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O SNUC - Sistema Nacional de Unidades de Conservação completa 20 anos em julho. É uma lei bastante avançada em termos de proteção e integração dos nossos parques nacionais, estaduais e municipais, das reservas biológicas, das reservas particulares do patrimônio natural, entre outros tipos de Unidades de Conservação da natureza no Brasil. Saiba tudo aqui.

Com o SNUC, foi reforçada a importância da participação social na proteção desses ambientes tão importantes para todos nós. Afinal, é possível mantermos uma convivência harmônica com as áreas naturais, sejam elas em ambientes naturais isolados, sejam elas em ambientes urbanos ou ainda utilizando seus recursos com finalidade econômica e de geração de recursos, mas de uma maneira sustentável.

A sociedade tem papel fundamental no estabelecimento e na manutenção dessas áreas. Comunidades que vivem próximas a essas áreas, turistas, voluntários, gestores, empresas, universidades e organizações da sociedade civil, quando engajadas, têm o poder de ajudar no desenvolvimento dessas áreas que são nosso bem comum. Afinal essas áreas pertencem a todos nós!

As Unidades de Conservação da Natureza, no Brasil, são as melhores estratégias de conservar nossas riquezas naturais e socioculturais - são áreas que muitas vezes guardam espécies de fauna e flora raras, salvando-as do desaparecimento; áreas com ativos econômicos importantes para a sobrevivência de comunidades, que nos proporcionam um ambiente equilibrado em termos de saúde, clima, alimentos, água e muitos outros serviços da natureza.

10 dicas sobre como apoiar nossas Unidades de Conservação

 

 

Muita gente entende e reconhece o valor associado às Unidades de Conservação da natureza, mas tem dúvida sobre como poderia contribuir para isso. Então preparamos para você uma lista com 10 formas de apoiá-las e contribuir para o fortalecimento desse imenso patrimônio que é de todos nós. Algumas são muito simples!

1. Visite um Parque ou outra Unidade de Conservação

O primeiro passo para você se envolver e se apaixonar por essas áreas é super simples. Visite e conheça essas áreas. Algumas delas guardam as maiores belezas do nosso país e estão em lugares mais distantes, mas outras podem estar bem pertinho de você. Existem vários parques, inclusive, que estão localizados em áreas urbanas.

2. Se engaje em movimentos de valorização dessas áreas

Existem muitas instituições e movimentos que desenvolvem ações de valorização das Unidades de Conservação. Participe deles! Quanto maior a participação mais claro será para todos que essas áreas são importantes para a sociedade e que queremos que sejam bem cuidadas e possam cumprir seus objetivos.

Alguns exemplos:

- O movimento Um dia no Parque: https://umdianoparque.net/

- O movimento da Rede Brasileira de Trilhas: https://www.facebook.com/sistemabrasileirodetrilhas/

- O movimento Criança e Natureza: https://criancaenatureza.org.br/

- O movimento Seja um Voluntário do ICMBio: https://www.icmbio.gov.br/portal/sejaumvoluntario


3. Divulgue nossos Parques e outras Unidades de Conservação

Sabe aquela foto e aquele vídeo lindo que você fez quando visitou um Parque ou outra unidade de conservação? Divulgue e convide a todos para conhecer também. Conte sua experiência! Muitas pessoas não sabem que essas áreas existem e que estão abertas para recebê-los.

4. Seja um voluntário

Muitas das instituições que cuidam das unidades de conversação no Brasil hoje tem programas de voluntariado. Você pode se inscrever e ter a oportunidade de conhecer bem de pertinho essas áreas e os profissionais que atuam com elas. Dessa forma, contribui com uma boa causa e de quebra ainda pode realizar várias atividades em áreas naturais. Para os estudantes pode ser uma forma de ganhar experiência profissional, para a terceira idade pode ser uma forma de fazer novos amigos e integração e muitos profissionais podem apoiar com seus conhecimentos, fazendo a diferença para a gestão dessas áreas. Temos exemplos como o Programa de Voluntariado do ICMBio, apoiado pelo IPÊ (https://www.icmbio.gov.br/portal/sejaumvoluntario) - Foto: ICMBio.

5. Participe e contribua com as consultas públicas para a criação dessas áreas

As consultas públicas prévias a criação de novas unidades de conservação são estratégias de promover maior participação da sociedade na discussão sobre a localização, limites e categoria das novas áreas que serão criadas. Fique atento e não deixe de participar! É uma oportunidade importante de entender melhor os projetos do poder público federal, estadual e municipal e de contribuir com sua opinião.

