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O incêndio que devastou o Pantanal em 2020 foi sem precedentes na história. Estratégias de longo prazo para a prevenção de catástrofes similares no bioma se fazem urgentes. Assim, a INCAB-IPÊ está articulando a formação de uma coalizão de fazendas pantaneiras localizadas na Nhecolândia (Mato Grosso do Sul), que  estarão preparadas para agir contra possíveis incêndios futuros.

A coalizão será formada por 10 fazendas, totalizando uma área de 1.500 km² de Pantanal. A Fazenda Baía das Pedras, nossa área de estudo, será a sede central da coalizão. Cada fazenda receberá um kit de equipamentos de combate a incêndios, que inclui queimador para incêndios controlados (caso o método de contrafogo seja necessário como medida preventiva), soprador portátil, motosserra, roçadeira portátil, mochilas anti-incêndios, abafadores de fogo, foices e enxadas entre outros. Em cada fazenda, também estarão disponíveis equipamentos de proteção individual para cinco brigadistas que inclui macacões, botas, luvas, óculos de proteção, balaclavas e capacetes especiais para combates a incêndios bem como garrafas de água, perneiras, facões e lanternas de cabeça. A escolha de todos esses equipamentos foi pensada conjuntamente com profissionais experientes do PrevFogo IBAMA. As compras já foram realizadas e basicamente todo o equipamento já chegou.

Em fevereiro de 2021, realizaremos na Baía das Pedras um evento reunindo as 10 fazendas da coalizão. Profissionais do PrevFogo IBAMA oferecerão treinamento tanto aos proprietários das fazendas quando a funcionários selecionados. Todo o grupo será orientado quanto à utilização adequada, armazenamento e manutenção dos equipamentos adquiridos. Um Termo de Cooperação será assinado com cada fazenda participante de forma a garantir o uso e cuidado adequados do material.  Duas vezes por ano, um membro de nossas equipes visitará cada fazenda para garantir que o equipamento esteja devidamente armazenado e mantido. Também aplicaremos questionários para mensurar a quantidade de incêndios debelados e avaliar o sucesso dessa iniciativa.

Os incêndios no Pantanal atingiram todos os grupos animais - de invertebrados até grandes aves e mamíferos. Pesquisadores de várias organizações atuando no bioma uniram forças para contabilizar o impacto na fauna buscando estimar o número de animais mortos. No caso das antas (foco dos estudos da INCAB) e dos tamanduás-bandeiras (foco de estudo do nosso parceiro ICAS - Instituto de Conservação de Animais Silvestres), algumas estimativas estão sendo levantadas conforme as carcaças vão sendo encontradas.

Temos mantido contato com organizações em diferentes partes do Pantanal, para reunir o máximo de informações possível sobre a mortalidade dessas espécies de forma a modelar e avaliar as consequências desses incêndios nas suas populações.

A EMBRAPA Pantanal desenvolveu um método padrão (contagem de carcaças usando amostragem de transectos lineares) que passou a ser utilizado pela comunidade científica de forma a padronizar os esforços para levantamento do impacto nos animais. Resultados preliminares das contagens de carcaças demostraram o impacto maior ocorreu em animais de baixa mobilidade, como répteis e roedores – que são base de cadeia alimentar e cuja ausência afeta seus predadores e toda a cadeia alimentar com a falta de alimento, causando a “fome cinzenta” na floresta destruída. Já animais como o tatu-canastra (foco de estudo do Projeto Tatu-Canastra), têm menos registros. De qualquer maneira, devido a seus hábitos de permanecer sob o solo, também é bastante provável que tenham sido  fortemente impactados morrendo dentro de suas tocas.

Outra iniciativa tem sido coordenada por pesquisadores atuando no SESC Pantanal. A maior reserva particular do Brasil, a qual abriga uma das maiores populações de antas do Pantanal, teve 91% de sua área queimada. Com o apoio de parceiros, o SESC distribuiu 160 estações de água e alimentação para os animais (o chamado “assistencialismo”), e 12 dessas estações vem sendo sendo monitorados através de armadilhas fotográficas. Esta será uma forma extremamente eficaz de monitorar e avaliar o retorno dos animais às areas queimadas, bem como as condições corporais nas quais eles se encontrarão. A INCAB apoiou a equipe de pesquisadores do SESC com 10 armadilhas fotográficas (bem como todos os acessórios necessários incluindo cartões de memória, baterias recarregáveis, carregadores de baterias) para o monitoramento de mais estações de assistencialismo.

Estamos em processo de busca de outras iniciativas de avaliação do impacto dos incêndios que necessitem de apoio.

O IPÊ, por meio da INCAB - Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira - atuou nos últimos cinco meses no apoio a ações de mitigação das consequências dos incêndios que destruíram mais de 30% do Pantanal. Seja por meio de assistência técnica remota a veterinários em equipes de resgate, seja por meio de encaminhamento de doações conseguidas com ajuda de pessoas físicas do Brasil e de fora do país, além do aporte da parceira do IPÊ, a Havaianas. Veja aqui como atuamos na emergência pela qual está passando o Pantanal.

