IPÊ e o monitoramento de pesca no Amazonas

O monitoramento da biodiversidade é uma atividade constante e com grandes aprendizados. As soluções se transformam com o decorrer do tempo e da necessidade real das comunidades, do objeto de monitoramento e das dinâmicas ambientais. Nesse aprendizado diário, é preciso avaliar, apresentar os resultados e motivar as pessoas a aderirem e continuarem com a atividade, bem como criar inovações para o monitoramento participativo.

As comunidades da Reserva Extrativista (Resex) do Médio Juruá e da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Uacari, ambas no Amazonas, são muito ativas no monitoramento e na avaliação. Isso ajuda o IPÊ no melhor desenvolvimento das ações, dentro do projeto Monitoramento Participativo da Biodiversidade (MPB). Por exemplo, após ouvir a comunidade, o IPÊ passou a desenvolver uma forma mais simples para que as comunidades possam monitorar a pesca nessas Unidades de Conservação.

“Estamos desenvolvendo um formulário ilustrado para facilitar ainda mais a vida dos comunitários no automonitoramento da pesca. Até maio, quando teremos outro encontro, esse novo modelo deve estar pronto. Os comunitários já estão esperando o formulário”, comentou a consultora Fernanda Freda, que visitou no início de março, 18 comunidades (cerca de 40 pessoas) que não tiveram oportunidade de participar do treinamento anterior e que tiraram dúvidas sobre o automonitoramento da pesca, na região.

Obs.: Em virtude da pandemia de Covid-19, as atividades presenciais do projeto estão suspensas desde o dia 10 de março. Continuamos a prestar atendimento às comunidades de maneira remota.

 

Manejo do pirarucu

Como continuidade do acompanhamento das ações do projeto, o IPÊ realizou também em março, uma reunião com o presidente e um técnico do manejo do pirarucu da Associação dos Produtores de Carauari (ASPROC), além dos gestores da Resex Médio Juruá e RDS Uacari, para apresentação do protocolo de monitoramento do pirarucu e definição dos participantes e data para o curso de capacitação de monitores. Na ocasião, Fernanda Freda e Virgínia Bernardes, do IPÊ, tiraram as dúvidas dos participantes sobre a execução do protocolo, incluindo o preenchimento dos formulários.

O que é o automonitoramento da pesca? 

É um dos Protocolos que compõem o Subprograma Aquático Continental do programa MONITORA (IN nº 03 de 04/09/17), que consiste em realizar a coleta de informações de forma participativa, onde voluntários das comunidades são capacitados para coletar informações em determinado período, anotando as espécies, o volume e a quantidade total de peixes capturada, bem como, realizar a medição de uma pequena amostra por espécie.

Os protocolos existem para que seja possível criar padrões de observação de controle capazes de serem comparados ao longo do tempo.

Para monitoramento da pesca e também exclusivamente do pirarucu, os protocolos foram criados a partir de reuniões com especialistas da área de ictiologia, gestão e manejo e posteriormente testados e adaptados a partir das demandas das comunidades, adaptando como uma forma mais barata e eficiente de monitorar e avaliar o ambiente aquático e as espécies de peixes locais capturadas.


Sobre o projeto MPB

O Projeto do IPÊ Monitoramento Participativo da Biodiversidade faz parte do Programa Nacional de Monitoramento da Biodiversidade (MONITORA), Subprograma Aquático Continental, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), sob a coordenação do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Amazônica (CEPAM).

O MPB tem apoio de Gordon and Betty Moore Foundation e USAID.