Corredores de Vida ganham mais 170 mil novas árvores nativas

Em Marabá Paulista (SP), cerca de 83 hectares da fazenda São Paulo, anteriormente cobertos por pastagem, agora estão restaurados com árvores nativas do bioma Mata Atlântica. A área de aproximadamente três quilômetros recebeu cerca de 200 mil mudas de árvores e faz parte de um corredor que liga a Estação Ecológica Mico-Leão-Preto (ESEC MLP) a um fragmento de mata nativa situada na fazenda São Paulo, na região do Pontal do Paranapanema, extremo Oeste do estado de São Paulo.

Foram, aproximadamente, sete meses de plantio (março a outubro/2021) para concluir o corredor ecológico que fica ao Norte do Parque Estadual Morro do Diabo (PEMD). Com a finalização dessa restauração a região ganha mais uma importante conexão de floresta, com a criação dos corredores ecológicos e a ligação entre as Unidades de Conservação ESEC MLP e o PEMD e importantes fragmentos isolados na paisagem.

Esse plantio é uma parceria entre o IPÊ e o proprietário rural Wilson Kozo Koga, responsável por ceder a área e por contribuir com o projeto, cercando e preparando o solo para o plantio das mudas. Já ao IPÊ coube a articulação com investidores nacionais e internacionais para angariar recursos financeiros, além de fazer toda a governança do projeto como a contratação da equipe de plantio, aquisição de mudas nativas, manutenção e monitoramento do restauro ecológico. A restauração florestal é uma forma do proprietário se adequar ao Novo Código Florestal que exige que 20% da área da propriedade seja preservada ou reflorestada.

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A previsão, segundo os técnicos do IPÊ, é que uma década é o tempo suficiente para o corredor se transformar em floresta bem estruturada. No entanto, em dois anos, as árvores pioneiras e de crescimento rápido como Sangra d’água (Croton urucurana), Aroeira Pimenteira (Schinus therebimthifolia), Canafistula (Peltophorum dubium), Angico (Anadenanthera colubrina), entre outras, estarão com cinco metros de altura. Nesse estágio, a área já abriga animais silvestres, aves, polinizadores e anfíbios que contribuem com a manutenção e conservação da biodiversidade.  Além de servir como elo de ligação, pois esse corredor é de extrema importância para a conservação de populações de micos-leões-pretos (Leontopithecus chrysopygus) que até então viviam isolados no fragmento da mata nativa das fazendas São Paulo e Santa Mônica. A conexão agora vai facilitar a formação de novos grupos não parentes, ampliando a variabilidade genética de forma a perpetuar a espécie, uma vez que a reprodução entre um grupo pequeno dentro da mesma família, traz sérios problemas genéticos que podem levar a espécie à extinção.

Na avaliação do coordenador de projetos do IPÊ, Haroldo Borges Gomes, os  benefícios dos corredores são inúmeros como ligar fragmentos, conectar espécies isoladas, regularizar os passivos ambientais das propriedades com base no Cadastro Ambiental Rural, além de deixar um legado para as futuras gerações no quesito biodiversidade. É também uma das soluções para a crise hídrica. “É um orgulho estar envolvido neste projeto de conservação de vidas e que vai garantir a biodiversidade para a região e gerações futuras”, disse.

Quem também está orgulhoso com a conclusão do plantio do corredor ecológico é o funcionário da fazenda São Paulo, Bruno Garcia Barbosa. Ele conta que no trecho onde o plantio foi iniciado já é possível ver rastros de animais como da anta-brasileira (Tapirus terrestres), e a presença de alguns pássaros, os quais, anteriormente, não eram comuns na área. Ele ainda pontua a importância da parceria entre o IPÊ. “Com esta união todos ganham, principalmente, a natureza que está sendo recuperada. É gratificante saber que meus filhos, meus netos vão poder contemplar as belezas dessa mata que irá se formar aqui”.

Além, dos ganhos ecológicos desse projeto há também os ganhos financeiros, pois, o IPÊ envolve a comunidade através da aquisição de mudas nos viveiros comunitários de Teodoro Sampaio e Mirante do Paranapanema e a contratação de mão de obra para o plantio.