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O projeto Monitoramento Participativo da Biodiversidade realizou mais um curso de capacitação de monitores. Desta vez, na Floresta Nacional (Flona) Jamari, em Itapuã do Oeste, Rondônia. O Curso de Monitores da Biodiversidade - Componente Florestal, ocorreu no auditório da Madeflona e no interior da Flona. A capacitação é uma tarefa fundamental para o processo de gestão das Unidades de Conservação (UCs) e na Flona Jamari, já são 100 monitores aptos à realização do monitoramento.

Durante o encontro participaram 21 pessoas, entre elas alunos da Universidade Federal de Rondônia, colaboradores do Parque Nacional do Mapinguari, funcionários da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental - SEDAM e moradores de Itapuã do Oeste.

Para dar conta dessa tarefa participaram como instrutores e apoio os pesquisadores do IPÊ, Camila Lemke e Paulo Henrique Bonavigo, o analista ambiental da Flona Samuel dos Santos Nienow e os monitores Natieli Quadros, Gesiana Kamila Miranda, Zeziel Ferreira, Wesley Duarte, Bruno Zenke e Poliana Pereira.

Os alunos vivenciaram a prática de instalação e revisão de armadilhas de borboletas e foram capacitados quanto a biologia e identificação em uma das trilhas do monitoramento. Foi também realizada a prática de censo de aves e mamíferos e prática de coleta de dados de plantas lenhosas.

O projeto “Monitoramento Participativo da Biodiversidade em Unidades de Conservação da Amazônia”, é uma parceria entre o IPÊ e ICMBio, com apoio da USAID, Gordon and Betty Moore Foundation e Programa ARPA.

 

 

 

Dia 27 de abril o mundo todo celebra as quatro espécies de anta conhecidas na natureza. Este animal, cheio de peculiaridades físicas, como uma pequena tromba conhecida como “probóscide”, é um dos mais antigos habitantes do nosso planeta (fósseis encontrados na América do Sul datam de 2,5 a 1,5 milhão de anos atrás). Mas, apesar de tantos motivos para comemorar a vida destes animais, eles se encontram na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas de Extinção, tamanhos os impactos das ameaças sofridas por eles.

Para falar sobre a importância da data, convidamos seu criador, ANTHONY LONG, para responder algumas perguntas.

Qual foi o objetivo principal quando criou o Dia Mundial da Anta? Como você acha que isso pode contribuir com a causa da conservação da anta?

Eu comecei o Dia Mundial da Anta em 2008 porque queria fazer algo para ajudar a proteger as antas. Eu não sou cientista, conservacionista, ecologista - ou qualquer outro tipo de pesquisador. Estudei ciências sociais e trabalhei com marketing e recursos humanos, e estive envolvido com educação na universidade. Minhas habilidades são em promoção e educação.

Depois que me apaixonei por antas no início dos anos 2000, percebi muito rapidamente que elas eram relativamente desconhecidas - mesmo nos países em que existiam. Ao contrário dos elefantes, rinocerontes, leões, tigres e outros mamíferos de grande porte, as antas não aparecem na mente da maioria das pessoas. As pessoas não sabiam o que são as antas, não apareciam em filmes, livros infantis ou de qualquer outra maneira que outros animais - mais populares - apareciam. Mais tarde soube que ser chamado de "anta" era um insulto no Brasil!

Como meu amor por antas cresceu, eu queria fazer algo para ajudar, e no final de janeiro de 2008, o Dia Mundial da Anta tornou-se real. O primeiro ano foi uma atividade rápida apenas online. Sempre foi intenção de que o Dia Mundial da Anta desenvolvesse uma vida própria - e isso aconteceu. Desde 2008, os eventos foram celebrados em pelo menos 25 países e Belize criou o Dia Nacional da Anta no mesmo dia.

Desde então, o aumento da conscientização sobre a anta em muitos países tem sido fantástico. Os esforços de Patricia Médici, da Sociedade da Natureza da Malásia e de muitos outros fizeram a diferença. Espero que o Dia Mundial da Anta tenha contribuído de alguma forma também.

Por que 27 de abril?

