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Em 2020, o projeto LIRA-IPÊ, com o Plano de Promoção Socioeconômico, identificou as principais variáveis-chave do potencial de desenvolvimento socioeconômico dos territórios onde o LIRA atua. A partir disso, o plano indica diretrizes e ações estratégicas para a consolidação e crescimento de Negócios Comunitários Sustentáveis (NCS) das áreas protegidas abrangidas pelo projeto. Foram elaborados seis documentos, um para cada bloco, em parceria com a  Conexsus - Conexões Sustentáveis. Este plano será utilizado para orientar e potencializar as ações do projeto LIRA, por meio:

- do apoio financeiro a atividades produtivas de uso sustentável da floresta junto às comunidades indígenas e extrativista - criando alternativas que gerem renda, ampliema segurança alimentar, contribuam para a redução da pobreza e do desmatamento;

- do protagonismo das organizações locais de base comunitária, ampliando arranjos de governança dos grupos sociais em vulnerabilidade social na proteção de seus territórios - formando e desenvolvendo capacidades individuais e organizacionais com intercâmbio de saberes;

- do engajamento dos diversos atores e elos das cadeias produtivas apoiadas, visando assegurar a viabilidade econômica para as alternativas produtivas fomentadas;

- da efetivação de instrumentos de gestão de áreas protegidas com participação social de forma inclusiva e integrativa.

lira.ipe.org.br 

Em um dia muito especial para o Brasil, em que se comemora o Dia Nacional da Caatinga (28/04), tivemos eleições para o secretariado do comitê brasileiro da International Union for Conservation of Nature (IUCN), a maior rede de organizações e entidades para a conservação do mundo, que congrega governos, sociedade civil organizada, povos e comunidades tradicionais.

O governo brasileiro não é mais membro da IUCN, desde 2016. No entanto, há 26 membros brasileiros afiliados à IUCN que formam o comitê brasileiro dessa rede de organizações.

Quem assumiu a coordenação eleita pelo comitê brasileiro, para o triênio 2021-2024, foi Miguel Moraes, da Conservação Internacional Brasil. Assumiu a vice-presidência, Angela Pellin, do IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas  e a secretaria executiva ficou com Roberto Palmieri, do IMAFLORA. 

As pautas para este triênio são: 

- Reuniões extraordinárias mensais (na tarde da última quarta-feira do mês)

- Grupos de trabalho em: advocacy, communication e fundraising.

- Campanha Brazil Matters

- Acompanhamento da implementação do programa no Brasil

Este último tópico está relacionado ao “início da organização e sistematização de dados de trabalho, de informações dos membros brasileiros em relação às metas globais de conservação”, explica André Siqueira, diretor presidente da Ecoa.

Dos nove viveiros comunitários localizados na região do Pontal do Paranapanema, acompanhados de perto pelo IPÊ, cinco são liderados por mulheres. Elas também são a maioria entre os colaboradores. No total, entre os 26 profissionais dos viveiros, 15 são mulheres. Em 2020, esses viveiros produziram aproximadamente 800 mil mudas e beneficiaram 26 famílias. O potencial de produção, entretanto, é quase o dobro e, visto que o passivo ambiental do Oeste Paulista é de 77 mil hectares, isso pode aumentar ainda mais. 

A força feminina está à frente desde a coleta de sementes até o momento de plantio no campo. Elas são responsáveis também pelas vendas. A produção é comercializada para o IPÊ, fazendeiros, empresários e prefeituras, para reflorestamento.  

Ivone Ribeiro Campos Félix, proprietária do Viveiro Floresta há quatro anos, revela os avanços do negócio e os próximos passos.  “Comecei produzindo 17.600 mudas por ano. Em 2020, o viveiro produziu 150 mil mudas e o plano é ampliar a produção. A meta para 2021 é produzir 300 mil mudas e contratar mais profissionais, uma vez que o mercado está aquecido na região”. 

Com a renda do viveiro ela garante o ensino universitário das duas filhas. “Paz, contribuição com meio ambiente, realização da graduação das filhas são os resultados que colho com meu viveiro”, pontua.

Nesta caminhada de sucesso, ela exalta dois grandes professores, o irmão Valter Ribeiro Campos, pioneiro na área de viveiros, em Teodoro Sampaio (SP) e as próprias mudas. “Com elas aprendi o tempo de germinação, quais espécies gostam de muita ou pouca água. Trabalhar com viveiro é um misto de trabalho com descanso, pois as plantas me transmitem tanta paz. Além do que é emocionante ver a muda que eu plantei se transformar em uma árvore nas áreas restauradas”, ressalta.

Marcela dos Santos viveirista no Pontal do Paranapanema Ana Lilian Barbosa 2 minMaria Regina dos Santos (foto) também vem se destacando no ramo.  Há um ano e seis meses, ela montou o viveiro Mata Nativa, onde emprega uma funcionária e produz cerca de 100 mil mudas por ano, de 85 espécies, entre nativas e exóticas (aquelas que não ocorrem naturalmente no local).  Neste momento, o viveiro está em reforma para ampliar a área de plantio. Após a conclusão será possível produzir 250 mil mudas/ano. 

