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BrendaBrenda Cariz (foto) se matriculou na Pós-Graduação em Gestão de Negócios Socioambientais, da ESCAS, com objetivo de encontrar caminhos que tornassem real a mudança na carreira, do marketing – sua área de formação – para as possibilidades na esfera da sustentabilidade. O que ela ainda não sabia é que essa nova etapa possibilitaria unir grandes paixões com direito a novos horizontes. 

“Cheguei até a ESCAS pela indicação de uma colega que também trabalhava na área de marketing, mas que migrou para o departamento de sustentabilidade. Ela me indicou a ESCAS, já que estudar foi a escolha dela para se aprofundar na temática. E realmente, a ESCAS tem algo de muito valioso. Enquanto o corpo docente te dá segurança, os professores convidados revelam múltiplas perspectivas. Essa diversidade também traz diferentes estilos de aula, o que foi muito positivo, tanto pelo aprendizado quanto pelo conteúdo”, comenta. 

A egressa cursou a maior parte da pós-graduação morando em Florianópolis/SC. Sim, na ESCAS pelo formato híbrido, com atividades online e presenciais, tanto no Mestrado Profissional quanto na Pós-Graduação Lato Sensu, a presença de alunos que não estão próximos fisicamente às unidades da ESCAS (Nazaré Paulista/SP e Porto Seguro/BA) é uma realidade cada vez mais frequente.

Em Florianópolis, entre 2018 e 2020, Brenda teve a oportunidade de atuar em três empresas que têm o próprio negócio relacionado à área socioambiental. “Comecei em uma empresa de permacultura atuando na coordenação da implementação de hortas e no desenvolvimento de projetos de compostagem domiciliar, comunitária e industrial. Na sequência, atuei na área de gestão de uma empresa do segmento de bioplástico. E na terceira, fui convidada a liderar a realização de um festival outdoor envolvendo turismo de aventura. A proposta era de um festival bem parecido com o que defendi no Trabalho de Conclusão de Curso que também trazia o esporte e a valorização da comunidade local”, revela. Mas com a evolução da pandemia o festival foi suspenso.  

Com todo esse know how, de maneira paralela, Brenda deu início em parceria com Mayte Santos Albardía ao plano Be - uma jornada de autoconhecimento, conexão e diálogos em meio a natureza. Dessa forma Brenda une grandes paixões: as conexões dos grupos, a natureza e as soluções para desafios socioambientais. 

“Levamos grupos de pessoas (com no mínimo 10 e no máximo 18) para vivências de dois dias em contato com a natureza - algo muito valioso para fazer uma conexão consigo, com o outro e com o mundo”, pontua. Com duas edições já realizadas na região da Serra Catarinense, Brenda reforça a importância do ecoturismo como estratégia para uma sociedade capaz de enxergar a natureza, o meio ambiente, as questões socioambientais e a sustentabilidade de outra forma. “Nas vivências, trabalhamos a sensibilização quanto à natureza, esse é o primeiro passo antes da conscientização – tendo em vista mudanças na nossa sociedade.” No horizonte, Brenda planeja levar o plano Be para a Espanha. “Pós-pandemia a ideia é promover um intercâmbio entre os participantes, pensando em vivências interculturais”.

 

Em breve, inscrições abertas para a Pós-Graduação em Gestão de Negócios Socioambientais

Inscrições abertas para o Mestrado Profissional em Conservação da Biodiversidade e Desenvolvimento Sustentável da ESCAS até 19 de junho de 2021

Turma Porto Seguro/Bahia

Turma Nazaré Paulista/São Paulo 

 

Assinado na primeira quinzena de maio, o Acordo de Cooperação Técnica entre o IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas e a Prefeitura de Nazaré Paulista busca a implementação de iniciativas socioambientais com potencial de contribuir com o desenvolvimento socioeconômico no município. 

“Construímos o Acordo tendo em vista a criação de Programas Municipais nas áreas consideradas estratégicas na estruturação, atualização e inovação para o desenvolvimento de diretrizes socioambientais: Programa  de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), Plano Municipal da Mata Atlântica, além do Programa de Educação Ambiental e do cumprimento das metas do Programa Município Verde Azul. A preocupação com a questão socioambiental está presente em todas essas frentes. O município tem um grande potencial nas áreas de Meio Ambiente, Sistemas Produtivos e Turismo, e a ideia é abrir ainda mais oportunidades, favorecendo a geração de renda e a qualidade de vida. Além disso, criar estrutura para que o município possa acessar recursos de ICMS Ecológico e outras políticas públicas que podem trazer benefícios para a  população”, explica Simone Tenório, pesquisadora e coordenadora de Políticas Públicas do IPÊ.

