Pesquisa, Educação e Negócios Sustentáveis para a conservação da biodiversidade brasileira.

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Conservação da
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Conservação da biodiversidade

Pesquisa científica e inovação socioambiental. Ações de impacto com participação comunitária e educação na Mata Atlântica, Amazônia, Pantanal e Cerrado.

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O IPÊ foi uma das organizações envolvidas na criação do Mosaico de Áreas Protegidas no baixo Rio Negro. Ele é necessário para integrar a gestão das áreas que já estão fisicamente conectadas, bem como reunir os seus atores sociais, diminuindo a situação de isolamento e dificuldade de administrar cada área individualmente.

Segundo o artigo 26 do SNUC (Sistema Nacional de Unidades de Conservação), quando existem Áreas Protegidas (APs) de categorias diferentes ou não (parques, estações ecológicas, reservas extrativistas e terras Indígenas) em proximidade, justapostas ou sobrepostas, é interessante constituir um mosaico dessas áreas, com gestão integrada e participativa, para conservar a biodiversidade e valorizar a diversidade sócio-cultural e o desenvolvimento local sustentável.

Essa conexão realiza-se com gestão participativa e compartilhada, com um corpo único de atores sociais, o que facilita processos de comunicação, interação e gestão de projetos de desenvolvimento territorial e conservação ambiental.

Além disso, o Mosaico delimita um contorno territorial com referências de sociobiodiversidade locais que geram potenciais de desenvolvimento desta região. O projeto do IPÊ buscou justamente associar a consolidação destes espaços democráticos com a promoção do desenvolvimento local sustentável, inserindo as perspectivas das cadeias de produtos e serviços dos povos tradicionais desta região.

Os conhecimentos e as formas de manejo dos ecossistemas pelas populações locais (o “saber-fazer”) são social e ecologicamente eficientes e devem ser considerados nos programas públicos de gestão. Por isso, é importante criar uma proposta de “etnodesenvolvimento” para o qual as APs na bacia do Rio Negro sejam o grande diferencial. Isso acaba atraindo recursos, fortalecendo a identidade territorial, funcionando como potencial para geração de renda para a população e comportando-se como principal meio de garantir a sua segurança alimentar.

O processo de criação e fortalecimento do Mosaico começou em 2006, com o apoio do Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA), por meio de ações para a criação do Conselho Gestor do conjunto das Áreas Protegidas da região e para a promoção do desenvolvimento territorial. Com o andamento dos trabalhos, foram identificadas novas potencialidades e propostas de fortalecimento e desenvolvimento territorial:

  • Elaboração do plano de desenvolvimento territorial e a sua implementação;
  • Capacitação e definição de uma identidade territorial comum entre os atores sociais;
  • Mecanismos de valorização de serviços e produtos (processos de criação de um selo/certificação dos produtos da sociobiodiversidade do Mosaico);
  • Comunicação e informação.

Formar e implementar a governança do Mosaico de Áreas Protegidas do baixo rio Negro, envolvendo a sociedade na sua gestão e propondo instrumentos de valorização de serviços, produtos e “saber-fazer” do Mosaico.

O Mosaico Áreas Protegidas do baixo rio Negro é uma região de reconhecida importância para a conservação da biodiversidade e também da sociodiversidade. As diferentes Áreas Protegidas inseridas neste projeto situam-se na área de abrangência do Corredor Ecológico da Amazônia Central e também na Zona Núcleo da Reserva da Biosfera. Nessa região ficam os municípios de Manaus, Novo Airão, Iranduba, Barcelos e Manacapuru, que totalizam 1,8 milhões de pessoas (IBGE, 2007) e outras 80 comunidades, formadas por ribeirinhos e indígenas que sobrevivem principalmente da agricultura e do extrativismo florestal, principalmente madeireiro, mas buscam também envolverem-se nas atividades ligadas ao turismo e à venda de artesanato, com forte inserção do componente “tradição cultural”. Estas áreas, em conjunto, totalizam aproximadamente 8 milhões de hectares de ecossistemas de água preta e de floresta tropical distribuído dentro de onze Unidades de Conservação (UC’s). Os índios Waimiri-Atroari também demonstram interesse em participar das discussões.

  • FNMA - Fundo Nacional do Meio Ambiente
  • Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
  • SEMMA – Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Manaus
  • SDS – Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento
  • Sustentável do Amazonas
  • Projeto Corredores Ecológicos
  • Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Novo Airão
  • Associação de Pescadores de Novo Airão
  • Fundação Almerinda Malaquias
  • Fundação Vitória Amazônica
  • WWF-Brasil
  • Cooperação Brasil-França de Áreas Protegidas (Embaixada da França no Brasil e MMA)

O IPÊ busca atuar nas questões da agricultura, da segurança alimentar e da valorização cultural, com a abertura de novas frentes de ação para a conservação e uso sustentável da biodiversidade. Este projeto começou em 2005, e até hoje é a base do trabalho do Instituto na região.

