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A ESCAS - Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade está com inscrições abertas para o Mestrado Profissional em Conservação da Biodiversidade e Desenvolvimento Sustentável. As aulas são no campus de Nazaré Paulista (SP), a 90 km da capital, onde fica a sede do IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas, organização fundadora da Escola.

Para a turma 2020, o Mestrado Profissional tem descontos na mensalidade e ainda oferece 09 (NOVE) bolsas de estudo. Confira quem pode concorrer:

02 BOLSAS DO WWF/EUA - PROGRAMA RUSSEL TRAIN/EDUCATION FOR NATURE (EFN)
Para estudantes dos estados da Amazônia brasileira ou países da Amazônia Andina, ou ainda
para estudantes que desenvolvam seu trabalho de conclusão sobre os tópicos listados abaixo:
- Conservação de ecossistemas e restauração;
- Justiça socioambiental
- Envolvimento da sociedade em estilos de vida sustentáveis
- Economia verde

04 BOLSAS DE PROJETO DE PESQUISA
Estudantes deverão desenvolver seus produtos finais (trabalhos de conclusão) dentro do tema Provisão de serviços ecossistêmicos.
Local de estudo: Pontal do Paranapanema – SP.

01 BOLSA VINCULADA A PROJETO DE PESQUISA DA FAPESP
O estudante deverá desenvolver seu produto final dentro do projeto de pesquisa: “Governança na transição da Mata Atlântica: aprimorando nosso conhecimento sobre recuperação florestal para a geração de Serviços Ecossistêmicos”, coordenado pelo Prof. Dr. Alexandre Martensen, da Universidade Federal de São Carlos - Campus Lagoa do Sino
Local de estudo: Bacia do Alto Paranapanema.

01 BOLSA DE PESQUISA VINCULADA A PROJETO
Projeto “Potencial de Espécies Nativas para a Produção de Madeira Serrada em Plantios de Restauração da Caeté Florestal”, coordenado pelo Prof. Dr. Laury Cullen Junior – IPÊ/ESCAS.
Local de Estudo: Municípios de Nepomuceno (MG) e Camapuã (MS).

01 BOLSA DE PESQUISA COM PRIMATAS
Projeto de pesquisa com primatas (população de macacos pregos) em fazenda na região de Brotas/SP.

Os candidatos devem indicar em suas cartas de intenções o interesse pela bolsa.

Mais informações: https://escas.org.br/editalmestrado2020
Saiba mais sobre o desconto na mensalidade: [email protected] / 11-99981-2601

 

 

A pesquisadora do IPÊ, Gabriela Cabral Rezende, coordenadora do Programa de Conservação do Mico-Leão-Preto está entre os 15 finalistas do Whitley Awards, prêmio considerado o Oscar da conservação mundial.

A cada ano, o Whitley Awards reconhece o trabalho de seis conservacionistas com projetos na Africa, Ásia e América Latina. Para este ano, 112 pesquisadores concorreram. A lista dos seis contemplados sairá em Abril.

Gabriela concorre pelo seu trabalho de conservação com o mico-leão-preto, espécie símbolo do estado de São Paulo. Há nove anos, ela dá continuidade ao projeto que teve início há 35 anos, com o primatólogo Claudio Padua, no Pontal do Paranapanema. O projeto cresceu e evoluiu, utilizando estratégias de proteção do mico que já surtiram resultados como o corredor reflorestado que conecta as Unidades de Conservação da região, garantindo mais espaço para circulação da espécie, além de ações de educação ambiental e de geração de renda sustentável, por exemplo, com a agroecologia e os viveiros comunitários, que fortalecem o relacionamento da população com a fauna local.

Atualmente, a pesquisadora está engajada nos estudos para manejo da espécie e desenvolvendo experimentos inovadores que possam contribuir com o levantamento de dados mais apurados sobre os micos, como a instalação de caixas dormitório em áreas de novas florestas onde ainda não existem ocos nas árvores para uso do mico. Sob a liderança de Gabriela, o projeto também trouxe os primeiros radio-colares com GPS a serem utilizados em animais de pequeno porte no Brasil.

