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O Brasil tem quatro espécies de micos-leões que só existem aqui, na Mata Atlântica. O mico-leão-dourado (mais popular e que vive nas matas do Rio de Janeiro), o mico-leão-da-cara-dourada (que vive em território baiano), o mico-leão-de-cara-preta (que ocorre apenas no litoral sul de São Paulo e norte do Paraná) e o mico-leão-preto (que vive exclusivamente na Mata Atlântica de interior do estado de São Paulo, especialmente na porção oeste).

Os micos-leões-pretos pesam cerca de 600 gramas quando adultos. Têm o corpo coberto por uma pelagem longa, predominantemente preta, com exceção do dorso, que apresenta coloração alaranjada. Recebem esse nome por conta da pelagem da cabeça, que se assemelha a uma juba de leão.

Vivem em grupos familiares de 2 a 8 indivíduos. Cada grupo é composto por uma fêmea dominante, um a dois machos reprodutivos e os filhotes e juvenis do casal, que permanecem no grupo até atingirem a maturidade sexual e dispersarem para a formação de seus próprios grupos familiares. A fêmea geralmente dá à luz gêmeos, uma vez ao ano, após uma gestação de aproximadamente 4 meses. Os demais integrantes do grupo auxiliam no cuidado parental até que o filhote possa se locomover sozinho. Eles se comunicam entre si, emitindo diversos tipos de vocalizações, tanto para os membros do próprio grupo, como de grupos vizinhos.

Como são animais territorialistas, cada grupo utiliza uma área que pode variar de 40 a 400 hectares. Eles realizam suas atividades durante o dia, e à noite se abrigam em ocos de árvores para dormir. Geralmente, quando os pesquisadores precisam fazer estudos de observação, precisam estar atentos aos ocos onde os micos dormiram na noite anterior e acompanhá-los logo pela manhã. Eles não saem do oco durante a noite.

Alimentam-se majoritariamente de frutos, mas também de invertebrados, pequenos vertebrados, como lagartixas, aves e pererecas, exsudatos das árvores (goma) e flores. Seus principais predadores são as aves de rapina, serpentes, iraras e alguns felinos.

(Foto: Katie Garrett)

 

Dia 28 de fevereiro comemora-se no Brasil o Dia do Mico-Leão-Preto (Portaria nº 4, de 17 de setembro de 2018). Primata considerado "em perigo de extinção", nas listas de espécies ameaçadas internacional, brasileira e estadual, o mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus) existe apenas na porção oeste e sul do estado de São Paulo, nos remanescentes de Mata Atlântica de Interior e matas ciliares, e tem um papel importante nessa porção florestal.

Devido à intensa devastação dessa floresta e fragmentação de seu hábitat, a espécie sofreu uma redução significativa da população a aproximadamente 1500 indivíduos. Para se ter uma ideia, o mico-leão-preto foi considerado extinto por 65 anos, devido à ausência de registros na natureza, até sua redescoberta em 1970. Felizmente, com os esforços de conservação de organizações socioambientais e governamentais, hoje o mico-leão-preto tem um futuro mais promissor.

Assim como outros primatas, o mico é uma espécie sentinela, que indica a saúde de um ambiente (por exemplo, se uma área é afetada pelo mosquito da febre amarela, são os primeiros a sentirem o impacto), e também é um bom dispersor de sementes, auxiliando na manutenção das florestas dos locais onde vive.

Por ser uma espécie tão especial, que no mundo só existe em uma área restrita de São Paulo, o mico-leão-preto é considerado a espécie símbolo do estado.

IPÊ atua na conservação do mico-leão-preto há 35 anos

Curiosidades sobre o mico-leão-preto

 

 

Participante do Programa Monitora, do ICMBio, por meio do projeto Monitoramento Participativo da Biodiversidade em Unidades de Conservação (UCs) da Amazônia, o IPÊ esteve presente em diferentes eventos que avaliaram e validaram atividades do programa, no mês de fevereiro, em Brasília. Os eventos, chamados de Oficinas, buscam melhorar os modelos de monitoramento executados pelo Programa em favor da Amazônia.

