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A gerente de design das Havaianas, Priscilla HatsueKawagoe já criou quatro coleções das Havaianas IPÊ. Ela conta que o processo de criação é feito em conjunto pela empresa e pelo Instituto e busca sempre contar uma história, a história da biodiversidade brasileira.

"Usamos as informações que o IPÊ nos traz sobre as espécies como um guia e, a partir daí, buscamos referências sobre o movimento dos animais, os melhores ângulos que podem ser retratados e fazemos a proposta da arte. Todos os anos buscamos algo diferente, que conte a história dessa causa, e que as pessoas não comprem só porque é bonito, mas porque tem um sentido maior, um trabalho como este do IPÊ por trás", afirma ela.

Formada em Moda, Priscilla afirma que sempre teve interesse por questões ambientais e mudou sua alimentação (tornou-se vegetariana), inclusive, pensando nisso. Trabalhar para uma marca engajada em uma causa, para ela, faz todo sentido.

"Sempre tive essa preocupação, uma consciência de que nossas ações influenciam dentro de uma cadeia maior. Entendo que ter um propósito maior naquilo que se faz na vida é importante, dá sentido. Então é essencial na profissão ter uma identificação, isso faz toda a diferença", diz.

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Em 2018, 15 alunos participaram do MBA Gestão de Negócios Socioambientais. Realizado pela ESCAS, na sua sede em Nazaré Paulista (SP), o curso tem apoio pedagógico da ARTEMISIA Negócios Sociais e CEATS-USP (Centro de Empreendedorismo e Administração em Terceiro Setor) e atrai profissionais variados, que buscam desenvolver em suas áreas de atuação a sustentabilidade socioambiental a partir de negócios inclusivos e de valor compartilhado.

A proposta do curso é dar oportunidade aos alunos de refletirem sobre o tema e também vivenciá-lo na prática. Desta forma proporciona todos os anos uma visita aos projetos de sociobiodiversidade do IPÊ, realizados no baixo Rio Negro, Amazonas. Ali, visitam comunidades ribeirinhas que já foram beneficiadas por projetos do Instituto e que atuam com cadeias produtivas com produtos da biodiversidade amazônica, com artesanato e turismo de base comunitária.

Ana Luiza Reis Rosa da Silva (foto) foi uma das alunas do MBA em 2018. Bióloga por formação, viu no curso uma oportunidade de se aperfeiçoar em temas que a ajudaram no cotidiano do seu trabalho na área de sustentabilidade da Suzano Papel e Celulose e até mesmo no seu crescimento profissional dentro da empresa. "Através do que eu aprendi no IPÊ consegui concorrer a um processo seletivo interno para potencializar a carreira. E o conhecimento que adquiri no MBA foi um grande diferencial nesse processo", afirma.

Os conteúdos também foram fundamentais para que Ana Luiza tocasse um outro projeto com 31 apicultores no Vale do Paraíba, contribuindo para o aperfeiçoamento da cooperativa da qual eles fazem parte a Coapvale (Cooperativa Agropecuária do Vale do Paraíba). Ali, na cooperativa localizada em Taubaté (SP), ela viu a oportunidade de aplicar o conhecimento das aulas. "Os apicultores passam por um problema econômico na cooperativa. Por meio do curso, usei varias disciplinas para ajudar a estruturar um plano de gestão e desenvolvimento socioeconômico para a cooperativa, com recomendações de governança, marketing, comunicação, estrutura de gestão econômica e gestão de pessoas. Darei esta devolutiva e pretendo, caso eles aceitem, implementar este plano", conta ela.

O desenvolvimento real de trabalhos de conclusão de curso como esse faz parte do conceito da ESCAS de aplicabilidade da criação intelectual. A Escola estimula que os estudos devam ser aplicados em favor da sociedade, de forma prática. Com os alunos, o grande interesse da escola é dar subsídios para uma evolução profissional, mas também uma mudança pessoal, que os façam transformar realidades por meio de suas ações. No caso de Ana Luiza, que atua em uma frente que impacta cerca de 245 comunidades e 62 mil pessoas no Vale do Paraíba, esse conhecimento transformou o modo como ela encarava sustentabilidade. "Trabalho na área de sustentabilidade, gestão e monitoramento dos projetos nas linhas de educação, cultura, esporte, agricultura familiar. Para mim esse MBA foi uma experiência profunda. Não tinha ainda passado por um período de formação com essa ênfase que o MBA traz, um universo completamente diferente, de reflexão e ação. Alguns colegas meus já tinham feito o curso e eu vi na prática o desenvolvimento dessas pessoas. Com certeza isso já reflete hoje em mim também", diz.

 

 O IPÊ comemora em maio 15 anos da parceria com as Havaianas, que deram origem às Havaianas-IPÊ.

