Programa de Conservação do Mico-Leão Preto retoma pesquisas no campo

Com a reabertura de Unidades de Conservação, as atividades de campo do Programa de Conservação do Mico-Leão-Preto foram retomadas em setembro. A equipe retornou ao Pontal do Paranapanema para dar continuidade ao trabalho de pesquisa de longo prazo para a conservação da espécie.

A retomada aconteceu na Estação Ecológica Mico-Leão-Preto/ICMBio. Para que isso fosse possível, a equipe seguiu um protocolo estrito de biossegurança, buscando garantir ao máximo a proteção aos micos e aos profissionais envolvidos. Os pesquisadores e assistentes de campo contam com equipamentos de proteção ainda mais específicos para evitar qualquer contaminação por SARS-CoV2. Além disso, outra aplicação nova no campo é o uso de anestesia inalatória nos animais capturados para pesquisa, que diminui muito o tempo de manipulação dos bichos.

No período de pausa das atividades, a equipe do IPÊ passou por treinamentos para aplicação desses novos protocolos e agora aplica todas as recomendações elaboradas para trabalhos com primatas durante esse período de reabertura das áreas naturais.

A expedição de retorno ao campo envolveu captura de micos-leões-pretos para coleta de amostras que serão destinadas a diversas análises, feitas em parceria com universidades como Unesp e UFSCar. São análises laboratoriais e de material genético, hormônios e isótopos.

Também foram colocados rádios-colares para dar andamento ao monitoramento dos micos na natureza. Um dos micos capturados também recebeu uma mochila de GPS com acelerômetro, que coleta informações sobre sua movimentação de forma tridimensional. Com isso, além do movimento bidimensional registrado pelas coordenadas do GPS, os acelerômetros nos permitem entender como esses animais usam as árvores, verticalmente.

Com esse equipamento, o programa de conservação consegue estimar o gasto energético diário dos micos em diferentes florestas e avaliar se existe variação em áreas mais preservadas ou degradadas. Os resultados dessa pesquisa vão guiar as ações de restauração, pra que os micos possam ter um ambiente mais apropriado para viver e se reproduzir.

Outras duas expedições nos fragmentos florestais do Pontal do Paranapanema estão previstas até o final do ano.