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Depois de um discurso expressivo em Glasgow, com enorme repercussão mundial, Txai Suruí, 24 anos, única brasileira e indígena a falar na abertura da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, vem sofrendo ataques de extremistas imbuídos de discursos de ódio e preconceitos racistas e misóginos.

O IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, por meio do LIRA – Legado Integrado da Região Amazônica, manifesta por meio desta nota apoio absoluto à Txai Suruí, essa jovem liderança representante dos povos indígenas da Amazônia, que vem trilhando um caminho corajoso e significativo na luta pelos direitos dos povos originários.

O fato não é um caso isolado, infelizmente, e as constantes ameaças e violências contra os povos da floresta mostram a importância da atuação das instituições que trabalham integradas na região.

Txai Suruí é do povo Paiter Suruí e fundadora do Movimento da Juventude Indígena no estado. Estudante de Direito, trabalha no departamento jurídico da Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé.

O projeto Conectando Terras Indígenas da Associação Kanindé, parceira do IPÊ por meio do projeto LIRA, contribui para a conservação de 2.694.827 hectares de floresta e o fortalecimento de cinco associações indígenas e uma extrativista para atuarem no desenvolvimento sustentável de seus territórios.

O LIRA agrega essa rede de apoio e segue na tentativa de um mundo de compreensão mútua, inclusão, reconhecimento de direitos e cuidado com as formas de vida no planeta.

Leia o discurso de Txai Suruí na abertura da COP26:

Meu nome é Txai Suruí, eu tenho só 24, mas meu povo vive há pelo menos 6 mil anos na floresta Amazônica. Meu pai, o grande cacique Almir Suruí me ensinou que devemos ouvir as estrelas, a Lua, o vento, os animais e as árvores.

Hoje o clima está esquentando, os animais estão desaparecendo, os rios estão morrendo, nossas plantações não florescem como antes. A Terra está falando. Ela nos diz que não temos mais tempo.

Uma companheira disse: vamos continuar pensando que com pomadas e analgésicos os golpes de hoje se resolvem, embora saibamos que amanhã a ferida será maior e mais profunda?

Precisamos tomar outro caminho com mudanças corajosas e globais.

Não é 2030 ou 2050, é agora!

Enquanto vocês estão fechando os olhos para a realidade, o guardião da floresta Ari Uru-Eu-Wau-Wau, meu amigo de infância, foi assassinado por proteger a natureza.

Os povos indígenas estão na linha de frente da emergência climática, por isso devemos estar no centro das decisões que acontecem aqui. Nós temos ideias para adiar o fim do mundo.

Vamos frear as emissões de promessas mentirosas e irresponsáveis; vamos acabar com a poluição das palavras vazias, e vamos lutar por um futuro e um presente habitáveis.

É necessário sempre acreditar que o sonho é possível.

Que a nossa utopia seja um futuro na Terra.

Obrigada!

Por Suzana Padua (Publicado em Fauna News e Folha de S.Paulo)

 

O clima vem assustando a todos, principalmente os jovens. Hoje existem termos novos, como “ansiedade climática” e “ecoansiedade”, que derivam da falta de perspectiva de futuro ou, pelo menos, de um futuro sadio. Entre a juventude, o sentimento é uma mistura de raiva dos tomadores de decisão, medo do futuro e culpa cada vez que desejam algo que pode afetar ainda mais a qualidade de vida planetária.

O símbolo máximo dessa tendência é, sem dúvida, Greta Thunberg, a jovem que vem alertando os líderes dos países para tomarem uma posição efetiva em relação às emissões de gases e priorizarem escolhas sustentáveis. Greta está em Glasgow, na Escócia, para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP 26, e representará os que já perceberam a gravidade da situação. Os ambientalistas têm consciência há muito da severidade dessas questões, mas até pouco tempo eram solitários. Hoje não se questiona mais a importância das mudanças climáticas, mesmo porque estamos sentindo seus efeitos com chuvas torrenciais ou estiagens prolongadas, tufões, nuvens de poeira e outros fenômenos que antes eram esporádicos ou inexistentes e agora ocorrem cada vez com maior frequência e intensidade.