Desde 2004, foram 15 coleções adulto e quatro infantil, retratando a biodiversidade brasileira, levando ao consumidor informações sobre a importância da conservação de espécies da fauna e da flora e dando a oportunidade ao cliente de se engajar por uma causa ambiental, já que 7% do valor das sandálias é destinado ao IPÊ para manutenção de ações de conservação da biodiversidade: pesquisas científicas, educação, negócios sustentáveis, reflorestamento e apoio à políticas públicas. 

Desde o início, a parceria teve como princípio despertar o orgulho dos brasileiros pela riqueza de animais e plantas que só existem no Brasil. Por este motivo, as sandálias estampam espécies nativas, muitas ameaçadas de extinção, como o mico-leão-preto e a onça-pintada. O processo de criação das estampas passa pelo crivo dos pesquisadores do IPÊ e contam com a criatividade dos artistas e designers da marca, alinhando a ciência à contemporaneidade da moda. 

Durante todos os anos de parceria, mais de 14 milhões de pares de sandálias com artes inspiradas em espécies da fauna brasileira foram vendidas, revertendo de seus valores mais de R$ 8 milhões para o IPÊ.

"Nossa parceria com as Havaianas é fundada no compartilhamento de ideias e confiança mútua entre marcas, dentro do que chamamos de Marketing Relacionado a Causas. Por meio da compra, o consumidor automaticamente está contribuindo com uma causa socioambiental, sem pagar a mais pelo produto, e ainda leva com ele uma mensagem relevante. As sandálias são veículos de comunicação também, pois levam informações sobre as espécies, por exemplo, o nome científico delas. Acima de tudo são bonitas e acompanham as tendências da moda. É a união perfeita", comenta a coordenadora da Unidade de Negócios do IPÊ, Andrea Peçanha. 

Celebrar é preciso!

Para fazer uma celebração à altura, as Havaianas e o IPÊ fizeram uma  coleção 2018/19, assinada pelo artista Arlin Graff, conhecido mundialmente por seus grafites coloridos e geométricos. As sandálias serão lançadas no verão europeu com as estampas da onça-pintada, o mico-leão e a arara vermelha. Para celebrar o sucesso mundial da parceria, Graff pintará um mural de 150m² em Lisboa (Portugal) durante uma semana. Todo processo será gravado e posteriormente divulgado pela marca, como parte das ações que estão sendo feitas para reforçar a parceria.

 

 

 

O projeto Monitoramento Participativo da Biodiversidade realizou mais um curso de capacitação de monitores. Desta vez, na Floresta Nacional (Flona) Jamari, em Itapuã do Oeste, Rondônia. O Curso de Monitores da Biodiversidade - Componente Florestal, ocorreu no auditório da Madeflona e no interior da Flona. A capacitação é uma tarefa fundamental para o processo de gestão das Unidades de Conservação (UCs) e na Flona Jamari, já são 100 monitores aptos à realização do monitoramento.

Durante o encontro participaram 21 pessoas, entre elas alunos da Universidade Federal de Rondônia, colaboradores do Parque Nacional do Mapinguari, funcionários da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental - SEDAM e moradores de Itapuã do Oeste.

Para dar conta dessa tarefa participaram como instrutores e apoio os pesquisadores do IPÊ, Camila Lemke e Paulo Henrique Bonavigo, o analista ambiental da Flona Samuel dos Santos Nienow e os monitores Natieli Quadros, Gesiana Kamila Miranda, Zeziel Ferreira, Wesley Duarte, Bruno Zenke e Poliana Pereira.

Os alunos vivenciaram a prática de instalação e revisão de armadilhas de borboletas e foram capacitados quanto a biologia e identificação em uma das trilhas do monitoramento. Foi também realizada a prática de censo de aves e mamíferos e prática de coleta de dados de plantas lenhosas.

O projeto “Monitoramento Participativo da Biodiversidade em Unidades de Conservação da Amazônia”, é uma parceria entre o IPÊ e ICMBio, com apoio da USAID, Gordon and Betty Moore Foundation e Programa ARPA.

 

 

 

Dia 27 de abril o mundo todo celebra as quatro espécies de anta conhecidas na natureza. Este animal, cheio de peculiaridades físicas, como uma pequena tromba conhecida como “probóscide”, é um dos mais antigos habitantes do nosso planeta (fósseis encontrados na América do Sul datam de 2,5 a 1,5 milhão de anos atrás). Mas, apesar de tantos motivos para comemorar a vida destes animais, eles se encontram na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas de Extinção, tamanhos os impactos das ameaças sofridas por eles.

Para falar sobre a importância da data, convidamos seu criador, ANTHONY LONG, para responder algumas perguntas.

