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A crise associada à disseminação do coronavírus (COVID-19) e as recentes tragédias ambientais que temos presenciado no Brasil e no mundo, apesar dos seus impactos e das inestimáveis perdas, podem ter um papel de sentinelas, levando a sociedade a revisar seus modelos de interação com a natureza, ou recursos naturais. A crise hídrica de 2014/15 lançou algumas sementes para a reflexão sobre a finitude de recursos e sobre os nossos hábitos diante deles. Os rompimentos das barragens de Minas Gerais, os vazamentos de petróleo na costa brasileira e os incêndios na floresta Amazônica, na Austrália e na Califórnia, contribuíram, ainda de que uma maneira muito custosa, para algo que nunca havia acontecido antes: a questão socioambiental passou a ganhar um peso relevante na mídia e nas grandes tomadas de decisões.
 
Os desencadeamentos da crise do COVID-19 vêm nos mostrando como poderia ser um cenário de linha de base do planeta, com a redução na poluição, no consumo descontrolado e em diversas outras ações incompatíveis com o desenvolvimento sustentável.
 
Sempre consideramos que nossa existência é dependente da biodiversidade. No atual momento, esse entendimento é fundamental, e a biodiversidade deve ser observada sob um espectro mais amplo: considerando as mais variadas mentes, experiências e talentos de cada indivíduo, cada pessoa de nossa equipe ou de nossa rede de parceiros e colaboradores, na construção de novas pontes para o enfrentamento de desafios e para a busca de novas oportunidades.
 
Superando desafios
 
Em momentos de crise, como a que estamos vivendo, o que queremos é compartilhar esperanças e a certeza de que sairemos fortalecidos desse período. O IPÊ, assim como muitas outras organizações do terceiro setor que conhecemos, já passou por momentos bem desafiadores. Na verdade, fomos criados porque sentimos a necessidade de resolver ou ajudar a resolver questões que batiam fundo em nossos corações. No nosso caso, a proteção da biodiversidade do Brasil e a prática da sustentabilidade em diversos níveis e públicos, o que não vinha sendo feito à época com efetividade por outros setores.
 
No passado, fomos capazes de ultrapassarmos barreiras que pareciam intransponíveis e chegamos a resultados muitas vezes além do esperado. Em outros momentos, nem tanto. Mas, o que foi importante para atravessarmos esses momentos?
 
Primeiro, mantermos foco em nossos propósitos maiores, na nossa causa, não nos deixando abater pelas pedras no caminho. Essas são muitas e de variados tamanhos, mas se tornam lições aprendidas quando queremos chegar a algum lugar específico. Atualmente, por exemplo, estamos buscando formas de dar continuidade aos nossos grandes projetos como reflorestamento, proteção de espécies, atividades de capacitação de pessoas, aulas na nossa escola de ensino superior (ESCAS). A biodiversidade precisa ainda mais de nós nesta fase. Continuamos a lutar por ela.
 
Segundo, a integração e a união de pessoas que compartilham de um mesmo sonho, muitas delas com especialidades bem distintas, o que enriquece o processo. Para quem atua com causas, como o IPÊ, o momento é bastante sensível. Organizações da Sociedade Civil têm precisado ainda mais de seus parceiros para continuar seus esforços, sejam eles na saúde, no meio ambiente, na educação, nos esportes ou na cultura. Estamos em contato constante com nossos financiadores e apoiadores, nos dando suporte de forma mútua, pois todos têm passado por grandes desafios atualmente. Ouvir as comunidades, os parceiros e as pessoas que trabalham nas organizações é fundamental nessa situação. Manter essa rede de apoio e fortalecê-la agora é importante para que possamos sair dessa crise com mais poder de gerar impacto social e ambiental.
 