“Eu e toda a equipe do IPÊ estamos muito felizes com a indicação. Esse é um trabalho integrado, onde a ação de todos é fundamental, não só da pesquisa em si, mas da educação ambiental, da restauração da paisagem, do envolvimento comunitário. É essa integração que faz um trabalho de conservação acontecer. A pesquisa científica do mico-leão-preto pode ganhar ainda mais impulso caso sejamos ganhadores, então significa muito para nós estarmos nessa final”, comenta ela.

Saiba mais sobre o programa do Mico-Leão-Preto: https://www.ipe.org.br/ra2018/localidade.html

 

“Nós temos o maior potencial biodiverso do mundo, seja na Mata Atlantica, na Amazônia, na Caatinga, etc. O que nos estamos lucrando disso? Nada. Nós nunca enxergamos realmente esse potencial. Tem que haver uma mudança disruptiva, sistêmica, com agregação de valor, inclusiva e que mantenha floresta em pé e rios fluindo”. Esse é o maior desafio para superar os problemas socioambientais e as mudanças climáticas no Brasil, segundo o climatologista Carlos Nobre.

O cientista, membro do Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC), foi o professor convidado desta sexta-feira no curso MBA em Gestão de Negócios Socioambientais, da ESCAS – Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade, braço educativo do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas. A provocação de Nobre faz todo sentido. Enquanto essa riqueza biodiversa tem um enorme potencial, ela tem se perdido e virado fumaça. Dados de pesquisa de Carlos Nobre e pares apontam que em 2050, é possível que na Amazônia, por exemplo, possamos perder 60% da floresta e todo o seu potencial social e econômico.

“ Amazônia está em ponto de ruptura. Estamos no nosso limite do desmatamento. O tipping point da Amazônia não pode superar 25%. Estamos em 17% e os índices de desmatamento e queimadas só aumentam”, afirmou em aula no campus de Nazaré Paulista (SP).

Podemos evitar esse tipping point? Para o professor, é totalmente possível. O cientista tem trabalhado no conceito chamado Amazônia 4.0.

“O Amazônia 4.0 é uma proposta que já tem caminhado. Diz muito sobre como aproveitar os ativos da Amazônia de maneira sustentável – digital, inclusiva, com compartilhamento equitativo dos benefícios. Com modernização das cadeias produtivas madeireiras, restaurando a pecuária, utilizando os sistemas agroflorestais”, afirma.

O professor compara, por exemplo, a produção do açaí às produções tradicionais de gado e soja. Segundo ele, dados do IBGE apontam que a lucratividade da carne é no máximo 100 dólares por hectare/ano, a da soja, de 200 dólares por hectare/ano, enquanto a do açaí, que é uma atividade extrativista, que mantém a floresta em pé, é de 200 dólares, ou seja, duas vezes maior que a pecuária, com impacto significativamente menor e com inclusão de mais famílias na produção.

“O açaí beneficia mais de 400 mil pessoas. Mais de 200 mil delas saíram da pobreza por causa dessa cadeia, mesmo ela ainda não sendo totalmente modernizada. É um exemplo concreto de industrialização e virou um produto mundial. Dados do IBGE mostram que o valor total da produção em 2017, foi de 3,7 bilhões de reais em 140 mil hectares. A soja, por sua vez, usou 350 mil hectares e o valor total da produção foi de 1 bilhão de reais”, comenta.

Na iniciativa Amazônia 4.0 de Nobre, a proposta é implementar laboratórios de inovação e criatividade que levem capacitação para a população moradora do bioma, incluindo jovens especialmente, e pensando em modelos que possam ser replicados e desenvolvidos nas próprias comunidades. A ideia é desenvolver laboratórios para co-criação de produtos de Cupuaçu e Cacau, Castanha e também trabalhar com a área Genômica, incluindo a biomimética.

“É preciso um novo olhar para a Amazônia. E essa nova maneira de enxergar nossos ativos e a forma de trabalhar com eles vai nos permitir que a maior parte dos empregos não seja manual, mas que envolva sim a criatividade, a invenção. Tem seus desafios. Um deles é como implementar bio fábricas com energia solar em  áreas remotas, por exemplo. Mas estou otimista”, conclui.

O MBA em Gestão de Negócios Socioambientais é uma iniciativa ESCAS/IPÊ com apoio pedagógico do CEATS-USP.