Para Marluci Marques Mendes, diretora do Departamento de Meio Ambiente, por meio do Acordo de Cooperação será possível mostrar na prática como a conservação do meio ambiente é aliada do desenvolvimento socioeconômico. “Os programas relacionados no Termo são estratégicos para o desenvolvimento do município. Por conta dos pré-requisitos para inclusão de Nazaré Paulista no Programa Verde e Azul, começamos pelo restabelecimento do COMAM - Conselho Municipal de  Meio Ambiente. Encaminhamos para a Câmara um projeto de lei para incluir representantes da Agricultura no Conselho, o que já foi aprovado. Estamos prestes a marcar a primeira reunião do Conselho de Meio Ambiente dessa nova fase. Sobre o PSA, estamos formulando o projeto de lei e contaremos com o apoio do IPÊ, por meio de  subsídios técnicos da área ambiental para a construção de uma  série de diretrizes”.

Segundo João Paulo, diretor do Departamento de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o Acordo deve acelerar mudanças nos sistemas produtivos. “Com o apoio do IPÊ, a médio prazo, a expectativa é avançarmos no aumento de escala de propriedades rurais com Sistemas Produtivos Sustentáveis, tanto na agricultura quanto na criação de gado, por exemplo”.

Sobre o acordo

Entre as ações propostas no Termo estão:

  • Programa Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos;
  • Programa Municipal de PSA (Pagamento por Serviços Ambientais);
  • Plano Municipal da Mata Atlântica;
  • Cumprimento das metas do Programa Município Verde Azul;
  • Manutenção do viveiro de espécies nativas;
  • Produção de material didático e de comunicação relacionado aos programas previstos neste Acordo e demais ações socioambientais de interesse das Partícipes;
  • Apoio ao desenvolvimento de um Programa municipal de incentivo à conservação e restauração de vegetação nativa - uma das exigências para o município receber os recursos do ICMS Ecológico;
  • Apoio à elaboração, por meio de subsídios técnicos da área ambiental, de lei municipal que possibilite pagamento aos proprietários rurais (PSA);
  • Apoio ao mapeamento das áreas de desmatamentos na região.
  • Programa Municipal de Educação Ambiental;
  • Estabelecimento de uma UGP - Unidade Gestora de Projetos.

Beto Garja, diretor do Departamento de Turismo e Eventos da Prefeitura de Nazaré Paulista, afirma que esta é uma nova fase para o município, com tendência de fortalecer o turismo a curto, médio e longo prazo. “Com o Termo vamos conseguir avançar nesses Programas e credibilizar todas essas ações, o que é um diferencial para a retomada do Turismo Ecológico Sustentável  desde o primeiro momento”.

Vale ressaltar que o  Termo de Cooperação celebrado entre o IPÊ e a Prefeitura de Nazaré Paulista é um instrumento jurídico, que por sua natureza não prevê repasse de recursos. Essa colaboração técnica prevê a troca de conhecimentos, uma vez que o IPÊ conta com a ESCAS - Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade com cursos de Mestrado Profissional e Pós-graduação em Gestão de Negócios Socioambientais em que os alunos sob orientação dos pesquisadores já vinham contribuindo com projetos de pesquisa  e de programas. Nessa nova etapa de formalização da parceria, iniciativas como essas podem ser ampliadas.

Nazaré Paulista e Sistema Cantareira

A região do Sistema Cantareira, onde está localizado o município de Nazaré Paulista, é estratégica para a conservação da natureza e a restauração de  importantes áreas de Mata Atlântica. Nas Áreas de Preservação Permanente hídricas, conhecidas como APPs hídricas, que são áreas próximas às nascentes e aos cursos d’ água, 60% das terras estão desmatadas. A soma de esforços na região com foco em transformar essa realidade tem o potencial de contribuir com a oferta de serviços da natureza - alinhando avanços a partir do tripé da sustentabilidade:  bem estar social, ambiental e econômico.

O município de Nazaré Paulista está localizado no entorno da Represa Atibainha, um dos cinco reservatórios que constituem o Sistema Cantareira, responsável pela água que chega às casas de mais de 7,6 milhões de pessoas na região metropolitana de São Paulo.