A IV Oficina de Análise de Dados dos Alvos Globais do Componente Florestal trouxe contribuições muito importantes e possibilidades de avanços na conservação do bioma. Foram discutidos, por exemplo, como devem ser avaliados os dados coletados pelos projetos do programa, relacionados a plantas, mamíferos, aves e borboletas. Com relação às plantas, como já existem dados importantes e algumas análises de composição e densidade populacional das árvores, eles já  serão utilizados no manejo do fogo em algumas UCs.

No caso de aves e mamíferos, pesquisadores do programa relataram o desafio de encontrar animais de grande porte, e a medida a ser tomada agora é aumentar o esforço amostral, o número de animais encontrados. Nesse sentido, quanto maior a quilometragem percorrida, maior será a quantidade de animais avistados, para análises mais robustas. Já para o monitoramento de borboletas, será considerado agora o uso do Software de Ciência Cidadã (I-Naturalist), para que os animais coletados sejam identificados de maneira simples e por meis pessoas. 

A gestão dos dados coletados pelos projetos que fazem parte do Monitora também passou por uma discussão. Mais de 30 pessoas entre servidores do ICMBio (COMOB, COPEG, COTEC, Centros de Pesquisa e Conservação - CBC, CEPTA, CEPAM, CENAP), profissionais do IPÊ e das empresas de tecnologia Necto e SkyMarket participaram da Oficina de Validação do Sistema de Gestão de Dados do Monitora.

Durante o encontro, foram apresentadas as premissas, os modelos de tela, as etapas de cadastro das unidades amostrais, os monitoramentos, os fluxos, as opções de entrada de dados, as ferramentas de validação e testes, dentre outros aspectos que envolvem a gestão de dados de biodiversidade. Debates e trabalhos em grupo ao longo da Oficina possibilitaram diálogo, esclarecimento de dúvidas, ajustes e definições do sistema de gestão, com funcionalidades definidas e projetado para atender às necessidades e demandas dos protocolos Florestal, Aquático, Continental e Campestre Savânico, além de estar preparado para recever novos protocolos no futuro. 

Esta iniciativa recebe o apoio de Gordon and Betty Moore Foundation, USAID e Programa ARPA.

 

 

 

Prioridades para a conservação na Mata Atlântica: um trabalho a diversas mãos e mentes

Clinton Jenkins - coordenador da iniciativa de avaliação de Áreas Prioritárias da Mata Atlântica (IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas)
Angela Pellin - pesquisadora (IPÊ-Instituto de Pesquisas Ecológicas)

No dia 18 de dezembro de 2018, foi assinada a Portaria no Ministério do Meio Ambiente (MMA) Nº 463/2018* que reconheceu a atualização das Áreas Prioritárias para a Conservação, Utilização Sustentável e Repartição de Benefícios da Biodiversidade Brasileira, ou Áreas Prioritárias para a Biodiversidade, relacionadas aos biomas Mata Atlântica, Amazônia, Pampas, Zona Costeira e Marinha. Mas como são definidas as áreas prioritárias?

Uma área prioritária para biodiversidade é uma área geográfica identificada com uma alta importância biológica, e onde existe um balanço positivo entre as oportunidades e os obstáculos para conservação. As oportunidades estão ligadas aos elementos que facilitam a manutenção de biodiversidade, por exemplo, a quantidade de floresta ou a presença de ações de conservação, enquanto os obstáculos estão relacionados às dificuldades para implementar ações de conservação, como uma área de desmatamento ilegal ou alta densidade de estradas e centros urbanos. Na prática, a ideia é maximizar os ganhos para a biodiversidade, selecionando as áreas mais relevantes do ponto de vista biológico, sem deixar de considerar aspectos socioeconômicos e o contexto local. Para cada uma das áreas prioritárias são recomendadas ações estratégicas tais como a criação de Unidades de Conservação (protegidas por lei), pesquisa, educação ambiental, fiscalização, adequação ambiental, entre outras.

