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O IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas está presente na COP26, Conferência das Partes, que começou dia 31 de outubro, em Glasgow, na Escócia. Junto ao grupo do Brasil Climate Action Hub, o Instituto vai acompanhar o desenrolar das negociações do encontro da ONU que precisa definir acordos em torno de objetivos importantes para evitar o aumento da temperatura global acima dos 1,5 graus Celsius, e conservar e proteger habitats e comunidades, e também o financiamento para estabilizar a temperatura e apoiar adaptações climáticas.

Com a missão de conservar a biodiversidade, os projetos do IPÊ buscam também responder a este que é o maior desafio da humanidade, a crise climática. Utilizando as Soluções Baseadas na Natureza no desenvolvimento dos trabalhos para conservação da água, floresta e apoio à sociedade, os resultados dos projetos contribuem não apenas para a redução das emissões de CO2, mas como ferramenta de adaptação aos impactos que já alcançam os biomas, a biodiversidade e seus habitantes.

“Com certeza a emergência climática é um dos maiores desafios que estamos enfrentando. Ao levar soluções práticas e aplicáveis pela conservação da água - ativo fundamental, porém bastante negligenciado atualmente - estamos contribuindo para desacelerar o processo de aquecimento e levando oportunidades socioeconômicas às comunidades para enfrentar essas mudanças do clima que afetam especialmente a vida dos mais vulneráveis”, comenta Eduardo Ditt, diretor executivo do IPÊ, que representa o IPÊ na COP26.

Simone Tenório, coordenadora de Políticas Públicas e pesquisadora do IPÊ, é outra representante na COP26. Ela destaca as ações em favor da conservação da água como fundamentais para maior resiliência com relação às mudanças do clima. Projetos nesta linha são realizados no Sistema Cantareira, como o Semeando Água, que conta com patrocínio do Programa Petrobras Socioambiental e Fundação Caterpillar.

“Fundamentar as ações de conservação da água na pesquisa, promover o diálogo propositivo com os produtores rurais rumo à economia verde e construir um Plano de Ação intersetorial para promover estratégias alinhadas no território são o caminho para tratar o sistema de abastecimento com suas peculiaridades e promover a resiliência do Sistema frente às mudanças do clima. As ações de restauração florestal, as atividades que unem a produção agrícola ao melhor uso do solo nossas atividades de educação ambiental e de comunicação correspondem às metas do plano nacional para a mudança climática. Esperamos agora que as negociações avancem ainda mais no sentido de ampliar ferramentas de ação para essa transformação necessária”, comenta ela.

O IPÊ faz parte do Observatório do Clima e vai atualizar os seus seguidores sobre a COP26, no Instagram @institutoipe

Com o objetivo de estimular o voluntariado em Unidades de Conservação e o compartilhamento de experiências e boas práticas, o IPÊ realizou neste mês (20 e 21) o I Encontro de Boas Práticas em Voluntariado em Unidades de Conservação, de forma 100% online. 

Angela Pellin, pesquisadora do IPÊ à frente da organização do Fórum + Encontro na área de Voluntariado para Conservação, contou sobre o evento que teve como público-alvo gestores de Unidades de Conservação. “Foram dois dias de trabalho com discussões muito intensas, tivemos mais de 700 inscritos e recebemos mais de 40 Boas Práticas de todo o Brasil – via edital. Foi muito difícil selecionar as boas práticas que já estão no nosso site e os participantes. Contamos com 100 participantes que avançaram em temas-chave em cinco Grupos de Trabalho”.  

Acompanhe as discussões dos Grupos de Trabalho

 

Gestão e Operacionalização de Programas e Iniciativas

Entre os destaques dos desafios relacionados pelo Grupo 1 está a necessidade de avanço do voluntariado como política pública. “Como organizações da sociedade civil e governo temos que atender a essa demanda da sociedade”, disse Angela Pellin. Quanto aos aprendizados, a pesquisadora do IPÊ destacou a importância de um planejamento sistêmico. “Precisamos pensar o voluntariado de forma estratégica, considerando todo o sistema de unidades de conservação brasileiro, e tratá-lo como uma oportunidade de ampliar a participação e engajamento da sociedade na conservação". 

