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O Cerrado, ao contrário do que muitas pessoas imaginam, é um dos biomas mais ricos do mundo. Você conhece a irara, o quati, o mão-pelada ou ainda o cateto? Eles estão entre os animais que vivem no Cerrado, assim como o tamanduá-bandeira, espécie foco do Projeto Bandeiras e Rodovias, uma realização do IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas junto com o ICAS - Instituto de Conservação de Animais Silvestres. 

 

Como forma de proporcionar visibilidade à fauna do Cerrado, o Projeto Bandeiras e Rodovias lança a publicação “Bichos do Cerrado – A biodiversidade no seu quintal”, com fotos, muitas de cameras trap, utilizadas pelo Projeto para monitorar o tamanduá-bandeira, mas que também registram a presença de uma série de outros animais que compartilham do mesmo habitat. O projeto editorial é assinado pela Natureza em Foco, com financiamento da Foundation Segré, principal financiador do Bandeiras e Rodovias. Acesse aqui.

São 80 página que possibilitam conhecer a fauna do Cerrado e os animais que já integram a lista de espécies ameaçadas de extinção. A publicação traz ainda informações sobre o risco dos atropelamentos para as espécies e ainda curiosidades sobre as cameras trap, verdadeiras aliadas da pesquisa científica. Você sabia, que essas câmeras registram, além de data e hora, uma série de outras informações? Por exemplo, a fase da lua e a temperatura. 

Atropelamentos são grande ameaça

O projeto Bandeiras e Rodovias visa avaliar, monitorar e indicar soluções sobre o problema dos atropelamentos e acidentes com tamanduás-bandeira nas rodovias do Estado do Mato Grosso do Sul, que tem índices alarmantes de morte de animais silvestres por atropelamento. Avanços nessa direção vão tornar as rodovias mais seguras para as pessoas e tamanduás, e também têm o potencial de beneficiar outras espécies. 

O projeto monitora as rodovias a cada 15 dias para saber onde há um maior número de colisões. Em três anos, foram monitorados 85.500 km de rodovias em Mato Grosso do Sul e registradas 12.350 carcaças de animais, sendo 760 de tamanduá-bandeira.

 

 

Por Suzana Padua
Íntegra em Fauna News

 

mary pearlAs mulheres precisam ter muita garra para irem a campo em trabalhos de conservação de espécies. Por isso as admiro tanto e sei que merecem aplausos. As razões são inúmeras: terem que lidar com os afazeres da casa, que com raras exceções não recaem sobre elas; não mostrarem fraquezas junto às equipes com quem trabalham, inclusive, ou principalmente, aos mateiros; estarem prontas para novos desafios como longas caminhadas em matas fechadas ou dias expostas a intempéries da natureza, que podem ser chuvas torrenciais, sol a pino, frio ou calor demasiado; e precisam se dispor a encarar falta de conforto. Tudo isso só é possível se houver paixão pela causa que defendem.

Devo reconhecer algumas que sempre me impressionaram. Ressalto poucas, mas são muitas as mulheres extraordinárias que se dedicam a salvar espécies, ecossistemas e elementos da natureza. Jane Goodall, por exemplo, é o ícone máximo no cenário internacional, cuidando de chimpanzés, carismáticos como ela. Mas existem outras que conheci e que se destacaram com trabalhos incríveis, como Mary Pearl (foto), que pesquisou macacos Rhezus em condições abusivas de frio intenso no Paquistão. Na época, o país estava em guerra, que só não a atingiu porque seu estudo era nas montanhas, embrenhada nas matas. Com a bagagem que adquiriu, liderou por anos a Wildlife Trust Alliance, instituição que reuniu diversas organizações conservacionistas espalhadas pelo mundo, como a nossa, o IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, sendo muitas também capitaneadas por mulheres.

Estrangeiras no Brasil temos alguns exemplos inspiradores. Lou Ann Dietz, que trabalhou e ainda é fervorosa defensora dos micos-leões-dourados, foi minha mentora quando ingressei na área da educação ambiental vinda de outro campo profissional. Ela, na verdade, foi um marco na formação de muitos educadores ambientais no Brasil, compartilhando metodologias e estratégias até então novas no país e que foram de extrema importância, principalmente no que concerne o envolvimento de comunidades locais na conservação. Utilizou uma espécie-bandeira, no caso o mico-leão-dourado, para aumentar o orgulho e a vontade de engajamento das pessoas em causas socioambientais.

Outro exemplo de estrangeiras no Brasil é Karen Strier, que vem dedicando sua vida aos muriquis e já orientou diversos brasileiros e brasileiras na primatologia, deixando um belo legado de jovens profissionais aptos a novos desafios.

Com personalidade forte, lembro bem da Devra Kleiman, conhecida por brigar por tudo que acreditava ser o melhor para os primatas, em particular para os micos-leões.

