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WhatsApp Image 2019 07 02 at 18.00.34As mudanças climáticas já fazem parte da nossa realidade e, para encarar os desafios socioambientais deste e dos próximos anos, a startup Youth Climate Leaders (Jovens Líderes Climáticos Brasil) prepara jovens com uma capacitação intensa no tema. A proposta é que eles sejam capazes de tomar decisões pessoais e profissionais com um olhar mais abrangente para essa questão. Durante dois meses, 35 jovens de 17 a 37 anos passaram por aulas, palestras e vivências que despertaram neles um desejo e técnicas de transformação socioambiental, com vistas a reduzir o impacto das mudanças climáticas nas nossas vidas. Para terminar esse período intenso, o grupo escolheu o IPÊ para um dia de trocas de conhecimentos entre pesquisadores e coordenadores de projetos do Instituto.

"Os jovens do programa estão em transição de carreira, em busca de um propósito. Buscamos sempre essa imersão em algum local que desenvolve trabalhos com meio ambiente, contato com especialistas da área e, claro, esse contato com a natureza. É um modo de mostrar como é isso na prática e no Brasil. O IPÊ tem toda a estrutura que precisamos e foi muito interessante esse momento", explica Flavia Bellaguarda, uma das fundadoras do Youth Climate Leaders e assessora de mudança do clima do ICLEI.

No IPÊ, os alunos tiveram a chance de conhecer alguns projetos, a ESCAS - Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade e a Unidade de Negócios Sustentáveis.

“Todos os projetos desenvolvidos pelo IPÊ têm como base a pesquisa aplicada. Nesse processo, mobilizar a comunidade é também uma característica do nosso trabalho. Sabemos que um dia os projetos terão um fim e a ideia é envolver e capacitar a comunidade para que ela tenha condição de seguir adiante. A proximidade com a comunidade nos projetos desenvolvidos pelo IPÊ envolve inclusive a criação de protocolos em conjunto, como acontece no Monitoramento Participativo da Biodiversidade (MPB) em Unidades de Conservação da Amazônia, uma parceria com Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio)”, afirmou Eduardo Badialli, coordenador de cursos da ESCAS.

O grupo também conferiu apresentação de Andrea Pupo, coordenadora desta área no Projeto Semeando Água, que contribui para o aumento da segurança hídrica do Sistema Cantareira. Durante vídeo apresentado sobre os principais desafios da água na região, muitos lembraram da crise hídrica que assolou a região metropolitana de São Paulo de 2014/2015. ”Aumentar a resiliência do Sistema Cantareira passa necessariamente por melhorar o uso do solo na região. Isso significa que precisamos recuperar mais de 100 mil hectares de pastagens degradadas e restaurar 21 mil hectares de Áreas de Preservação Permanente (APPs), o que equivale a plantar 35 milhões de árvores. Sabemos que não resolveremos essa questão sozinhos, mas entendemos que, de maneira integrada, com Manejo de Pastagem, Restauração Florestal, Educação Ambiental, Políticas Públicas e Comunicação, isso é possível”, afirma Andrea.

Para celebrar o dia de visita, o grupo participou de um plantio de árvores na beira de uma das represas do Sistema Cantareira (a Atibainha), contribuindo com a restauração para segurança hídrica, realizada pela IPÊ nessa região. Ali, já foram plantadas mais de 300 mil árvores nativas, protegendo nascentes e beira de represas.

Este foi o quarto curso do Youth Climate Leaders no Brasil. Em agosto, esses jovens farão uma imersão na Alemanha. A inciativa já capacitou 100 jovens que hoje fazem parte de uma rede global. www.youthclimateleaders.org

Acesse agora a segunda edição da publicação Monitoramento Participativo da Biodiversidade: Aprendizados em Evolução. O livro traz anotações de experiências em unidades de conservação na Amazônia Brasileira entre 2013-2017, estratégias, ferramentas e um passo a passo da implementação. 

