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Na segunda quinzena de novembro, monitores que realizam o automonitoramento da pesca na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Itatupã-Baquiá, localizada no Pará, participaram da amostragem anual da atividade, que neste ano incluiu novos indicadores para o formulário de coleta: potência do motor da embarcação de pesca e informações da malhadeira (rede de pesca), como o comprimento em metros e o tamanho da malha em milímetros. “Com essas informações será possível trabalhar melhor a questão do esforço da atividade durante o monitoramento”, explica Ana Maira Bastos Neves, pesquisadora local do IPÊ. 

As informações obtidas com o formulário de coleta serão utilizadas para criar e avaliar padrões de observação que possibilitem acompanhar e comparar o desenvolvimento da atividade ao longo do tempo. “A coleta dessas informações irá contribuir para tomada de decisões e a construção de políticas públicas”, destaca a pesquisadora.

MPB autominitoramento pesca

Crédito da foto: Raimundo Anacleto das Graças de Souza, Comunidade de São João / RDS Itatupã-Baquiá

A novidade é o resultado do monitoramento participativo, que na RDS Itatupã-Baquiá conta com 39 famílias, entre jovens e adultos, de cinco comunidades São Francisco do Piracuí, Santa Maria do Tauari, Belo Horizonte, Santa Luzia do Urucuri e São João do Jaburu, além de pesquisadores do IPÊ, do CEPAM, gestor e profissionais da RDS, pesquisadores da UFPA - Universidade Federal do Pará,  do INPA – Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, da UFOPA – Universidade Federal do Oeste do Pará, da UFAM – Universidade Federal do Amazonas, do MPEG – Museu Paraense Emílio Goeldi e da WCS Brasil - Wildlife Conservation Society. 

Durante a visita, Ana Maira também capacitou duas técnicas que passaram a integrar a equipe do automonitoramento da pesca da RDS. Elas atuam na parte de digitação das informações coletadas pelos monitores. Ambas são contratadas via NGI - Núcleo de Gestão Integrada, do ICMBio, para realizar essa entre outras atividades. A equipe também foi ampliada com a contratação pelo NGI de um articulador para  apoiar as atividades em campo, morador da Reserva e apoiador desde a criação da Unidade de Conservação. 

A atividade integra o projeto MPB – Monitoramento Participativo da Biodiversidade, uma parceria entre IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas e o ICMBio –Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, por meio do MONITORA – Programa Nacional de Monitoramento da Biodiversidade e do CEPAM – Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Amazônica que coordena o subprograma aquático continental.

Encontro dos Saberes

Em abril de 2022, os monitores da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Itatupã-Baquiá vão participar do Encontro de Saberes. O tema do encontro será a apresentação dos resultados obtidos com o automonitoramento da pesca que teve início em 2017. Em 2019, os monitores receberam devolutiva pelo trabalho realizado entre 2017 e 2018 e passaram por capacitação. Com a pandemia, a próxima devolutiva será realizada em abril de 2022 e trará um consolidado dos avanços obtidos até o momento.  

Durante o encontro, serão respondidas questões relativas à produção da unidade, como espécies capturadas, áreas de pesca, material mais utilizado nas pescarias, consumo e venda, além de potenciais novos alvos”, antecipa  Ana Maira Bastos Neves, pesquisadora local do IPÊ.

Leonardo Rodrigues, coordenador pedagógico do MPB-IPÊ, à frente dos Encontros dos Saberes, realizou o alinhamento para a realização do Encontro com as comunidades, previsto para 2022.

Sobre o Encontro dos Saberes

O Encontro dos Saberes tem se revelado uma experiência muito rica e tem aumentado o interesse das comunidades na luta pela conservação da biodiversidade. Esses encontros oferecem aos pesquisadores, monitores e gestores, um diálogo entre eles para que cada um, com o saber que possui, com a sua experiência, com sua vivência no monitoramento, dialogue olhando para a biodiversidade a partir da lente da ciência, no caso dos pesquisadores; jurídico-administrativa, no caso dos gestores; e da lente do conhecimento tradicional e da sua experiência vivencial, no caso dos monitores.

