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A vida sempre está em constante movimento, muitas vezes nos parecendo caminhar a passos mais acelerados e em outros momentos menos. Com o IPÊ não é diferente. O ano de 2018 foi desafiador mas, acima de tudo, promissor e com muita aceleração em alguns pontos que nos trazem um forte senso de propósito sendo cumprido.

Nós formamos mais nove novos mestres pela ESCAS/IPÊ, que agora levam e aplicam conhecimentos em suas áreas de atuação Brasil afora e América Latina também. Hoje eles são mais de 110 espalhando as nossas sementes por aí. Na Amazônia, implementamos programas integrados de conservação com envolvimento de comunidades locais, juntando conhecimentos tradicionais aos científicos em áreas protegidas, o que significa que estamos ajudando a proteger cerca de 35 milhões de hectares, 350 mil quilômetros quadrados, o equivalente a países europeus em termos de tamanho.

Em 2018, continuamos a celebrar importantes resultados para a conservação do mico-leão preto, da anta e do tatu-canastra, apesar das pressões contínuas sobre seus habitats naturais e suas vidas. O maior corredor de Mata Atlântica reflorestado continua crescendo e rendendo bons resultados para muitas espécies, inclusive a humana. Finalmente, fechamos o ano com a aprovação de um grande programa que beneficiará reservas indígenas e outras áreas protegidas amazônicas: o LIRA - Legado Integrado da Região Amazônica.

Tivemos desafios? Sim, e muitos! Mas, quando se tem um rumo claro de onde se quer chegar, as dificuldades se tornam menores ou até mesmo formas de aprender para aprimorar o que fazemos. Por isso, os percalços passam a ser encarados como lições valiosas que, quando acompanhas de reflexão nos processos de execução, trazem maturidade e vontade de ousar mais e fazer melhor. A superação de cada um dos desafios só é possível pela qualidade da equipe do IPÊ, que trabalha com paixão e vontade de inovar, ousar e fazer o melhor possível dentro de cada contexto que a vida apresenta. A rede de apoio que temos de parceiros, organizações governamentais, empresariais e da sociedade civil é valiosa para que tudo isso aconteça. O mesmo vale para nosso Conselho cada vez mais atuante e as centenas de pessoas e comunidades que acompanham nosso trabalho e nos dão sentido para a continuidade. Somos gratos a cada uma delas.

Espero que você aprecie esse nosso relatório, celebre conosco nossas conquistas e conheça os desafios que ainda temos a superar para que possamos desfrutar deste planeta de maneira mais equilibrada e fazer dele um local de mais harmonia entre todos os seus habitantes. 

 

Alguns estudos científicos sobre a relação da natureza para o bem estar humano e melhoria das condições de saúde das pessoas têm relatado os diversos benefícios que o contato com ambientes naturais pode gerar. Embora crescentes, as pesquisas ainda são tímidas frente ao potencial do tema. Para contribuir com essa questão, a mestre pela ESCAS, Juliana Gatti, trouxe à luz esse assunto como produto final de seu mestrado, olhando para uma área bastante específica, a oncologia infantil.

Juliana acredita tanto no potencial da biodiversidade como cura para os males da sociedade que antes mesmo de ingressar na ESCAS fundou o projeto Árvores Vivas, para levar vivências ambientais aos diversos cantos da cidade de São Paulo. Com o projeto, ela leva informação ambiental e resgata pela memória afetiva dos adultos como era o contato com áreas verdes na sua infância. A ideia é fazer com que eles transmitam essas sensações e reproduzam essas vivências com seus filhos. Com um perfil tão ligado ao meio ambiente, engana-se quem imagina que Juliana tenha uma formação na área de ciências biológicas. Ela é designer industrial. "Sempre vi o design como uma ferramenta para além do estético. Uma forma de criar soluções para os problemas da sociedade. Desde a faculdade, eu percebi que questões ambientais e de sustentabilidade eram as mais relevantes para mim, dentro desse campo de atuação. O design tem relação com tudo isso", comenta. Nascida em São Paulo, cidade onde vive até hoje, Juliana se inspira nas suas próprias memórias de criança, nas férias na chácara dos avós no interior do estado, para poder compartilhar essa experiência com as pessoas por meio do seu projeto. "Esse contato com a natureza sempre me fez bem. Sempre que preciso, me refugio em ambientes com muito verde para me restabelecer. Com o projeto Árvores Vivas, sinto que é como se estivesse tirado um véu da frente dos olhos das pessoas para que elas enxerguem a natureza que, embora muito escondida na cidade, ainda existe por aqui e o quanto faz bem poder contemplá-la. Nós, seres humanos, somos muito mais árvores do que celulares. Precisamos dessa conexão. A natureza é o vínculo mais próximo que temos do tempo real, a mudança do clima, das estações, variações de cor, textura... tudo pode ser contemplado por meio dela e refletir em nossa saúde", conta ela. 