A publicação é fruto do projeto Monitoramento Participativo de Biodiversidade (MPB), desenvolvido pelo IPÊ desde 2013, em parceria com ICMBio, com apoio de Gordon and Betty Morre Foundation, USAID e Programa ARPA. No MPB, a comunidade é protagonista. O projeto promove o envolvimento das comunidades para fortalecer a gestão e a conservação da biodiversidade em Unidades de Conservação da Amazônia. O monitoramento é fundamental para entender e moderar a extensão de mudanças que possam levar à perda de biodiversidade local, subsidiar o manejo adequado dos recursos naturais e promover a manutenção do modo de vida das comunidades locais. O projeto MPB vem sendo implementado em 17 UCs, totalizando quase 12 milhões de hectares.

Para saber mais sobre esse trabalho assista agora ao video.

 

*com ICMBio

O II Seminário de Construção Coletiva de Aprendizados e Conhecimentos, realizado em junho pelo IPÊ, em parceria com o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação Ambiental e Sustentabilidade), reuniu gestores, monitores e comunidades de Unidades de Conservação (UCs) e pessoas que vivem próximas dessas áreas protegidas. Todos participam do projeto do IPÊ, Monitoramento Participativo da Biodiversidade (MPB), que está inserido no programa Monitora, do ICMBio.

No MPB, a comunidade é protagonista. O projeto acontece desde 2013, promovendo o envolvimento das comunidades para fortalecer a gestão e a conservação da biodiversidade em UCs da Amazônia, por meio do monitoramento participativo de biodiversidade. O monitoramento é fundamental para entender e moderar a extensão de mudanças que possam levar à perda de biodiversidade local, subsidiar o manejo adequado dos recursos naturais e promover a manutenção do modo de vida das comunidades locais. O projeto MPB vem sendo implementado em 17 UCs, totalizando quase 12 milhões de hectares.

Durante o seminário, foram compartilhadas as experiências dos participantes do projeto, buscando o diálogo entre eles. Além de palestras, rodas de conversa favoreceram essas trocas sobre vivências no monitoramento da biodiversidade da Amazônia. A proposta do seminário, aliás, nasceu de um incômodo sobre devolutivas dos pesquisadores e gestores às comunidades, já que estas se sentiam desvinculadas das interpretações e análises anteriormente feitas apenas pelos técnicos. No segundo seminário, foi a hora de saber como o monitor está exercendo o papel de protagonista da narrativa do monitoramento e como o conhecimento tradicional é agregado ao acadêmico.

Na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns (PA), oito comunidades fazem parte do monitoramento. Lá são implementados o protocolo básico do componente terrestre (plantas, borboletas frugívoras, etc) e protocolos complementares demandados pelos próprios comunitários para avaliação dos recursos da UC. Na visão da gestora da Resex, Jackeline Nóbrega, sem a comunidade, o monitoramento é inviável. De acordo com ela, as comunidades precisam estar conectadas com o monitoramento do planejamento à análise de dados, pois são as principais beneficiadas.

Jesuíno Pereira Chaves, conhecido como Jarana, é comunitário da Resex Tapajós-Arapiuns e destaca a necessidade da conservação, pois a falta de recursos vai atingir primeiro as comunidades residentes nas UCs. Para ele, o investimento na capacitação gera resultados positivos para conscientização da comunidade e para mostrar a importância da biodiversidade.

Além do maior envolvimento com o território, os monitores também relatam outros aspectos positivos trazidos com o projeto. Tanto entre os jovens quanto entre os mais antigos, a alegria de ter a profissão “Monitor da Biodiversidade” é exibida com orgulho e alegria. O conhecimento adquirido também é aplicado para a produção sustentável dentro das associações comunitárias e alguns até trilham o caminho acadêmico com base no que aprenderam como monitores.

PUBLICAÇÃO Durante o Seminário, foi lançada a segunda edição da publicação “Monitoramento Participativo da Biodiversidade: Aprendizados em Evolução”. O livro traz anotações de experiências em unidades de conservação na Amazônia Brasileira entre 2013-2017, estratégias, ferramentas e um passo a passo da implementação. O livro pode ser acessado aqui.