A atividade faz parte da parceria entre IPÊ e o ICMBio, por meio do CEPAM - Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Amazônica, que faz parte do MONITORA -Programa Nacional de Monitoramento da Biodiversidade, Subprograma Aquático Continental.

A iniciativa integra o projeto de “Monitoramento Participativo da Biodiversidade em Unidades de Conservação da Amazônia”, desenvolvido pelo IPÊ em parceria com o ICMBio, com apoio de Gordon and Betty Moore Foundation e USAID.

Sobre o MPB

O Projeto de Monitoramento Participativo da Biodiversidade em Unidades de Conservação da Amazônia (MPB) apoia a implementação do Programa Nacional de Monitoramento da Biodiversidade (Monitora), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e conta com apoio da Fundação Gordon e Betty Moore, USAID, Programa ARPA e mais de 20 instituições locais.

Desde 2013, o projeto realiza o monitoramento participativo da biodiversidade e promove o envolvimento socioambiental para o fortalecimento da gestão e da conservação da biodiversidade em unidades de conservação da Amazônia. Esse processo é estratégico para entender e moderar a extensão de mudanças que possam levar à perda de biodiversidade local, subsidiar o manejo adequado dos recursos naturais e promover a manutenção do modo de vida das comunidades locais e a obtenção de renda de maneira sustentável. A principal motivação do MPB é fomentar a participação social como alicerce para compreensão e conservação da biodiversidade.

Em Marabá Paulista (SP), cerca de 83 hectares da fazenda São Paulo, anteriormente cobertos por pastagem, agora estão restaurados com árvores nativas do bioma Mata Atlântica. A área de aproximadamente três quilômetros recebeu cerca de 200 mil mudas de árvores e faz parte de um corredor que liga a Estação Ecológica Mico-Leão-Preto (ESEC MLP) a um fragmento de mata nativa situada na fazenda São Paulo, na região do Pontal do Paranapanema, extremo Oeste do estado de São Paulo.

Foram, aproximadamente, sete meses de plantio (março a outubro/2021) para concluir o corredor ecológico que fica ao Norte do Parque Estadual Morro do Diabo (PEMD). Com a finalização dessa restauração a região ganha mais uma importante conexão de floresta, com a criação dos corredores ecológicos e a ligação entre as Unidades de Conservação ESEC MLP e o PEMD e importantes fragmentos isolados na paisagem.

Esse plantio é uma parceria entre o IPÊ e o proprietário rural Wilson Kozo Koga, responsável por ceder a área e por contribuir com o projeto, cercando e preparando o solo para o plantio das mudas. Já ao IPÊ coube a articulação com investidores nacionais e internacionais para angariar recursos financeiros, além de fazer toda a governança do projeto como a contratação da equipe de plantio, aquisição de mudas nativas, manutenção e monitoramento do restauro ecológico. A restauração florestal é uma forma do proprietário se adequar ao Novo Código Florestal que exige que 20% da área da propriedade seja preservada ou reflorestada.

Corredor Norte PLantio8 1 1

A previsão, segundo os técnicos do IPÊ, é que uma década é o tempo suficiente para o corredor se transformar em floresta bem estruturada. No entanto, em dois anos, as árvores pioneiras e de crescimento rápido como Sangra d’água (Croton urucurana), Aroeira Pimenteira (Schinus therebimthifolia), Canafistula (Peltophorum dubium), Angico (Anadenanthera colubrina), entre outras, estarão com cinco metros de altura. Nesse estágio, a área já abriga animais silvestres, aves, polinizadores e anfíbios que contribuem com a manutenção e conservação da biodiversidade.  Além de servir como elo de ligação, pois esse corredor é de extrema importância para a conservação de populações de micos-leões-pretos (Leontopithecus chrysopygus) que até então viviam isolados no fragmento da mata nativa das fazendas São Paulo e Santa Mônica. A conexão agora vai facilitar a formação de novos grupos não parentes, ampliando a variabilidade genética de forma a perpetuar a espécie, uma vez que a reprodução entre um grupo pequeno dentro da mesma família, traz sérios problemas genéticos que podem levar a espécie à extinção.