Capacitação, Pesquisa e Monitoramento

Os resultados do Grupo 2 foram apresentados por Victor Eduardo Lima Ranieri, professor da USP. “A viabilidade financeira é, sem dúvida, um desafio comum a todas as experiências, em menor ou maior grau. Além dela, temos também o engajamento de voluntários de longa permanência para projetos de longo prazo, como monitoramento da biodiversidade, por exemplo. O avanço nessa direção significa a melhor qualidade do trabalho”. Na esfera das Soluções e Aprendizados, Victor destacou a adaptação das capacitações para os variados públicos, a diversificação das parcerias e aproveitar a vivência dos voluntários de longa permanência, já que eles se tornam facilitadores. 

Uso Público

O Grupo 3 teve os seus resultados  apresentados por Pedro Cunha e Menezes, um dos diretores da Rede Brasileira de Trilhas de Longo Curso, que elencou a resistência de algumas Unidades de Conservação em receber voluntários. “É preciso uma capacitação dos gestores nesse sentido para saber melhor aproveitar os voluntários que são uma rica e diversificada mão-de-obra, fazem o que fazem por amor e comprometimento. Isso precisa de governança e capacitação, pensando em uma lógica de trabalho continuado ao invés de mutirões”. Outro desafio pontuado por Menezes é o não reconhecimento. “Temos visto com certa frustração a falta de reconhecimento em algumas Unidades de Conservação. O ganho para o voluntário é se sentir parte. Precisamos considerá-lo como parte da equipe, o que também significa participar do processo decisório”. 

Brigadas Voluntárias e Comunitárias

O Grupo 4 apresentado por Helaine Saraiva Matos, consultora técnica do Serviço Florestal dos Estados Unidos no Brasil, reforçou como estratégica a continuidade de brigadas ao longo do ano. “Entre os desafios está a ampliação do número de brigadas voluntárias e comunitárias permanentes. As experiências selecionadas mostram que existem brigadas que resistem o ano todo, realizando ações de prevenção e combate ao fogo, transformando os territórios nas esferas sociais e ambientais. Outro aprendizado se refere às brigadas que avançaram em parceria com órgãos públicos e privados”. 

Educação e Comunicação

O Grupo 5 apresentado por Cibele Tarraço, que integra a Comunicação do IPÊ, trouxe entre os desafios: planejamento, capacitação e sustentabilidade. “A estruturação de programas diversos e inclusivos desde a criação é um desafio, assim como a boa comunicação ajuda na relação com os voluntários e também a mobilizar ainda mais pessoas pela causa”. Quanto às soluções, Cibele destaca iniciativas que têm em comum o médio/ longo prazo. “Dentro do monitoramento e avaliação identificamos que é preciso organização, tempo e recurso”. Quanto ao reconhecimento do voluntário, Cibele ressalta três esferas. “É preciso entender o impacto para o voluntário, para a Unidade de Conservação e para o Sistema”, completa.  

Saiba tudo sobre a estreia do Fórum de Voluntariado + I Encontro de Boas Práticas

Confira a abertura

Saiba mais sobre o Painel 1: Voluntariado para Conservação: experiências internacionais e brasileira

Painel 2: Vozes do Voluntariado: Inspira Ação

O segundo dia do I Fórum Brasileiro de Voluntariado em Unidades de Conservação, realizado pelo IPÊ, reuniu mais de 150 pessoas ao vivo no canal do YouTube, dia 28/10. Na programação, profissionais de organizações da sociedade civil, de governo e de empresas interessadas em estabelecer pontes a partir do voluntariado como ação capaz de fortalecer a sociedade e as áreas protegidas. 

Angela Pellin, pesquisadora do IPÊ e coordenadora da iniciativa, destaca que o evento superou as expectativas. “Já na primeira edição contamos com mais de 15 apoiadores, o público também surpreendeu no melhor dos sentidos, foram mais de 1.300 inscritos de todo o Brasil para os dois dias de evento. Tivemos discussões importantes e que vão abrir caminho para uma nova fase do Voluntariado no Brasil. Eu comecei minha trajetória profissional como voluntária. Decidi trabalhar com Unidades de Conservação por conta do voluntariado e é uma honra, uma felicidade muito grande ver todo esse movimento acontecer”. 

O IPÊ acredita no voluntariado como estratégia para mais participação social na gestão das Unidades de Conservação. Por meio do voluntariado é possível criar senso de pertencimento e promover o engajamento da sociedade na conservação. 