Porém, a espécie humana reage de maneira diferente das demais. Segundo George Monbiot em artigo recente para o The Guardian, algumas espécies migram ou hibernam para se protegerem do frio no inverno, mas o ser humano tende a criar situações que melhoram suas condições sem refletir, mesmo tendo a capacidade de o fazer, e quando algo assusta, como é o caso das mudanças climáticas, por exemplo, “camufla” a realidade e busca uma distração, como sair às compras ou viajar para não mais pensar no assunto. Cria uma falsa noção de que se fosse realmente perigoso alguém já teria alertado e tomado providências. Assim, deixa de tomar decisões, o que no correr do tempo agrava ainda mais os problemas em curso.

O que acontece agora é que a maior parte dos sistemas do planeta está no seu limite e quando um é agredido, outros são afetados em cascata. O fato de tudo estar interligado nunca esteve tão claro. Exemplos incluem o desmatamento da Amazônia e do Cerrado, que já mudou o sistema hídrico do restante do Brasil, causando chuvas intensas ou falta de água em muitas partes do país.

Mesmo com dados científicos que comprovam determinados fatos, há uma dificuldade de percebermos que são os nossos atos os responsáveis pelas consequências que estamos experimentando. Assim, a agricultura inconsequente contamina lençóis freáticos com agrotóxicos, rios e mares recebem dejetos infindáveis, inclusive plásticos, que em breve serão mais numerosos do que peixes. Esses são apenas alguns exemplos de ações insustentáveis da humanidade.

William Rees, um dos “pais” dos cálculos das pegadas ecológicas, há anos chama atenção para as “ilusões” que temos em relação a determinadas questões que nos ajudam a adiar decisões. São elas: (1) a tecnologia é capaz de nos salvar, (2) o aumento populacional não afeta a qualidade de vida no planeta e (3) o crescimento econômico pode ser ilimitado. Sua conclusão é que países muito desenvolvidos consomem recursos naturais além do tamanho de seu território e do que seu meio ambiente é capaz de fornecer. Por isso, “invadem” e extraem de outros locais do mundo, acirrando as desigualdades sociais e explorando a natureza onde ela é mais exuberante.

Mas, é chegada a hora de deixarmos de responsabilizar uma esfera específica da sociedade, seja científica, governamental, jurídica, empresarial ou outra que não a nossa. A responsabilidade precisa não mais ser de outrem, deixando de sermos alheios às decisões do que precisa ser feito. É preciso uma mudança estrutural. E é essa a grande angústia dos jovens que já perceberam que não se pode adiar a proteção da vida no planeta Terra, agora seriamente ameaçada.

O momento é agora e os jovens sabem disso. Greta acaba de declarar que se sente “traída”, às vésperas da COP 26. E ela não está sozinha. O Washington Post tem trazido inúmeras matérias sobre a ansiedade climática ou ecoansiedade. Em algumas entrevistas com jovens obteve respostas como: “não vamos morrer de velhice – vamos morrer de mudanças climáticas”, ou “por que estudar para um futuro que não teremos?” ou ainda “minha vida seria melhor sem os riscos das mudanças climáticas”.

Um estudo recente realizado pela Universidade de Bath e financiado pela Avaaz envolveu 10 mil jovens entre 16 e 25 anos e revelou que 75% acham o futuro assustador e 45% sentem angústia e ansiedade climática. O governo brasileiro foi o pior avaliado no que se refere a ouvir os jovens, enquanto o finlandês e o indiano se destacaram como os melhores. A juventude não acredita que os governantes se importam e acham que não priorizam as decisões que reduziriam os riscos das crises climáticas que ameaçam o futuro. Manter a temperatura do planeta estável precisa ser tema tratado como urgência máxima para toda e qualquer escolha feita, principalmente na redução do uso de combustíveis fósseis. Mas a angústia aumenta porque a surdez permanece.

Monbiot aponta o que leva o cérebro humano a adiar tudo o que o incomoda e criar mecanismos que o ajudam a ignorar aquilo com a qual não sabe lidar. Acata informações manipuladas que são repassadas por líderes políticos ou por grandes empresas em suas propagandas e meios de comunicação dominados por interesses econômicos.