Na avaliação do coordenador de projetos do IPÊ, Haroldo Borges Gomes, os  benefícios dos corredores são inúmeros como ligar fragmentos, conectar espécies isoladas, regularizar os passivos ambientais das propriedades com base no Cadastro Ambiental Rural, além de deixar um legado para as futuras gerações no quesito biodiversidade. É também uma das soluções para a crise hídrica. “É um orgulho estar envolvido neste projeto de conservação de vidas e que vai garantir a biodiversidade para a região e gerações futuras”, disse.

Quem também está orgulhoso com a conclusão do plantio do corredor ecológico é o funcionário da fazenda São Paulo, Bruno Garcia Barbosa. Ele conta que no trecho onde o plantio foi iniciado já é possível ver rastros de animais como da anta-brasileira (Tapirus terrestres), e a presença de alguns pássaros, os quais, anteriormente, não eram comuns na área. Ele ainda pontua a importância da parceria entre o IPÊ. “Com esta união todos ganham, principalmente, a natureza que está sendo recuperada. É gratificante saber que meus filhos, meus netos vão poder contemplar as belezas dessa mata que irá se formar aqui”.

Além, dos ganhos ecológicos desse projeto há também os ganhos financeiros, pois, o IPÊ envolve a comunidade através da aquisição de mudas nos viveiros comunitários de Teodoro Sampaio e Mirante do Paranapanema e a contratação de mão de obra para o plantio.

 

Profissionais de restauração florestal dos corredores ecológicos implementados pelo IPÊ - Instituto de Pesquisa Ecológicas, na região do Pontal do Paranapanema, no extremo Oeste do estado de São Paulo, participaram do “Curso de boas práticas de identificação botânica e escolha de espécies estruturantes para restauração florestal no bioma Mata Atlântica de Interior”, no viveiro Viva Verde, da viveirista Iraci Lopes Duveza. 

O curso é uma parceria entre o IPÊ e a WeForest que apoia a restauração florestal de algumas áreas na região, e tem como objetivo contribuir para a formação dos proprietários de viveiros comunitários, colaboradores e as equipes de plantio. “A ideia é fazer cursos de atualização com certa periodicidade, pois a botânica é uma área dinâmica com mudanças frequentes”, explicou Cristina Yuri Vidal, gerente de projetos da WeForest no Brasil. 

No curso, os participantes tiveram a oportunidade de compreender melhor, por exemplo, as diferenças entre árvores da Mata Atlântica do interior e do litoral. “A Quaresmeira (Tibouchina granulosa), por exemplo, é nativa na região litorânea, porém é exótica no extremo Oeste Paulista”, explicou o engenheiro florestal Guilherme Faganello, da Embira Consultoria, que ministrou o curso. 

Resultados práticos 

“Eu tinha a concepção que árvores exóticas eram somente as espécies nativas em outros países. Agora, aqui na atualização esse conceito de exótica ficou muito claro”, disse Francisco Barbosa da Silva, sócio na Mafran Ambiental Consultoria. 

“Ficou evidente o potencial agressivo das árvores exóticas, pois elas se desenvolvem mais rápido e atrapalham a formação das nativas. Agora minha empresa, que trabalha com produção de mudas e plantio no campo, vai redobrar os cuidados, pois o ideal é atacar o problema na base, ou seja, não coletar sementes e não produzir espécies exóticas”, comentou Marta Aparecida da Silva, sócia na Mafran. 

Para Tamires Ferreira de Lima , colaboradora do viveiro Viva Verde, o aprendizado sempre é bem-vindo. “Sou o tipo de profissional que gosta de aprender mais e mais sobre as árvores nativas”.  

Na avaliação de Nivaldo Ribeiro Campos, técnico do IPÊ e coordenador dos viveiros comunitários, o curso fortalece os viveiros e assim os resultados com a restauração florestal na região. “Com conhecimento é possível avançar com qualidade. A cada dia os viveiristas da região se tornam mais especializados no mercado de mudas nativas do bioma Mata Atlântica de interior, o que traz ainda mais benefícios para toda a cadeia da restauração”. 

 

Quais as árvores mais adequadas para restauração no Pontal do Paranapanema?