Caminhos para o fortalecimento do Voluntariado para a Conservação: experiências internacionais

Marco Van Der Ree, diretor executivo de desenvolvimento e mobilização de recursos na América Latina da TNC - The Nature Conservancy, trouxe para o Fórum o contexto atual de crises múltiplas e como o voluntariado em áreas protegidas está inserido em uma rede global em prol do desenvolvimento sustentável. “Estamos a alguns dias da COP-26 sobre Mudanças Climáticas, essa será uma conferência superimportante para as tomadas de decisão sobre as questões de mudanças climáticas, desenvolvimento sustentável e clima; está tudo relacionado. A Covid-19 é uma crise pequena em relação ao que está por vir com as mudanças climáticas e os problemas decorrentes da crise de biodiversidade. O voluntariado no Brasil entra nesse contexto, de prevenir o fogo e contribuir com as Unidades de Conservação - ações de grande importância relacionadas ao clima e à biodiversidade”. 

Jim Barborak, assessor do Centro para a Gestão de Áreas Protegidas da Colorado State University, trouxe os aprendizados da atuação nos Estados Unidos. “É preciso que o voluntariado faça parte da cultura nacional e não apenas ser um programa isolado de uma ONG ou de uma instituição do governo”. Para Barborak, no voluntariado não existem limites. “A possibilidade de o voluntariado precisar ser real desde o momento em que a pessoa começa a caminhar até o fim da vida”. O assessor também enfatizou como é estratégico mobilizar as novas gerações. “Os jovens serão os futuros líderes das Unidades de Conservação. O voluntariado é também a porta de entrada de profissionais que vão atuar pelas áreas protegidas no serviço público ou ainda na iniciativa privada”. A história da pesquisadora do IPÊ Angela Pellin - mencionada acima - exemplifica a oportunidade vista por Jim.  

I Encontro de Boas Práticas em Voluntariado em Unidades de Conservação

Angela Pellin, pesquisadora do IPÊ à frente da organização do Fórum + Encontro na área de Voluntariado para Conservação, contou sobre o evento, que teve como público-alvo gestores de Unidades de Conservação e parceiros. “Foram dois dias de trabalho com discussões muito intensas, tivemos mais de 700 inscritos e recebemos mais de 40 Boas Práticas de todo o Brasil – via edital. Foi muito difícil selecionar as boas práticas que já estão no nosso site e os participantes. Contamos com 100 participantes que avançaram em temas-chave em cinco Grupos de Trabalho”.  

Iniciativa Privada também ganha com o voluntariado

Silvia Naccache, fundadora e voluntária do GEVE - Grupo de Estudos de Voluntariado Empresarial, reforçou como as empresas também ganham com o voluntariado. “Essa é uma temática perfeita, todo mundo ganha, quem pratica a ação na descoberta e no desenvolvimento de talentos, amplia a visão de mundo. Ganha a organização, o projeto, a causa. A empresa que mobiliza, engaja para a ação ganha na descoberta de novas lideranças, no desenvolvimento de habilidade e do senso de pertencimento em relação à empresa, inclusive com orgulho, e também no relacionamento com a comunidade”.

No entanto, para obter todos esses resultados, Silvia destaca o planejamento. “É preciso promover uma gestão/ operacionalização eficiente do programa de voluntariado com oportunidades bem descritas e o gerenciamento do programa como um todo e também dos voluntários no dia a dia, um grande desafio, com liderança, planejamento, formalização, orçamento, treinamentos, supervisão, monitoramento e ainda as avaliações com indicadores e metas”.  

Gustavo Narciso, gerente executivo do Instituto C&A, apresentou a experiência do instituto que há 30 anos conta com um programa de voluntariado corporativo. “É um dos mais antigos do Brasil, temos como proposta fortalecer a comunidade a partir da moda e o voluntariado é uma das ferramentas. Os colaboradores da C&A têm até três dias que podem doar para o trabalho voluntário, isso favorece o engajamento. Realizamos uma imersão de voluntariado no IPÊ com cerca de 20 voluntários no projeto Costurando o Futuro.” O projeto é realizado desde 2002 na zona rural de Nazaré Paulista, interior de São Paulo, com famílias de bordadeiras da região que complementam a renda por meio dos valores obtidos com a venda dos produtos. 

Entre os pontos-chave da imersão realizada no IPÊ esteve a troca de conhecimento entre as mulheres que integram o projeto Costurando o Futuro, do IPÊ, e os voluntários. “Alinhamos como poderíamos contribuir com o projeto e convidamos os colaboradores com tais expertises. Os voluntários da C&A ensinaram às mulheres do projeto técnicas de exposição, paleta de cores, tendências, reutilização de matéria-prima, vendas online. Em contrapartida, os voluntários tiveram um conhecimento muito prático e robusto sobre a importância das Unidades de Conservação, além do plantio de árvores com troca de conhecimento com os especialistas do IPÊ”. 