Sociobiodiversidade é um conceito que envolve a relação entre a diversidade biológica, os sistemas agrícolas tradicionais (agrobiodiversidade) e o uso e manejo destes recursos junto com o conhecimento e cultura das populações tradicionais e agricultores familiares. São “bens e serviços gerados a partir de recursos da biodiversidade, voltados à formação de cadeias produtivas de interesse de povos e comunidades tradicionais e de agricultores familiares, que promovam a manutenção e valorização de suas práticas e saberes, e assegurem os direitos decorrentes, gerando renda e promovendo a melhoria de sua qualidade de vida e do ambiente em que vivem” (Plano Nacional de Promoção das Cadeias de Produtos da Sociobiodiversidade - MDA/MMA/MDS).

Parte-se do princípio de que tanto estes recursos, serviços e produtos, como o “saber-fazer” desenvolvido por estas populações têm tido pouca atenção no âmbito das estratégias de conservação. O histórico de exploração do Rio Negro contribui para isso, por causa da especialização das atividades produtivas, principalmente a exploração madeireira, que tem provocado o abandono das práticas tradicionais de agricultura e extrativismo. A erosão da diversidade agrícola reveste-se de importância especial no caso da Amazônia, onde se localizam importantes focos de diversificação de plantas cultivadas.

O desenvolvimento de produtos da sociobiodiversidade, considerando estes como patrimônios materiais e imateriais dos povos tradicionais que habitam a região do mosaico do baixo Rio Negro, pode se configurar como uma estratégia viável de desenvolvimento e de conservação das áreas protegidas. 

Principais Ações:

Pesquisas 

Uso e gestão dos recursos naturais 
 Pesquisa para entender o uso e os processos de gestão dos principais sistemas produtivos da região desenvolvidos pelas populações ribeirinhas local. O trabalho apoia-se nas abordagens e técnicas da pesquisa participativa. A pesquisa com o extrativismo madeireiro, por exemplo, tem como objetivo entender como a atividade é desenvolvida nesse local, quais são as formas de extração, os tipos de árvores, os pontos de extração, critérios de escolha e as formas de negociação desses produtos. Ao estudar os sistemas agrícolas, pode-se avaliar o volume produzido, bem como a força de trabalho empregada nos subsistemas de produção, roça e quintal das famílias localizadas ao longo do rio Cuieiras. Assim, compreende-se que fatores determinantes são mais críticos para a tomada de decisão dos agricultores no manejo do balanço entre o consumo interno e a comercialização da produção resultante desses subsistemas.

Etnoecologia 
Pesquisa com objetivo de compreender as formas de representação e classificação da agrobiodiversidade. Busca-se a integração do conhecimento etnoecológico nos processos de conservação dos recursos fitogenéticos e de valorização e proteção dos saberes tradicionais associados, bem como contribuir com projetos agroecológicos.

Etnozoologia e sistemas de caça e pesca 
Descreve  o conhecimento mantido por algumas comunidades humanas do rio Cuieiras sobre a fauna e ictiofauna exploradas nas atividades de caça e pesca, e sobre como esses saberes refletem-se nas práticas e estratégias desses sistemas na região. Buscam-se informações locais sobre a situação da fauna silvestre  e aquática, bem como formas de monitoramento e conservação com bases comunitárias.

Educação e Tecnologias Socioambientais

Metodologia participativa e extensão agroecológica 
As ações de educação, extensão agroecológica e organização social são realizadas por metodologia participativa e construtiva, na qual prevalecem o diálogo entre o conhecimento tradicional e técnico/científico, valorização do conhecimento local e empoderamento dos grupos. Os técnicos exercem o papel de facilitadores do processo e da organização do conhecimento. São usadas técnicas de sensibilização, mobilização, integração e organização dos grupos em conversas informais, reuniões, diagnósticos e planejamentos participativos, oficinas, atividades lúdicas, dinâmicas e intercâmbios.

Fortalecimento das organizações comunitárias
Formação, assessoria em associativismo e empreendedorismo em parceria com as comunidades e organizações locais. Considerando que uma das premissas é a perspectiva de gênero. Dentre estas organizações há grupos de mulheres e clube de mães, em que são tratados ainda temas sobre direitos, autonomia e políticas públicas.

Desenvolvimento de produtos da sociobiodiversidade 
Apoio à valorização, produção, divulgação e comercialização (dentro dos princípios da economia solidária e comércio justo) dos produtos da sociobiodiversidade das populações do Baixo Rio Negro, em que se destacam artesanato, produtos agrícolas (fundamentalmente farinha de mandioca e seus “subprodutos”) e doces de frutas regionais. Nesse processo, são fundamentais ações de formação, capacitação e educação agroecológica voltadas à produção. Assim, incentiva-se a participação de grupos produtivos de mulheres e artesãos em feiras regionais e nacionais sobre agricultura familiar e valorização dos produtos da sociobiodiversidade.

O artesanato consiste em peças feitas com sementes (colares, pulseiras, brincos, bolsas), arte em madeira (miniaturas de animais) e tecume confeccionados com fibras (arumã, tucum, cipós). Toda a matéria-prima é extraída e cultivada a partir do conhecimento tradicional e uso sustentável dos recursos.

