Últimas Notícias

 

Crianças e pais têm encontro marcado no próximo sábado, 27 de junho, às 15h, na Live Contação de Histórias, com base no livro “Brasileirinhos da Amazônia”. O evento online vai divertir e levar informação às crianças sobre os tesouros vivos da maior floresta tropical em extensão do mundo. A obra de Lalau e Laurabeatriz, publicada pela Companhia das Letrinhas, será contada por Kelly Orasi, do @conteboashistorias, no canal do Cinecultura https://www.youtube.com/cinecultura.

Essa é uma iniciativa do IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas, ONG que atua há mais de 28 anos pela conservação da biodiversidade brasileira. A parceria do Instituto com o Cinecultura é uma forma de popularizar ainda mais o tema entre o público amante da cultura, que já acompanha o canal, e levar uma atividade diferente para aqueles que já conhecem o trabalho do Instituto.

Além da história, quem assistir poderá conhecer um pouco mais do IPÊ e seus trabalhos, além de conferir também um bate-papo com um dos autores do livro, o poeta Lalau.

A Floresta Amazônica guarda entre suas árvores a maior reserva de biodiversidade do planeta. São incontáveis plantas, insetos e animais que vivem e mantêm viva a nossa grande floresta, do cachorro-do-mato-vinagre ao besouro-hércules. A contação de histórias ao vivo é indicada para crianças a partir de 4 anos.

Para não esquecer, inscreva-se no canal: https://www.youtube.com/cinecultura

DIA 27 DE JUNHO
SÁBADO!
15H00

 

 

De onde estiver, você pode contribuir com o plantio de árvores em áreas estratégicas de países em desenvolvimento, beneficiando a conservação da biodiversidade, as comunidades locais, o planeta e você mesmo. Isso tudo sem gastar nada! Apenas optando pelo Ecosia quando fizer buscas na internet: www.ecosia.com

Pesquisas dos usuários do Ecosia, mecanismo de pesquisa na internet desenvolvido como negócio social, já financiaram o plantio de 400 mil mudas nativas da Mata Atlântica no maior corredor reflorestado do Brasil, no Pontal do Paranapanema (São Paulo), o que representa uma área maior do que 250 hectares, ou 250 campos de futebol. 

O corredor está entre os destaques do IPÊ, dos tantos parceiros, apoiadores e financiadores que tornaram possível esse sonho. Em 2019, a Ecosia com sede em Berlim (Alemanha), também passou a fazer parte dessa história. E essa pode ser também a sua escolha! 

Pesquisa segura e com impacto socioambiental

A empresa reforça na página oficial que o foco do negócio social está no plantio de árvores e por isso não salva as pesquisas dos usuários, não rastreia os sites visitados, não vende os dados dos usuários para anunciantes e todas as pesquisas são criptografadas.

Pieter Van Midwoud, responsável pelos projetos apoiados pela Ecosia, visitou o Pontal do Paranapanema para conhecer de perto o projeto que conecta dois importantes fragmentos florestais: o Parque Estadual Morro do Diabo com a Estação Ecológica Mico-leão-preto.

“Eles estão desenvolvendo um Mapa de Sonhos de como eles querem essa área que concilia restauração florestal com a produção de agricultores. Isso é realmente uma forte visão e eu estou feliz de estarmos trabalhando juntos aqui, plantando as primeiras 400 mil árvores, mas quem sabe o que nós iremos fazer no futuro”. O plantio de árvores está no propósito da empresa - desde a fundação há 10 anos – como forma de contribuir com as florestas, o empoderamento das comunidades e o planeta. Os resultados obtidos com o Corredor beneficiam também a fauna local que inclui onças-pintadas, jaguatiricas e o mico-leão-preto. 

Na região do Pontal do Paranapanema, um hectare de floresta restaurada neutraliza aproximadamente 96 toneladas de carbono ou 340 toneladas de equivalente CO2. Isso significa que as 400 mil mudas da Ecosia vão neutralizar aproximadamente 19.200 toneladas de carbono ou 68.000 toneladas de equivalente CO2. 

Nos projetos do IPÊ, o alinhamento entre conservação ambiental e desenvolvimento social é uma constante. Diretamente, 35 famílias e 163 pessoas receberam treinamento em produção de mudas e prática de restauração florestal. O apoio da Ecosia representou ganho extra às 153 pessoas que produzem as mudas nos oito viveiros comunitários e também aquelas que plantam e acompanham o desenvolvimento das mudas durante três anos, até que as mudas tenham condição de enfrentar por conta própria as adversidades.

