Tartarugas da Amazônia: monitoramento avança em Parque Nacional e Reserva Extrativista

Pesquisadores realizaram mais uma fase do monitoramento de quelônios amazônicos no Parque Nacional (Parna) do Jaú e na Reserva Extrativista (Resex) Unini, no Amazonas, entre 22 de outubro e 02 de novembro. A atividade integra o projeto Monitoramento Participativo da Biodiversidade em Unidades de Conservação (MPB), uma realização do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas. Nessa ação, o projeto analisou os dados de quatro espécies de quelônios: tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa), tracajá (Podocnemis unifilis), iaçá (Podocnemis sextuberculata) e irapuca (Podocnemis erythrocephala). 

Por meio dessa ação, os pesquisadores obtiveram dados sobre o deslocamento dos indivíduos dentro de um mesmo rio, estimativas como taxa de crescimento, razão entre os sexos e faixa etária dos indivíduos por espécie. A coleta é realizada com uma rede de captura. Os animais são coletados, marcados e soltos. “Tais resultados são importantes para gerar subsídios para a gestão de áreas protegidas com base no estado de conservação das espécies”, afirma Virgínia Bernardes, coordenadora científica do projeto. Os indicadores proporcionam análises populacionais de quelônios que historicamente recebem pressão de caça, uma vez que são recurso alimentar na Amazônia.

 Virginia CORTE credito Alexandre da Silva Souza Copia 

Crédito da foto: Alexandre da Silva Souza

A ação contou em um primeiro momento com ciclo de capacitação entre comunitários e monitores de biodiversidade nas regiões dos Rios Jaú e Unini. Já a segunda etapa consistiu na coleta de dados a partir do protocolo “Ninhos Protegidos” que inclui material para realização do monitoramento dos ninhos até o nascimento dos filhotes. O monitoramento é realizado por voluntários das comunidades entre os meses de setembro até janeiro com orientação dos pesquisadores do IPÊ.  

MPB Quelonios

Crédito da foto: Alexandre da Silva Souza 


Até 2020, a equipe monitorou: 1.199 indivíduos de quelônios aquáticos registrados, 22.757 ninhos e 851.571 filhotes nascidos. 

As expedições simultâneas nos rios Unini e Jaú são realizadas por equipes formadas por monitores locais, voluntários, técnicos e pesquisadores. Pesquisadores, voluntários e estudantes de graduação vinculados ao IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas e ao CEQUA - Centro de Estudos dos Quelônios da Amazônia do INPA - Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia estiveram à frente da equipe técnica, unindo a prática com aprendizado.

Saiba mais sobre o MPB 

Conheça o Livro Monitoramento Participativo da Biodiversidade - Aprendizados em Evolução:

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Sobre o MPB

O Projeto de Monitoramento Participativo da Biodiversidade em Unidades de Conservação da Amazônia (MPB) apoia a implementação do Programa Nacional de Monitoramento da Biodiversidade (Monitora), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e conta com apoio da Fundação Gordon e Betty Moore, USAID, Programa ARPA e mais de 20 instituições locais.

Desde 2013, o projeto realiza o monitoramento participativo da biodiversidade e promove o envolvimento socioambiental para o fortalecimento da gestão e da conservação da biodiversidade em unidades de conservação da Amazônia. Esse processo é estratégico para entender e moderar a extensão de mudanças que possam levar à perda de biodiversidade local, subsidiar o manejo adequado dos recursos naturais e promover a manutenção do modo de vida das comunidades locais e a obtenção de renda de maneira sustentável. A principal motivação do MPB é fomentar a participação social como alicerce para compreensão e conservação da biodiversidade.