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Em meio à pior crise hídrica da história do Estado de São Paulo, soluções fundamentais foram deixadas de lado na conversa entre Alckmin e Dilma Aliança da Água critica pacote bilionário de obras que não apresenta plano de emergência, não ataca as causas da falta d’água nem garante níveis seguros dos reservatórios para o próximo período de estiagem.

São Paulo, 12 de novembro de 2014 - Desde o início deste ano, os indícios de que São Paulo viveria a pior crise hídrica de sua história eram claros. Com medo da reação da opinião pública durante o período eleitoral, os governos adiaram medidas de contenção. A inação política agravou o cenário de estiagem. Mais de 60 municípios já enfrentam cortes no fornecimento e o racionamento atinge milhões de pessoas. Passadas duas semanas do fim da eleições, na última segunda-feira, dia 10/11, o governador Geraldo Alckmin por fim reuniu-se com a presidenta Dilma Rousseff em Brasília para pedir apoio a um pacote bilionário de obras hídricas no Estado de São Paulo.

As medidas propostas, como a interligação dos reservatórios e a construção de novas represas, embora aparentemente "volumosas", falham em responder à crise, não garantem transparência e participação da sociedade e não criam mecanismos robustos para promover a segurança hídrica do Estado. Especialistas em recursos hídricos e mudanças climáticas apontam quatro fatores que deram origem à crise:

a) ênfase dos governos na retirada de mais água, e não no uso racional desse recurso;
b) desmatamento nas áreas de mananciais e poluição das fontes de água em quase todo o Estado;
c) seca extrema e déficit de chuvas, em especial no Sistema Cantareira;
d) pouco espaço de participação social e transparência na gestão da água.

A Aliança pela Água -- rede de entidades e coletivos da sociedade civil que se organizou em outubro para monitorar as respostas do poder público e propor soluções de curto, médio e longo prazos para superar a crise-- alerta que não existe mais tempo, dinheiro e água para desperdiçar com um conjunto de obras que não vai resolver o problema e ressalta que as propostas apresentadas não atacam suas causas.

De acordo com a Aliança, adotar esse caminho é insistir no erro: novas e caras obras que não cuidam das nascentes, não recuperam áreas já exploradas e não reduzem consumo e perdas, repetindo o padrão histórico insustentável. Além disso, a prioridade deve ser a apresentação e discussão pública de um plano de contingência que indique como chegar em abril de 2015 em situação segura para garantir o fornecimento durante o próximo período de estiagem. Outro ponto que chama a atenção no pacote de medidas discutido por Dilma e Alckmin é a ausência de qualquer menção sobre a recuperação e recomposição dos mananciais existentes - como a restauração florestal, a ampliação de parques e áreas protegidas, a contenção da expansão urbana sobre áreas de mananciais, além de instrumentos econômicos para promover essas ações. Tampouco se considera os impactos da expansão urbana, do desmatamento e das mudanças climáticas nas mudanças do regime de chuvas.

O sentido de urgência e a escala do problema são claros: o mês de outubro foi um dos mais secos já registrados e as previsões climáticas para os próximos meses não são animadoras. Os dados indicam que, se chover como em 2013, o colapso é praticamente certo; e, mesmo que chova dentro da média, os mananciais ainda se encontrarão em situação pior do que estavam em abril de 2014. Por essas razões, a Aliança da Água cobra a apresentação e discussão imediata de um plano de contingência claro e que priorize a transparência dos dados e da real situação do abastecimento de água no Estado.

As organizações da sociedade civil, movimentos, coletivos e pessoas que a compõem defendem que qualquer investimento público em obras de novas transposições e de grande porte deve estar condicionado a plano de sustentabilidade que garanta segurança hídrica e que considere variáveis sociais e climáticas antes de implementar tal infraestrutura, reforçando os instrumentos já estabelecidos pela Lei Nacional de Recursos Hídricos (lei 7.663/1991). No curto e médio prazo, e de forma permanente, é preciso que sejam implantadas ações para diminuir consumo em diferentes escalas, como programas de economia, reuso, captação de água de chuva e redução nas perdas do sistema. Impõe-se a necessidade de difusão permanente de informações sobre a crise, para que a população possa enfrentá-la com maior segurança, evitando a proliferação de poços potencialmente contaminados e a reservação inadequada de água. A crise hídrica provavelmente se estenderá por muitos anos e a pouca disponibilidade de água na região metropolitana é uma realidade a ser enfrentada com coragem e gestão cuidadosa. Não basta buscar aumentar a oferta, sem cuidar da demanda.