E se essa sensação de bem-estar se expandisse para quem está vivendo uma situação delicada de saúde? A pergunta despertou em Juliana a vontade de desenvolver um projeto de pesquisa para começar a medir o efeito que o contato com a natureza teria no ambiente hospitalar para pacientes, acompanhantes desses pacientes e funcionários. Para isso, ela contou com a parceria do ITACI - Instituto para o Tratamento do Câncer Infantil, um hospital público ligado ao Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Como já trabalhava com crianças no projeto Árvores Vivas, o interesse pela pediatria foi natural. "Muitos pacientes passam muito tempo no hospital, às vezes em um período longo de internação, em ambientes que não favorecem esse contato por uma série de razões. Alguns até sem janelas devido à condição de saúde. Como levar a natureza e os seus benefícios em um ambiente como esse?". Frente a esse desafio, algumas iniciativas foram desenvolvidas no ambiente hospitalar, desde alterações no ambiente físico, até atividades lúdicas que ela passou a chamar na sua pesquisa de TAN - Terapias de Apreciação da Natureza.

A arborização da área do hospital, com espécies exóticas, foi adensada e passou de cinco para 21 árvores plantadas na calçada. No pátio do hospital, arbustos de flores foram plantados para atrair fauna. Em algumas áreas dentro do prédio foram colocados vasos de pomar-horta para ações interativas e, na recepção do hospital, espécies nativas floríferas e frutíferas. "Com essas mudanças, passamos a fazer observações focais e começamos a identificar a interação das pessoas com essa biodiversidade. Pais e filhos brincando com flores na calçada, funcionários comendo e conversandosobre jabuticabas plantadas em vasos..."

Em uma segunda etapa, 30 entrevistas com funcionários e pais e responsáveis pelos pacientes trouxeram uma visão sobre como a relação com a natureza acontecia ali. E, na terceira etapa, com a implementação das TANs, foi possível realizar interações com os próprios pacientes. Para cada paciente, uma forma diferente de abordagem era realizada, conforme o estágio de tratamento. Para quem estava em um ambiente isolado, foram usadas imagens de animais e florestas com um material plastificado e sons de natureza, equalizados por meio de um aplicativo. Outros já podiam ter contato para uma percepção mais sensorial, tocando em folhas de plantas, por exemplo.

A pesquisa está em etapa inicial, mas os primeiros resultados indicam que a humanização do ambiente hospitalar tem dado sinais positivos de interação entre as pessoas e ampliado a sensação de bem estar. O que começou como pesquisa de mestrado, hoje se tornou um departamento dentro da Unidade de Terapia Integrativa do ITACI e Juliana agora é coordenadora de Terapias de Apreciação da Natureza no hospital. O trabalho de pesquisa agora continua por meio do departamento e do Doutorado que ela vai cursar pelo próprio Hospital das Clínicas.