“Meu marido divide comigo a função de comercializar as mudas. Já a coleta das sementes, o plantio e o trato com as mudas são minhas responsabilidades e conto com o apoio  de uma funcionária. Tem períodos em que a demanda de trabalho aumenta e, esporadicamente, contrato diaristas “, esclarece. 

Maria vende as mudas nativas da Mata Atlântica ao IPÊ, fazendeiros da região e até mesmo a produtores rurais de outros estados como, por exemplo, Goiás. Já as mudas exóticas são comercializadas, em geral, para proprietários de loteamentos da zona urbana, em Teodoro Sampaio (SP) e cidades vizinhas. 

Ao longo de mais de 20 anos, junto com o desenvolvimento dos corredores florestais na região do Pontal do Paranapanema, o IPÊ incentivou a formação de 11 viveiros florestais e até hoje acompanha de perto nove deles. “Com o projeto Viveiros Comunitários é possível unir de forma positiva questões importantes como: restauração ambiental, geração de renda, qualidade de vida e segurança alimentar para a comunidade”, afirma Nivaldo Ribeiro Campos, técnico do IPÊ. A maioria dos viveiros está constituída sob a forma de associativismo ou cooperativismo, mas existem ainda iniciativas particulares de agricultores que passaram por capacitações gratuitas do IPÊ. 

Saiba mais sobre as iniciativas na região que tem como destino as mudas produzidas no viveiro:

Produtor rural contribui com os corredores florestais na adequação ao CAR, no Pontal do Paranapanema (SP)

IPÊ plantará mais 1 milhão de árvores na Mata Atlântica em parceria com a Biofílica, junto ao programa Regenera América

Aproveita essa data para conhecer mais sobre esses animais! Para começar, você sabia que há cinco espécies de antas pelo mundo? A anta-da-montanha (Andes), a anta-centro-americana (América Central) e a anta-malaia (Indonésia). No Brasil, existem a anta pretinha e a anta brasileira (também chamada de anta-sul-americana). Essa última em especial é estudada pelos pesquisadores do IPÊ há 25 anos! Para disseminar o valor da anta, neste dia 27, às 15h, o IPÊ e a INCAB (vai realizar um tuitaço com uma hora de duração, participe e saiba mais sobre o maior mamífero terrestre da América do Sul! Acompanhe: @Institutoipe e @incab_brasil

O maior banco de dados do mundo sobre a anta brasileira

As pesquisas da INCAB – Iniciativa Nacional para Conservação da Anta Brasileira, do IPÊ, começaram em 1996 na Mata Atlântica, do Pontal do Paranapanema (SP). Em 2008, os pesquisadores avançaram com os estudos para o Pantanal. Desde 2015, a INCAB-IPÊ também realiza pesquisas no Cerrado. Em 2020, a INCAB-IPÊ chegou à Amazônia e contribuiu com ações no enfrentamento aos incêndios no Pantanal. Em 2021, a equipe segue apoiando as ações no Pantanal e iniciou o Projeto Antas Urbanas, em Campo Grande (MS), com o objetivo de avaliar o impacto de ameaças à espécie e assim desenvolver estratégias de conservação para as antas em ambientes urbanos e arredores. 

#antaéelogio


A anta brasileira também reconhecida como jardineira de floresta tem um papel central na conservação da biodiversidade, por ser expert na dispersão de sementes. Afinal, trata-se do maior mamífero terrestre da América do Sul que vive em uma área de aproximadamente 500 hectares (cerca de 500 campos de futebol). A anta se alimenta de frutos, folhas e de outras partes das plantas e ela tem a capacidade de potencializar a germinação das sementes. Na prática, essas duas características alinhadas (percorrer longas distâncias + potencializar as sementes) tornam a anta uma das grandes responsáveis pela formação e manutenção da biodiversidade.

Quer mais? A ciência ainda reconhece a anta como uma espécie guarda-chuva. Isso significa que uma vez que as áreas onde vivem sejam adequadamente conservadas, uma série de outras espécies também serão beneficiadas.

Diante de todos esses serviços que a anta desempenha e para desmistificar a ideia de que é um animal sem inteligência (algo difundido apenas no Brasil), a INCAB-IPÊ conta com a campanha #antaéelogio. Segundo a coordenadora da INCAB-IPÊ Patrícia Medici reconhecida com o Whitley Gold Award, o Oscar da Conservação, estudos afirmam que a anta tem um número elevado de neurônios. E como você conferiu aqui é um animal de extrema importância para a sociobiodiverdade. 

Desafios

No mundo, a anta é considerada vulnerável à extinção, segundo a IUCN - União Internacional para a Conservação da Natureza. No Brasil, ela está vulnerável à extinção na Mata Atlântica. Em perigo, no Cerrado e quase ameaçada no Pantanal.  Na Amazônia, a situação, até o momento, é menos preocupante, por ponta das grandes áreas com florestas. Já na Caatinga, há décadas, por conta da caça, ela está extinta.  

Entre os principais desafios para a conservação da anta brasileira (Tapirus terrestris) estão o desmatamento, por conta da perda de habitat, a intensa modificação dos ambientes naturais ao redor dos centros urbanos, os atropelamentos, os agrotóxicos e a transmissão de agentes infecciosos provenientes de animais domésticos.  

Apoie essa Causa

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