Conexões entre pessoas e instituições garante sucesso na restauração florestal

“Uma agenda de esperança”. É desta forma que Daniel Arrifano Venturi, Mestre pela ESCAS, define o objeto de seu trabalho: a restauração florestal. Analista de Conservação e Restauração para a Mata Atlântica no WWF Brasil, Daniel lidera essa frente com um olhar amplo e os ouvidos atentos, como ele mesmo explica.

“Minha grande especialidade é ser um generalista. Para fazer restauração, você precisa saber dialogar com proprietários rurais, empresários, comunidades... Só se consegue avançar na agenda da restauração, criando espaços seguros para o diálogo. Sempre digo que a agenda de restauração cria uma rede de afeto. É muito importante engajar as pessoas para algo comum e importante”.

flavia danial projeto copaiba 1Junto com a Associação Ambientalista Copaíba, ele desenvolve o projeto piloto Raízes , no interior de São Paulo, apoiado pela empresa International Paper. O trabalho começou a se desenvolver de forma mais intensa após o Mestrado Profissional na escola do IPÊ, fruto de uma parceria com a também egressa da ESCAS Flavia Balderi, fundadora e secretária executiva da ONG. A possibilidade de desenvolver um produto final orientado para uso prático, como é a proposta da escola, segundo ele, o ajudou a compreender e mergulhar em temas decisivos sobre restauração florestal. (Na foto, Daniel está na ponta direita, ao lado de Flávia).

“Restaurar florestas é muito mais do que plantar árvores. Você tem que fortalecer tudo o que envolve a atividade para tornar isso possível e sustentável ao longo do tempo, garantindo uma continuidade, especialmente financeira. Essa, dentre tantas outras questões, como a importância de uma ferramenta 2.0 de monitoramento, como capacitar as pessoas e organizações para restauração ou ainda como manter o produtor rural engajado no processo, foi fruto de uma grande reflexão que o Mestrado proporcionou e que hoje eu aplico nesse projeto”, comenta.

O projeto sensibiliza produtores rurais para a restauração florestal e pretende plantar 200 hectares até 2024, somando ainda mais árvores à regeneração ambiental que a associação já promove desde 1999, na região de Socorro, interior de SP. “Um dos desafios de restaurar é o custo, então a gente une conhecimento técnico, apoio financeiro, contato com pessoas, rede de oportunidades entre outros atores para que isso de fato aconteça e que a gente possa acompanhar o crescimento dessas florestas. As parcerias são fundamentais para a cadeia da restauração florestal. Sem elas os resultados são muito lentos ou a gente não ganha escala, então precisamos ter essa união”, afirma Flavia Balderi.