Gustavo Narciso também apresentou dicas de como os gestores de voluntariado gostariam de ser abordados por profissionais das unidades de conservação e das organizações da sociedade civil organizada gerando valor para as duas pontas. 

Érika Santana, integrante do comitê gestor e porta-voz do CBVE - Conselho Brasileiro de Voluntariado Empresarial, coordenadora do voluntariado corporativo da Sabesp, apresentou os resultados de um censo que teve como objetivo reconhecer a atuação das cercas de 20 empresas do Conselho relacionada aos ODS - Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. “Realizamos um questionário sobre como a rede atua na agenda ambiental utilizando os conceitos dos ODS. Conseguimos elencar os cinco principais ODS que tiveram adesão das empresas: 42,86% realizaram ações voltadas ao ODS 06 – Água Potável e Saneamento; 50% ao ODS 11 Cidades e Comunidades Sustentáveis, 14% ao ODS Ação Contra a Mudança Climática; 14,29% ao ODS 15 Vida Terrestre e 62,29% ao ODS 17 Parcerias e Meios de Implementação”.

A porta-voz apresentou o potencial de mobilização da rede. “São 500 mil colaboradores nas 20 empresas, 36 mil voluntários e 915.000 pessoas alcançadas”. E ainda pontuou que todos podem contribuir com a conservação ambiental mesmo dentro de casa. “O banho racional, não jogar óleo na pia e separar o lixo para a coleta seletiva são ações que também contribuem com o sistema, está tudo integrado”. Érika compartilhou também as principais estratégias do Conselho para o voluntariado corporativo.  “Traduzir o voluntariado corporativo a partir do ESG – Environmental, Social Governance (Meio Ambiente, Social e Governança). Estimular os gestores para essa pauta. A oportunidade de participar de experiências que sejam significativas, isso tem um impacto muito grande para os voluntários e gerar conteúdo – como essa live – tem um valor muito grande”. 

O Fórum contou com o apoio da Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável, por meio da GIZ, da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) com apoio técnico do Serviço Florestal dos Estados Unidos (USFS) e do Projeto LIRA – IPÊ. Além de apoio institucional do ICMBio, SEMAD - GO, IMASUL - MS, Fundação Florestal - SP,  Rede Brasileira de Trilhas de Longo Curso, Naturatins - Instituto Natureza do TocantinsComitê Brasileiro-UICN, Coalizão Pró-UC, Rede Nacional de Brigadas Voluntárias (RNBV), Confederação Nacional de RPPN (CNRPPN) e Grupo de Estudos de Voluntariado Empresarial (GEVE).

I Encontro de Boas Práticas em Voluntariado em Unidades de Conservação

Confira a abertura

Saiba mais sobre o Painel 1: Voluntariado para Conservação: experiências internacionais e brasileira

Painel 2: Vozes do Voluntariado: Inspira Ação

colecao cantao leticia laet oncaA marca carioca Cantão é a mais nova parceira do IPÊ em uma coleção especial da iniciativa Mais Amor, Por Amor. A linha solidária de camisetas, que reverte 100% dos lucros para o Instituto, tem como estampas 06 desenhos inspirados em espécies em extinção. Entre as ilustrações, estão a onça-pintada, o tamanduá-bandeira, o mico-leão-preto e árvores da Mata Atlântica.

A linha pertence à coleção primavera/verão Conexão Terra do Cantão e tem como narrativa a beleza feminina da fauna e flora brasileiras. Ao nutrir essa relação com a mãe-natureza e reforçar o Viver Bem, a marca de moda feminina criou uma ação de com intuito de dar ainda mais visibilidade para ONGs e instituições que trabalham pela biodiversidade brasileira.

“Entendemos que, a partir da compra de um produto, podemos ser uma ponte entre as pessoas e a causa da organização. Desde quecolecao cantao angela pellin suina pensamos na iniciativa Mais Amor, Por Amor, em 2021, a nossa ideia é a de ser esse agente que conecta pessoas e ONGs, dando mais visibilidade e potencializando causas importantes”, explica a coordenadora de comunicação do Cantão Tatiana Giglio. Com iniciativas semelhantes, a marca já apoiou em 2021 outras cinco ONGs brasileiras, com causas diversas como saúde, sustentabilidade e diversidade.