Terceiro, a certeza de que precisamos começar (e recomeçar quando não acertamos), mesmo que em escalas pequenas, para atingirmos os objetivos que almejamos. Manter uma atitude positiva se faz necessário para que a criatividade floresça. Criar alternativas aos trabalhos que, até o momento, eram realizados in loco, utilizar os canais digitais para continuar presente na vida das pessoas e para levar conteúdos relevantes que as ajudem na sua trilha de conhecimento e crescimento pessoal e profissional. Estamos firmes nessa direção.
 
Nesse momento, nossa missão continua sendo conservar a biodiversidade e, juntamente com isso, é também nos mantermos saudáveis e sermos solidários das formas que pudermos com quem precisa e está sofrendo. Precisamos ser generosos, ter empatia com a humanidade e confiantes de que são os nossos valores que importam. Vamos nutrir o belo e grandioso, como é nossa natureza. Que possamos nos inspirar no verde das árvores, nas cores das flores, nos cantos dos pássaros, e no céu que a cada momento se apresenta com diferentes tons de azuis, cinzas, rosas ou amarelos. Temos muito a celebrar, mesmo diante dos desafios atuais. Vamos focar no que está ao nosso alcance, abrindo nossas janelas para apreciarmos a vida!

Em março de 2019, a INCAB – Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira, do IPÊ, concluiu seis anos de monitoramento dos atropelamentos de antas no Cerrado do Mato Grosso do Sul (MS). Desde 2013, 34 rodovias federais e as estaduais foram monitoradas, com o registro de 500 carcaças de anta.

Entretanto, uma nova avaliação complementar em março de 2020, por meio de dados de monitoramentos de campo adicionais e inserções de mídia sobre atropelamentos no Estado, atestou aumento para 613 carcaças de antas. Ao todo, 77 pessoas foram feridas e 28 morreram por causa de acidentes de veículos com antas nas rodovias em diversas rodovias estaduais e federais no MS.

MAIS AMEAÇAS

Além dos atropelamentos que reduzem a população de antas no Cerrado, os agrotóxicos continuam sendo problema grave. Pesquisas da INCAB em amostras biológicas de antas, coletadas em processos de necropsia e carcaças, indicaram a presença de nove pesticidas de três grupos químicos (organofosforados, piretróides e carbamatos) e quatro metais (cádmio, chumbo, cobre, manganês). Os resultados demonstram que antas no Cerrado estão expostas a uma variedade de pesticidas, principalmente da agricultura em larga escala (cana, soja, milho), inclusive produtos químicos proibidos no Brasil. Os dados buscam contribuir para a solução do problema, informando tomadores de decisão e conscientizando sobre alternativas sustentáveis ​​para a agricultura e pecuária em larga escala.

Conheça os estudos:

http://bit.ly/report_agrotoxicos

http://bit.ly/atropelamento-anta

http://bit.ly/impacto-atropelamentos

O IPÊ lança a segunda publicação da sua Série Técnica Diálogos da Conservação: "Um Pontal Bom para Todos". A nova publicação trata sobre Modelos para Usos Econômicos de Reservas Legais e Áreas de Preservação Permanente no Pontal do Paranapanema (SP). Com base na expertise do Instituto, que realiza trabalhos baseados nesses modelos há mais de 20 anos na região, o material visa contribuir com a divulgação de conhecimento científico sobre a restauração ecológica com possibilidade de exploração econômica pelo proprietário rural, tanto no aspecto ambiental como de retorno econômico, como forma de incentivar a expansão desta atividade. 

Atualmente, são necessários subsídios para sustentar cientificamente as ações de restauração florestal e agrossilvicultura, viabilizando economicamente essas ações, bem como a formulação de políticas públicas para o setor, embasando a elaboração e revisão de instrumentos legais sobre o tema.

Acesse aqui a SÉRIE TÉCNICA e faça o download gratuito do material.

Conheça também a primeira publicação da Série Técnica do IPÊ sobre Boas Práticas na Gestão de Unidades de Conservação.

