O projeto Corredores de Vida, do IPÊ, organizou a criação do Grupo de Trabalho da Equidade de Gênero (GTEG), formado exclusivamente por mulheres que atuam em diferentes áreas da cadeia da restauração florestal, no Pontal do Paranapanema. A formalização foi realizada durante um encontro que reuniu mais de 70 mulheres, na última semana de outubro, na sede do Parque Estadual Morro do Diabo, em Teodoro Sampaio, no extremo Oeste Paulista.
O GTEG nasceu como um espaço permanente de diálogo, articulação e encaminhamento de ações para reduzir desafios enfrentados pelas mulheres na cadeia produtiva da restauração. O grupo reúne representantes de viveiros, empresas de plantio e manutenção, instituições parceiras e frentes de trabalho do IPÊ.
“A criação do grupo representa um passo concreto para garantir integridade no tratamento e nos direitos entre homens e mulheres em todas as etapas da restauração”, afirmou Aline Souza, coordenadora de projetos de Comunidades do IPÊ. Ela ressaltou que o tema está alinhado ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 5 (ODS 5) da Organização das Nações Unidas (ONU), que trata da Igualdade de Gênero e integra a agenda global de desenvolvimento sustentável até 2030.
Entenda como o grupo foi criado
A criação do GTEG é resultado da Sexta ConsCiência – Elas Restauram: Mulheres, Floresta, Equidade e o Protagonismo Feminino na Restauração, realizada em março de 2025. Essa foi a primeira edição a ser dedicada exclusivamente as mulheres da cadeia da restauração florestal.
Na ocasião, as mediadoras do IPÊ aplicaram a matriz FOFA (Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças), ferramenta que permitiu mapear os principais desafios enfrentados no campo, nos viveiros e nas equipes técnica e de gestão — que vão desde a pouca visibilidade das mulheres em espaços de tomada de decisão até a desvalorização de suas orientações técnicas, além das condições adversas de trabalho em campo, como o excesso de calor.
O encontro, além de apresentar os resultados consolidados também marcou a criação do Grupo de Trabalho da Equidade de Gênero (GTEG). A escolha das representantes ocorreu de forma democrática. Cada categoria da cadeia da restauração florestal escolheu: uma representante titular e uma suplente.
Composição do GTEG
- Proprietárias de viveiros: Iraci Lopes Corado (representante); Marcela dos Santos (suplente)
- Colaboradoras de viveiros: Aline dos Santos (representante); Luzia de Souza (suplente)
- Proprietárias de empresas de plantio e manutenção: Marta (representante); Vanessa Carvalho (suplente)
- Colaboradoras de plantio e manutenção: Tereza de Araújo Saturnino (representante); Adriana de Oliveira (suplente)
- Instituições parceiras: Mariana Matheus Oliveira (representante); Maria Lourdes Costa (suplente)
- Frentes do IPÊ:
- Plantio e manutenção: Florismárcia Santos e Patrícia Barbosa (representantes); Janaina Aparecida Seco (suplente)
- Gestão: Ana Laura Campioto (representante); Ana Cláudia Mendes (suplente)
- Equipe técnica: Amanda Garbim Ceballos (representante); Ana Paula Monteiro (suplente)
O Grupo marca a representatividade feminina na restauração florestal
A criação do GTEG é vista pelas participantes como um marco histórico para o protagonismo feminino na cadeia da restauração florestal.
Para Vanessa Carvalho, proprietária da Carvalho Reflorestamento Ltda, que participou desde a aplicação da matriz FOFA em março, na 1ª Sexta ConsCiência voltada para as mulheres, o processo simboliza continuidade. “O grupo vem para fortalecer a voz das mulheres na restauração florestal, por meio desse grupo será possível promover mais oportunidades, reconhecimento e igualdade em todos os níveis da cadeia”.
Iraci Lopes Duveza, proprietária de viveiro Viva Verde e representante eleita do grupo, acredita que o GTEG veio para trazer mais proximidade entre as mulheres, as quais juntas buscarão agilizar as soluções para os desafios. “O grupo vai dar voz a todas as mulheres, independente da função, nos unindo em um único propósito que é fazer nosso trabalho avançar com qualidade”.
Representando o IPÊ, Ana Laura Campioto, da gestão de projetos, reforça que a criação do GTEG é um passo essencial para uma restauração florestal mais justa e representativa. “Ao reconhecermos o papel da mulher no dia a dia de trabalho não é apenas uma forma de valorizar a diversidade, mas também apreciar todo o conhecimento e as experiências que nós trazemos para o processo de conservação da biodiversidade”.