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Entre 12 e 15 de novembro, o IPÊ realizou dois cursos de capacitação e reciclagem para o automonitoramento em oito comunidades da Reserva Extrativista (Resex) Médio Juruá e 11 comunidades da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Uacari, no Amazonas. Os cursos acontecem pelo projeto Monitoramento Participativo da Biodiversidade, uma parceria do IPÊ com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Os  dois recentes foram direcionados para monitores formados no ano de 2018, mas também formou 63 novos monitores da biodiversidade para a Amazônia.

O objetivo das aulas foi relembrar os monitores já formados da importância do trabalho deles para o monitoramento da biodiversidade dessas duas Unidades de Conservação (UCs) onde que vivem, recapitular todas as atividades do protocolo de automonitoramento da pesca e corrigir os principais erros encontrados no preenchimento dos formulários. Os dias de curso despertaram interesse de mais pessoas que, ao verem seus vizinhos realizando o trabalho de monitoria durante o ano que passou, quiseram fazer parte. 

O automonitoramento da pesca consiste em realizar a coleta de informações de forma participativa. Voluntários das comunidades são capacitados para coletar informações em determinado período, anotando as espécies, o volume e a quantidade total de peixes capturada, bem como a medição de amostra por espécie. A metodologia foi criada a partir de reuniões com especialistas da área de ictiologia, gestão e manejo. Posteriormente foi testada e, a partir das demandas das comunidades, foi adaptada como uma forma mais baratas e eficientes de monitorar e avaliar o ambiente aquático e as espécies de peixes locais capturadas.

Os cursos fazem parte do projeto do IPÊ, ligado ao Programa Nacional de Monitoramento da Biodiversidade (MONITORA), Subprograma Aquático Continental, do ICMBio, sob a coordenação do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Amazônica (CEPAM) em parceira com o IPÊ e apoio da USAID e Fundação Gordon e Betty Moore.

 


Suzana palestra CBPRO 18º Congresso Brasileiro de Primatologia, promovido pela Sociedade Brasileira de Primatologia (SBPr) de 6 a 10 de novembro, trouxe a educação para o centro dos debates, com o tema "Educando Primatas". A abertura do evento, que aconteceu no Centro Cultural Higino, em Teresópolis/RJ, foi realizada pela presidente do IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas, Suzana Padua. Educadora ambiental, com grande experiência no relacionamento com comunidades, Suzana defende que o tema deve ser tratado como ciência, assim como outras atividades que envolvem a conservação de primatas no Brasil. Para ela, a educação precisa estar antenada ao que vem sendo desenvolvido em termos de comunicação no mundo, para conseguir alcançar públicos diversos, fazendo com que o tema ambiental não somente ensine, mas desperte o encantamento nas pessoas.

Na palestra de abertura, Suzana levou alguns dos aprendizados que teve ao iniciar o trabalho de educação para a conservação do mico-leão-preto no Pontal do Paranapanema, há cerca de 35 anos, quando as pesquisas sobre a espécie começaram de forma mais ampla nesta região de Mata Atlântica, extremo oeste de São Paulo. Desde então, a caminhada junto com o IPÊ foi a de buscar na educação, seja ela formal ou não, o impulso para multiplicar os conhecimentos adquiridos no campo pelos pesquisadores do Instituto e formar novos profissionais para atuarem em prol da biodiversidade brasileira.

Mais IPÊ no Congresso

Ao longo do congresso, o IPÊ também participou de simpósios e apresentações de trabalhos, mostrando os resultados das suas pesquisas científicas com o primata que é símbolo do estado de São Paulo, o mico-leão-preto. O trabalho mais recente, da coordenadora do Programa de Conservação do Mico-Leão-Preto, Gabriela Cabral Rezende, refere-se a estudos de modelagem ecológica, que identificam atualmente quais são as áreas prioritárias para traçar estratégias de conservação para o animal. Trata-se de um novo método que busca identificar essas áreas levando em consideração as características da paisagem e o processo de fragmentação, uma vez que os micos dependem de ambientes florestais para viver e sobreviver.

Outro trabalho apresentado pelo programa de conservação do IPÊ foi sobre os resultados obtidos no monitoramento de uso dos ocos artificiais pelos micos. Leonardo Silva, também pesquisador do Programa, falou sobre os fatores que influenciam a escolha de ocos naturais pelos bichos. Essa pesquisa, desenvolvida em parceria com o Laboratório de Primatologia da UNESP Rio Claro, forneceu dados sobre quais os melhores modelos de ocos artificiais e melhores locais para posicioná-los na natureza, de modo que os micos passassem a fazer deles seus dormitórios em áreas com poucos ocos naturais disponíveis.