No Brasil, algumas conservacionistas de espécies específicas me vêm à mente com alegria e orgulho, como Neiva Guedes, que há décadas se dedica exemplarmente às araras-azuis do Pantanal. Presenciei o nascedouro de seu trabalho e a vi desabrochar como pesquisadora dessas aves que cativam a todos por sua rara beleza.

O mico-leão-dourado também conta com brasileiras que vêm dedicando suas vidas pela conservação da espécie, como Cecilia Kierulff, Andreia Martins e Nandia Xavier. Os micos-leões-dourados têm nelas aliadas fiéis à sua conservação, cada uma atuando em campos distintos pela proteção da espécie e seu habitat.

No Amazonas tem várias, mas como meu foco é bem tendencioso à primatologia, ressalto a dedicação de Dayse Campista com o Saguinus bicolor (sauim-de-coleira), macaquinho carismático e cuja distribuição é exatamente onde foi implantada a cidade de Manaus e seu entorno. A espécie precisa mesmo de madrinha para ajudar na sua sobrevivência.

No IPÊ, temos muitas mulheres que admiro, mas duas em especial dedicam suas vidas a espécies. A Patrícia Medici trabalha incansavelmente pela conservação das antas brasileiras. Recebeu inúmeros prêmios e tem um Ted Talk com mais de um milhão de views, o que indica a qualidade de seu trabalho e sua paixão pelo tema. Recentemente, Patrícia e sua equipe, ao dissecarem antas atropeladas para estudar zoonoses e outros males que poderiam as estar afetando, descobriram que a maioria estava contaminada com agrotóxicos usados nas monoculturas do Cerrado e do Pantanal de Mato Grosso do Sul, alguns inclusive de uso proibido. Triste e ameaçadora descoberta, não só para a espécie, mas para outras que não estão sendo estudadas e que devem estar igualmente em risco, sem falar dos seres humanos da região.

Ainda no IPÊ, a Gabriela Rezende estuda o mico-leão-preto, espécie que deu origem à instituição. Aliás, o mico-leão-preto serviu de escola para muitos do IPÊ, como Cristiana Martins, Fabiana Prado e tantas outras e outros. Fabiana depois liderou por anos a fio a conservação do mico-leão-da-cara-preta, espécie descoberta no início da década de 1990, cuja região de abrangência é a costa do norte do Paraná e do sul de São Paulo. As condições de trabalho eram as mais desafiantes. Fabiana trabalhou frequentemente com lama até os joelhos, o que demostra paixão e determinação, para dizer o mínimo. Hoje, Cristiana coordena o programa de pós-graduação da Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade – ESCAS do IPÊ e Fabiana um grande projeto nosso na Amazônia, o LIRA – Legado Integrado da Região Amazônica.

Recentemente, Gabriela e Patrícia receberam Prêmios Whitley, considerado o “Oscar” da conservação. Gabriela vem inovando ao colocar “pousadas” para os micos, que são caixas de madeira nas árvores que ainda não contam com ocos por serem novas, para assegurar que eles tenham onde se abrigar à noite dos predadores. Com isso, os corredores de matas que o IPÊ vêm plantando no Pontal do Paranapanema (SP) agora podem ser amplamente usados pelos micos e outras espécies que dependem desse abrigo e as populações de um fragmento de floresta têm como migrar para outros fragmentos, aumentando as chances da formação de novos grupos, ampliando a população e evitando consanguinidade e seus efeitos deletérios que podem levar a extinções locais.

O mico-leão-preto há décadas conta com um programa integrado e contínuo de educação ambiental, já descrito em outro artigo no Fauna News. Esse foi meu tema de estreia nesse campo e até hoje o programa é liderado pela Gracinha, Maria das Graças de Souza, que sabe como cativar e envolver públicos diversos nas temáticas socioambientais.

As educadoras ambientais do Projeto Tamar certamente merecem reconhecimento, pois tornaram as tartarugas-marinhas em verdadeiros símbolos de orgulho regional. Hoje, o Tamar é reconhecido nacional e internacionalmente por sensibilizar milhares de pessoas que vivem ou visitam as costas brasileiras.

O próprio Fauna News conta com mulheres incríveis e gostaria de parabenizar a todas. Mais que congratulá-las, é agradecer a cada uma pelo valioso trabalho que desempenham. Além das mulheres desse grupo, existem muitas merecedoras de admiração e gratidão por estarem protegendo a riqueza natural que ainda existe no Brasil e no planeta.  Saiba mais aqui.

 

 

Para conservar a biodiversidade brasileira – nossa missão – realizamos uma série de ações em diferentes frentes. Pesquisa, educação ambiental, restauração florestal, monitoramento participativo da biodiversidade, implementação de sistemas produtivos sustentáveis e eficientes, além de parcerias em negócio sustentáveis estão entre os exemplos de iniciativas que você tem a oportunidade de conferir em detalhes no Relatório de Atividades do IPÊ 2019.