“Muito obrigado à Ecosia que está nos ajudando a consolidar uma parte do nosso mapa dos sonhos para concluirmos a principal conexão entre duas áreas remanescentes de oeste da Mata Atlântica”, afirma Laury Cullen Júnior, pesquisador do IPÊ e coordenador do projeto Corredores da Mata Atlântica. 

Confira o vídeo produzido pela Ecosia, que mostra alguns dos projetos apoiados pela empresa em todo o mundo, incluindo o projeto do IPÊ. 
https://youtu.be/MpAWfmOkuWg

O técnico de sistema de informações geográficas (SIG), Henrique Shirai, do IPÊ, está entre os sete finalistas da 2ª Edição do Prêmio MapBiomas, na categoria Geral, com o trabalho Dinâmica da conectividade da paisagem na Mata Atlântica. O produto foi apresentado como conclusão do Mestrado Profissional em Conservação da Biodiversidade e Desenvolvimento Sustentável, da ESCAS – Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade/IPÊ, em 2019.  O resultado do prêmio será divulgado em breve.

O Prêmio MapBiomas tem como objetivo premiar e estimular trabalhos que tenham contribuído para a produção de conhecimento sobre mudanças de cobertura e uso do solo no Brasil. Na pesquisa, Henrique avalia a evolução do estado de conectividade das paisagens da Mata Atlântica, identifica prioridades de restauração, compara as mudanças ocorridas após os intervalos de tempo, caracteriza a configuração da conectividade da paisagem e identifica tendências de incremento e decréscimo de conectividade.

“Através do cálculo do Índice Integral de Conectividade (IIC) para os fragmentos dos anos de 1987, 1997, 2007 e 2017, caracterizei a conectividade da paisagem do bioma, identificando áreas importantes para a restauração da conectividade, áreas fundamentais para sua manutenção e tendências nas suas fitofisionomias. Esse estudo mostrou uma análise capaz de nortear intervenções necessárias não apenas para a conservação da biodiversidade, mas fundamentais também para a sustentabilidade das sociedades humanas.”, explica Shirai.  

A partir da análise da configuração atual da conectividade da paisagem, Shirai identificou cinco áreas que devem ser consideradas como prioridades nas ações de restauração:
1. Região da Serra do Mar e Floresta de Araucária
2. Região das Florestas Costeiras da Bahia
3. Região das Florestas Costeiras nos estados do Espírito Santo e Rio de Janeiro e Florestas de Interior de Minas Gerais
4. Região das Florestas Costeiras de Pernambuco
5. Região das Florestas do Alto Paraná.

O estudo reforça que apesar das leis de proteção, o desmatamento continua acontecendo. Diante desse cenário, Shirai traz à tona a importância de estratégias com potencial de somar esforços para a conservação e restauração da Mata Atlântica, como a maior participação da sociedade civil, a criação de mercados e formas produtivas mais sustentáveis e o desenvolvimento de mecanismos de incentivos viáveis a preservação. Shirai pontua como exemplo o sucesso de casos em que a integração econômica e ambiental de agricultura agroflorestal e instrumentos de pagamentos por serviços ambientais resultaram em melhora na conservação.  

Confira aqui o trabalho 

Mesmo em meio à crise de saúde que vivemos, a degradação ambiental ganhou velocidade e o desmatamento continua em ritmo assustador. Apenas nos 3 primeiros meses do ano, tivemos um aumento de 51% no desmatamento da Amazônia. Outros biomas também sofrem com a degradação, como a Mata Atlântica e o Cerrado.


Precisamos estar alertas e as Organizações da Sociedade Civil têm um papel fundamental no monitoramento e na restauração dos estragos já causados pelas ações humanas.

Nós, do IPÊ, trabalhamos com pesquisas científicas, que nos dão a base para conservar animais ameaçados de extinção, restaurar paisagens, levar educação ambiental e capacitação às pessoas e também proporcionar novas formas de integração entre o homem e a natureza.

Para isso, contamos com apoio de parceiros e pessoas como você! 

Especialmente hoje, no DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE,  faça sua doação e mostre seu apoio à vida das nossas florestas!

 

Publicado originalmente em Fauna News

Por Suzana Padua 

Descobrimos, logo cedo, que trabalhar com conservação não é assunto simples. O IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas teve início a partir de um projeto do Claudio Padua, que visava salvar o mico-leão-preto, na época, meados de 1980, listado como uma das dez espécies mais ameaçadas do mundo. O mico era tema de seu doutorado, mas desde o início o Claudio teve estagiários como parte da equipe (muitos conosco até hoje), formando uma rede de profissionais que complementam frentes de trabalho diferentes. Essa interdisciplinaridade tornou-se uma das lições que aprendemos, pois nos deparamos com realidades complexas e nada lineares, e a formação diferenciada fez e faz toda a diferença. 

