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Projeto contrata consultoria pessoa jurídica para realizar serviços de assessoria administrativa (processo de compras e contratos) para atendimento às demandas do Projeto LIRA - Legado Integrado da Região Amazônica do IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas.

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Inscrições encerram-se no dia 29/05/2019.

 

 

 

Lizandra Mayra Gasparro

Lisboa foi a cidade escolhida para acolher as comemorações de uma parceria de sucesso entre Havaianas e o IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas. No dia 16 de maio, representantes das duas marcas reuniram-se à beira do rio Tejo, no bar Ferroviário, para celebrarem os 15 anos em que caminham lado a lado na missão de conservar a biodiversidade brasileira.

“É um presente para Havaianas estar junto com IPÊ esse tempo todo, a instituição defende valores muito próximos dos nossos. Há 57 anos as Havaianas calçam os pés do mundo todo, e acreditamos que essa parceria é um ótimo instrumento para conscientizar a sociedade sobre as questões ambientais”, diz Guillaume Prou, Presidente de Havaianas da Região EMEA - (Europa, Médio Oriente e África).

O evento chamou atenção para a conservação da biodiversidade por meio da arte. Nesse sentido, o artista plástico brasileiro, Arlin Graff, que assina a coleção 2018/2019 das Havaianas-IPE, foi convidado para grafitar um muro em Lisboa, com uma das espécies da nova coleção. Quem passou pelo terminal de ônibus do bairro Algés, surpreendeu-se com a arara-vermelha que nascia em um muro de cerca de 30 metros de altura.

O jovem artista, natural de Tatuí (SP), hoje mora em Nova Iorque e estampa a sua arte em muros por todo o mundo, com um estilo marcado por cores vivas e formas geométricas. Foi na marcenaria de seu pai, no interior de São Paulo, que Arlin deu seus primeiros passos como artista, criando formas e objetos com as sobras de madeira. Estas criações influenciaram sua técnica abstrata e também os seus desenhos de animais.

“Uma das minhas grandes inspirações é a natureza, por isso quando me convidaram para fazer o mural, eu não pensei duas vezes. Poder fazer esse trabalho me trouxe a sensação de contribuir com algo que eu sei que faz toda a diferença!”, comentou Arlin Graff, ao lado, na foto com a presidente do IPÊ, Suzana Padua.

O processo de construção do grafite durou seis dias, e ao longo desse período muitos curiosos se aproximavam do artista e perguntavam sobre a arte e o porquê daquela arara-vermelha estar ali. “Essa é a parte mais gratificante de se trabalhar na rua. Despertar a curiosidade das pessoas abre uma porta para falarmos sobre questões importantes como a urgência de conservarmos a biodiversidade”, comenta Arlin.

Coleção pela biodiversidade

Além da Arara-Vermelha (Ara chloropterus), o artista gráfico retratou na nova coleção outras duas espécies da fauna brasileira que correm risco de extinção: a Onça-Pintada (Panthera onca) e o Mico-Leão Preto (Leontopithecus crysopygus).

A 15ª coleção lançada é fruto da parceria de Marketing Relacionado a Causas, entre a Havainas e o Instituto. Esta união contribui, desde 2004, na divulgação da riqueza da biodiversidade brasileira aos consumidores das sandálias.

“É uma honra muito grande ser parceira de uma empresa genuinamente brasileira, assim como o IPÊ. Nesses 15 anos de união, Havaianas nos confiou uma grande responsabilidade e soubemos responder à altura. Graças à parceria, conseguimos crescer e ampliar nossas ações de conservação da biodiversidade pelo Brasil todo”, diz Suzana Padua, Presidente do IPÊ.

As sandálias Havaianas-IPÊ apoiam diretamente na conservação da fauna e flora do País. Mais do que moda, é uma atitude em relação ao futuro do planeta: 7% do valor da venda são doados para a organização continuar desenvolvendo ações de pesquisas, educação, reflorestamento, negócios sustentáveis e atividades que envolvam políticas públicas.

“Eu acredito muito nas parceiras entre as empresas privadas e o terceiro setor, esta é uma excelente forma de comunicar uma causa aliada com um produto de qualidade”, comenta Guillaume Prou.