Como a água do Sistema Cantareira também beneficia milhares de pessoas nas regiões de Campinas e Piracicaba, o Termo prevê a formação de uma UGP – Unidade Gestora de Projetos, que poderá atender aos critérios dos Comitês PCJ de Nazaré Paulista. O grupo deve ampliar o número de atores envolvidos no município com a questão dos recursos hídricos e mudanças climáticas.

“Essa integração pode ser o início de um grupo intersetorial para atuar junto às diretrizes regionais, ampliando a discussão sobre ações de adaptação às mudanças climáticas e criação de diretrizes comuns como forma de reforçar a busca por soluções, ampliando as possibilidades para o desenvolvimento regional, considerando os aspectos ecológicos e econômicos”, antecipa Simone Tenório. 

ClaudiaO estudo integra uma pesquisa que busca avaliar os resultados obtidos com as ações de restauração florestal e conservação na Mata Atlântica no Pontal do Paranapanema, extremo Oeste do estado de São Paulo. Com os dados coletados, os pesquisadores vão analisar a efetividade das ações de restauração e conservação para os animais e identificar iniciativas de manejo que contribuam com a região. 

A pesquisa faz parte do projeto “Desenvolvimento de Procedimentos Simplificados para a Valoração Econômico-monetária de Serviços Ecossistêmicos e Valoração Não Monetária de Serviços Ecossistêmicos Culturais Associados à Restauração Florestal”, uma parceria do IPÊ com a CTG Brasil, empresa de geração de energia limpa, por meio de um projeto de Pesquisa & Desenvolvimento - P&D da ANEEL.

A frente de Biodiversidade do projeto conta com a coordenação de Simone Tenório e com coordenação geral de Laury Cullen, ambos pesquisadores do IPÊ. 

Para identificar a fauna presente na região, os pesquisadores associados ao projeto, com doutorado em andamento pela Unesp/Rio Claro, Rafael Souza Cruz Alves e Claudia Zukeran Kanda (foto) instalaram armadilhas fotográficas nos troncos das árvores a cerca de 60 cm de altura.  

“Dessa forma será possível entender se os mamíferos estão passando pelas áreas restauradas, se realmente já utilizam essa área para sua sobrevivência”, pontua Claudia.  

O resultado permitirá aos pesquisadores analisarem, a partir da presença dos animais, os avanços na conservação relacionados aos serviços da natureza prestados pelos animais.  “Os animais vão ajudar a manter a saúde dos ecossistemas e das produções, contribuindo inclusive com o controle de pragas”, afirma Rafael Souza Cruz Alves. 

Um exemplo disso, é a anta-brasileira (Tapirus terrestris), considerada a jardineira da floresta ao dispersar sementes com maior potencial de germinação. Florestas habitadas por antas têm maior diversidade de árvores, pois elas se movimentam por grandes distâncias dentro do seu habitat e também entre fragmentos de florestas (aproximadamente 500 hectares, cerca de 500 campos de futebol). “Áreas habitadas por antas possuem florestas e matas ciliares (nas margens dos rios) com mais qualidade e, consequentemente, estão mais preservadas.  Essa restauração vai implicar na qualidade da água, pois diminui o aporte de solo (matéria orgânica particulada na água)”, explica Claudia.

Três cenários de estudo

No estudo com os mamíferos são analisadas 37 áreas em três cenários: nos fragmentos conservados, nos fragmentos restaurados e no maior corredor florestal restaurado no bioma, que conecta duas Unidades de Conservação, o Parque Estadual Morro do Diabo e a Estação Ecológica Mico-Leão-Preto. Cada área será monitorada por dois meses, durante três ciclos, totalizando, seis meses de captura de imagens. 

Durante a instalação das câmeras, os pesquisadores encontraram vestígios, como pegadas e fezes, da anta brasileira (Tapirus terrestris), da onça-parda (Puma concolor) e da jaguatirica (Leopardus pardalis).  

“Uma agenda de esperança”. É desta forma que Daniel Arrifano Venturi, Mestre pela ESCAS, define o objeto de seu trabalho: a restauração florestal. Analista de Conservação e Restauração para a Mata Atlântica no WWF Brasil, Daniel lidera essa frente com um olhar amplo e os ouvidos atentos, como ele mesmo explica.