Crítica aos investimentos anunciados:
• O conjunto de intervenções apresentado não resolve a crise atual, é fazer mais do mesmo, ou seja, novas e caras obras que não contemplam medidas estratégicas para criar segurança hídrica.
• Até o momento não foi apresentado um plano de contingência que demonstre como vamos chegar em abril de 2015 em situação segura para encarar o próximo período de estiagem.
• Não foi feita qualquer menção sobre recuperar e cuidar dos mananciais existentes (restauração florestal, ampliação de parques, pagamentos por serviços ambientais)

O que queremos:
• A apresentação e discussão imediata de um plano de contingência transparente, que permita que a sociedade se organize e se prepare para a crise continuada e o próximo período de estiagem.
• Que sejam implantadas ações imediatas com metas de redução de consumo e de perdas para diferentes tipos de usuários de água, como agricultura, indústria, concessionárias de serviços de saneamento e grandes consumidores urbanos.
• Que todo e qualquer investimento para novas transposições e obras desse porte estejam condicionados a um plano abrangente de segurança hídrica e recuperação das fontes de água existentes, considerando-se variáveis sociais e climáticas, para garantir um futuro seguro e sustentável para a água em São Paulo.

#AguaSP Leia todas as propostas: http://aguasp.com.br/

Integrantes da Aliança pela Água:
Advogados Ativistas; Associação Águas Claras do Rio Pinheiros - AACRP; BEM TE VI Diversidade; Cidade Democrática; Coletivo Curupira; Espaço - Formação, Assessoria e Documentação; RPPN Fazenda Serrinha Grupo Permacultores; Greenpeace Brasil; GT Meio Ambiente da Rede Nossa São Paulo; InfoAmazônia; Iniciativa Verde; Instituto 5 Elementos - Educação para a Sustentabilidade; Instituto Akatu; Instituto ATÁ; Instituto Auá de Empreendedorismo Socioambiental; IDEC - Instituto de Defesa do Consumidor; Instituto Mutirão; IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas; Instituto Socioambiental; Itu Vai Parar! ; Mapas Coletivos; Minha Sampa; Movimento Cisterna Já; Proteste - Associação de consumidores; Rede Nossa São Paulo; Rede de Olho nos Mananciais; SIBITE; Sala Crisantempo; SOS Mata Atlântica; TNC - The Nature Conservancy; Virada Sustentável; Volume Vivo; WWF- Brasil; WRI Brasil.

De 12 a 19 de novembro acontece em Sydney, na Australia, o maior congresso sobre parques naturais do mundo. O IPÊ estará presente apresentando um conteúdo sobre áreas protegidas privadas, mostrando como está a situação das RPPNs (Reservas Particulares do Patrimônio Natural) no Brasil e o papel do governo no incentivo à criação e gestão dessas áreas.

Durante o evento será lançada a publicação da IUCN "The Futures of Privately Protected Areas: developing capacity for a protected planet", na qual Angela Pellin, coordenadora de áreas protegidas do IPÊ, e Claudio Padua, vice-presidente do Instituto, são colabores e responsáveis pelo capítulo que fala do Brasil.

"Será uma grande oportunidade para ampliar a divulgação sobre as RPPNs e falar um pouco sobre as dificuldades e oportunidades associadas a conservação em terras privadas em nosso país", afirma Angela. A publicação da UICN, com o capítulo sobre o Brasil, pode ser acessada aqui: http://www.iucn.org/about/work/programmes/gpap_home/gpap_capacity2/gpap_techseries/?18399%2FThe-Futures-of-Privately-Protected-Areas

A Oficina de Manipulação e Segurança de Alimentos, realizada nos dias 4 e 5 de novembro, na comunidade São Sebastião, Baixo Rio Negro (AM),  apresentou as normas determinadas pela legislação referentes às boas práticas no manuseio de ingredientes e preparo de refeições. Participaram das aulas as mulheres dos empreendimentos de alimentação e merendeiras de várias escolas da região.

A atividade contou com a parceria da Consultora Técnica em Segurança Alimentar Ellen Silveira do Programa Alimento Seguro (PAS) do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC), que é voltado para disseminar, orientar e apoiar a implantação das Boas Práticas e do Sistema de Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC) nas empresas de alimentos e de alimentação, em todo o país.

Ellen ministrou a oficina de forma dinâmica e interativa. As mulheres puderam tirar suas dúvidas sobre suas práticas e socializar algumas dificuldades que enfrentam em seus empreendimentos.

Para a merendeira Maria Brenda dos Santos, 42, o cursou foi importante porque mostrou alternativas  simples e baratas para a manipulação segura dos alimentos.       

“Achei muito bom , trouxe conhecimento e aperfeiçoamento. Aprendi coisas simples, mas que vão fazer toda a diferença.  Vou poder usar este aprendizado em casa e no trabalho”, disse.

(Com informações do Blog Ecopolos)

No dia 08 de novembro, foi realizada a sétima edição do Ecoswim, uma competição de natação beneficente organizada pela equipe de Natação da Escola Politécnica da USP, que reverte o dinheiro das inscrições para o projeto “Nascentes Verdes, Rios Vivos”, do IPÊ. A quantia arrecadada é utilizada para plantio de árvores em áreas localizadas na região do Sistema Cantareira e, como recompensa, os nadadores levam uma muda de árvore para a casa, doada pelo Instituto.