6. Participe das reuniões de conselho

As unidades de conservação possuem um conselho com representantes de diversos setores da sociedade que serve para apoiar na sua gestão, discutir desafios e novos projetos e ampliar a participação das populações nessas áreas. Você sabia que todas as reuniões realizadas pelos conselhos são públicas? Informe-se sobre o calendário e participe de uma reunião. Quem sabe você acaba se interessando por acompanhar mais o que está sendo feito e descobre como levar novas demandas ou como ajudar.

7. Defenda essas áreas

Pode parecer mentira, mas mesmo com toda a contribuição que essas áreas dão para a sociedade, existem várias iniciativas para desmatar, degradar seus recursos, reduzir sua área, diminuir o número de funcionários e os recursos financeiros dedicados a elas. Isso acontece porque algumas pessoas estão pensando apenas nos ganhos individuais que podem ter com isso, sem considerar o grande prejuízo para toda a sociedade. O patrimônio natural tem que ser cuidado e mantido para todos! Então não fique calado, quando perceber que isso está acontecendo: denuncie. Você também pode entrar em contato com vereadores, deputados, ministério público e com os órgãos gestores dessas áreas e cobrar deles que essas áreas recebam a atenção e o investimento que merecem.

8. Apoie pesquisas nessas áreas

Se você é um professor ou estudante e está procurando um tema de pesquisa, está aí a solução. Essas áreas são verdadeiros laboratórios onde podem ser realizadas pesquisas de muitos temas! Sobre fauna, flora, aspectos sociais, cultura, administração e manejo, tecnologias e muitas outras! Entre em contato com os responsáveis pelas áreas e descubra quais os principais desafios que elas enfrentam! Sua pesquisa pode ajudar a resolver. Que grande contribuição, hein?!

9.Apoie a educação ambiental

Se você é professor e gostaria de ter algumas experiências na natureza com seus alunos essas áreas são perfeitas. Faça contatos com os responsáveis e se informe sobre as normas de visitação e agendamento. Você pode se surpreender com o que muitas dessas áreas oferecem e os alunos poderão ter uma experiência inesquecível.

10. Faça doações

Todos já sabemos da importância dessas áreas para a sociedade, mas infelizmente muitas delas passam por dificuldades financeiras e poderiam fazer muito mais se contasse com mais recursos para sua proteção, manejo dos recursos, pesquisa, educação ambiental e visitação. Você pode entrar em contato com os responsáveis por essas áreas e descobrir se elas contam com mecanismos para receber doações ou parcerias com instituições sem fins lucrativos que apoiam essas áreas. O IPÊ é um exemplo. Temos atuado com pesquisa, educação ambiental, envolvimento de comunidades locais na gestão, voluntariado, monitoramento participativo e várias outras iniciativas nas UCs. Doe aqui.

 

 

Na próxima terça-feira, 21 de julho, às 19h, a ESCAS/IPÊ - Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade promove uma nova edição dos Diálogos da Conservação. Desta vez, totalmente online, o tema será “Participação Social nas Unidades de Conservação da Natureza do Brasil”, reunindo representantes da sociedade civil, da iniciativa privada e comunidade tradicional. A transmissão será  no Canal do IPÊ no YouTube e na página oficial do Facebook

No bate-papo, os convidados vão trazer à tona de que forma as Unidades de Conservação (UCs) podem apoiar o desenvolvimento socioeconômico do país, os desafios e as experiências inspiradoras de gestão mais participativa, com todos os benefícios que caracterizam essa conquista. 

Inscreva-se no Canal do IPÊ no YouTube e ative o sininho para receber a notificação do início da transmissão

Durante a Live será possível conhecer a importância da participação efetiva das comunidades locais, Universidades e do cidadão comum - turista ou até o não turista - para o fortalecimento das Unidades de Conservação, incluindo aquelas localizadas em área urbana.  Afinal, como essa atitude tem o potencial de gerar benefícios, como geração de renda e desenvolvimento socioeconômico, que vão inclusive além dos limites de cada área protegida. Os convidados também vão conversar sobre os 20 anos do SNUC - Sistema Nacional de Unidades de Conservação (LEI 9.985/2000) celebrado em 18 de julho.

Participantes:

Fabiana Prado (IPÊ)
Coordenadora de projetos e articulação institucional do IPÊ, Fabiana participou da construção de projetos que preconizavam a participação social na gestão das UCs do Brasil, como o MPB - Monitoramento Participativo da Biodiversidade; o MOSUC - Motivação e Sucesso na Gestão de Unidades de Conservação Federais  e recentemente o LIRA - Legado Integrado da Região Amazônica, todos pelo IPÊ.