Neste cenário nos deparamos com um imenso desafio: não fomos criados para sermos questionadores. Muito ao contrário, ser cordato, obediente, passivo sempre tem sido incentivado há séculos ou milênios. Não crescemos com incentivos a sermos críticos para percebermos o que se passa e a história nos mostra que temos a tendência de não irmos contra aquilo que a maioria aceita como certo. Foi assim que o nazismo de Hitler prosperou, é como os negacionistas das ciências e líderes populistas se popularizam, e que o sistema capitalista de consumo desenfreado seduz e se propaga como um bem a ser alcançado por todos. Há uma ilusão disfarçada que, segundo Monbiot, só poderia ter solução com total desobediência. Uma ruptura radical com os sistemas estabelecidos.

Mas, ao contrário da tendência de passividade, a juventude atual tem mostrado um lado de ativismo inovador e surpreendente. Não é justo que esperemos dos jovens soluções que não fomos capazes de assumir. Mas, pelo menos que eles nos inspirem a trazer respostas para suas angústias com o respeito que merecem.

Como disse John Lennon certa vez: “Há duas principais forças motivadoras: medo e amor. Quando estamos com medo, nos retraímos da vida. Quando estamos apaixonados, nos abrimos para tudo o que a vida tem a oferecer”.

Não creio que o medo tem levado os jovens de hoje, as Gretas mundo afora, a se retraírem. Demostram raiva pelos adultos inconsequentes, é verdade, mas também amor pela vida, pelo planeta. Expressam a vontade eminente de buscar soluções.

Kate Raworth, economista que propõe a economia “donut” (ou rosquinha), percebeu os limites do planeta e como a humanidade deveria cooperar para que nem a pobreza e nem a riqueza em excesso ultrapassem os limites que ameaçam o que o sistema vivo da Terra suporta e pode suprir. Ela prega a cooperação e não a disputa entre os setores governamentais, empresariais e da sociedade civil. Cada um tem responsabilidades próprias que precisam ser assumidas para oferecerem à coletividade o que é necessário, mas sempre de forma conjunta. Ou seja, é no tripé desses setores que está a solução, pois se só o governo prevalecer, teremos um regime autoritário; se o setor privado for o único a ditar as regras, as necessidades socioambientais ficam a deriva; e se a sociedade civil estiver só, não alcança a escala que suas iniciativas precisam para fazer as diferenças necessárias. É na cooperação entre todos os setores que se encontram as soluções para problemas coletivos.

São muitos os exemplos de sucesso que derivam da integração das esferas de decisão. Na saúde de São Paulo, por exemplo, Roberto Kikawa (infelizmente não mais entre nós faz alguns anos) revolucionou o Sistema Único de Saúde quando se juntou ao governo estadual para implantar unidades de atendimento com alto padrão e eficiência, contando também com apoio de empresas ligada à saúde. Em termos da proteção da água, Extrema (MG) passou a ser modelo ao mostrar ser possível manter os mananciais produzindo água em abundância com a participação dos governos local e estadual e proprietários de terras, por meio de Pagamentos por Serviços Ambientais, os PSAs, mecanismo que os compensa por reflorestarem, protegerem suas florestas em locais de nascentes e mananciais.

Na própria educação ambiental, o Pontal do Paranapanema tornou-se uma região pioneira ao adotar oficialmente temas ligados à educação socioambiental em seu conteúdo programático, envolvendo a diretoria de ensino estadual, os diretores de escolas e o corpo docente, juntamente com uma organização sem fins lucrativos, o IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas. O destaque tem sido a valorização do meio ambiente e da biodiversidade regional, sempre com apoio de comunidades locais e alternativas sustentáveis de renda, que ajudam os menos privilegiados a terem uma vida digna com iniciativas que favorecem a natureza. Em outra região do país, na Amazônia, o IPÊ firmou parceria com uma empresa, Grupo Martins, que com um barco escola implanta um programa fluvial para capacitar e envolver populações ribeirinhas do Baixo Rio Negro, em programas socioambientais variados que visam melhorar as condições sociais e beneficiar a proteção da riqueza natural local. Nesses exemplos se evidenciam ganhos coletivos e créditos compartilhados. Todos colaboram de forma integrada para se chegar a um resultado almejado.

Como minimizar a angústia climática ou o ecoansiedade?