Ao longo de 2017 e 2018, nos dedicamos ao desenho de um novo mapa de áreas prioritárias para a conservação na Mata Atlântica. Os dados que serviram de base para a definição dessas áreas, contendo informações consistentes só foram possíveis de ser consolidados devido ao envolvimento de um time de profissionais de diversas organizações que desenvolvem pesquisas em biodiversidade e conhecem de perto a realidade socioambiental no bioma. A metodologia participativa desse processo permitiu isso. Sociedade civil, universidades, centros de pesquisa, representantes governamentais, empresas e cidadãos comuns puderam participar de pelo menos uma das cinco etapas que envolveram esse grande levantamento: Consulta Pública para avaliar a última atualização das Áreas Prioritárias; Definição de alvos e metas para conservação; Definição da superfície de custo; Definição da superfície de oportunidades; e Definição das áreas e ações prioritárias para a conservação, uso sustentável e repartição dos benefícios da biodiversidade na Mata Atlântica.

Merece destaque o estabelecimento dos alvos de conservação. Dentro do grupo de aves, répteis, anfíbios, peixes, mamíferos e vegetação, foram apontadas aquelas que são espécies ameaçadas, de distribuição restrita, endêmicas (que só ocorrem na Mata Atlântica), espécies da flora raras e espécies da flora exploradas pelo extrativismo, entre outras. Além da biodiversidade de fauna e flora, foram consideradas as áreas já identificadas como prioritárias para a conservação do patrimônio espeleológico e dos serviços ecossistêmicos. Isso foi possível graças às pesquisas científicas já produzidas, que garantem a seriedade e os acertos no momento de escolher tais alvos para conservação.

Utilizamos um planejamento envolvendo a análise de dados de uma maneira sistemática e replicável. Foram identificadas áreas que, juntas, conseguem proteger a maior parte da biodiversidade com a menor dificuldade possível. Isso é uma ferramenta que ajuda a tomar decisões melhores, sendo mais eficiente com recursos e transparente com os dados e processos. Uma grande vantagem é que ela não considera opiniões individualmente, mas sim do conjunto, visto que segue regras nas análises e colaborações pré-definidas pelos grupos participantes. Nesse sentido, é uma forma de incluir as contribuições de muitas pessoas antes do resultado final, evitando surpresas.

A atualização concluída em 2018 foi a segunda no Brasil. Para a Mata Atlântica, avançamos muito desde a atualização que aconteceu em 2007. Foi possível incorporar dados biológicos em dez vezes mais alvos de biodiversidade comparado ao processo anterior, ou seja, as espécies, ecossistemas, e outros componentes da biodiversidade do bioma. Também foi possível avançar em relação à metodologia, usando uma abordagem sofisticada para considerar fatores socioeconômicas na escolha das áreas. Isso evita conflitos desnecessários nos processos de conservação. Tudo isso, com foco nos investimentos para obter resultados mais eficientes em conservação.

A elaboração de bancos de dados e registros detalhados de todo o processo trazem mais confiabilidade aos resultados. A partir de agora será possível compreender exatamente quais são os elementos que se destacaram na escolha de cada uma das áreas prioritárias selecionadas. Além de maior transparência, isso permite que essa ferramenta possa ser incorporada por outras ações de gestão ambiental como a priorização de pesquisas e o próprio licenciamento.

Uma grande contribuição desse processo foi realmente o de envolver os diversos segmentos da sociedade em busca de estratégias para a conservação de um dos biomas mais ameaçados do planeta. O processo foi enriquecedor para todos os participantes e, certamente desta forma, o resultado tem mais chance de ser viável em sua aplicação prática. Com o novo mapa de áreas prioritárias, temos uma ferramenta que serve para um planejamento espacial mais eficaz, que vai indicar onde são necessários investimentos para conservação e uso sustentável da biodiversidade da Mata Atlântica, em benefício não só da natureza de forma isolada, mas de toda a sociedade, que depende do bioma de forma direta e indiretamente.

*O segundo processo de Atualização das Áeas Prioritárias foi conduzido pelo Departamento de Conservação de Ecossistemas (DECO) da Secretaria de Biodiversidade do MMA. Contou com vários parceiros como o IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, para a atualização na Mata Atlântica, a Conservação Internacional, na Zona Marinha e Costeira, a WWF e o Museu Emílio Goeldi, na Amazônia e o Instituto Curicaca, nos Pampas. O MMA ficou responsável pela integração entre os resultados de todos os biomas. Esse processo será revisado novamente em cinco anos.

