Primeiro encontro de parceiros marca início da ação em rede do projeto LIRA/IPÊ pelas Áreas Protegidas da Amazônia

 

Um grande encontro, no dia 30 de julho, marcou oficialmente a formação da rede de parceiros do projeto LIRA - Legado Integrado da Região Amazônica. De forma remota, devido à pandemia, o IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas realizou a primeira reunião entre os parceiros do projeto, que irão atuar em rede pela conservação das 47 Áreas Protegidas da Amazônia, um território que abrange 40 milhões de hectares. São 82 instituições, entre associações indígenas e extrativistas, organização da sociedade civil, empresas, cooperativas, instituições de pesquisas e governamentais. Essa rede implementará ações de fomento à bioeconomia, planejamento e gestão territorial, integração regional, estruturas de governança, monitoramento e proteção.  

Mais de 70 pessoas, de várias Organizações da Sociedade Civil da Amazônia, além dos financiadores do projeto - Fundo Amazônia/BNDES e Fundação Gordon e Betty Moore - e órgãos governamentais (ICMBio, SEMA-AM, IDEFLOR-Bio, SEDAM-RO e SEMA Almerin PA) passaram o dia conectados, dialogando sobre os impactos das ações que serão implementadas frente aos cenários de pandemia e pós-covid, principalmente quanto aos benefícios dessas ações para as Áreas Protegidas e os povos tradicionais que vivem nesses territórios.

“Este é um momento de integração importante, no qual reunimos todos aqueles que vão atuar conosco e construir a rede de ação do LIRA. Temos a consciência coletiva no grupo de que as áreas protegidas garantem o futuro da Amazônia, por meio de seus ativos naturais e sabedoria ancestral dos povos da floresta. Sabemos o quanto é necessário fortalecer essas áreas protegidas para manter a floresta em pé, contribuir com a segurança climática, conservar a biodiversidade, a cultura e o favorecer o desenvolvimento socioeconômico em longo prazo. O LIRA é um arranjo colaborativo que se propõe a tornar eficiente a execução direta de ações nas áreas protegidas numa escala geográfica que abrange cinco estados e 54 municípios. Nosso plano é potencializar e multiplicar o impacto para beneficiar 35 mil pessoas diretamente”, afirma Fabiana Prado, Gerente de Articulação do IPÊ e responsável pelo projeto.

O projeto LIRA/IPÊ é o segundo maior programa de conservação brasileiro. Foi inspirado e desenhado para complementar o Programa ARPA – Áreas Protegidas da Amazônia, incluindo as Terras Indígenas à iniciativa. O arranjo executivo do LIRA envolve o Fundo Amazônia, a Fundação Moore - instituição internacional, o IPÊ e a rede de parceiros. Um formato inédito, como define André Ferro, gerente de Meio Ambiente e Gestão do Fundo Amazônia/BNDES.

“Em 2016, o Fundo Amazônia queria construir uma carteira forte de projetos em formatos que tivessem um grande impacto, e foi nessa linha que a gente discutiu o LIRA. Algo que envolvesse várias instituições em um volume que pudesse ser administrado, e que tivesse um impacto. A parceria com uma organização internacional alocando recurso para isso acontecer também é inédita. Foi ótimo ter esse formato diferente de projeto, cada um colocando uma parcela de recursos, mas no final o resultado é de todos, incluindo as organizações hoje aqui presentes”, afirmou André, durante o encontro.

O LIRA promoverá aumento na efetividade de gestão das áreas protegidas para que formem uma barreira e sejam um vetor resiliente para manutenção da floresta em pé e para o combate a grandes ameaças. Para isso, o projeto promoveu um edital, em 2019, e selecionou oito Organizações da Sociedade Civil que vão trabalhar em conjunto com outras 37 instituições locais, com uma série de ações no território: estruturação e fomento aos negócios de impacto social relacionados à bioeconomia; elaboração e implementação de plano de gestão territorial e ambiental (PGTA); planos de manejo florestal; mecanismos de governança; sistemas de monitoramento e proteção; uso de tecnologias para gestão e proteção; integração com desenvolvimento regional; e acesso as políticas públicas.

A Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé é uma dessas organizações participantes, por meio do projeto “Conectando Terras Indígenas”, em Rondônia. O projeto vai implementar planos de gestão em áreas protegidas na região, fortalecendo a identidade Amazônica, garantindo direitos de povos indígenas e populações tradicionais. “Isso é superimportante no momento que vivemos hoje. Esse projeto faz conexão com várias outras entidades na Amazônia, vamos além das associações indígenas e reservas extrativistas que já atuamos, em uma aliança com outras organizações. Isso é fundamental na defesa dos territórios, da identidade e das associações e população amazônica. Pra nós, da Kanindé, é muito importante estar nessa aliança pelos povos da Amazônia”, comenta Ivaneide Bandeira Cardozo.

Conheça todas as instituições selecionadas no LIRA.

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A rede de cooperação criada entre as instituições é um momento que define o andamento e o futuro do projeto, conforme relata Rafael Almeida, do BNDES. “Essas reuniões são momentos superimportantes e emblemáticos. É um marco histórico. Acho que esse projeto é inovador por apontar blocos de trabalho específicos em toda Amazônia, contando com a contribuição de cada um e que vai gerar impacto para o Brasil”, diz.

Na reunião, Marion Adeney, responsável pela Iniciativa Andes-Amazônia, da Fundação Gordon e Betty Moore, afirmou que a conexão em rede que o projeto proporciona a partir de agora é o ponto chave de sucesso do projeto. A fundação, que trabalha em projetos de larga escala na Amazônia, apostou no LIRA por ser uma iniciativa de impacto durável e mensurável. 

“Instituições, apoiadores, comunidades e povos indígenas (que são fundamentais para o sucesso de qualquer projeto na Amazônia), governo, sociedade civil e o setor privado... Estamos todos juntos, em colaboração para o futuro sustentável da Amazônia e dos povos da floresta. A colaboração e a parceria com o BNDES é superimportante pensando na durabilidade financeira nessas áreas no futuro. Todos sabemos que esse momento é o mais difícil que a gente tem visto na conservação e também um momento difícil na vida das pessoas, que estão ameaçadas de uma maneira muito profunda. Mas eu espero que com esse projeto e com toda essa paixão e dedicação, a gente possa continuar a proteger essas áreas tão especiais e os povos da floresta que moram dentro delas”, disse.

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