A data foi cuidadosamente planejada. Foi escolhido porque na época não havia nenhum evento significativo em nenhum outro lugar do mundo, não entre em conflito com a Páscoa (cai depois da última data possível) e por ser em abril, há probabilidade de um clima melhor na maioria dos países para que eventos ao ar livre pudessem acontecer. Outro ponto é que a anta April, um dos primeiros animais resgatados no zoológico de Belize tem seu aniversário comemorado todos os anos em abril com muita publicidade.

Como as pessoas podem contribuir para a conservação das quatro espécies de anta?

Há uma série de formas: 

Apoiar organizações que protejam os habitats de anta e participem de pesquisas relacionadas à anta. 
Ser um consumidor educado. Comprar produtos de origem sustentável, reduzir o consumo e minimizar o consumo de óleo de palma;
Se alguém mora em uma área onde as antas vivem, dirigir com segurança - especialmente ao entardecer e ao amanhecer. Antas são frequentemente vítimas de colisões com veículos;
Falar sobre as antas com as pessoas! Não há pessoas suficientes que saibam sobre as antas - elas são confundidas com porcos-formigueiros, tamanduás, quatis ou descartadas como porcos;

As antas são inteligentes, carismáticas e cheias de personalidade. Elas merecem muito mais reconhecimento do que recebem. Sim, existem muitas espécies em risco de extinção - e muitas são ainda menos conhecidas do que as antas. Antas são particularmente importantes em seus ecossistemas. Ajudar na proteção das antas é proteger também muitas outras espécies - elas realmente são uma espécie guarda-chuva.

No Brasil, a palavra “anta” é usada injustamente como um termo pejorativo para definir alguém que não tem inteligência. É o equivalente a idiota nos Estados Unidos. Como você acha que podemos mudar isso?

Através da educação, acima de tudo. Mudar as atitudes das pessoas leva tempo, especialmente quando se trata de usar termos pejorativos. Destacando a importância das antas para o ecossistema, mostrando quão inteligentes e carismáticas elas são, e como elas são um tesouro nacional que precisa ser protegido, são algumas maneiras. Pode ser um desafio inicialmente, mas ter empresas orgulhosas em usar "anta" em seus nomes e em seus logotipos - transformando o termo em algo positivo.

Vai levar tempo, com certeza. Mas é possível. Os pandas tornaram-se um símbolo da conservação da vida selvagem através do logotipo da WWF, e através da crescente conscientização dos perigos que enfrentam. O governo chinês abraçou totalmente a conservação do panda como uma missão.

As antas são vistas de forma positiva em países nos quais não são encontradas na natureza - Japão, Coréia, Alemanha e Reino Unido -, para citar algumas. Se as pessoas desses países conhecem e apreciam as antas, isso mostra que é possível mudar atitudes. Da mesma forma, as atitudes na Malásia começaram a mudar na última década, e há uma maior conscientização sobre a importância das antas para o país. Isso pode ser possível no Brasil.

 

No próximo sábado, comemora-se no mundo o "Dia Mundial da Anta". Sim, temos uma data para isso!

No Brasil, a anta talvez seja o animal mais injustiçado. Isso porque o seu nome é sempre usado de maneira pejorativa, como um ser com pouca inteligência. Não é bem assim! Veja porquê.

5 curiosidades e motivos para que o mundo todo celebre o DIA DA ANTA e contribua na conservação da espécie:

1) CONHECENDO O MAIOR MAMÍFERO TERRESTRE DA AMÉRICA DO SUL – A ANTA BRASILEIRA

Pesando entre 180 e 300 quilos e com cerca de 1,10 até 2 metros de comprimento, a anta brasileira é considerada o maior mamífero da América do Sul. A anta é um animal bastante peculiar, possui uma pequena "tromba" conhecida como probóscide, uma crina curta e estreita ao longo do pescoço, pele acinzentada, orelhas com as pontas brancas e patas com diferentes números de dedos, sendo três nas patas da frente, e quatro nas anteriores. Outra curiosidade é que é um animal noturno/crepuscular, que descansa nas horas mais quentes do dia.

Sua gestação dura cerca de 13-14 meses e a fêmea gera apenas um único filhote, demorando até 5 meses para entrar no cio novamente, o que leva a fêmea a reproduzir um filhote a cada um ano e meio ou até mesmo dois anos.