Arquivos dos resultados das áreas prioritárias estão disponíveis no hotsite do MMA, http://areasprioritarias.mma.gov.br.

 

A segunda atualização das Áreas Prioritárias para a Conservação da Biodiversidade dos biomas Mata Atlântica, Amazônia, Pampas, Zona Costeira e Marinha foi concluída. O trabalho (publicado na Portaria MMA / Nº 463/2018) foi realizado pelo Departamento de Conservação de Ecossistemas (DECO) da Secretaria de Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e contou com vários parceiros de organizações socioambientais e da sociedade civil na sua elaboração.

O resultado pode ser encontrado no site do MMA: http://areasprioritarias.mma.gov.br.

O IPÊ conduziu a criação do novo mapa de áreas prioritárias para a conservação da Mata Atlântica, que foi feito de modo participativo. Sociedade civil, universidades, centros de pesquisa, representantes governamentais, empresas e cidadãos comuns puderam participar de pelo menos uma das cinco etapas que envolveram esse grande levantamento: Consulta Pública para avaliar a última atualização das Áreas Prioritárias; Definição de alvos e metas para conservação; Definição da superfície de custo; Definição da superfície de oportunidades; e Definição das áreas e ações prioritárias para a conservação, uso sustentável e repartição dos benefícios da biodiversidade na Mata Atlântica.

Clinton Jenkins, coordenador da iniciativa pelo IPÊ, afirma que esta avaliação contou com um processo muito mais completo para destacar as informações necessárias de cada organização, cientista, representante da sociedade civil participante. "Um componente essencial de um processo participativo é a validação dos resultados com as pessoas que participaram na construção do processo. Baseada na análise de dados e as ajustes recomendados por especialistas, essas áreas prioritárias atingem as metas para conservação de 99% dos alvos do processo. Junto com as ações recomendadas por as especialistas para cada área, avançamos muito no planejamento para a conservação do bioma", afirma.

A seleção de áreas prioritárias para a conservação é um instrumento de política pública para apoiar a tomada de decisão, de forma objetiva e participativa, no planejamento e implementação de ações para conservação da biodiversidade brasileira, tais como a criação de unidades de conservação (UC), licenciamento, fiscalização e fomento ao uso sustentável. As regras para identificação de Áreas e Ações Prioritárias foram instituídas pelo Decreto nº 5.092/2004.

“Esperamos que os resultados deste processo possam ser utilizados como uma ferramenta que contribua para um sistema de planejamento mais eficaz, no qual investimentos e esforços, tanto do governo quanto da iniciativa privada, sejam aplicados para subsidiar uma estratégia espacial que promova ações integradas de conservação e uso sustentável da biodiversidade da Mata Atlântica”, afirmou Mateus Motter Dala Senta, analista ambiental do Departamento de Conservação de Ecossistemas, Secretaria de Biodiversidade do MMA.

Angela Pellin, pesquisadora do IPÊ, destaca que um mapa feito de forma participativa tem muito mais chance de ser viável em sua aplicação prática. "Temos uma quantidade muito maior de informações espacializadas subsidiando o exercício. Conseguimos incluir de forma bastante objetiva na análise, os custos e oportunidades que dificultam ou facilitam a conservação para auxiliar na seleção das áreas prioritárias. Com isso temos um mapa de áreas prioritárias mais refinado e adequado ao contexto, e portanto, com maior possibilidade de implementação", afirma.

O trabalho para criação do novo mapa foi desenvolvido no âmbito do Projeto Biodiversidade e Mudanças Climáticas na Mata Atlântica, coordenado pelo MMA no contexto da Cooperação para o Desenvolvimento Sustentável Brasil-Alemanha, parte da Iniciativa Internacional de Proteção do Clima (IKI) do Ministério Federal do Meio Ambiente, Proteção da Natureza e Segurança Nuclear (BMU) da Alemanha. O projeto também conta com o apoio técnico da Deutsche Gesellscha fürInternaonale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH e tem apoio financeiro do Banco de Fomento Alemão (KfW), por intermédio do Fundo Brasileiro para Biodiversidade (Funbio).