Angela Pellin (IPÊ)
Pesquisadora e coordenadora de projetos no IPÊ é autora de vários livros sobre Unidades de Conservação, entre eles o “Unidades de Conservação – Fatos e Personagens que fizeram a História das categorias de Manejo”. Atualmente coordena o MOSUC - Motivação e Sucesso na Gestão de Unidades de Conservação Federais e projetos sobre planos de manejo de Unidades de Conservação (UCs). 

Plinio Ribeiro (Biofílica/PARQUETUR)
Cofundador da PARQUETUR, empresa brasileira cuja atividade principal é a gestão e operação de parques e unidades de conservação da natureza. Por meio de um modelo de negócio mais eficiente, busca a melhoria da infraestrutura, do lazer e da prestação de serviços para o visitante destas áreas. Acredita em um modelo no qual a promoção do ecoturismo nas áreas protegidas gera recursos para a conservação e educação ambiental, além do crescimento sustentável do entorno. 

Edel Moraes
Mestra em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Brasília (UNB/CDS), vice-presidente do Memorial Chico Mendes, pesquisadora do CAUIM - Grupo de estudos e Pesquisa junto com Povos, Comunidades e Territórios Tradicionais, ex-vice-Presidente do CNS - Conselho Nacional das Populações Extrativistas. 

 

 

 

Com o tema “Sistemas Agroflorestais Desafios e oportunidades para promoção e o desenvolvimento da Agricultura Sustentável”, Haroldo Borges Gomes, coordenador de projetos do IPÊ, compartilhará a experiência dos Sistemas Agroflorestais (SAFs), no Pontal do Paranapanema (SP), no 3º Congresso Internacional Online de Agroflorestas Biodiversas (Safweb).

O evento acontece de 03 a 08 de agosto. A estreia da apresentação por video será dia 07 de agosto, às 19h, no site www.safweb.com.br.  

Mais de 20 anos de experiência prática 

O pesquisador destaca que, desde o início, a implementação dos SAFs no Pontal do Paranapanema, Oeste do Estado de São Paulo, foi realizada pelo IPÊ em parceria com os assentados rurais e pequenos produtores. “Esse grupo passou a cultivar alimentos 100% livres de adubos químicos, o que garante mais segurança para os produtores, em dois momentos – durante os cuidados com os cultivos e no consumo. Vou mostrar os resultados que conseguimos sem o uso de adubos químicos”. 

Haroldo ressalta que um dos principais aprendizados dos SAFs se refere ao espaçamento entre as espécies no plantio. “Em consórcio com a floresta são cerca de 2 a 4 mil mudas de café por hectare. Além disso, junto com as árvores, os plantios funcionam como área segura de passagem para a fauna, o que ainda agrega valor ao produto A presença das árvores neste sistema torna o café menos suscetível à geada, e às pragas, que representam risco para a produção”, comenta.

O maior volume de café produzido nos SAFs na região do Pontal Paranapanema tem hoje como principal mercado pequenos comércios na cidade de São Paulo. Na experiência do IPÊ, o SAF está integrado ao projeto Corredores da Mata Atlântica, com grande impacto para a proteção da biodiversidade no bioma.

Ampliar a variedade de alimentos

Além dos benefícios socioeconômicos, os SAFs diversificam a alimentação das famílias, o que tem um peso ainda maior para os pequenos agricultores.  A variedade de espécies – característica dos SAFs – contribui também com a segurança alimentar dos agricultores. O Projeto Café com Floresta – realizado desde 2001 – une o café (Coffea arabica L.) a cultivos como feijão, milho, mandioca, abóbora, batata doce, tomatinho, quiabo e espécies de árvores nativas da Mata Atlântica. 

Diversificar fonte de renda  

Para Haroldo, um desafio repleto de oportunidade é a questão da escala na agricultura familiar. “O alinhamento entre os pequenos produtores sobre quais alimentos serão cultivados, em especial quanto à principal produção dos SAFs é essencial. No caso, dos SAFs do Pontal é o café. Esse combinado entre os produtores para que todos façam a mesma escolha sobre um cultivo é o caminho mais rápido para que os pequenos produtores consigam volume na produção e acessem maiores mercados. O volume para a comercialização é importante e na maioria das vezes decisivo”. 

Serviço
3º Congresso Internacional Online de Agroflorestas Biodiversas (3º Safweb)
Inscrição:  www.safweb.com.br
De 03 a 08 de agosto

Palestra: Sistemas Agroflorestais Desafios e oportunidades para promoção e o desenvolvimento da Agricultura Sustentável -  em 07 de agosto, às 19:00.
Investimento para o evento : R$ 39,00 à vista ou 8 parcelas de R$ 5,54

As apresentações ficarão disponíveis no site após evento para os inscritos.