Claudio vinha de um mundo de negócios, formado em administração de empresas. Infeliz com esse campo, tomou coragem de seguir sua paixão e trabalhar com a natureza, conhecendo para protegê-la. Quis o destino que encontrasse alguns guias em sua vida, entre eles Adelmar Coimbra Filho e Russell Mittermeier, ambos primatólogos, que o levaram para somar à equipe do Centro de Primatologia do Rio de Janeiro, especializado em primatas ameaçados.  Esse foi um momento decisivo que levou o Claudio e a mim, de carona, a se interessar pelo mico-leão-preto, que vive no oeste do estado de São Paulo, região conhecida como Pontal do Paranapanema, e estava para perder habitat com a construção de hidrelétricas. 

Eu era designer, acostumada com uma vida quadrada no Rio de Janeiro e as mudanças na nossa vida familiar foram severas. Mas minha ida para o Pontal, mais precisamente para morar no Parque Estadual do Morro do Diabo (gerido hoje pela Fundação Florestal do Estado de São Paulo), também provocou transformações inesperadas. Um choque no início, mas uma tristeza quando deixamos a região três anos e meio depois. 

Comecei a trabalhar com educação ambiental, uma vez que percebi que a população local não conhecia o parque, o mico e toda a riqueza que havia nas florestas que restavam na região, bem ali ao lado delas. Apaixonei-me por esse campo de trabalho, pois mais e mais convencia-me de sua importância. A razão é simples: conservação só precisa acontecer porque nós humanos destruímos a natureza de maneira inescrupulosa, gananciosa, sem limites. Sendo assim, ou a gente muda a forma de a humanidade perceber a natureza para valorizá-la e se integrar a ela, ou dificilmente vai restar algo de natural no planeta. A educação ambiental visa esse despertar e o acirrar de um novo olhar de celebração pelo mundo natural do qual fazemos parte. Essa foi outra lição dos micos – integrar o ecológico ao humano, formando, de fato, o socioambiental. 
 

Esse aspecto fazia mais sentido ainda no pontal, segunda região mais pobre do estado de São Paulo. Os assentados do Movimento dos Sem Terra chegavam aos milhares e com eles muitas necessidades se evidenciaram. Como captar recursos para proteger o mico-leão-preto, mas não prestar atenção às necessidades humanas tão prementes? 

Começamos a desenvolver alternativas sustentáveis de renda para os pequenos sitiantes, como viveiros de árvores nativas, artesanatos com foco nas espécies locais e outros produtos que podiam proteger a natureza com enriquecimentos ambientais e melhoria da vida humana. Deu certo. Chegamos a trabalhar com mais de 400 famílias de assentados e a “esverdear” a região. Lição também aprendida ao proteger o mico.

Como “esverdear” e enriquecer os fragmentos de mata que ainda restavam? Nossa equipe começou a se preocupar com a paisagem como um todo e a elaborar o que ficou conhecido como “Mapa dos Sonhos”, que nada mais é do que um planejamento de toda a região, apontando áreas prioritárias para a conservação e comunidades que devem ser convidadas e se integrar em determinadas frentes.  São várias as formas de plantio que advêm dessa iniciativa, como faixas de matas plantadas para proteger os fragmentos, evitando perdas decorrentes do efeito de borda, projeto chamado de “Abraço Verde”,  ou corredores de matas que juntam um fragmento a outro (o IPÊ plantou o maior corredor de floresta Atlântica, integrando duas áreas protegidas – mais de 2,8 milhões de árvores plantadas).

Outra forma são os pequenos bosques agroflorestais, onde árvores nativas são plantadas junto com espécies que visam melhorar a alimentação e a renda das famílias que ali residem e que se aventuraram a experimentar algo novo em suas propriedades, como o café agroflorestal. Esses pequenos bosques ajudam também na conectividade e servem de trampolins de apoio para aves e insetos que contribuem espalhando mais sementes no “esverdeamento” da região (também chamado de stepping stones).  Cada uma dessas etapas teve e tem inúmeros aprendizados valiosos para o bom andamento do trabalho como um todo.

