Workshop sobre mico-leão-preto definirá as melhores estratégias para a conservação da espécie

Cinco encontros online transformaram o que seria um desafio em oportunidade. Para desenvolver o plano de ação que vai melhorar o status de conservação do Mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus), espécie símbolo do Estado de São Paulo o Workshop PVA/PHVA Mico-leão-preto buscou novos caminhos frente à pandemia de covid-19 e já colhe os frutos da adaptação do evento.

Os encontros online - entre o fim de março e meados de abril - voltados à fase I do Workshop de PVA (Análise de Viabilidade de População) e PHVA (População e Habitat na Avaliação de Viabilidade) - exclusivo para a espécie - tiveram como foco a construção do modelo para análise de viabilidade das populações (PVA). Cerca de 15 lideranças, entre especialistas em mico-leão-preto e em modelagem, revisaram e discutiram dados de demografia, reprodução, sobrevivência e genética. O grupo também identificou as populações de mico-leão-preto e as ameaças que atingem cada uma delas, com a elaboração de cenários e perguntas para criação de modelos alternativos.

Segundo a pesquisadora do IPÊ, Gabriela Cabral Rezende, o balanço dos encontros a distância surpreendeu positivamente.

“Pela programação inicial e presencial, teríamos apenas um dia para realizar o levantamento que subsidiará a fase seguinte, que aconteceria nos dias subsequentes. Com a pandemia, optamos inicialmente por três encontros de duas horas cada, mas já realizamos cinco, com duração de duas a três horas cada. Acabamos ganhando tempo para o levantamento de novas informações entre uma reunião e outra, o que possibilitou melhorarmos ainda mais o modelo para as análises”. No encontro final dessa primeira fase, previsto para o início de maio, o grupo irá revisar os resultados do modelo e discutir cenários adicionais, que serão utilizados para o planejamento de ações na etapa seguinte, do PHVA.

Os participantes têm como objetivo levantar e debater as ameaças ao mico-leão-preto para estabelecer quais são as ações com melhor potencial para responder a cada cenário. Para chegar a esse objetivo, desde a concepção do evento, há uma estratégia, comenta     Gabriela. “Uma das principais ameaças à espécie, e que a levou a ser considerada extinta nos anos 70, é a perda de habitat. Nos encontros, recuperamos os objetivos do Relatório de PHVA de 2005 para analisar quais dificuldades impediram a implementação de algumas ações, até mesmo para buscarmos diferentes estratégias. O alinhamento com o Plano de Ação Nacional para Conservação dos Primatas e Preguiça da Mata Atlântica (ICMBio) também é fundamental. Quanto mais alinhadas forem as nossas ações, melhores serão as chances de implementação”, diz.

Próximos passos

Sobre a fase 2 do Workshop, que deve ser presencial, a organização do evento acompanha as recomendações da OMS - Organização Mundial da Saúde relativas à pandemia e, por isso, segue com data indefinida. A expectativa é a realização do evento no segundo semestre de 2020, na sede do IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas, em Nazaré Paulista (SP), organização que estuda o mico há mais de 35 anos por meio do Programa de Conservação do Mico-Leão-Preto.

Principais referências em Mico-leão-preto assinam a iniciativa

O IPÊ divide a organização do Workshop com o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros (CPB-ICMBio), Fundação Florestal de São Paulo, Species Survival Commission - Conservation Planning Specialist Group (SSC-CPSG/IUCN) e Primate Specialist Group (SSC-PSG/IUCN).

Esse é o primeiro workshop de PVA (Análise de Viabilidade de População) e PHVA (População e Habitat na Avaliação de Viabilidade) exclusivo para a espécie. Até a terceira edição, em 2005, o evento contemplava os três outros micos-leões brasileiros: mico-leão-dourado, mico-leão-de-cara-dourada e mico-leão-da-cara-preta.

O mico-leão-preto está ameaçado de extinção e só ocorre no interior Paulista. Sua população estimada é de cerca de 1,8 mil indivíduos. Espera-se que, com o evento, sejam formados grupos para o desenvolvimento de Planos de Trabalho sobre: Pesquisas; Manejo de Populações; Cativeiro; Manejo e Proteção do Habitat, com destaque para a restauração de corredores ecológicos e as Unidades de Conservação; além de Saúde, que contempla, entre outros assuntos, a febre amarela, e Educação e Comunicação.