O tema é novo e por isso vai exigir cuidados com auxílio de profissionais da Psicologia e outras áreas do conhecimento. O mais importante é sair da zona de conforto e empoderar todos à ação. Todavia, esse é um enorme desafio, pois teremos que sair da passividade e romper com a inércia. Precisamos ser desobedientes, como sugere Monbiot, pois a urgência bate à nossa porta. Temos que corresponder à angústia dos jovens, que precisa ser nossa também.

Em geral descobrimos nossa força interna quando somos capazes de fazer algo que nos permite perceber nossa capacidade de realização. Cada um de nós tem algum talento, mesmo que nem sempre aparente ou bem explorado, mas que pode ser utilizado para transformar realidades indesejadas em situações melhores. Começar pequeno não quer dizer que o que fizermos é pequeno, pois muitas vezes é o incentivo para que passemos a acreditar em nós mesmos e nos preparar para algo maior.

Um bom exemplo entre jovens é o movimento chamado Engajamundo, que começou com uma jovem, Raquel Rosenberg, convencida de que a ONU não a representava por estar defendendo o que não fazia sentido para ela. Acabou sendo convidada a ir a COP de Paris, em 2015, para expor suas ideias, o que fez com qualidade e coragem. Hoje são centenas ou milhares de jovens ligados por ideais comuns. É o mesmo princípio da jornada da Greta – acreditar na força da expressão e ter coragem de ir contra a corrente. É sair da inércia da aceitação que emudece.

A educação ambiental pode, sem dúvida, ser um caminho, porque leva o educando (ou deveria levar) a refletir sobre o que quer que permaneça e o que precisa ser mudado. Como preconizou Bill Stapp em 1977, quando ajudou a estruturar o que seria o campo da educação ambiental em Tbilisi, então União Soviética, a resolução de problemas é uma forma de engajamento. Só queas mudanças climáticas são um problema monumental que ultrapassam fronteiras e exigem a integração de diferentes saberes e muita colaboração, como propõe Kate Haworth em sua economia “donut”.

Sendo assim, a educação ambiental não pode caminhar só. Precisa de todos os setores e segmentos sociais unidos por ideais que visam a proteção da vida no planeta, seja humana ou de outras espécies e elementos da natureza. Aliás, esse desafio só parece ter chance de ser enfrentado se todos os campos estiverem juntos, integrados, coesos. John Lennon tem razão quando defende que é no amor que nos abrimos para as questões do mundo. Devemos trilhar um caminho educacional pautado no amor à vida, no “reencantamento” por toda a teia da qual fazemos parte e dependemos, despertando para a interconexão e para a vontade de contribuir para salvar o planeta, nossa Gaia, nosso lar.

Gostaria de agradecer a Paula Piccin, que sempre lê e sugere melhoras nos meus artigos. Agradeço também os valiosos palpites da Dorothea Werneck, amiga antenada para todas as tendências que podem trazem benefícios para o planeta.

O projeto Educação, Paisagem e Comunidade atua em quatro assentamentos rurais, no interior do estado do Espírito Santo. As áreas foram selecionadas pelo potencial em desenvolver atividades que possam impactar de forma positiva a bacia do Rio Doce.

Conheça quais são eles:

ASSENTAMENTO ROSA DE SARON – ÁGUIA BRANCA

No início dos anos 2000, chegaram as primeiras famílias de diversos estados do país, para constituir terras que até então estavam sem uso nas mãos de um único dono. Os primeiros chegaram a morar debaixo de lonas até o início da repatriação. Em 2001 chegou a maior proporção de famílias. Jovens e adolescentes plantaram as primeiras Paineiras (Ceiba speciosa) dentro de um lote de até 100 metros na época.

Em 2003 foi formada a primeira associação legal, mantida até os dias atuais. Em 2005, as primeiras casas foram construídas e os assentados iniciaram seus primeiros plantios de café Conillon. Em 2010, o padre Domênico, italiano, criou o primeiro projeto social (horta comunitária e artesanato), outra peça chave da história, também esteve no período da repatriação e ajudou a abrir o assentamento.

O assentamento foi se desenvolvendo de acordo com a demanda de produção agrícola e, em 2012, a associação adquiriu secadores de café e máquinas de pilar café.

Um grande destaque no assentamento é a associação de mulheres, chamada Rota das Paineiras.