"No Mestrado da ESCAS eu tive o espaço necessário para colocar em prática a minha ideia. Foi a ponte de conexão entre meio ambiente e saúde e isso só foi possível pelo modelo que o curso proporciona. Além disso, eu me encontrei profissionalmente. Meu propósito de vida é hoje proporcionar esse elo entre pacientes em hospitais e a natureza como forma de recuperação da saúde e ampliação do bem-estar humano. Espero com isso dar minha contribuição ao mundo juntamente com outras pesquisas que também demonstram os benefícios dessa relação entre seres humanos e natureza", completa Juliana. 

 

 

Em 2018, IPÊ, Arredondar e Tricard(Sistema Integrado Martins) uniram-se para uma iniciativa pioneira no setor da microdoaçãoDesde o ano passado, os clientes do cartão têm a opção de arredondar a fatura das suas contas, destinando os centavos para o IPÊ. A novidade do mecanismo é a facilidade, já que o cliente faz a opção pelo arredondamento uma única vez, por meio do site ou aplicativo do Tricard, válido de forma contínua. Assim como no sistema de arredondamento dos caixas nas lojas parceiras, o arredondamento da fatura nunca vai ultrapassar os R$0,99, garantindo uma segurança para o cliente que quer participar.

O engajamento dos colaboradores do Tricard tem sido importante para divulgar a iniciativa. Em evento no mês de setembro de 2018, o IPÊ e o Arredondar estiveram na sede do Tricard (Uberlândia/MG) para palestras sobre a parceria a 25 líderes. Eventos como esse terão continuidade em 2019, para mais colaboradores.

Nina Valentini, presidente do Arredondar fala sobre o movimento e a participação do IPÊ.

- Em 2018, a parceria IPÊ e Arredondar deu um passo importante para um novo tipo de doação com o boleto do Tricard.Quais foram os grandes desafios para esse projeto?

Sem dúvida, o engajamento do Tricard e do IPÊ forma fundamentais para o início do projeto. Para nós, do Arredondar, por ser uma nova modalidade, implica em um novo tipo de desenho e estratégia de engajamento - por exemplo, nós nunca tínhamos trabalhado com adesão pelo site do parceiro e por SMS para comunicação com os clientes. Acredito que podemos fazer mais neste ano, tendo em vista que estamos aprendendo a nos envolver diretamente com o doador e menos com a força de vendas - que é o que estamos acostumados em projetos com lojas físicas.

Qual é o papel da aproximação das ONGs participantes dos parceiros das lojas? 

O envolvimento com as equipes de vendas, quando há abertura das redes, é fundamental. Nós sabemos que o DNA do que fazemos é a conexão entre organizações, equipes de vendas e pessoas impactadas. Nos projetos de maior adesão, as organizações têm feito um excelente trabalho construindo conosco essa grande rede de parceiros. A equipe de vendas é muito transformadora porque sem oferecer, não há possibilidade de transformação. Cada pergunta é uma doação. 

Para o Arredondar, como foi o ano de 2018? 

Sem dúvida, 2018 foi um ano desafiador para boa parte das iniciativas de impacto social que conheço, e no Arredondar não foi diferente. Nós mudamos a nossa gestão como um todo, tanto nos projetos ligados às marcas quanto ao que estamos investindo. Tecnologia e Comunicação foram áreas que receberam maior atenção e investimento. Estamos colhendo os frutos deste movimento agora, com novos contratos e maior transparência na ponta. 

Quais são os planos do Arredondar para 2019?

Neste ano, estamos crescendo novamente: temos três importantes parcerias com grande escala e duas novas frentes de tecnologia - a primeira,o arredondamento de e-commerce, que já está no ar. Além disso, revisamos todo nosso modelo de monitoramento das organizações apoiadas e aprimoramos este modelo para este ano. Em 2019, o Arredondar está mais coeso em sua estratégia, mais aberto aos parceiros, e claro, construindo parcerias que vão repercutir na cultura de doação do brasileiro. 

 

Projeto contrata consultoria pessoa jurídica para realizar serviços de assessoria administrativa (processo de compras e contratos) para atendimento às demandas do Projeto LIRA - Legado Integrado da Região Amazônica do IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas.

Mais Informações acesse TDR

Inscrições encerram-se no dia 29/05/2019.