No último dia 15 de janeiro, foi finalizada a temporada 2019 do Programa Quelônios do Rio Trombetas (PQT) com a soltura de 5.000 filhotes de tartaruga-da-amazônia na região das praias de desova da espécie na Reserva Biológica (Rebio) do Rio Trombetas. O PQT tem apoio do IPÊ para a sua realização desde 2017, via Projeto Monitoramento Participativo da Biodiversidade (MPB), que tem parceria com o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidae) e conta com o apoio de USAID - US Agency for International Development e Gordon and Betty Moore Foundation.

Mais de 300 pessoas participaram do evento de soltura, uma atividade de comemoração pelo esforço e sucesso alcançados pelos monitores comunitários, voluntários do programa do ICMBio, servidores e parceiros do PQT na conservação desses quelônios.
A melhor notícia é o número recorde de filhotes soltos durante toda a temporada do PQT 2019 que ultrapassou 50 mil tartarugas. Outro número para comemorar é o aumento expressivo de fêmeas que desovaram nos tabuleiros do Rio Trombetas que chegou a 800 fêmeas. Nos anos anteriores esses números chegavam a, no máximo, 600 indivíduos.
Esse resultado é mais que esperado pela equipe do Programa Quelônios do Rio Trombetas, fruto do trabalho de proteção, manejo conservacionista e solturas realizados na região há mais de 40 anos, pois o aumento expressivo de fêmeas desovando esse ano se dá provavelmente pelas fêmeas jovens soltas ou protegidas em anos anteriores que desovaram pela primeira vez nessa temporada.
O Programa Quelônios do Rio Trombetas é planejado e executado pelas UCs de Trombetas - IBDF, IBAMA e atualmente pelo ICMBio - em parceria com as comunidades e MRN. Desde 2017, o PQT conta com o apoio do Programa Nacional de Monitoramento da Biodiversidade (MONITORA), do qual o IPÊ paz parte pelo MPB; e do Programa de Voluntariado do ICMBio, sob a coordenação do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Amazônica (CEPAM/ICMBio).

 

A produção de gado de corte traz impactos consideráveis com relação às mudanças climáticas por conta das emissões de metano entérico (CH4), mas os sistemas silvipastoris, que integram animais, pastagens e produção, podem colaborar significativamente com a redução desse impacto.

Na Fazenda Triqueda, em Minas Gerais, pesquisadores, incluindo Leonardo Resende (do Departamento de Geografia, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e Mestre pela ESCAS/IPÊ) e Laury Cullen Jr. (coordenador de projetos do IPÊ), avaliaram durante oito anos a presença dos sistemas silvipastoris na área de produção de gado e constataram que eles neutralizam o impacto da emissão entérica de CH4, facilitando o armazenamento de carbono como carbono orgânico do solo (SOC).

Na propriedade, localizada na Bacia do Rio Paraibuna, na cidade de Coronel Pacheco, os pesquisadores realizaram seus estudos com um rebanho de 150 vacas em 100 hectares. Como resultado, detectaram que, para todos os tratamentos SPS médios, o equivalente de dióxido de carbono (CO2e) de estoque adicional de C excedeu as emissões. Considerando apenas o sequestro de C das árvores, o sequestro médio de CO2e foi de – 26,27 MgCO2e ha-1, enquanto as emissões médias de CO2e foram de 23,54 MgCO2e ha-1 para CH4 entérico mais pastagem mais árvores, dando um saldo líquido negativo de – 2,73 MgCO2e ha-1.

Além de demonstrar a possibilidade de neutralização da emissão de CH4 entérico na produção de bovinos de corte com árvores no sistema silvipastoril, o trabalho também validou que o sistema, além de fornecer uma fonte de alimento para os animais (biomassa de pastagem), realiza sequestro de carbono, como SOC, em escala significativa.

A pesquisa é mais um passo que comprova que a adoção de sistemas silvipastoris na pecuária pode apoiar a transição do sistemas de monocultura para o sistema agroflorestal, capaz de desenvolver uma fonte segura de proteína animal (leite ou carne), aumentando a segurança alimentar e diminuindo o aquecimento global.

Além de Leonardo Resende, e Laury Cullen Jr., fizeram parte do esudo  Marcelo Dias Müller (Embrapa), Marta Moura Kohmann (Range Cattle Research and Education Center, University of Florida), Luís Fernando Guedes Pinto (Imaflora, Piracicaba/SP), Sergio de Zen (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro) e Luiz Felipe Guanaes Rego (Departamento de Geografia, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro).

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