ASSENTAMENTO BEIJA FLOR  – ALTO RIO NOVO

Em 2001 chegaram as primeiras famílias, 18 beneficiários na época, localizada próximo a cidade de Alto Rio Novo. Relatos dos assentados afirmam que 80% da área era composta de Eucalipto da espécie (Eucalyptus grandis). Com o passar do tempo, foi instalada não só a cultura predominante - café Conillon (Coffea canephora), mas também outros cultivos como banana prata, mamão, acerola e mandioca. Durante esse período quase não existia água, então era bastante limitada a quantidade de plantio, isso deixou marcado na história desse assentamento, sendo que o principal problema predominante ali na época era o eucalipto plantado de forma indiscriminada.

Em 2009, técnicos do INCRA trouxeram cerca de 1000 mudas nativas para serem plantadas em local definido. Foram realizadas a medição das áreas de plantio e o cercamento das mesmas, como contrapartida após a vistoria e constatado que foi feito o plantio dentro dos moldes estabelecidos pelo INCRA, foi liberado o recurso para a reforma das casas.

ASSENTAMENTO LAJE – ALTO RIO NOVO

Em 2004, as primeiras pessoas chegaram e, em 2007, iniciaram o primeiro sorteio dos lotes e das famílias contempladas. Ali, tiveram incentivo para construção das casas, compra de ferramentas, construção das fossas sépticas e compra de alimentos. Em 2008 iniciaram a associação e o corte das arvores de eucalipto, que era bastante predominante principalmente dentro da área do assentamento. No ano de 2010, por meio da CONAB, realizaram a coleta de alimentos, frutas e hortaliças produzidas dentro dos lotes de cada assentado. Um dos momentos que marcaram a vida desses assentados foi a construção das áreas comunitárias, como a igreja local. Hoje, Laje tem um total de 52 assentados.

ASSENTAMENTO BOA ESPERANÇA – ALTO RIO NOVO

As terras até então concentradas na mão de um dos maiores fazendeiros da região, foram desapropriadas para a criação desse assentamento caracterizado pelo INCRA. A criação e o sorteio dos lotes foram estabelecidos em 2007. Hoje são 38 assentados. Em 2014, os assentados tiveram acesso ao recurso para a reforma das casas e cursos. Um dos destaques desse assentamento foi a criação de viveiros de mudas de café.

Este projeto do IPÊ tem apoio financeiro da Fundação Renova

 

Pesquisadores realizaram mais uma fase do monitoramento de quelônios amazônicos no Parque Nacional (Parna) do Jaú e na Reserva Extrativista (Resex) Unini, no Amazonas, entre 22 de outubro e 02 de novembro. A atividade integra o projeto Monitoramento Participativo da Biodiversidade em Unidades de Conservação (MPB), uma realização do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas. Nessa ação, o projeto analisou os dados de quatro espécies de quelônios: tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa), tracajá (Podocnemis unifilis), iaçá (Podocnemis sextuberculata) e irapuca (Podocnemis erythrocephala). 

Por meio dessa ação, os pesquisadores obtiveram dados sobre o deslocamento dos indivíduos dentro de um mesmo rio, estimativas como taxa de crescimento, razão entre os sexos e faixa etária dos indivíduos por espécie. A coleta é realizada com uma rede de captura. Os animais são coletados, marcados e soltos. “Tais resultados são importantes para gerar subsídios para a gestão de áreas protegidas com base no estado de conservação das espécies”, afirma Virgínia Bernardes, coordenadora científica do projeto. Os indicadores proporcionam análises populacionais de quelônios que historicamente recebem pressão de caça, uma vez que são recurso alimentar na Amazônia.

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Crédito da foto: Alexandre da Silva Souza

A ação contou em um primeiro momento com ciclo de capacitação entre comunitários e monitores de biodiversidade nas regiões dos Rios Jaú e Unini. Já a segunda etapa consistiu na coleta de dados a partir do protocolo “Ninhos Protegidos” que inclui material para realização do monitoramento dos ninhos até o nascimento dos filhotes. O monitoramento é realizado por voluntários das comunidades entre os meses de setembro até janeiro com orientação dos pesquisadores do IPÊ.  

MPB Quelonios

Crédito da foto: Alexandre da Silva Souza 


Até 2020, a equipe monitorou: 1.199 indivíduos de quelônios aquáticos registrados, 22.757 ninhos e 851.571 filhotes nascidos. 