 

 

Jogar é divertido, sai da rotina e pode ser educativo. Não só porque passa conhecimentos, mas envolve as pessoas por meio de valores, crenças, sugestões e possíveis caminhos que o participante reflete se quer ou não seguir. A ferramenta é uma forma perfeita para atrair os mais variados públicos para disseminar os temas da conservação da biodiversidade, entre eles, a proteção da fauna.

Muitos autores mencionam a motivação intrínseca que os jogos geram no aprendizado. Brincar e aprender são ações intimamente relacionadas e essa complementação fica ainda mais favorável porque o jogo propicia um ambiente descontraído, que atrai ainda mais o participante.

Mas o ponto forte está em como, através de uma ferramenta lúdica, consegue-se ensinar um conteúdo educacional muitas vezes denso e abstrato, além de fazê-lo simples, divertido e sobretudo atrativo. Dessa maneira, o jogador pode se sentir à vontade com o processo de aprendizagem, já que dispõe de um espaço amigável para desinibir-se e expressar-se com naturalidade e sem medo. Essa condição permite maior abertura ao tema oferecido e também facilita relacioná-lo com a realidade. Os jogos muitas vezes requerem que o participante se envolva profundamente, o que ativa mecanismos de aprendizagem nem sempre possíveis nas formas tradicionais de ensino.

Com o crescente uso de tecnologia, os jogos têm a tendência de serem cada vez mais utilizados pelo seu fácil acesso. Diversas instituições educativas e mesmo empresariais estão à procura de novos caminhos para contrapor o sistema formal de ensino ou novas práticas profissionais que atinjam resultados duradouros e significativos. Esse processo não se dá somente com alunos infanto-juvenis, mas também com adultos.

Essas foram as premissas que o IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas utilizou para desenhar dois jogos, cada um com propósitos próprios. O primeiro, ProvocAção, foi elaborado por alunos de mestrado da escola do IPÊ, a Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade (Escas), em 2014, com o propósito de levantar questões relacionadas à conservação da água do reservatório Atibainha, que é parte do Sistema Cantareira, onde a instituição está sediada. A importância do Cantareira é inegável, já que fornece água para São Paulo capital e muitas cidades da região metropolitana, e o IPÊ estava na época desenvolvendo o projeto Água Boa, com forte componente educacional.

O segundo jogo foi desenhado para estimular reflexões sobre sustentabilidade nos meios empresariais e recebeu o nome Sustentabilidade em Jogo: soluções para organizações e seus desafios na sustentabilidade. Neste, os participantes se debruçam em temas relacionados à sustentabilidade por horas a fio e fazem relações com as atividades e o dia a dia do ambiente de trabalho.

ProvocAção
Informações científicas e a participação dos cidadãos são fundamentais em projetos que lidam com situações complexas como a conservação de água, que envolve muita gente e áreas diferentes de conhecimento e ação. O objetivo foi difundir saberes e práticas para a proteção dos recursos hídricos, capacitando e incentivando o exercício de uma cidadania responsável, com vistas a atingir transformações socioambientais.

O Projeto Água Boa elaborou uma cartilha que aponta que “uma visão integrada dos recursos hídricos deve contemplar temas como o abastecimento de água tratada, a coleta e tratamento do esgoto, o sistema de coleta de lixo e as formas de ocupação das áreas de risco, ao longo dos córregos, associada à supressão das matas ciliares”. Sobretudo, se preocupou em como esses temas são interligados e como afetam a qualidade de vida e a sustentabilidade da vida urbana.

O material apresenta indicadores (majoritariamente quantitativos) que mostram, através de medidas, as condições atuais dos quatro temas para monitorar e reportar os avanços ou recuos da cidade na direção da sustentabilidade. Além disso, fornece sugestões e iniciativas concretas para minimizar ou solucionar os problemas identificados. 

Os temas apresentam informações importantes de serem disseminadas, assim como questões provocativas. Muita pesquisa foi feita sobre cada um dos assuntos tratados e um jogo de cartas e dois tabuleiros acabou sendo a estratégia escolhida para repassar os conteúdos. As cartas são compostas de informações e perguntas direcionadas a alunos de todas as idades, da pré-escola (com ajuda de adultos), educação básica e até ensino médio, professores e membros da comunidade em geral. Todo o material foi elaborado pelos mestrandos da Escas e sua equipe acadêmica, com a colaboração dos professores da rede escolar.