Neste ano, o evento aconteceu no Complexo Esportivo Pedro Dell’Antonia, em Santo André, e contou com a participação de mais de 300 pessoas de grupos, clubes e academias. Cada equipe de até 10 pessoas se revezou nadando durante 55 minutos e alcançaram, juntas, mais de 115 mil metros nadados. A maior metragem dentro desse tempo determina a classificação e a equipe vencedora.

RENAN SmallAluno do primeiro ano na Poli-USP, Renan Prandini, 18 (foto), participou como voluntário no evento e também nadou junto com uma equipe da atlética da Universidade. “Eu gosto de nadar e sou da equipe de natação. Mas estou aqui muito mais pela causa do meio ambiente do que pelo esporte. Vi o site do evento e o vídeo sobre o Ecoswim e me interessei muito, por isso vim ajudar na organização e também colaborar com o IPÊ”, conta ele, que pretende dar continuidade ao evento ao longo dos próximos anos.

A primeira edição do Ecoswim foi realizada em 2007. A ideia de organizar um evento beneficente que envolvesse a natação surgiu a partir de uma experiência positiva na organização da edição brasileira do "World Swim Against Malaria" por parte dos integrantes da equipe de natação da Poli-USP. Decidiu-se por abraçar a causa ambiental que sempre foi relevante e vem tomando proporções maiores a cada ano.

“Eu adoro o evento! Além de divertido e de poder chamar os amigos para um dia diferente, tem uma causa socioambiental que é super importante. É uma forma de poder colaborar”, diz Leon Boucher, 21, ex-atleticano da Poli-USP. A muda de pitangueira vai para o sítio de uma das amigas, em Cabreuva (SP).

O Ecoswim 2014 teve patrocínio da MPD e apoio da Pro Swim, Sol Sandálias, Bom Sinal e a Prefeitura de Santo André. O evento também aconteceu com a doação de pessoas físicas em sistema de crowdfunding, por meio do site O Pote.

O trabalho de análise de biodiversidade, desenvolvido pelo IPÊ em parceria com a DANONE, deu à empresa francesa no Brasil o prêmio de mais sustentável do ano na categoria Gestão da Biodiversidade, pelo Guia Exame de Sustentabilidade 2014 (Revista Exame/Editora Abril). A premiação  foi entregue dia 05 de novembro em cerimônia em São Paulo (foto).

O estudo é destaque na edição 2014 do Guia EXAME de Sustentabilidade, o maior levantamento de sustentabilidade corporativa do país, que reúne 61 empresas-modelo em 19 setores, com olhar especial para as companhias com as melhores práticas em cada um deles.

A iniciativa entre o Instituto e a empresa observou a relação dos negócios da companhia com os serviços ecossistêmicos providos pela biodiversidade. O objetivo foi compreender de que forma as alterações no meio ambiente impactam diretamente a produção da empresa e como as atividades da companhia impactam os serviços ecossistêmicos e a biodiversidade. Além disso, o estudo apresentou as formas com que a DANONE (que é líder nacional em produtos lácteos frescos) pode contribuir para beneficiar a biodiversidade e a manutenção desses serviços por meio de sua cadeia produtiva.

Iniciado em abril de 2012, o trabalho foi realizado com a metodologia Ecosystem Services Review (ESR), do World Resources Institute (WRI) – organização ambiental mundial que apoia os desenvolvedores de ações proativas nas estratégias de gestão de riscos e oportunidades decorrentes da dependência e impacto da empresa nos ecossistemas. Os esforços foram direcionados para a cadeia das matérias-primas necessárias para a produção de Danoninho, o segundo produto mais vendido da DANONE no Brasil.

Foram avaliados os riscos e as oportunidades socioambientais nos quais estão envolvidos seus principais componentes: Leite, Açúcar, Morango e a Fábrica. Além disso, o levantamento indicou como a produção de cada um desses componentes afeta solo, bacias hidrográficas, clima, fauna, flora, etc. Para isso, foram consultados os responsáveis dos principais setores da empresa, além de fornecedores (especialmente de São Paulo e Minas Gerais), produtores rurais e dados de agências governamentais. O levantamento também usou técnicas de coleta de amostras de água, solo e bioindicadores para verificar as relações entre meio ambiente e negócio.

“É um dos primeiros trabalhos no mundo em que se utiliza o "Biomonitoring 2.0" com novos sequenciadores de DNA (tecnologia inovadora) com o objetivo de integrá-los aos serviços ecossistêmicos. Assim, analisamos a biodiversidade de animais, não de fungos ou bactérias, o que gera um resultado com maior precisão”, afirma o pesquisador do IPÊ, Pedro Miguel Pedro, PhD em Genética pela Universidade Guelph, Canadá.