Essa é uma das formas encontramos para mostrar à sociedade o impacto do nosso trabalho, por meio dos dados e das histórias contadas por quem participa dos nossos projetos. São produtores rurais, moradores de comunidades tradicionais, professores, alunos da ESCAS, pesquisadores, parceiros institucionais... Todos eles revelam como o IPÊ atua na prática - no Pantanal, na Amazônia, no Pontal do Paranapanema e no Sistema Cantareira - para fazer a diferença na vida dessas pessoas e contribuir para a conservação da biodiversidade, razão de ser da nossa instituição. Conheça essas pessoas aqui em vídeos, fotos e textos.

O relatório também traz os nossos dados financeiros, com todas as informações pertinentes ao uso dos recursos captados para o desenvolvimento de trabalhos que, em 2019, chegaram a mais de 14,5 mil pessoas de forma gratuita. Você também pode conferir todos os apoiadores, empresas, institutos nacionais e internacionais, organizações da sociedade civil, pessoas físicas. Parceiros que confiam no nosso potencial e expertise de mais de 28 anos, e compreendem a importância do investimento na conservação socioambiental para a garantia de uma vida de qualidade para todos.

Acesse aqui www.ipe.org.br/ra2019

 

O IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas reconhece o importante papel da Fundação Parque Zoológico de São Paulo na conservação da biodiversidade brasileira e vem manifestar seu apoio à esta instituição, cujo trabalho de excelência tem, ao longo de nossa história uma estreita relação institucional.

A Fundação Parque Zoológico de São Paulo integra, desde a década de 1980, o programa de manejo ex situ de mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus), espécie globalmente ameaçada que só ocorre no estado de São Paulo, e decretada espécie símbolo da conservação da fauna e patrimônio ambiental deste estado (Decreto nº 60.519/2014). Tendo se desenvolvido como referência nacional e internacional na criação e reprodução dessa espécie em cativeiro, a Fundação coordena hoje o programa internacional de manejo ex situ de mico-leão-preto, além da seção brasileira do programa ex situ das outras duas espécies de micosleões – dourado e da-cara-dourada (L. rosalia e L. chrysomelas).

Atualmente, a FPZSP mantém, junto a sua unidade Centro de Conservação da Fauna Silvestre do Estado de São Paulo (CECFAU), a maior parte da população cativa de mico-leão-preto, no âmbito internacional. Dado o protagonismo da atuação da Fundação na conservação do mico-leão-preto e demais primatas paulistas, essa instituição assume hoje a coordenação da Comissão Permanente de Proteção dos Primatas Paulistas (Pró-Primatas Paulistas – CPPP), que atua junto à SIMA e demais integrantes da CPPP, incluindo o IPÊ, no desenvolvimento de estratégias para proteção e recuperação dessas espécies e seus habitats.

Ressaltamos a nossa preocupação com uma eventual extinção da FPZSP, por entendermos que tal ação pode representar um sério risco às estratégias de conservação das espécies “in situ”, devido à interrupção do importante papel desempenhado por esta instituição na ciência, por meio de resultados obtidos com suas atividades de pesquisa, e manejo integrado de espécies, que vem contribuindo com a conservação da biodiversidade brasileira.

 

Considerando:

Que a Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo é a principal Instituição de regularização fundiária do Estado de São Paulo; 

O destacado papel da Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo, como instituição de Assistência Técnica e Extensão Rural para assentamentos rurais;

Que a Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo possui exemplos de parcerias de sucesso com diversas organizações para viabilizar projetos de restauração florestal em áreas de Reserva Legal e Áreas de Preservação Permanente em assentamentos, principalmente na região do Pontal do Paranapanema;

Que a Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo possui exemplos de parcerias de sucesso com diversas organizações para viabilizar projetos de Sistemas agroflorestais, como geração de renda par famílias de assentamentos rurais principalmente na região do Pontal do Paranapanema; 

Que a Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo, atua com grande afinco para o desenvolvimento dos assentamentos rurais, promovendo inclusão social no campo; 

Que a sustentabilidade e o sucesso dos assentamentos de reforma agrária dependem da atuação permanente de uma instituição sólida de ATER pública, para o acompanhamento e orientação técnica aos pequenos produtores; 

Que a Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo vem se tornando uma forte parceira de outras instituições que buscam promover o desenvolvimento sustentado das regiões onde atua. 

O IPÊ vem manifestar total reconhecimento da Fundação ITESP, como uma instituição estruturante do sistema de assentamentos de reforma agrária do Estado de São Paulo. Nesse sentido, expressamos nosso apoio à continuidade das ações desenvolvidas por esta instituição, assim como a manutenção do destacado trabalho desenvolvido pelos seus profissionais. Quaisquer ações que venham a comprometer os papéis acima mencionados devem ser evitadas para que não se coloque em risco a sustentabilidade dos assentamentos de reforma agrária e os recursos socioambientais a eles associados.