa, que diminui muito o tempo de manipulação dos bichos.

No período de pausa das atividades, a equipe do IPÊ passou por treinamentos para aplicação desses novos protocolos e agora aplica todas as recomendações elaboradas para trabalhos com primatas durante esse período de reabertura das áreas naturais.

A expedição de retorno ao campo envolveu captura de micos-leões-pretos para coleta de amostras que serão destinadas a diversas análises, feitas em parceria com universidades como Unesp e UFSCar. São análises laboratoriais e de material genético, hormônios e isótopos.

Também foram colocados rádios-colares para dar andamento ao monitoramento dos micos na natureza. Um dos micos capturados também recebeu uma mochila de GPS com acelerômetro, que coleta informações sobre sua movimentação de forma tridimensional. Com isso, além do movimento bidimensional registrado pelas coordenadas do GPS, os acelerômetros nos permitem entender como esses animais usam as árvores, verticalmente.

Com esse equipamento, o programa de conservação consegue estimar o gasto energético diário dos micos em diferentes florestas e avaliar se existe variação em áreas mais preservadas ou degradadas. Os resultados dessa pesquisa vão guiar as ações de restauração, pra que os micos possam ter um ambiente mais apropriado para viver e se reproduzir.

Outras duas expedições nos fragmentos florestais do Pontal do Paranapanema estão previstas até o final do ano.

Qual é a sua conexão com a natureza? É com essa pergunta que iniciamos oficialmente a campanha do Um Dia No Parque 2020 (#UmDiaNoParque), que acontece em 18 de outubro, entre uma série de atividades inspiradoras, lives, participações de especialistas e personalidades da música, fotografia, cultura e arte em geral.

A campanha tem realização da Coalizão PRO UCs, da qual o IPÊ faz parte, e pretende chamar atenção para as Unidades de Conservação, trazendo nos temas centrais a comemoração dos 20 anos do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) e a temática Saúde e Natureza para a vida de todos e todas.

Os tempos de pandemia transformaram as atividades do evento, que está em sua terceira edição, em ações online. No entanto, a mudança de formato, não tira o prestígio e a excelência da programação da campanha, que conta com histórias e experiências diversas sobre conexão com a natureza.

A programação desta edição, agora ampliada, tem o destaque oficial para o 18 de outubro, com a transmissão do festival pelo Youtube, e traz também, ações ao longo de toda a semana do evento.

Temas

Na temática das Unidades de Conservação, o Um Dia No Parque ressalta os serviços que esses importantes espaços de preservação trazem para o país e para as pessoas. Afinal, conservar e se conectar com a natureza também envolve dar valor ao potencial para o ecoturismo, economia, educação ambiental, saúde, cultura e lazer que as UCs proporcionam.

Para isso, o evento conta com um grande tema central, nesta edição: a comemoração dos 20 anos do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (Lei 9.985/2000). O SNUC foi criado com o objetivo de potencializar o papel das Unidades de Conservação para que sejam planejadas e administradas de forma integrada, a fim de conservar os ecossistemas e a biodiversidade, gerar desenvolvimento e melhorias na qualidade de vida dos brasileiros e brasileiras.

Parceiros

Para esta edição, o Um Dia No Parque tem o apoio de parceiros especiais. Entre os principais está Proteja Talks, que reúne especialistas em áreas protegidas no Brasil, com o apoio de 14 organizações da sociedade civil, e terá como foco neste ano os 20 anos do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), em atividades que acontecem na semana do dia 18 de outubro.

 Além disso, a Rede de Trilhas, realizará ações presenciais controladas em Unidades de Conservação de Norte a Sul do país; e o portal de notícias ambientais O ECO, realizará o Pé No Parque, por meio de uma plataforma de comunicação de alto impacto sobre Parques Nacionais.

Ação consolidada

O Um Dia No Parque, acontece desde 2018 e chega neste ano a sua terceira edição trazendo um legado de histórias, números e inspirações. A ação já reuniu mais de 80 mil pessoas entre os Parques do país, sendo reconhecida como a maior ação de mobilização e engajamento pelas Unidades de Conservação do Brasil. Em 2019, contou com a participação de 234 UCs e mais de 10 mil fotos postadas nas redes sociais.

A realização do evento é da iniciativa #UnidosCuidamos, da Coalizão Pró-Unidades de Conservação, um grupo de instituições comprometidas com a valorização e defesa das áreas protegidas do país.