Durante a capacitação, Guilherme Faganello, engenheiro florestal da Embira Consultoria, pontuou a importância de elaborar uma lista de árvores nativas que são interessantes para a restauração florestal na região, com a função de aumentar a eficácia da iniciativa e reduzir custos, por exemplo, com o replantio de árvores. Nesse contexto, é possível, inclusive, refinar as espécies com melhor desempenho no campo, principalmente aquelas que resistem a longos períodos de seca, pois este é um dos fatores ocasionado pelas mudanças climáticas. 

Para a elaboração da lista, os participantes priorizaram dois pontos: a presença de espécies do grupo funcional/diversidade – aquelas que atraem animais dispersores de sementes, como pássaros e a anta-brasileira (Tapirus terrestris) e do grupo estruturante/recobrimento – árvores que contribuem para a formação mais rápida da floresta, como por exemplo, a Sangra d’água (Croton urucurana), de crescimento rápido, com formação de copa que oferece sombra e ajuda a combater o capim braquiária. 

Com base nessas orientações a lista de espécies prioritárias na região inclui: 

Aroeira Pimenteira (Schinus terebinthifolius) - grupo estruturante/ recobrimento

Cabreúva (Myroxylon Peruiferum) - grupo funcional/ diversidade

Espinho de Maricá (Mimosa bimucronata) - grupo estruturante/ recobrimento

Fedegoso (Senna macranthera) - grupo estruturante/ recobrimento

Fruta de Lobo (Solanum lycocarpum) - grupo estruturante/ recobrimento

Ipê Amarelo (Tabebuia chrysotricha) - grupo funcional/ diversidade

Jatobá (Hymenaea courbaril) – grupo funcional/ diversidade

Louro Pardo (Cordia trichotoma) - grupo funcional/ diversidade

Mutambo (Guazuma ulmifolia) - grupo estruturante/ recobrimento

Pau formiga (Triplaris americana) - grupo funcional/ diversidade

Sangra d'água (Croton urucurana) - grupo estruturante/ recobrimento

Curso agua assentamento rosaA primeira ação pedagógica realizada pelo IPÊ em assentamentos rurais no Espírito Santo tratou sobre o tema Água e Manejo de Bacias Hidrográficas. Dois cursos gratuitos foram realizados pelo Projeto Educação, Paisagem e Comunidade, beneficiando 50 pessoas nos assentamentos Beija-Flor e Rosa de Saron, nos municípios de Alto Rio Novo e Águia Branca, respectivamente. Os encontros tiveram participação de assentados, técnicos, representantes do sindicato rural e lideranças comunitárias, e foram aplicados por Felipe Senna, do Instituto Socioambiental de Viçosa.

“O tema água foi escolhido para iniciar o diálogo sobre as questões ambientais deste território, que é prioritário na conservação dos recursos hídricos e que influencia a produção de água de várias cidades do estado. Essa conversa com os participantes buscou enfatizar a importância de uma melhor relação com os recursos hídricos, imprescindíveis para a sustentabilidade local”, afirma Vanessa Silveira, educadora ambiental e responsável técnica na inserção territorial.

Os cursos foram os primeiros de uma série de capacitações e diálogos com os assentados rurais, que serão cocriadores desse trabalho junto com o IPÊ e outros atores sociais, pela conservação socioambiental no

WhatsApp Image 2021 12 06 at 14.50.46 território.

“A metodologia do curso foi pensada para que os participantes possam ler a paisagem a partir do comportamento e dinâmica da água na bacia hidrográfica. A ideia é que eles identificassem, nas próprias ações que realizam, as formas de atenuar os impactos já vividos em suas propriedades e como suas práticas cotidianas podem melhorar a disponibilidade e qualidade dos recursos hídricos disponíveis”, complementa Vanessa.

Nos encontros foram abordados temas como: conceito e definição de Bacia Hidrográfica, Ciclo Hidrológico, leitura e interpretação de Bacias Hidrográficas, Comitês de Bacias Hidrográficas, legislação (Lei das Águas; Código Florestal), problemas e conflitos relacionados à água, consequências do uso de agrotóxicos e por fim, técnicas e tecnologias para manejo sustentável da água na propriedade.

“Com a atividade, também começamos a preparar o olhar para a construção participativa dos PIPs (Projetos Individuais das Propriedades) que serão realizados ao longo do Projeto e identificar os principais problemas relacionados à água vividos hoje nas comunidades”, comenta Edmilson Teixeira Jr., responsável pelo extensionismo rural do projeto.

