Assentados rurais do Espírito Santo participam de curso gratuito sobre SAF. Café sombreado foi um dos temas mais comentados
Assentados rurais do Espírito Santo participam de curso gratuito sobre SAF. Café sombreado foi um dos temas mais comentados

O projeto “Educação, Paisagem e Comunidade”, realizado pela ESCAS e IPÊ no Espírito Santo, promoveu nos dias 5, 6 e 7 de abril o curso de Capacitação em Sistemas Agroflorestais (SAFs) e Conservação Ambiental para assentados rurais de Águia Branca e Alto Rio Novo.

curso saf es abrilO curso reuniu cerca de 100 pessoas e tratou sobre um modelo de produção mais sustentável, que melhora a qualidade da produção e ao mesmo tempo conserva recursos naturais muito importantes para a região, como a água. Além disso, agrega valor também a produtos que já são cultivados na região (como o café), já que são produzidos com mais qualidade e sem o uso de agrotóxicos.

Representantes das associações dos assentamentos Rosa de Saron e Boa Esperança, além de membros dos sindicatos dos trabalhadores rurais das cidades participantes e profissionais da Fundação Renova estiveram presentes ao longo dos dias acompanhando as aulas com os profissionais do IPÊ, entre eles o professor Haroldo Borges Gomes, que conduz projetos de SAFs no Pontal do Paranapanema. O trabalho do IPÊ no oeste paulista inspirou as ações no Espírito Santo.

“A participação dos assentados nos surpreendeu. Apesar de estarem já na época da colheita de café e com muito trabalho no campo, reservaram um tempo para ouvir sobre esse novo modelo, o que demonstra que há interesse e comprometimento em tentar novas formas de produção”, afirma Vanessa Silveira, educadora e mobilizadora social do projeto.

A produção de café nessa região do Espírito Santo já é tradicional. Por essa razão, os produtores puderam tirar dúvidas com relação ao plantio dessa cultura dentro do modelo do SAF, ou seja, entre árvores da Mata Atlântica, na sombra, e sem agrotóxicos. A comercialização também foi um ponto bastante discutido, já que se trata de um produto com maior valor agregado, por ser orgânico.

Matheus Nogueira, morador do assentamento Beija-Flor e moderador do projeto afirma que o curso foi muito positivo e acredita que o café tem um grande potencial para ser produzido sob esse sistema na região. “As pessoas com quem eu conversei ficaram animadas em testar a ideia porque já conhecem a produção do café. O SAF é novo pra gente, ainda não temos essa cultura de produzir café orgânico, mas acredito que é uma questão de falar mais sobre isso, de educar mesmo. É uma produção que garante mais valor ao produto e pode ser bastante benéfico para as famílias”, diz.

No Pontal do Paranapanema, local onde o IPÊ desenvolve SAFs com café há mais de 20 anos, os resultados são relevantes para as famílias que adotaram o sistema. O produto é comercializado em cidades como São Paulo e também consumido pelas famílias.

“Sem contar que a produção gera bem estar para a natureza, porque usa árvores nativas, e bem estar ao próprio agricultor, porque trabalha na sombra e com uso de menos defensivos agrícolas”, afirma Haroldo Borges, orientador do curso e também assentado rural no Pontal do Paranapanema, onde atualmente monitora o trabalho com café junto a 51 famílias.