O social sempre esteve associado ao ambiental – inseparavelmente – nessas inúmeras frentes da conservação do mico e de seus habitat. Por exemplo, a participação nas decisões conta com reuniões que chamamos de “Eco-Negociação: um Pontal bom para todos”, com a presença de muitos segmentos da sociedade que servem para nivelar conhecimentos e encorajar o envolvimento das pessoas na resolução de questões ou problemas que dizem respeito à coletividade. Com isso, o meio ambiente passou a fazer parte da vida das pessoas, como o parque, uma riqueza que merece empenho na sua proteção, e o mico, um símbolo de orgulho regional, estampado, inclusive, em pontos comerciais da região como hotéis, restaurantes e lojas comerciais – algo impensável lá nos anos 80 quando ali chegamos. Vejo na prática que é possível transformar realidades se os propósitos são coletivos, também uma lição aprendida que tem feito diferença.  

Agora, os corredores de matas vêm sendo estudados para se saber quais os animais que se beneficiam e quais ainda não se atrevem a percorrê-los. Por exemplo, o mico-leão-preto depende de ocos para passarem a noite com segurança. Ora, as árvores são novas e ainda não os têm. Com isso, a pesquisadora que coordena o programa atualmente, vem experimentando usar caixas de madeira e monitorar se elas são aceitas ou não. Como não estavam sendo visitadas, tem feito uma experiência interessante e inovadora, que é esfregar algo com o odor dos micos nas caixas para atraí-los. E parece estar dando certo! Outra lição que pode trazer luz no fim do túnel (no caso, para o fim das caixas).

Mais uma lição que aprendemos com o tempo é a importância de influenciarmos políticas públicas. Por exemplo, levou sete anos para que uma nova área protegida fosse criada, a Estação Ecológica Mico-Leão-Preto, administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Foram muitas etapas e o envolvimento de pessoas chave que se encantaram com a ideia a ponto de a levarem adiante. O IPÊ serviu o tempo todo como fornecedor de informações consistentes que pudessem respaldar a decisão. Outra política pública foi regional, quando a Secretaria de Educação do Pontal adotou educação ambiental como campo de ensino integrado ao currículo escolar.

Em resumo
As lições aprendidas descritas acima incluem:

– educação é importante em todos os níveis de qualquer trabalho em conservação. No IPÊ tendo iniciado internamente com a equipe que formaria a própria instituição e depois se expandido para a formação de uma escola, a ESCAS, que oferece cursos curtos em temas diferentes, mestrado e MBA em sustentabilidade empresarial;

– ciência serve de base para todos os trabalhos, sejam no campo ambiental como no social, de maneira a se errar menos e se buscar caminhos mais assertivos;

-interdisciplinaridade é chave, pois a complexidade dos temas a serem tratados é vasta;

-o social precisa ser tratado integradamente com o ambiental, um complementando o outro;

– a natureza precisa ser vista com orgulho e merecedora de atenção e empenho em sua proteção e um planejamento regional pode contribuir para essa integração;

– os habitat naturais precisam ser enriquecidos, interligados e protegidos de diversas maneiras;

– as políticas públicas podem ajudar sobremaneira a dar escala a projetos isolados.

Essas etapas compõem o Modelo IPÊ de Conservação e o exemplo aqui exposto diz respeito ao Pontal do Paranapanema, nosso maior laboratório de aprendizado. Mas, o IPÊ hoje está presente em outros biomas e com iniciativas diferentes dessa. A aqui descrita é cara a quem faz parte da equipe do IPÊ por algum tempo, pois foi onde iniciamos, ainda sem que a instituição existisse, o que só veio a acontecer anos depois, em 1992. São muitas as lições aprendidas e o que não foi bem-sucedido mereceria ser listado, pois muitas vezes ensinam mais do que as experiências de sucesso. Mas, só para mencionar um exemplo ligado ao próprio mico, a espécie deixou de ser listada como “criticamente ameaçada”, passando a “ameaçada” na Lista Vermelha de espécies da IUCN, apesar das crescentes pressões sobre os ambientes naturais, comuns em toda parte do Brasil e do mundo.

Esse resumo foi descrito com a ajuda de imagens no XVIII Congresso Brasileiro de Primatologia, que aconteceu em novembro de 2019, em Teresópolis (RJ), quando fui convidada a proferir palestra. Foi aí que percebi que foram os micos nossos maiores professores, pois foi a vontade de os proteger que nos levou a ousarmos responder às necessidades que emergiram com o correr do tempo. E, claro, tudo isso só foi possível porque contamos com uma equipe forte, comprometida, apaixonada e incansável, cada um dando o seu melhor em todas as diferentes frentes aqui mencionadas. Trata-se, verdadeiramente, de um exemplo em que a união, ou a integração, tem força e traz resultados.