2) A JARDINEIRA DAS FLORESTAS

As antas são animais herbívoros que ingerem entre oito e nove quilos de alimento por dia, incluindo folhas, ramos, brotos, caules, cascas de árvores, plantas aquáticas e frutos. E sabe o que acontece quando as sementes dos frutos consumidos chegam até o estômago da anta?  São potencializadas!

Com uma área de uso de aproximadamente 500 hectares (cerca de 500 campos de futebol), a anta é uma ótima dispersora de sementes por todo o seu habitat, sendo este o principal papel ecológico desempenhado por este animal. As antas são grandes responsáveis pela formação e manutenção da biodiversidade.

3) DETETIVE ECOLÓGICA E ESPÉCIE SENTINELA

A anta se movimenta por grandes distâncias dentro de sua área de uso e entre fragmentos de floresta, conectando diferentes tipos de habitat. Por esta razão, é considerada como "detetive ecológica", contribuindo na compreensão das inter-relações entre o mosaico de habitats da paisagem.

Adicionalmente, a anta é considerada "espécie sentinela", capaz de alertar para os riscos presentes no ambiente onde outras espécies da fauna, animais domésticos e comunidades rurais vivem. Pesquisas científicas através de amostras biológicas de anta tais como sangue, tecido, entre outras, têm identificado substâncias perigosas que estão presentes nas regiões de estudo, tais como elevados níveis de agrotóxicos.

4) ESPÉCIES ENCARAM POSSÍVEL EXTINÇÃO          

As quatro espécies de anta existentes no mundo estão elencadas na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas de Extinção da IUCN - União Internacional para a Conservação da Natureza, um dos inventários mais detalhados do mundo sobre o estado de conservação da natureza. No caso das antas, significa que todas elas estão ameaçadas de extinção.

5) ANIMAL MAIS INJUSTIÇADO DA LÍNGUA PORTUGUESA

É bastante provável que você já tenha usado ou escutado outras pessoas usarem a palavra "anta" como termo pejorativo, destinado a pessoas desprovidas de inteligência, tolas ou que cometem algum ato estúpido. Isto ocorre apenas no Brasil.  Esta injustiça é exposta pela ciência quando, em estudos relacionados a quantidade de neurônios no cérebro, comprovou-se que a anta é um animal muito inteligente.

Este é um dos motivos que mais afastam as pessoas da causa da conservação da anta no Brasil. Afinal, com esta associação tão negativa, como as pessoas podem desenvolver um senso de orgulho por este animal?

Ao ouvir isso por aí, esclareça imediatamente: #antaÉelogio!

 

 


Raras vezes, infelizmente, podemos dizer que perdemos uma joia humana quando alguém se vai. Este é o sentimento que temos com a morte de Don Melnick. Don foi amigo do IPÊ desde que nos conheceu em 1993, por meio de sua mulher, Mary Pearl, conservacionista, parceira e amiga, hoje nossa conselheira institucional.

Professor da Universidade de Columbia, pesquisador renomado em genética e evolução, passou a vida tecendo conhecimentos ligados à conservação e à sustentabilidade, juntando pessoas e abrindo portas para que coisas boas pudessem acontecer no planeta. Contribuiu com a história do IPÊ significativamente, trazendo por anos a fio alunos de sua destacada Universidade para programas de intercâmbio e cursos em nossa sede ou projetos de campo. Ministrou a aula inaugural do mestrado da Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade (ESCAS/IPÊ), e sempre apoiou nossas iniciativas no campo da educação. Criou muitos programas, como o Center for Environmental Research and Conservation (CERC), que juntou instituições e pesquisadores de diversos cantos do mundo, inclusive nós, do IPÊ. Elaborou documentos, publicou em diversas mídias e proferiu palestras que mudaram o rumo da história.

 

Screen Shot 2019 04 24 at 18.55.02Confiança era uma de suas qualidades, que aliás não faltavam. Detectava o que cada pessoa ou instituição tinha de melhor e adubava o solo com conhecimentos e interconexões para que germinassem projetos promissores. Integridade era outra qualidade que marcou sua trajetória  pessoal e profissional. Além disso, inspirava ousadia e inovação, mas agindo com discrição, sem chamar atenção sobre si mesmo, mas sobre as causas que defendia. Um verdadeiro líder - exemplo a ser seguido.