A Secretaria de Educação aprovou o projeto, que foi inclusive mostrado a vereadores da região de Nazaré Paulista, local onde o trabalho foi realizado. Atingiu quase dois mil alunos e mais de cem professores e os resultados foram posteriormente avaliados indicando um sucesso significativo.

ProvocAção foi desenhado para que os usuários pudessem conhecer o que está acontecendo em Nazaré Paulista nas temáticas ambientais (água, lixo, esgoto e florestas urbanas), mas de forma integrada. Verificou-se que o jogo estimula o pensamento crítico e o exercício de cidadania, pois muitos passaram a refletir e agir para modificar suas condutas pessoais em relação às práticas socioambientais.

Sustentabilidade em Jogo: soluções para organizações e seus desafios na sustentabilidade

Comunicar sustentabilidade com todos os seus conceitos e valores, não é tarefa simples. O tema está cercado por uma série de jargões e teorias que, muitas vezes, ainda não conseguem dialogar com a prática diária das pessoas, seja em âmbito pessoal ou profissional. Em organizações, não é raro que, embora seus setores produtivos estejam engajados e já desenvolvendo projetos com olhar para a sustentabilidade, os demais colaboradores ou parceiros ainda não tenham internalizado tais práticas ou compreendam seu valor.

A ferramenta Sustentabilidade em Jogo foi idealizada pelo professor da Escas Marcos Ortiz. É um jogo de tabuleiro e cartas que tem a proposta de debater os assuntos mais importantes relacionados à sustentabilidade, analisando percepções e promovendo reflexões sobre o tema de maneira agradável e lúdica, de modo a facilitar o aprendizado e a retenção do conhecimento. Dentro do contexto inserido na realidade dos participantes, o jogo leva as pessoas a entenderem a importância da vida, gente, bicho e planta, mesmo que estejam distantes das grandes áreas florestais que abrigam espécies ameaçadas. Há incentivos, por exemplo, para que elas descubram animais também no ambiente urbano, além de tratar da complexidade dos temas que o termo representa.

A proposta é mobilizar a participação, desenvolvendo um senso de colaboração entre os jogadores para a compreensão e superação de obstáculos na implementação da sustentabilidade nos ambientes de trabalho e práticas diárias. O ponto alto do jogo são os momentos de desafios, quando as equipes buscam estratégias conjuntas para a resolução de problemas reais enfrentados pelas organizações e seus profissionais.

A iniciativa já foi aplicada a profissionais de organizações como bancos e cadeias de lojistas variados e teve boa acolhida, inclusive a repetição com equipes diferentes da mesma empresa.

Os resultados indicam maior interesse e disposição em adotar posturas e resolver problemas identificados dentro das instituições. O fato de haver chamadas posteriores para que seja aplicado a outras equipes mostra interesse e a possibilidade de um número maior de funcionários serem atingidos.

Considerações adicionais

Os jogos, sem dúvida, são ferramentas eficazes de aprendizado e de envolvimento dos participantes. Muitas vezes os temas são novos e complexos para aquele público e, por isso, ajudam na compreensão de forma lúdica e divertida.

No campo da educação ambiental, o jogo engloba todas as características que compõem seus objetivos, ou seja, ajudam a aumentar conhecimentos, revisar valores e exercitar reflexões que levem a escolhas conscientes, além de incentivar a participação em ações que transformam realidades.

Um dos pontos relevantes a ser lembrado é o valor da avaliação durante e depois dos jogos serem elaborados. O educador ou quem crie um jogo pode achar que a ferramenta é eficaz, mas não percebe nuances a serem melhoradas. Por isso, recomenda-se que além de questionários de avaliação, por exemplo, a observação seja feita atentamente para se monitorar o grau de interesse ou não em participar de cada etapa e quais os temas que são mais ou menos estimulantes. Além disso, a avaliação evita desperdício de tempo, recursos e energia, pois só se deve imprimir uma versão final do jogo e do material didático quando há indicações de que os objetivos estão sendo atingidos.

Os dois jogos do IPÊ aqui mencionados foram avaliados durante sua elaboração e mostraram que os participantes perceberam relevância nos temas propostos, inclusive indicando interesse na fauna brasileira. Jogos específicos direcionados a uma espécie ou a muitas podem contribuir para sua proteção, reafirmando a importância de cada ser na cadeia de vida do planeta. Esses são exemplos que ajudam a inspirar o desenvolvimento de estratégias que mais parecem brincadeiras, mas que são úteis na transmissão e absorção de conhecimentos que levem a posturas de valorização da vida e de como se envolver na resolução de problemas para melhor protegê-la.