O projeto é uma iniciativa que tem apoio financeiro da Fundação Renova.

Na Amazônia, os resultados obtidos com o monitoramento de três alvos da biodiversidade mobilizaram mais de 70 pessoas no Encontro de Saberes realizado em novembro (11 e 12) na Comunidade Pupuaí, na Reserva Extrativista do Médio Juruá. O compartilhamento dos dados e dos aprendizados sobre o automonitoramento da pesca, monitoramento do pirarucu e de quelônios deu o tom ao Encontro que reuniu monitores da Reserva Extrativista do Médio Juruá e da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Uacari, gestores das Unidades de Conservação (UCs), pesquisadores de universidades, representantes do ICMBio – Instituto Chico Mendes da Biodiversidade e de organizações da sociedade civil.  

O evento integra o projeto MPB – Monitoramento Participativo da Biodiversidade, uma parceria entre IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - ICMBio, por meio do Programa Nacional de Monitoramento da Biodiversidade - MONITORA  e do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Amazônica - CEPAM.

“Todos os alvos, resultados, interpretações e experiências foram debatidos amplamente entre todos os monitores, o que trouxe novos olhares, insights interessantes e novas impressões. Esse é um momento muito importante para percebermos pontos de fragilidade, lacunas e questões que devem ser melhoradas”, comentou Leonardo Rodrigues, coordenador pedagógico do MPB-IPÊ. 

ENCONTRO

Gilberto Olavo, gestor da RDS Uacari, destacou a importância de garantir a continuidade da troca de conhecimentos entre os mais diversos públicos. “O Encontro dos Saberes tem que ser permanente e contínuo, assim contamos com  uma ferramenta necessária para fazer a gestão das Unidades de Conservação e ajudar na preservação e conservação da biodiversidade em todas as suas cadeias, seja na pesca, no manejo do pirarucu, na preservação e conservação dos quelônios”. 

Nesta edição do Encontro de Saberes, estiveram reunidos monitores da Reserva Extrativista do Médio Juruá e da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Uacari,  pesquisadores do IPÊ,  gestores das Unidades de Conservação, pesquisadores e representantes do ICMBio – Instituto Chico Mendes da Biodiversidade, da SEMA – Secretaria do Estado de Meio Ambiente, da UFAM - Universidade Federal do Amazonas, ASPROC - Associação dos Produtores Rurais de Carauari, AMECSARA – Associação dos Moradores Extrativistas da Comunidade São Raimundo e Instituto Juruá. 

Pesca

O automonitoramento é o acompanhamento das mudanças nas condições dos rios, lagos e igarapés e também nas relações entre os peixes e o ambiente em que vivem.  Acompanhar o comportamento deste indicador ao longo dos anos ajudará na estruturação de medidas que garantam o uso sustentável dos recursos pesqueiros. 

As informações  compartilhadas no Encontro são o resultado do monitoramento em duas Unidades de Conservação, desde 2018, sendo: 823 formulários, de 13 comunidades e 47 famílias que monitoram suas pescarias na Resex Médio Juruá; e de 756 formulários, de 15 comunidades e 38 famílias que monitoram suas pescarias na RDS Uacari.  No período de 2018 a 2020, os monitores informaram  a captura de 6.479 peixes, e identificaram cerca de 40 grupos de espécies de peixes, dentre elas, surubim (Pseudoplatystoma corruscans), matrinxã (Brycon cephalus), tambaqui (Colossoma macropomum), curimatá (Prochilodus lineatus) e aruanã (Osteoglossum bicirhossum).

Pirarucu (Arapaima gigas)

Quanto ao monitoramento do maior peixe com escamas de água doce do mundo é possível observar as variações ambientais dos locais onde vivem, avaliar o  nível de estoque e definir se houve aumento ou diminuição dos peixes. A partir dessas informações é possível inclusive obter dados sobre como as comunidades se organizam para realizar o manejo, gerar renda e evidenciar a importância dessas pessoas para a conservação do pirarucu.