As expedições simultâneas nos rios Unini e Jaú são realizadas por equipes formadas por monitores locais, voluntários, técnicos e pesquisadores. Pesquisadores, voluntários e estudantes de graduação vinculados ao IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas e ao CEQUA - Centro de Estudos dos Quelônios da Amazônia do INPA - Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia estiveram à frente da equipe técnica, unindo a prática com aprendizado.

Saiba mais sobre o MPB 

Conheça o Livro Monitoramento Participativo da Biodiversidade - Aprendizados em Evolução:

Confira o vídeo sobre projeto

Sobre o MPB

O Projeto de Monitoramento Participativo da Biodiversidade em Unidades de Conservação da Amazônia (MPB) apoia a implementação do Programa Nacional de Monitoramento da Biodiversidade (Monitora), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e conta com apoio da Fundação Gordon e Betty Moore, USAID, Programa ARPA e mais de 20 instituições locais.

Desde 2013, o projeto realiza o monitoramento participativo da biodiversidade e promove o envolvimento socioambiental para o fortalecimento da gestão e da conservação da biodiversidade em unidades de conservação da Amazônia. Esse processo é estratégico para entender e moderar a extensão de mudanças que possam levar à perda de biodiversidade local, subsidiar o manejo adequado dos recursos naturais e promover a manutenção do modo de vida das comunidades locais e a obtenção de renda de maneira sustentável. A principal motivação do MPB é fomentar a participação social como alicerce para compreensão e conservação da biodiversidade.

WhatsApp Image 2021 11 08 at 17.53.06Evidências científicas sobre os benefícios das áreas com Sistemas Agroflorestais (SAFs) para o meio ambiente e a segurança alimentar estão entre os objetivos da pesquisa desenvolvida por Vitória Duarte Derisso, mestranda da Escola Superior Luiz de Queiroz (ESALQ), com acompanhamento de Haroldo Borges, pesquisador no IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas e de Aline Souza, extensionista do Instituto.  “A expectativa é a de que os dados possam fortalecer os produtores de SAFs e ainda incentivar a implementação dos SAFs nos assentamentos em que eles até o momento não estão presentes”, comenta Vitória.  

Os Sistemas Agroflorestais (SAFs) são sistemas produtivos que potencializam a produção de forma sustentável equilibrando ganhos econômicos, sociais e ambientais. Unem produção agrícola com vegetação nativa florestal, além de produzir sem agrotóxicos.  O IPÊ vem trabalhando com esse sistema no Pontal do Paranapanema, junto a assentados rurais, em uma área de grande impacto para a proteção da Mata Atlântica e toda a sua biodiversidade, há mais de 20 anos. 

A pesquisa de Vitória será realizada em assentamentos rurais no Pontal do Paranapanema que possuem SAFs implementados com apoio do IPÊ. Cerca de 50 famílias são beneficiadas com o sistema e têm orientação dos pesquisadores do Instituto. No estudo, serão analisadas a produção de café em áreas manejadas de SAFs de diferentes idades, entre 18 e 20 anos em comparação aos mais novos que possuem entre cinco e seis anos. 

Para mensurar a produção de café nos SAFs, a pesquisadora vai avaliar se a frequência do manejo (poda e capina) influencia os indicadores ecológicos. A metodologia utilizada é o inventário florístico com medição das árvores (diâmetro do tronco, altura das copas), identificação de espécies, quantidade de regenerante natural (sementes transportadas pelo vento ou animais) em parcelas com 900 metros quadrados.

Vitória também vai estabelecer dados comparativos entre os SAFs e as florestas nativas, uma vez que as matas nativas possuem as condições ideais de ecossistema e servem como parâmetro para os SAFs. “A comparação dará um norte em termos de qualidade ecológica de um SAF para uma floresta conservada”, revela. 

Dessa forma será possível verificar se os SAFs estão atingindo os índices ecológicos (porcentagens de coberturas de copa e de solo, números de espécies e de indivíduos nativos regionais arbóreos) propostos pelo Anexo V da Resolução SMA 189, de dezembro de 2018. A medição tem como base o protocolo elaborado por profissionais do Grupo de Trabalho de Nativas que são os responsáveis pela construção do Anexo 5 da Resolução SMA 189. “Esse protocolo é inédito e está em fase de testes”, comenta Derisso.