 

 

Mais 150 mil mudas de árvores nativas da Mata Atlântica agora fazem parte do Corredor Florestal do IPÊ, no Pontal do Paranapanema (São Paulo). O Instituto finalizou a primeira etapa de plantios das árvores que formarão a parte norte deste corredor, o maior já restaurado na Mata Atlântica, com 20 quilômetros e mais de 2,7 milhões de árvores, que conecta as principais Unidades de Conservação da região, a Estação Ecológica Mico-Leão-Preto e o Parque Estadual Morro do Diabo. Com as novas árvores, o corredor ganha mais 6 quilômetros em extensão.

O plantio desta fase do corredor norte faz parte de uma parceria entre a empresa Atvos e o Programa Nascentes, da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do estado de São Paulo (SIMA). Ao todo, foram plantados 70 hectares na fazenda Estrela, localizada no entorno da Estação Ecológica Mico-Leão-Preto. A área escolhida para a implantação do projeto pertence à Destilaria Alcídia, um local prioritário para restauração florestal e que, restaurado, é capaz de conectar áreas verdes, melhorando o trânsito de animais e contribuindo para a conservação de espécies como o mico-leão-preto, símbolo do Estado de São Paulo.

O projeto de restauração foi desenhado via compensação ambiental e vai além dos benefícios ambientais, pois garantiu geração de renda para as comunidades envolvidas, que prestaram serviços florestais e de comercialização de mudas de espécies nativas, a partir de oito viveiros comunitários, para a realização da ação. Além disso, utilizou uma Área de Reserva Legal de uma propriedade particular, prevista no Código Florestal, para o seu plantio.

"Projetos como esse mostram como é possível aliar conservação ambiental com inclusão, geração de renda e políticas públicas. Uma combinação que beneficia empresas, comunidades, sociedade civil e governo. Só mostra ainda mais a importância das reservas legais e das áreas de preservação permanente para a Mata Atlântica e que elas podem, de fato, transformar a região como vêm fazendo, a exemplo dos corredores que, implementados há 20 anos, já mostram sua eficácia para a conservação da água, e no combate à extinção de espécies e das mudanças climáticas", afirma Laury Cullen Jr, pesquisador do IPÊ e coordenador do projeto Corredores da Mata Atlântica.

Ao todo, o projeto do corredor norte beneficiou: 300 produtores com capacitação em conservação da biodiversidade; 20 produtores rurais e membros da comunidade local nos programas de capacitação; 120 produtores rurais na produção de mudas nos viveiros agroflorestais; 40 produtores na prestação de serviços de plantio e manutenção florestal. Para isso, uma equipe de 20 profissionais foi envolvida: coordenadores, educadores, extensionistas e pesquisadores da equipe técnica.

Benefícios empresariais 

A parceria entre Atvos e IPÊ para este reflorestamento foi possível devido ao programa de Conversão de Multas, instituído pela SIMA para estimular a resolução de pendências ambientais. Ao converter multas em serviços ambientais, o Estado e as empresas ganham com a recuperação da área degradada e com a reparação do dano ambiental. A iniciativa "corredor-norte", do IPÊ, estava cadastrada no banco de projetos da SIMA e foi escolhida pela empresa Atvos, dentro deste processo.

"Tínhamos cenários irreversíveis no tocante a multas e então optamos por essa oportunidade em convertê-las em benefícios ambientais concretos. E numa condição ideal, dentro do estado de SP e em uma região que a gente atua. Isso ocorreu porque havia esse projeto de prateleira do IPÊ, que foi muito interessante, não apenas porque conseguimos zerar todo o passivo de multa convertendo em árvores, mas porque é um projeto que dá oportunidade para as pessoas dos assentamentos do entorno. São benefícios sociais e ambientais", comenta Ayslan Fingler - gerente de Saúde, Segurança e Meio Ambiente da Atvos.