Com o recurso das doações realizadas através de nossa campanha, a partir de agora, vamos trabalhar com apoio ao levantamento do impacto desses incêndios na biodiversidade pantaneira, bem como com a prevenção de eventos similares no futuro. É importante lembrar que, este ano, o bioma sofreu com os piores incêndios de sua história com consequências ainda pouco conhecidas, mas que infelizmente serão ainda sentidas por muitas décadas. A crise climática que vivemos só deve agravar esse quadro nos próximos anos, e a previsão de pesquisadores que é que incêndios como esse serão ainda mais comuns, com períodos de seca mais intensos.

AVALIAÇÃO DE IMPACTO SOBRE A FAUNA DO PANTANAL

COALIZÃO DE FAZENDAS PARA A FORMAÇÃO DE BRIGADA DE INCÊNDIOS

Vencedor do prêmio Whitley em 2002, considerado o Oscar da Conservação da Biodiversidade, o pesquisador do IPÊ, Laury Cullen Jr., é agora um dos 13 vencedores do Whitley Continuation Funding. O prêmio do Whitley Fund for Nature (Inglaterra) é destinado a conservacionistas do mundo todo, com o objetivo de garantir escala a projetos já apoiados uma vez pela organização.

Laury é engenheiro florestal e dedica sua profissão a restaurar uma das áreas mais fragmentadas de Mata Atlântica do Brasil, o Pontal do Paranapanema, no Oeste de São Paulo. Com o projeto Corredores para a Vida, coordenou o plantio do maior corredor já reflorestado no Brasil, que conecta as duas principais Unidades de Conservação da Mata Atlântica de interior: o Parque Estadual Morro do Diabo e a Estação Ecológica Mico-Leão-Preto. O corredor, que passa por dentro da fazenda Rosanela, tem 12 quilômetros e 2,4 milhões de árvores plantadas. Ele nasceu da necessidade de conservar espécies raras e endêmicas (que só existem naquela região) como o mico-leão-preto, e que vivem no que restou da Mata Atlântica local. Com a fragmentação e o isolamento das pequenas florestas, as espécies correm alto risco. Daí a necessidade de conectar os fragmentos com os corredores.

Os corredores de Mata Atlântica são resultado de um longo estudo estratégico para plantios de floresta em áreas relevantes à fauna e à flora daquela região. Além disso, é fruto de muitas parcerias entre todos os setores: governamental, privado e não governamental.

O projeto considera, principalmente, a participação social como uma de suas maiores conquistas: leva geração de renda a famílias, novas formas de produzir e ajuda a construir novos negócios sustentáveis, por exemplo, com os viveiros comunitários.  Veja aqui como isso acontece.

“Este é mais um grande passo importante na missão de reconectar a floresta do Pontal do Paranapanema. Temos trabalhado nisso ao longo de mais de 25 anos e, com certeza, daremos um grande salto graças ao fundo do Whitley. É um prêmio para nós, do IPÊ, mas acima de tudo, para a Mata Atlântica”, comemora Laury.

Os corredores hoje já não se limitam aos 12 quilômetros. Eles avançaram ao norte do PEMD e, até o final de 2020, já serão ao todo 500 mil árvores a mais plantadas nesta porção de Mata Atlântica que precisa ser reconectada. Ao norte, um novo corredor já é formado pelo projeto liderado por Laury e realizado pela equipe de profissionais do IPÊ no Pontal: Haroldo Borges Gomes, Nivaldo Ribeiro Campos, Aline Souza, Maria das Graças Souza, Williana Marin e Aires Cruz. Ao todo, com o projeto, o IPÊ tem hoje cerca de 2,9 milhões de árvores plantadas.

Com o Continuation Funding, será possível plantar 500 hectares da floresta em dois anos. Ou seja, serão mais 1 milhão de árvores na Mata Atlântica, que vão gerar benefícios climáticos, compensando 43.000 toneladas de carbono; que irão apoiar a conservação de espécies ameaçadas de extinção como o mico-leão-preto e a anta brasileira; e que darão oportunidades de trabalho em restauração para comunidades locais.

“A restauração no Oeste Paulista é o caminho mais interessante para o desenvolvimento e a economia local. O déficit florestal na região é quase 60 mil de hectares. Nossa meta é restaurar 5 mil hectares em cinco anos. Existe a necessidade florestal, mas ela é também uma saída econômica e social de grande relevância. Com o reflorestamento, é possível movimentar U$10 milhões na economia da região, U$1,2 milhão em viveiros comunitários e U$25 mil em produtos agroflorestais de pequenos produtores rurais, até 2025. É algo promissor, que beneficia empresas, setores governamentais, a biodiversidade e, claro, a sociedade”, complementa.

Saiba mais sobre o prêmio.

leticia2A designer Letícia Laet, aluna do MBA em Gestão de Negócios Socioambientais, da ESCAS – Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade, está entre os profissionais que reforçam como o trabalho em prol da conservação e da sustentabilidade ganha força quando envolve profissionais de diversas formações. “A comunicação, por exemplo, é fundamental para alcançarmos um mundo mais sustentável. Através do meu trabalho busco divulgar, informar, unir e engajar pessoas. Comecei como fotógrafa, a fotografia me ajuda nos projetos e sempre amei registrar momentos e expressões. O mais importante é a produção de uma comunicação (gráfica e textual) adequada, que explique conceitos, contribua com a gestão de projetos, pensando na economia circular e na consciência sobre o uso de materiais sustentáveis, além da promoção de práticas sustentáveis no trabalho e fora dele”, comenta.