Felizes daqueles que tiveram a sorte e a honra de cruzar seu caminho. O IPÊ teve mais que isso. Foi privilegiado por caminhar junto por tantos anos, fazendo sonhos tornarem-se realidade. Vamos sentir sua falta, Don Melnick. O planeta também! Que você encontre outro local bem especial onde possa propiciar coisas boas, como  fez aqui em sua curta permanência entre nós. Nosso enorme e sincero abraço com muita ternura e gratidão! Saiba, onde quer que esteja, que a Mary e seus filhos, Memy e Seth, serão sempre acolhidos no IPÊ com imenso carinho.

Fotos:

1 - Don Melnick (primeiro à esquerda) visita o primeiro escritório do IPÊ em Manaus (Amazônia).

2 - Claudio Padua e Don Melnick na aula inaugural do Mestrado Profissional da ESCAS.

 

 

 

 

No rio Uatumã, em Presidente Figueiredo (AM), encontra-se o lago da Usina Hidrelétrica de Balbina (UHE Balbina), com mais de 2,3 mil km2. Ali, o principal atrativo pesqueiro é o tucunaré. Para avaliar como a pesca acontece e de que forma é possível realizar um melhor manejo da atividade para que esta possa ser sustentável na região, 100 pescadores fazem o monitoramento de três espécies de tucunarés que são pescadas no lago. A atividade acontece desde 2014, via projeto Monitoramento Participativo da Biodiversidade, uma parceria do IPÊ com o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade). Os pescadores levantam informações sobre a atividade durante oito meses do ano, paralisando apenas nos quatro meses do defeso (quando é proibida a pesca, de 15 de novembro a 15 de março). 
 
O monitoramento participativo do desembarque de tucunarés se tornou uma importante ferramenta para auxiliar na tomada de decisões sobre a gestão da pesca no lago da UHE de Balbina. Os pescadores passam as informações coletadas e os formulários são preenchidos por dois monitores no porto da Vila de Balbina e dois monitores no porto da comunidade Boa União do Rumo Certo.
 
Para trocar informações sobre essa atividade, hoje fundamental para os pescadores e para a conservação do peixe, foram realizados no mês de março encontros chamados Diálogos do Monitoramento Participativo. Fizeram parte desses eventos 63 participantes na Comunidade Boa União do Rumo Certo e 51 participantes na Vila de Balbina. que são usuários do lago e monitores. Além disso, representantes da Reserva Biológica do Uatumã (Rebio Uatumã), IPÊ, Sindicato de Pescadores de Presidente Figueiredo e Colônia de Pesca Z-6 também participaram deste, que é um momento de troca de conhecimentos e melhorias da atividade de monitoramento. 
 
Nos encontros, foram apresentados os dados do monitoramento de desembarque de tucunarés 2018 e avaliada a temporada de pesca 2018 no lago de Balbina. O momento também marcou a reabertura do lago para a temporada de pesca 2019. Em 2018, os monitores registraram a pesca de 13126 unidades do peixe. (7835,5 quilos). Os dados passarão por análises comparativas aos anos anteriores e as informações servirão para futuros planejamentos para a pesca sustentável na região.
 
Durante os encontros, os monitores puderam falar não só dos resultados, como também sobre a sua atividade. “Não é uma fiscalização, é um monitoramento e nós não temos poder nem mesmo para abrir a caixa de um pescador se ele não quiser, mas para que a gente possa contribuir para melhorar, isso não depende só do governo, não depende só dos monitores, depende de todos, depende não somente da compreensão, mas da colaboração dos pescadores”, comentou Josimar Nogueira/Monitor IPÊ-Boa União do Rumo Certo (foto). Ele afirma que existe uma troca entre os monitores e os pescadores para a execução desse trabalho. “A gente também tem uma função de esclarecimento a pessoa tem uma dúvida, inclusive nas leis, nas regras do monitoramento e a gente tá disponível não só para informar, mas também passar materiais que possam esclarecer”, diz.
 
De acordo com Jeanne Gomes, consultora do IPÊ, os diálogos são importantes para a transparência do processo de monitoramento e fortalecer a atividade. "Ali, é possível esclarecer as dúvidas e fazer com que a população se sinta parte do que está sendo construído, que é uma pesca com vistas a beneficiar a todos, de maneira contínua, sustentável para esta e as futuras gerações. Isso só é possível com a comunidade engajada, participando dos processos", afirma.