No Congresso, Gabriela também apresentou os resultados obtidos até o momento com os ocos artificiais, monitorados com câmeras (armadilhas fotográficas), o que permite aos pesquisadores analisarem o uso destes pelo mico e outras espécies. O monitoramento usando essas câmeras, apesar de já consagrado e muito utilizado para outros grupos de animais que andam no solo, é uma metodologia inovadora para o monitoramento de primatas, que são animais que se movimentam na copa das árvores (dossel). Os micos-leões-pretos são a segunda espécie de macaco brasileiro com as quais essa metodologia vem sendo aplicada. O trabalho foi apresentado durante um simpósio específico sobre o assunto, denominado “Armadilhas fotográficas no dossel: aplicações, eficiência e desafios”.

Tendências

Nessa edição, o congresso comemorou os 40 anos da SBPr e 40 anos do Centro de Primatologia do Rio de Janeiro (CPRJ), além de 80 anos do Parque Nacional da Serra dos Órgãos (PARNASO/ICMBio). Mais de 300 pessoas de quase todos os estados do Brasil e de mais 10 outros países estiveram presentes assistindo a mais de 300 trabalhos apresentados sobre os primatas brasileiros. Para Gabriela Cabral Rezende, o congresso buscou avançar em duas questões primordiais nos dias atuais, no que concerne a pesquisa e a conservação de primatas no nosso país: o uso de tecnologias para monitoramento das espécies em campo e a comunicação para conservação.

"Apesar de ter trabalhos de todas as áreas do conhecimento da primatologia, ali apresentados, conseguimos ver uma grande tendência sobre aplicação dos resultados dessas pesquisas na conservação das espécies. Isso é bastante relevante considerando que o Brasil é o país com maior diversidade de primatas do mundo, com 153 espécies e subespécies, sendo 23% destas ameaçadas de extinção, principalmente os primatas que vivem na Mata Atlântica e na região do arco do desmatamento. É imperativo que a gente trabalhe não só gerando conhecimento, mas aplicando-o na prática para a conservação. Diversos simpósios ao longo do congresso foram realizados com esse fim", comentou.

A grande novidade, segundo ela, entretanto, foi a abertura para mais discussões sobre educação e comunicação na conservação de primatas. "Foi interessante debater sobre como a gente pode fazer com que todo esse conhecimento chegue a quem precisa chegar, ou seja, ampliando esse horizonte para outros públicos além dos primatólogos. As pessoas precisam compreender a importância dos primatas, para nos apoiarem na conservação", conclui. 

 

Em 2019, no dia 03 de dezembro, terça-feira, o Brasil inteiro vai se mobilizar pelo Dia de Doar. Você também pode fazer a sua parte doando para o meio ambiente e a causa socioambiental via IPÊ.

O Dia de Doar é um grande movimento para promover a doação no Brasil. É uma mobilização que promove um país mais generoso e solidário, por meio da conexão de pessoas com causas. E faz isso celebrando o prazer que é doar, e o hábito de doar o tempo todo.

Como é um movimento, não é centralizado. Quem faz o Dia de Doar acontecer é quem está do outro lado da ação - seja doando ou fazendo uma ação para estimular a doação de indivíduos, empresas, etc.

No Brasil o Dia de Doar começou em 2013, um ano depois da primeira edição, nos Estados Unidos, em 2012. A partir de 2014 o Brasil passou a fazer parte do movimento global, que hoje conta com 55 países participando oficialmente, e ações sendo realizadas em mais de 190.

Lá fora, o Dia de Doar tem nome de #GivingTuesday, que significa "terça-feira da doação". Vem na sequência de datas comerciais já famosas, como as BlackFriday e CyberMonday. É sempre realizado na primeira terça-feira depois do Dia de Ação de Graças (o Thanksgiving Day).

O Dia de Doar é realizado pelo Movimento por uma Cultura de Doação, uma coalização de organizações e indivíduos que promovem o engajamento das pessoas com as causas e as organizações da sociedade civil, por meio da doação como instrumento para fortalecimento da democracia.

 

O IPÊInstituto de Pesquisas Ecológicas foi o vencedor do Prêmio Muriqui 2019, na categoria Pessoa Jurídica. A premiação é um reconhecimento da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica pelas ações e principalmente os resultados do Instituto na conservação do bioma.