A escolha por Lisboa

Segundo Guillaume Prou, os modelos das Havaianas-IPÊ tem uma forte adesão no mercado Europeu, principalmente em Portugal. O consumidor se interessa pelas estampas de animais com cores vibrantes. Pensando nisso, a marca aproveitou a grande aceitação do mercado, para comemorar os 15 anos de parceria com o Instituto na capital portuguesa.

O lançamento da coleção 2018/2019 marca também o início do verão europeu, um bom momento para comunicar que por trás da qualidade e beleza das sandálias, há uma causa importante sendo defendida.

“Nosso propósito esse ano, é aproveitar a grande aceitação do mercado Europeu para comunicar que as Havaianas IPÊ é muito mais do que um produto bonito e de qualidade, queremos contar a história dessa parceria e dos projetos que envolvem a conservação da biodiversidade brasileira”, diz Prou.

Resultados

Em 14 anos, já foram vendidos mais de 14 milhões de pares, que geraram cerca de 8 milhões de reais, destinados à causa. Só em 2018, foram vendidas 692.580 sandálias e R$ 665.157,41 reais.

A parceria é uma parcela importante dos recursos para garantir a evolução e crescimento sustentado da instituição. Ela complementa as ações realizadas por meio de vários projetos em vários biomas do Brasil. Desde 2004, o IPÊ já alcançou alguns números gerais importantes como mais de 3 milhões de árvores nativas plantadas na Mata Atlântica, formando o maior corredor florestal plantado do Brasil. Ações como essas contribuem para a conservação de espécies de animais ameaçados de extinção, bem como na manutenção da água em locais estratégicos, como o Sistema Cantareira, um dos maiores complexos hídricos do Brasil.

O produto pode ser encontrado nas lojas físicas e site de Havaianas, bem como na Loja do IPÊ.

Os trabalhos de Arlin Graff podem ser vistos em: www.arlingraff.com

Fotos: Pedro Mota

 

Natural de Ipatinga, Minas Gerais, Lucas Soares aproveitou as férias do curso de Engenharia Ambiental para fazer uma viagem a uma praia diferente, longe dos destinos turísticos tradicionais. Escolheu ser voluntário nas praias da Amazônia, acompanhando o Projeto Quelônios do rio Trombetas (PQT), responsável pela conservação de tartarugas-da-Amazônia, na Reserva Biológica (Rebio) do Rio Trombetas.

"Minha formação é em Gestão Ambiental. Já havia atuado em indústria, mas nunca na área de conservação, e eu tinha a vontade de conhecer essa realidade de perto. Como eu tinha uma especialização em geoprocessamento e a Rebio Trombetas estava precisando de alguém com essa expertise na área de mapeamento, isso me motivou a escolher essa Unidade de Conservação especificamente, além, claro de poder presenciar a soltura de tartarugas feita na área", conta.

Para chegar até lá, Lucas usou a nova plataforma do Sistema de Voluntariado do ICMBio e registrou seu interesse em fazer parte de atividades nas Unidades de Conservação (UCs) . Elaborado pelo IPÊ, em parceria com o ICMBio, o sistema digital cruza as informações das UCs que precisam de voluntários, com os dados de quem deseja ser um deles. Por ali, o cadastro dos voluntários pode ser feito por eles próprios, assim como seu controle de frequência. "O uso da plataforma foi super tranquilo. O cadastramento é bem autodidático e as informações estão muito bem explícitas nos editais. Achei muito fácil e acessível para encontrar as informações que eu precisava para me voluntariar", comenta.

O sistema foi desenvolvido com participação dos gestores locais das UCs e percorre todas as etapas da gestão do Programa de Voluntariado: adesão/planejamento; emissão de certificados; preparação de editais e planos de trabalho; divulgação de vagas disponíveis; avaliação e diferentes tipos de relatórios.

A participação de voluntários em áreas protegidas tem crescido de forma exponencial. No Brasil, o voluntariado em Unidades de Conservação (UCs) federais acontece por meio do Programa de Voluntariado do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade). Atualmente, 168 UCs e centros de pesquisa participam do programa. Em 2017, um levantamento registrou mais de 2.200 participantes e cerca de 103.000 horas de trabalho voluntário. O número de voluntários também tem crescido e o potencial é imenso. Apenas entre julho de 2018 e fevereiro de 2019, quase 10.000 pessoas fizeram registro no Cadastro de Voluntários do ICMBio. A atividade, segundo Lucas, é marcante.