A campanha do IPÊ foi clicada no Rio de Janeiro e trouxe colaboradoras da marca e duas representantes do Instituto, a bióloga e pesquisadora Angela Pellin e a designer Letícia Laet, formada pela pós-graduação da ESCAS – Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade, escola do Instituto.

Para o processo de criação, a equipe da marca utilizou as referências científicas do Instituto, em uma produção conjunta, que retrata a beleza da biodiversidade brasileira e a importância da Mata Atlântica, um dos biomas mais ameaçados do mundo. Nas camisetas, há um QR code para que os compradores possam saber mais e se engajarem pelas ações do IPÊ.

“Estamos muito felizes com essa parceria com o IPÊ porque, desde a nossa fundação, há 54 anos, temos esse olhar para o viver bem por meio da natureza, assim como o Instituto faz a partir dos seus projetos. Esse movimento de engajar as pessoas é contínuo, e pretendemos transformar em uma linha perene, apoiando ainda mais causas”, comenta Tatiana.

A coordenadora da Unidade de Negócios do IPÊ, Andrea Peçanha, afirma que essa é uma das maneiras mais interessantes e que geram resultado no engajamento das pessoas em uma causa. “Nas nossas parcerias, buscamos meios de levar informação sobre a biodiversidade brasileira, que muitos de nós não conhecemos. É muito interessante termos marcas que apoiem ações como essa, que não só informam, como contribuem com a construção de um novo olhar para a causa socioambiental, seja com a cultura de doação ou com o marketing de causas”.

Serviço: Lançamento Mais Amor, Por Amor – Cantão + IPÊ Dia 28/10 nas lojas e no site www.cantao.com.br Valor unitário: R$69

Profissionais do terceiro setor e de governo estiveram reunidos no dia 25 de outubro para uma discussão sobre ações de conservação e desenvolvimento econômico para o Sistema Cantareira. O encontro, realizado pelo Governo do Estado de São Paulo, com apoio do IPÊ, reuniu cerca de 45 pessoas (maioria em participação online)*. A proposta foi entender como os atores presentes trabalham na região, com o objetivo de criar soluções conjuntas, que atendam às demandas ecológicas, sociais e econômicas do território. Em 2018, o projeto Semeando Água/IPÊ, no Encontro sobre Desafios e Oportunidades para aumentar a Segurança Hídrica no Sistema Cantareira, lançou um Plano de Ação inicial que, agora, integra as ações para a região.

Helena Carrascosa, engenheira agrônoma, coordenadora do Programa Nascentes na Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo (SIMA), afirmou que é preciso avançar com a integração e articulação entre os profissionais e instituições que já atuam na região. “Vamos dialogar, ver o que cada um já realiza, como a gente se articula para conseguir traçar planos e programas integrados para a região do Sistema Cantareira, evitando sobreposições e lacunas. Esse movimento não é novo, eu mesma já estive aqui em um evento do IPÊ para discutir o Sistema Cantareira, é a continuidade de um processo que vem amadurecendo na região”. O Sistema Cantareira é responsável pelo abastecimento de 7,6 milhões de pessoas na região metropolitana de São Paulo, além de Campinas e de Piracicaba. 

Simone Tenório, coordenadora de Políticas Públicas e Desenvolvimento Econômico Territorial do Projeto Semeando Água/IPÊ, complementou: “O objetivo é tornar a paisagem do Sistema Cantareira uma aliada da conservação dos recursos hídricos, da segurança alimentar e do equilíbrio climático. É muito importante que o desenvolvimento local seja feito sobre bases sustentáveis, considerando uma economia regenerativa”. 

Alexandre Gerard, que integra a equipe técnica do Programa Nascentes destacou as ações que vão ao encontro do objetivo de promover paisagens sustentáveis com incremento de renda. “Precisamos começar a construir essa governança compartilhada pensando em ações de restauração florestal e conservação aliadas às práticas agrícolas ecológicas”. 

 

Ações práticas que já acontecem na região

Os participantes estão sistematizando e consolidando a forma como já atuam na região e o potencial dessas ações a curto, médio e longo prazo, tendo em vista ampliar a escala de iniciativas nas frentes de conservação ambiental e geração de renda. Restauração florestal, PSA - Pagamento por Serviços Ambientais, práticas de conservação de solos, fomento a sistemas produtivos ecológicos e o engajamento de comunidades estão entre elas.