 

O Instituto C&A, parceiro do IPÊ no projeto Costurando o Futuro, está disponibilizando o recurso de 7,5 mil reais para a sustentabilidade financeira da iniciativa nos próximos dois meses (abril e maio). Em decorrência da pandemia Covid19, as atividades do grupo de mulheres bordadeiras de Nazaré Paulista estão impactadas, com redução da produção e das vendas.

“Estamos felizes em fortalecer nossa parceria neste momento incomum que estamos enfrentando neste momento no mundo todo”, enviou em nota, o Instituto.

“Somos muito gratos ao Instituto C&A. É importante que, neste momento de crise, as Organizações da Sociedade Civil possam contar ainda mais com seus parceiros para superar seus desafios. Especialmente em projetos que incentivam o empreendedorismo social, que estão sendo bastante impactados. O apoio de empresas e de toda a sociedade é fundamental agora”, comenta Andrea Peçanha, coordenadora da Unidade de Negócios do IPÊ.

Confiança. Essa é a palavra que resume o resultado de mais um "Encontro de Saberes" realizado desta vez na comunidade Tambaquizinho, na Reserva Biológica (Rebio) do Abufari, no Estado do Amazonas, ainda em fevereiro.

O evento reuniu 44 pessoas entre monitores, representantes do ICMBio, IPÊ, INPA e UFAM. Também participaram comunitários de mais três comunidades: Macapá, Tauamiri e Fazenda.

Foi um momento muito importante para ouvir as dúvidas, os desejos e até mesmo críticas sobre a atuação de instituições e pesquisadores na região. O diálogo estabelecido no encontro resultou em um ambiente muito favorável para a continuidade dos projetos de automonitoramento da pesca e do PELD/DIVA - Pesquisas Ecológicas de Longa Duração, que avalia a dinâmica da diversidade de peixes.

“Sinto que agora os comunitários entenderam realmente a importância das pesquisas, do monitoramento, pois mostramos a eles os resultados e discutimos formas de melhorar a pesca. Foi um momento de descobertas e de estabelecimento de uma relação ainda maior de confiança”, comenta Marcela Juliana Albuquerque, pesquisadora do IPÊ.

Esse sentimento está expresso na fala de Raimundo Vieira, da comunidade Fazenda. “A gente ajuda a conservar, porque sabe o que pode e não pode. Temos que deixar isso tudo para os filhos e netos”, disse.

Já Pedro Farias, da Comunidade Tambaquizinho revela que tem monitorado porque quer melhorias. “Porque dentro da reserva tem área de proteção e área que podemos usar, então eu quero poder pescar e chegar em casa tranquilo”.

O que é o encontro de saberes - O Encontro de Saberes tem se revelado uma experiência muito rica e tem aumentado o interesse das comunidades na luta pela conservação da biodiversidade. Os encontros de saberes oferecem aos pesquisadores, monitores e gestores, um diálogo entre eles para que cada um, com o saber que possui, com a sua experiência, com sua vivência no monitoramento, dialogue olhando para a biodiversidade a partir da lente da ciência, no caso dos pesquisadores; jurídico-administrativa, no caso dos gestores; e da lente do conhecimento tradicional e da sua experiência vivencial, no caso dos monitores.

A atividade faz parte da parceria entre IPÊ e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), por meio do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Amazônica (CEPAM), que faz parte do Programa Nacional de Monitoramento da Biodiversidade (MONITORA), Subprograma Aquático Continental.

A iniciativa faz parte do projeto de “Monitoramento Participativo da Biodiversidade em Unidades de Conservação da Amazônia”, desenvolvido pelo IPÊ em parceria com o ICMBio, com apoio de Gordon and Betty Moore Foundation e USAID.

Obs.: Em virtude da pandemia de Covid-19, as atividades presenciais do projeto estão suspensas desde o dia 10 de março. Continuamos a prestar atendimento às comunidades de maneira remota.