Letícia trabalha como designer na agência Ana Laet e assina entre outros materiais o design gráfico do Relatório de Atividade do IPÊ (2018 e 2019).  “Com o MBA, estou mais preparada para produções gráficas e de comunicação sobre sustentabilidade, empreendedorismo, marketing, acessibilidade, por exemplo”. 

Novas Perspectivas

O caminho que levou Letícia até o MBA envolveu a busca por conhecimento prático. “Sentia falta na faculdade de aprender sobre negócios e sustentabilidade. Afinal, design é negócio também. Levo sustentabilidade a sério e queria me aprofundar no assunto. Acredito que em qualquer negócio é preciso considerar o impacto socioambiental. Cheguei a dar uma olhada em MBA no Rio de Janeiro (onde Letícia vive) e não me identifiquei muito. Acompanho o IPÊ há muito tempo e vi uma publicação sobre o MBA em Gestão de Negócios Socioambientais, da ESCAS, achei a oportunidade perfeita”. 

Além do conhecimento que tanto buscava, o MBA possibilitou à Letícia conhecer novas possibilidades, ou melhor, oportunidades. “Além do design produzo também conteúdo e quero trabalhar também com educação. Na verdade, eu sempre quis, só que não sabia disso, o MBA me ajudou a ter certeza. Irei tirar do papel projetos socioambientais, incluindo projetos (gráficos e não gráficos) de educação ambiental, que amadureci bastante durante a jornada no curso”. 

Pluralidade na Conservação 

O TCC - Trabalho de Conclusão de Curso, que Letícia Laet assinará em breve, junto com os colegas   Camila Momesse (engenheira ambiental) e Fabio Accunzo (economista), é mais uma evidência do potencial de trabalhos multidisciplinares nas esferas da conservação e da sustentabilidade. “Estamos produzindo TCC sobre empreendedorismo nas escolas públicas em várias regiões do Brasil. Entendemos a educação representada pelo Objetivo do Desenvolvimento Sustentável (ODS) 4 Educação de Qualidade, da ONU, como a força mais poderosa que podemos usar para mudar o Brasil e o mundo. O aprendizado do empreendedorismo é uma oportunidade para as crianças e adolescentes tendo em vista um futuro melhor para eles, a sociedade e o Meio Ambiente”.

No momento, Letícia explica que o grupo está na fase de reconhecimento de Boas Práticas. “Estamos pesquisando projetos e entidades com iniciativas educacionais que se destaquem na forma como preparam os jovens, com o foco no empreendedorismo, principalmente nas fases do Ensino Fundamental e Ensino Médio nas escolas públicas, buscando identificar as boas práticas, as oportunidades e os desafios relacionados ao tema. Queremos inspirar e auxiliar outras escolas a incluírem o empreendedorismo entre os conhecimentos trabalhados com os alunos”. 

leticia laet segura cartazProjetos 

Para 2021, Letícia estará envolvida com a produção de ao menos quatro publicações. “Em breve vou trabalhar em 3 livros, sendo um deles sobre animais, outro sobre receitas do Brasil e o terceiro ainda é mantido em segredo”. Também para o próximo ano está prevista a publicação do livro Relatos Vivos e a beleza da singularidade; projeto literário, fotográfico e acessível desenvolvido como produto final da graduação em design gráfico de Letícia Laet, na PUC, em duas versões:  uma com fotos coloridas e outro em braile, com a imagens em alto relevo acompanhadas de descrição.  “É um livro de fotografia que retrata pessoas com deficiência com o objetivo de mostrar que somos iguais, somos diferentes, não importa as nossas limitações. Muitas pessoas subestimam pessoas com deficiência como se fossem incapazes só porque têm deficiência. Eu sou surda e tenho Síndrome de Usher. Para 2021, a ideia é compor o livro com fotos e imagens em alto relevo de modo intercalado. Vou voltar ao projeto Relatos Vivos assim que me formar no MBA”, pontua.  

Fridays for Future

Em março de 2019, Letícia esteve entre os milhares de jovens, de mais de 120 países, que participaram do movimento Fridays for Future, liderado por Greta Thunberg. “Aquela sexta-feira foi histórica, vi em uma rede social o local e o horário do protesto no centro de Rio de Janeiro. Peguei um pedaço de papelão e escrevi as palavras da Greta Eu não quero que vocês tenham esperança, quero que vocês entrem em pânico, me identifiquei muito e desenhei o mundo derretendo como um sorvete e fui, mesmo com chuva. A imprensa me fotografou com o cartaz e a Marina Silva repostou meu post  agradeci a ela na mensagem pela rede social e ela me mandou parabéns, falou que é muito importante os jovens/adultos terem voz por nosso futuro”.

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