Qual foi o objetivo principal quando criou o Dia Mundial da Anta? Como você acha que isso pode contribuir com a causa da conservação da anta?

Eu comecei o Dia Mundial da Anta em 2008 porque queria fazer algo para ajudar a proteger as antas. Eu não sou cientista, conservacionista, ecologista - ou qualquer outro tipo de pesquisador. Estudei ciências sociais e trabalhei com marketing e recursos humanos, e estive envolvido com educação na universidade. Minhas habilidades são em promoção e educação.

Depois que me apaixonei por antas no início dos anos 2000, percebi muito rapidamente que elas eram relativamente desconhecidas - mesmo nos países em que existiam. Ao contrário dos elefantes, rinocerontes, leões, tigres e outros mamíferos de grande porte, as antas não aparecem na mente da maioria das pessoas. As pessoas não sabiam o que são as antas, não apareciam em filmes, livros infantis ou de qualquer outra maneira que outros animais - mais populares - apareciam. Mais tarde soube que ser chamado de "anta" era um insulto no Brasil!

Como meu amor por antas cresceu, eu queria fazer algo para ajudar, e no final de janeiro de 2008, o Dia Mundial da Anta tornou-se real. O primeiro ano foi uma atividade rápida apenas online. Sempre foi intenção de que o Dia Mundial da Anta desenvolvesse uma vida própria - e isso aconteceu. Desde 2008, os eventos foram celebrados em pelo menos 25 países e Belize criou o Dia Nacional da Anta no mesmo dia.

Desde então, o aumento da conscientização sobre a anta em muitos países tem sido fantástico. Os esforços de Patricia Médici, da Sociedade da Natureza da Malásia e de muitos outros fizeram a diferença. Espero que o Dia Mundial da Anta tenha contribuído de alguma forma também.

Por que 27 de abril?

A data foi cuidadosamente planejada. Foi escolhido porque na época não havia nenhum evento significativo em nenhum outro lugar do mundo, não entre em conflito com a Páscoa (cai depois da última data possível) e por ser em abril, há probabilidade de um clima melhor na maioria dos países para que eventos ao ar livre pudessem acontecer. Outro ponto é que a anta April, um dos primeiros animais resgatados no zoológico de Belize tem seu aniversário comemorado todos os anos em abril com muita publicidade.

Como as pessoas podem contribuir para a conservação das quatro espécies de anta?

Há uma série de formas: 

Apoiar organizações que protejam os habitats de anta e participem de pesquisas relacionadas à anta. 
Ser um consumidor educado. Comprar produtos de origem sustentável, reduzir o consumo e minimizar o consumo de óleo de palma;
Se alguém mora em uma área onde as antas vivem, dirigir com segurança - especialmente ao entardecer e ao amanhecer. Antas são frequentemente vítimas de colisões com veículos;
Falar sobre as antas com as pessoas! Não há pessoas suficientes que saibam sobre as antas - elas são confundidas com porcos-formigueiros, tamanduás, quatis ou descartadas como porcos;

As antas são inteligentes, carismáticas e cheias de personalidade. Elas merecem muito mais reconhecimento do que recebem. Sim, existem muitas espécies em risco de extinção - e muitas são ainda menos conhecidas do que as antas. Antas são particularmente importantes em seus ecossistemas. Ajudar na proteção das antas é proteger também muitas outras espécies - elas realmente são uma espécie guarda-chuva.

No Brasil, a palavra “anta” é usada injustamente como um termo pejorativo para definir alguém que não tem inteligência. É o equivalente a idiota nos Estados Unidos. Como você acha que podemos mudar isso?

Através da educação, acima de tudo. Mudar as atitudes das pessoas leva tempo, especialmente quando se trata de usar termos pejorativos. Destacando a importância das antas para o ecossistema, mostrando quão inteligentes e carismáticas elas são, e como elas são um tesouro nacional que precisa ser protegido, são algumas maneiras. Pode ser um desafio inicialmente, mas ter empresas orgulhosas em usar "anta" em seus nomes e em seus logotipos - transformando o termo em algo positivo.

Vai levar tempo, com certeza. Mas é possível. Os pandas tornaram-se um símbolo da conservação da vida selvagem através do logotipo da WWF, e através da crescente conscientização dos perigos que enfrentam. O governo chinês abraçou totalmente a conservação do panda como uma missão.

As antas são vistas de forma positiva em países nos quais não são encontradas na natureza - Japão, Coréia, Alemanha e Reino Unido -, para citar algumas. Se as pessoas desses países conhecem e apreciam as antas, isso mostra que é possível mudar atitudes. Da mesma forma, as atitudes na Malásia começaram a mudar na última década, e há uma maior conscientização sobre a importância das antas para o país. Isso pode ser possível no Brasil.