O prêmio foi entregue no dia 7 de novembro, durante a abertura dSeminário Nacional Turismo e Mata Atlântica, que aconteceu na Mata de São João (BA). O troféu, que homenageia as duas únicas espécies de macaco do gênero Brachyteles, símbolo da Mata Atlântica, foi recebido pela coordenadora de comunicação institucional do IPÊ, Paula Piccin. “É uma honra estar aqui representando dezenas de pesquisadores, técnicos e educadores do IPÊ. A Mata Atlântica sempre foi uma inspiração para o IPÊ e um local de grande aprendizado, onde desenvolvemos trabalhos de conservação com apoio da sociedade. Estamos duplamente felizes porque este ano comemoramos 35 anos do primeiro programa de conservação no bioma, para a conservação de um primata, o mico-leão-preto, por meio do qual toda nossa história começou. É uma ótima maneira de comemorar”, afirmou.

Criado pelo Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da MataAtlântica (CN-RBMA), em 1993, o prêmio busca incentivar ações que contribuam para a conservação da biodiversidade, estimular e divulgar os conhecimentos tradicional e científico, além de promover o desenvolvimento sustentável na área desse bioma.Também foram premiados Adriana Batista na categoria Pessoa Física, TassoAzevedo, na categoria especial Pessoa Física e Instituto Florestal, com o prêmio especial Pessoa Jurídica.

Foto: Leiz da Silva Rosa 

BIRD Natalia penuelaEstimar o grau de vulnerabilidade de espécies da fauna é o trabalho de milhares de pesquisadores em todo o mundo. Tais estudos são de alguma forma sintetizados na Lista Vermelha global das espécies, pela UICN - União Internacional pela Conservação da Natureza, uma organização internacional que há anos, com suporte de cientistas de diversos países, traz um panorama do status de sobrevivência e do risco de vida das espécies. Hoje, esse risco está estimado para mais do que 105 mil delas. Para chegar aos resultados que indicam o grau de ameaça, a UICN utiliza estudos que consideram extensão de ocorrência (EOO) e área de ocupação (AOO) das espécies, criando, assim um mapa de distribuição delas em diversos biomas do mundo.

Na última década, porém, a Ciência viu uma explosão na disponibilidade de dados sobre o planeta, especialmente os coletados por satélite, que conseguem capturar elevação e cobertura do solo, índices que podem indicar, por exemplo, onde é mais perigoso para um animal viver. "Temos a oportunidade de mostrar as áreas com condições adequadas para a sobrevivência de espécies, mas que ainda não foram identificadas a partir de pesquisas de campo. Isso é interessante para utilizar como recurso na avaliação do status de sobrevivência de espécies", afirma Clinton Jenkins, pesquisador do IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas.

Cientistas de diversas organizações e universidades do mundo propuseram aplicar esses múltiplos dados ao mapeamento da distribuição de espécies já conhecido e utilizado pela UICN, usando diferentes técnicas e terminologias analíticas. O resultado do encontro desses dados gerou os agora chamados mapas de Áreas de Habitat (AOH), que indicam não apenas onde as espécies foram vistos no campo, mas onde elas poderiam viver de maneira mais segura. Na edição de outubro de "Trends in Ecology and Evolution", pesquisadores liderados pelo Dr. Thomas Brooks, cientista-chefe da UICN, explicam essa nova metodologia que já gerou mapas de Área de Habitat para mais de 20.000 espécies de mamíferos, aves e anfíbios, combinando dados da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN com dados detectados remotamente.

Além de Clinton Jenkins, do IPÊ, representante do Brasil, o estudo reuniu cientistas da Universidade Duke Kunshan (China); do Wildlife Trust (Índia); Universidade de Roma La Sapienza (Itália); a Universidade de Stellenbosch (África do Sul); ETH Zürich e UICN (Suíça); BirdLife International, Sociedade Real para a Proteção de Aves e Sociedade Zoológica de Londres (Reino Unido); e Microsoft, Duke University, e Stony Brook University (EUA).

O mapeamento de Área do Habitat não é apenas um exercício científico: é também importante e oportuno para a política e prática de conservação. Em novembro de 2020, os governos do mundo se reunirão em Kunming, China, para negociar uma "estrutura de biodiversidade pós-2020" para proteger e recuperar a vida na Terra. Essa estrutura acolherá contribuições de todos os setores da sociedade para deter a perda de biodiversidade e promover a restauração.

(Foto: Natalia Ocampo-Peñuela)