"Não tem como mensurar um valor que pague um curso que dê toda essa bagagem que eu tive vivendo essa experiência como voluntário em Trombetas. Se eu fosse resumir em palavras como foi a minha experiência, eu diria que foi singular, única, maravilhosa. Para a minha vida pessoal foi um crescimento enorme vivenciar tudo isso, esse contato com a natureza. Para minha vida profissional foi um divisor de águas e um dia eu espero poder vivenciar isso na minha carreira também", conta.

Histórico

O Programa de Voluntariado do ICMBio contou com muitos avanços a partir da sua reestruturação em 2015, envolvendo IPÊ, WWF-Brasil e organizações locais que atuam em conjunto com as UCs. Uma das estratégias estabelecidas foi, justamente, integrar mais a sociedade à realidade das UCs. "O programa como um todo, ajuda a formar embaixadores para a conservação da biodiversidade. A partir do momento que as pessoas se voluntariam e trabalham nas UCs, elas estão tomando contato com as dificuldades e também com as mensagens que essas áreas protegidas têm a nos oferecer. Então elas levam para seus espaços sociais, suas famílias, associações, cooperativas, para seu trabalho e outros espaços essa mensagem ambiental", afirma Paulo Russo, coordenador geral do SISBIO/ICMBio em 2018.

 

 

Como forma de multiplicar o conhecimento sobre a espécie, o Programa de Conservação do Mico-Leão-Preto treinou, em 2018, dois alunos do Laboratório de Primatologia (LaP), da Universidade Estadual Paulista (UNESP Rio Claro). "Além de contribuírem para a pesquisa do projeto, esses alunos aprendem como os dados podem ser aplicados diretamente em ações de conservação para as espécies. Um dos alunos (Leonardo Silva) já faz parte da nossa equipe de pesquisadores", comenta Gabriela Cabral Rezende, coordenadora.

Giovana Cristina Magro de Souza, estudante do curso de bacharel em Ciências Biológicas da UNESP e aluna de iniciação científica, chegou ao projeto do IPÊ por meio da professora Laurence Culot. Começou os trabalhos de campo apoiando na colocação de rádios-colares e agora realiza seus estudos com o objetivo de contribuir com dados para o programa de conservação. Os trabalhos dela com o mico analisam se os besouros coprófagos (aqueles que removem massas fecais em áreas de pastagens) enterram as sementes presentes nas fezes dos micos-leões-pretos, a profundidade disso e os fatores ambientais envolvidos. "Este trabalho apoia a conservação do mico no sentido de mostrar as relações que esse primata tem com a natureza e, assim, mostrar a importância dele dentro de seu habitat. Participar do projeto me proporcionou uma experiência de campo e de estar em contato com a realidade do mico-leão-preto, entender melhor o animal e de saber melhor como fazer um trabalho de campo com primatas", afirma.

Laurence, professora e orientadora de Giovana, afirma que atualmente o trabalho de campo é menos valorizado do que há alguns anos, mas é fundamental na formação do biólogo ou ecólogo. "Através desta experiência, o aluno consegue, não somente observar a fauna, flora e suas interações (até então estudadas somente em sala de aula ou em livros), mas também se conectar com a natureza, gerar novas perguntas, e desenvolver novas habilidades (observação, orientação etc). Eu estou convencida que um aluno que teve várias experiências no campo tem um olhar diferente para a natureza: entende melhor os desafios relacionados à conservação por exemplo", diz. Segundo ela,  entretanto, para poder lidar com os desafios do campo, os alunos precisam ser proativos, curiosos, ter boa condição física e psicológica.

A professora ainda afirma que a parceria entre academia e terceiro setor, como no caso do IPÊ e UNESP, é um ganha-ganha por serem diferentes e complementares. "Na academia, tem muitos alunos e pesquisadores dispostos a se envolver em projetos, coletando e analisando os dados. Tem um potencial incrível. O problema, muitas vezes, é que tantos os docentes, pesquisadores e alunos têm pouco contato com projetos mais aplicados. Ao trabalhar com o terceiro setor, esse desejo pode virar realidade e beneficia os dois lados. Além disso, para fazer pesquisa, precisamos de dinheiro. Colaborações entre setores permite ter acesso a fontes de financiamento mais diversas. Alguns auxílios são somente para acadêmicos enquanto outros só podem ser outorgados à ONGs", conclui.