A ação também contou com a participação do ITESP (Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo), facilitando a interlocução com as comunidades participantes e promovendo a extensão rural junto às comunidades no fomento de mudas dos viveiros agroflorestais comunitários, da ESCAS - Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade (do IPÊ), que envolveu alunos de mestrado em teses e produtos relacionados aos componentes acadêmicos do projeto, e da WeForest, uma Instituição Internacional, importante parceira do IPÊ e que colabora com recursos de contrapartida para restauração florestal.

 

 


Um dos maiores prêmios de conservação do mundo, o National Geographic Society/Buffett Award for Leadership in Conservation (Prêmio National Geographic Society/Buffett para Liderança em Conservação) foi entregue no dia 12 de junho, em Washington DC (EUA), para a brasileira Patrícia Medici, cientista que é referência mundial nos estudos sobre a anta brasileira (Tapirus terrestris), há mais de 23 anos. O prêmio também foi dado a Tomas Diagne, que atua há mais de 25 anos na conservação de tartarugas de água doce ameaçadas de extinção. A premiação destaca o trabalho de cientistas na conservação de vida selvagem e recursos naturais e é oferecida todos os anos a profissionais de dois continentes, África e América do Sul.

Patrícia Medici é idealizadora e coordenadora da INCAB - Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira, do IPÊ. Ela também é presidente do Grupo de Especialistas em Antas (Tapir Specialist Group – TSG) da Comissão de Sobrevivência de Espécies (Species Survival Commission – SSC) da União Internacional para a Conservação da Natureza (International Union for the Conservation of Nature – IUCN), onde coordena uma rede global de mais de 130 conservacionistas de anta em 27 países diferentes.

"Este prêmio é, sem dúvida, um dos mais importantes reconhecimentos que já tivemos por nossos esforços de conservação da anta brasileira em mais de duas décadas de trabalho. Isso aumenta ainda mais nosso compromisso com a conservação da espécie e com a biodiversidade brasileira. Mais importante, indica o quanto a pesquisa científica de longo prazo gera resultados relevantes. Ter a certeza de que nosso trabalho pode contribuir e ser modelo para projetos de conservação no mundo todo, transformando a realidade das quatro espécies de anta por suas áreas de ocorrência ao redor do planeta, é uma de nossas maiores conquistas. Estamos emocionados!", afirmou Patrícia.

Patrícia atua há mais de 23 anos na conservação da anta brasileira e de seus habitats remanescentes no Brasil. Todos os resultados obtidos através das pesquisas científicas realizadas pela INCAB-IPÊ são aplicados no desenvolvimento e implementação de estratégias e ações voltadas para a conservação da espécie e dos biomas brasileiros onde ela ocorre.  O trabalho no país acontece desde 1996, através de programas de monitoramentos de longo-prazo nos biomas Mata Atlântica (1996-2007), Pantanal (2008 – em andamento) e Cerrado (2015 – em andamento). A premiação coincide com o importante momento no qual a equipe da INCAB-IPÊ estará ampliando seus esforços para a Amazônia, sendo este o quarto e último programa a ser implementado no país.

O prêmio foi entregue durante o National Geographic Explorers Festival, evento que reúne cientistas inovadores, conservacionistas, exploradores, educadores, empreendedores, contadores de histórias e muito mais, sendo estes provenientes de todas as partes o mundo e os quais se reúnem anualmente para compartilhar suas histórias, descobertas e soluções para a criação de um futuro mais sustentável.

PESQUISA CIENTÍFICA PREMIADA E RECONHECIDA

Os esforços da pesquisadora Patrícia Medici pela conservação da anta brasileira já receberam outros reconhecimentos pelo mundo.  Já são mais de 10 premiações diferentes que reconhecem os resultados, alcance e legado deste trabalho, compromisso e dedicação. Entre os prêmios estão o Harry Messel Conservation Leadership Award, em 2004; Future for Nature Award, Holanda, em 2008; Whitley Award, Reino Unido, também em 2008; Columbus Zoo Commitment to Conservation Award, Estados Unidos, em 2017; William G. Conway International Conservation Award, Estados Unidos, em 2018, entre outros.

Fotos: Paul Morigi/Getty Images for National Geographic