No Encontro, os participantes compartilham conhecimentos sobre os resultados do monitoramento do pirarucu, entre 2018 e 2019, que registrou  aumento de pirarucus contados e pescados nas três áreas monitoradas (Resex, RDS e Acordo de Pesca).  A proporção de adultos e bodecos (pirarucus jovens com menos de 1,5m) está equilibrada, com leve predominância de bodecos, alinhada  aos índices de conservação favoráveis para a espécie manejada. Além disso, a proporção de machos e fêmeas também apresenta harmonia com leve prevalência dos machos em relação às fêmeas. 

O manejo do pirarucu no Médio Juruá, garante renda familiar anual entre R$ 1.500,00 e R$ 4.500,00 dependendo da área de manejo. A participação de homens, mulheres e jovens no monitoramento do pirarucu também revela proporcionalidade, sendo 38%, 32% e 30% respectivamente.

Sr. Francisco da Gama, monitor da comunidade Bom Jesus, localizada no Médio Juruá,  ressalta o monitoramento como estratégia para a conservação da biodiversidade.  “Considero esse momento muito importante  para o conhecimento e desenvolvimento social de toda a nossa comunidade. O trabalho que a gente faz aqui e que foi debatido no Encontro não é apenas para cuidar do nosso peixe, mas sim cuidar de toda a natureza, preservá-la como um todo”.

Quelônios

Os resultados do monitoramento de quelônios, apoiado pelo projeto MPB, nos últimos três  anos, mas que já ocorre  há cerca de 30 anos nas comunidades, mostraram um valor estável  de filhotes soltos de tracajá (Podocnemis unifilis) e o aumento da desova no número de fêmeas da tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa) no território. Além de uma preocupação nos resultados da espécie Iaçá, trazidos pelos pesquisadores do projeto Pé-de-Pincha (UFAM). "Essa espécie recebe maior pressão de pesca, principalmente pelo comércio ilegal e precisa de um maior foco de monitoramento para entendermos o estado de conservação e manutenção da espécie no rio Juruá", comenta Virgínia Bernardes, pesquisadora do IPÊ. 

Antecedendo o Encontro dos Saberes, o IPÊ realizou uma mobilização nas duas Unidades de Conservação, no início do mês, com objetivo de interpretar e discutir junto com os monitores os resultados de Monitoramento do pirarucu e do Automonitoramento da pesca.

O que é o encontro de saberes - O Encontro de Saberes tem se revelado uma experiência muito rica e tem aumentado o interesse das comunidades na luta pela conservação da biodiversidade. Os encontros de saberes oferecem aos pesquisadores, monitores e gestores, um diálogo entre eles para que cada um, com o saber que possui, com a sua experiência, com sua vivência no monitoramento, dialogue olhando para a biodiversidade a partir da lente da ciência, no caso dos pesquisadores; jurídico-administrativa, no caso dos gestores; e da lente do conhecimento tradicional e da sua experiência vivencial, no caso dos monitores.

A atividade faz parte da parceria entre IPÊ e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), por meio do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Amazônica (CEPAM), que faz parte do Programa Nacional de Monitoramento da Biodiversidade (MONITORA), Subprograma Aquático Continental.

A iniciativa faz parte do projeto de “Monitoramento Participativo da Biodiversidade em Unidades de Conservação da Amazônia”, desenvolvido pelo IPÊ em parceria com o ICMBio, com apoio de Gordon and Betty Moore Foundation e USAID.

Sobre o MPB

O Projeto de Monitoramento Participativo da Biodiversidade em Unidades de Conservação da Amazônia (MPB) apoia a implementação do Programa Nacional de Monitoramento da Biodiversidade (Monitora), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e conta com apoio da Fundação Gordon e Betty Moore, USAID, Programa ARPA e mais de 20 instituições locais.

Desde 2013, o projeto realiza o monitoramento participativo da biodiversidade e promove o envolvimento socioambiental para o fortalecimento da gestão e da conservação da biodiversidade em unidades de conservação da Amazônia. Esse processo é estratégico para entender e moderar a extensão de mudanças que possam levar à perda de biodiversidade local, subsidiar o manejo adequado dos recursos naturais e promover a manutenção do modo de vida das comunidades locais e a obtenção de renda de maneira sustentável. A principal motivação do MPB é fomentar a participação social como alicerce para compreensão e conservação da biodiversidade.