Henrique Bracale, especialista em conservação da TNC - The Nature Conservancy, compartilhou o mapeamento das ações em curso em Piracaia e Joanópolis, assim como o potencial de escalar cada uma delas. “O cercamento de áreas foi a primeira ação que colocamos no chão, em prática em Piracaia. O recurso é da ANA – Agência Nacional de Águas e a prefeitura faz a contratação via licitação. Fizemos 30 km, calculamos 50 km que podem ser feitos de maneira imediata e estimamos 200 km a médio e longo prazo. Na linha de Conservação de Florestas estamos falando de PSA – Pagamento por Serviços Ambientais via decreto. O recurso vem metade da cobrança pelo uso da água e metade do orçamento municipal. Hoje, cerca de 15 proprietários participam. No curto prazo, podemos falar de 50 contratos e a médio e longo prazo de 900”.   

Entre as ações em andamento no IPÊ relacionadas pelo engenheiro florestal Paulo Roberto Ferro estão a restauração ecológica com diversas metodologias de manejo, a restauração contínua de áreas prioritárias e os sistemas produtivos sustentáveis. “Até o momento, contamos com 30 hectares restaurados com recursos do Programa Petrobras Socioambiental e da Fundação Caterpillar. De imediato há o potencial de ampliar essa ação para mais 25 hectares e a médio/longo prazo para mais 10. Quanto às áreas prioritárias especificamente restauramos 3 hectares com recurso da Tree Nation, a curto prazo conseguiríamos escalar essa ação para mais 7 hectares e a médio/longo prazo para 21 hectares”. 

Aline Salim, que integra a equipe técnica do Programa Nascentes, apresentou as duas formas de avançar com a restauração, por meio da plataforma do governo do estado. “O Banco de Áreas tem como lógica facilitar o contato de quem tem área para restaurar com quem precisa restaurar. Enquanto os Projetos de Prateleira facilitam o processo de restauração, oferecendo aos possuidores de obrigações ambientais projetos pré-aprovados em áreas já definidas juntos aos proprietários que desejam receber a restauração sem custos e se comprometem a zelar por ela”.

O prefeito de Nazaré Paulista Murilo Pinheiro chamou a atenção para a questão dos loteamentos clandestinos. “Um dos pontos mais críticos é o parcelamento irregular do solo, em especial na divisa com grandes cidades como Guarulhos e São Paulo. Vejo a fiscalização dessas áreas (não apenas pela prefeitura) como uma questão-chave para a conservação da água”.  

José Fernando Calistron Valle, analista de recursos ambientais da Fundação Florestal, gestor das APAs Piracicaba/Juqueri-Mirim e Sistema Cantareira, destacou a região como provedora de serviços ecossistêmicos, em especial a água. “Todo mundo reconhece a importância do Sistema Cantareira para abastecimento, além da região metropolitana de São Paulo, ele também contribui com o abastecimento público das regiões metropolitanas de Campinas e de Piracicaba. As pessoas esquecem que os municípios que compõem o Sistema Cantareira formam uma área ambiental protegida. A escolha dos municípios de Nazaré, Piracaia e Joanópolis para as ações de recuperação hídrica no  Plano de Manejo da APA do Sistema Cantareira – aprovado em 2020 – representa a zona mais importante de proteção, que é a zona de proteção dos atributos da água. Estamos trabalhando em uma unidade territorial muito importante e que traz a possibilidade do desenvolvimento econômico de maneira ambientalmente adequada”.

Alessandro Silva de Oliveira compartilhou as expectativas da ARSESP - Agência Reguladora dos Serviços Públicos do estado de São Paulo com a rede. “A ARSESP tem o interesse de induzir que as empresas reguladas no setor de saneamento tenham participação ativa na segurança hídrica, para minimizar ou reduzir a situação da falta de água, que tem se mostrado uma situação crônica. Queremos convidar/ convencer o setor a se inscrever nessa rede de relacionamento e dar condição de oferecer que as empresas de saneamento façam esse trabalho, seja por meios próprios, contratados ou por meio de cooperação com as organizações. Nessa reunião, estamos mais como observadores dessas práticas”.  

Participaram da reunião (ordem alfabética) *: 

ANA – Agência Nacional de Águas

Iniciativa Verde 

Prefeitura de Nazaré Paulista 

Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA), por meio da Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CDRS) de Bragança Paulista.

Sabesp 

Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente (SIMA), por meio da Coordenadoria de Fiscalização e Biodiversidade (CFB) de Campinas, da Coordenadoria de Recursos Hídricos (CRHi), do Programas Município Verde e Azul e do Programa Nascentes, Governo do estado de São Paulo

Programa Município Verde Azul

TNC – The Nature Conservancy Brasil