“Minha grande especialidade é ser um generalista. Para fazer restauração, você precisa saber dialogar com proprietários rurais, empresários, comunidades... Só se consegue avançar na agenda da restauração, criando espaços seguros para o diálogo. Sempre digo que a agenda de restauração cria uma rede de afeto. É muito importante engajar as pessoas para algo comum e importante”.

flavia danial projeto copaiba 1Junto com a Associação Ambientalista Copaíba, ele desenvolve o projeto piloto Raízes , no interior de São Paulo, apoiado pela empresa International Paper. O trabalho começou a se desenvolver de forma mais intensa após o Mestrado Profissional na escola do IPÊ, fruto de uma parceria com a também egressa da ESCAS Flavia Balderi, fundadora e secretária executiva da ONG. A possibilidade de desenvolver um produto final orientado para uso prático, como é a proposta da escola, segundo ele, o ajudou a compreender e mergulhar em temas decisivos sobre restauração florestal. (Na foto, Daniel está na ponta direita, ao lado de Flávia).

“Restaurar florestas é muito mais do que plantar árvores. Você tem que fortalecer tudo o que envolve a atividade para tornar isso possível e sustentável ao longo do tempo, garantindo uma continuidade, especialmente financeira. Essa, dentre tantas outras questões, como a importância de uma ferramenta 2.0 de monitoramento, como capacitar as pessoas e organizações para restauração ou ainda como manter o produtor rural engajado no processo, foi fruto de uma grande reflexão que o Mestrado proporcionou e que hoje eu aplico nesse projeto”, comenta.

O projeto sensibiliza produtores rurais para a restauração florestal e pretende plantar 200 hectares até 2024, somando ainda mais árvores à regeneração ambiental que a associação já promove desde 1999, na região de Socorro, interior de SP. “Um dos desafios de restaurar é o custo, então a gente une conhecimento técnico, apoio financeiro, contato com pessoas, rede de oportunidades entre outros atores para que isso de fato aconteça e que a gente possa acompanhar o crescimento dessas florestas. As parcerias são fundamentais para a cadeia da restauração florestal. Sem elas os resultados são muito lentos ou a gente não ganha escala, então precisamos ter essa união”, afirma Flavia Balderi.

José Palahv Gavião é o primeiro aluno indígena do Mestrado Profissional da ESCAS por meio da bolsa do WWF (PROGRAMA Education for Nature/EFN), oferecida pelo curso.  

“Procurei onde eu iria me encaixar melhor em um Mestrado, que tivesse a ver comigo e com a minha cultura. Fiquei sabendo sobre a ESCAS e que a escola tinha uma bolsa. Decidi que era a hora” comenta.

“Acho que a ESCAS é o lugar dos indígenas, porque a gente tem uma visão que encaixa com a escola, a da proteção da natureza, de um povo que conserva o meio ambiente. A ESCAS é o lugar para nós. Eu me sinto seguro fazendo essa faculdade no sentido que ela reflete a minha realidade e, com o meu estudo, eu posso contribuir com o meu povo. Eu espero que eu abra portas. Que eu seja o primeiro de muitos”, José Palahv Gavião.

Nascido em Ji-Paraná, Rondônia, na etnia Gavião, Palahv aprendeu com o avô o conhecimento sobre a Amazônia, as plantas medicinais, pesca, caça e tradições. Falante do Tupi-Mondé, alfabetizou-se em português aos 13 anos e desde então não parou de buscar conhecimento acadêmico, que estivesse em sintonia com sua cultura e que pudesse levar benefícios ao povo Gavião.

Cursou a Universidade Federal de Rondônia em Educação Intercultural e fez uma especialização em plantas medicinais. Tornou-se professor da escola da aldeia e, aos 39, decidiu que era a vez de aprofundar os seus conhecimentos e desenvolver um projeto que contribuísse para o desenvolvimento e conservação da biodiversidade no território Gavião.  

Os Gavião vivem na bacia do igarapé Lourdes e outros afluentes do rio Machado (ou Ji-Paraná), uma região importante do bioma amazônico, próximo à divisa com o Mato Grosso. Ali, além do açaí e da copaíba, a extração de castanha do Brasil gera a maior parte da renda da população.

“O projeto que estou desenvolvendo no Mestrado é justamente para criar uma cadeia de valor para a castanha coletada no nosso território. Para que seja vendida pelos indígenas, diretamente, sem atravessadores, com um preço mais adequado. Já ajudei a construir uma cooperativa e estamos buscando melhorar a coleta, modernizar o que conseguimos. Quero aprender mais sobre como fazer isso e estou conseguindo com apoio do curso e das pessoas que estou tendo contato.”, conta ele.

Iniciada ainda em 2020, a cooperativa Vekala já tem hoje 44 cooperados e segue na busca por um comércio mais justo para o produto, melhorando a qualidade da coleta e trabalhando pela certificação.