Os doces (geléias, doces, biscoitos e balas) são produzidos a partir do beneficiamento artesanal de frutas regionais como abacaxi, castanha, coco, cupuaçu, cubiu, maracujá e tucumã, que são cultivadas e colhidas nos roçados e quintais das famílias da região. O desenvolvimento destes produtos tem estimulado a valorização e diversificação dos espaços agrícolas como sistemas agroecológicos.

Agrofloresta 
 As atividades agroecológicas reúnem meios para sensibilizar e envolver os comunitários na identificação e desenvolvimento de potenciais práticas sustentáveis. Seguindo os princípios e a ética da terra da Permacultura, busca-se estimular as soluções sociais e ecológicas geradas dentro das próprias comunidades. O sistema agroflorestal (SAF’s) foi identificado como um sistema agrícola sustentável de alta produtividade e adaptado ao contexto local. Para a consolidação educativa e prática deste modelo, são consorciadas espécies identificadas pelos agricultores (com posterior incremento dos estudos etnobotânicos) e experimentadas técnicas de manejo e de viveirismo.

Meliponicultura 
É a prática de se criar “racionalmente” as abelhas sem ferrão. Consiste principalmente no remanejamento dos enxames da natureza, permitindo criações em caixas de madeiras na tentativa de “imitar um ninho natural”. São muitos os atributos oferecidos pelas abelhas nativas, que além de fornecer produtos apreciados pelas pessoas: mel, pólen, cera e resinas. Eles são, bastante utilizados nos remédios caseiros como complemento alimentar, na confecção dos artefatos e/ou como fonte de renda. As abelhas ainda desempenham um importante papel dentro da cadeia trófica, sendo uma das principais responsáveis pela polinização, que determina a formação de frutos e sementes. Neste sentido, buscou-se trabalhar na formação e capacitação de um grupo para o manejo das abelhas sem ferrão, na tentativa de utilizar essa intervenção como uma ferramenta educacional em prol da conservação e manejo da agrobiodiversidade.

Intercâmbio de experiências na Amazônia 
o Objetivo é promover e incentivar trocas de experiências em organização social, sistemas agroecológicos e produtos da sociobiodiversidade entre comunidades, grupos produtivos e agricultores. 

Participação comunitária 
Participação e articulação nos Fóruns Estaduais de Agroecologia, Educação Ambiental e Economia Solidária.

  • Comunidades São Sebastião, Nova Canaã do Cuieiras, Nova Esperança, Boa Esperança, Barreirinhas, Três Unidos, Nova Canaã do Aruaú, Bela Vista do Jaraqui e Vila Nova de Chita.
  • Fundo Socioambiental Caixa Econômica Federal - Governo Federal
  • PCE - Projeto Corredores Ecológicos/ MMA
  • SEBRAE - Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas
  • PDPI - Projeto Demonstrativo para Povos Indígenas/ MMA 
  • AEGRE - Assessoria Especial de Gênero, Raça e Etnia/ MDA - Ministério do Desenvolvimento Agrário
  • Programa Territórios da Cidadania/ MDA Amazonas
  • PACTA - Populações Locais, Agrobiodiversidade e Conhecimentos Tradicionais na Amazônia Brasileira
  • GPA – Grupo de Pesquisas em Abelhas do INPA
  • LETEP – laboratório de Etnoepidemiologia e Etnoecologia Indígena, do INPA

tbc

A região do baixo Rio Negro possui uma série de características espaciais que a elevam a categoria de pólo turístico do Estado do Amazonas. Apoiado nessas premissa, o IPÊ desenvolve desde 2003, o projeto Turismo de Base Comunitária no baixo Rio Negro, a fim de ordenar as atividades turísticas na região, integrando os interesses da conservação com os do desenvolvimento regional.

As ações do IPÊ envolvem parcerias com o poder público local, o trade turístico e a comunidade. As ações realizadas junto ao poder público local bucam melhorar a gestão do turismo e dos atrativos na região, envolvendo as instituições que trabalham com a gestão das Unidades de Conservação (UCs). Dentre elas, o apoio à elaboração do Plano de Uso Público da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Tupé (RDS Tupé), apoio ao ICMBIO para a elaboração do Plano Emergencial de Uso Público do Parque Nacional de Anavilhanas (PARNA Anavilhanas), e suporte para a elaboração de um Plano de Negócios para visitação do Parque Estadual do Rio Negro – setores Norte e Sul (PAREST Rio Negro).

Ações complementares do projeto trabalham o envolvimento do trade turístico no ordenamento das atividades turísticas. Neste sentido, o projeto participa de uma série de iniciativas locais, tais como a elaboração de um “Código de Conduta” para visitação nas Unidades de Conservação do baixo Rio Negro a e realização de atividades de capacitação do trade (agências de viagens, guias, canoeiros, proprietários de barcos de turismo e de hotéis de selva).

O envolvimento comunitário nas atividades de conservação da biodiversidade se dá de forma transversal nos projetos do IPÊ na região. Especificamente em relação ao turismo, as ações visam identificar e envolver as comunidades de locais onde essas atividades já existem de forma ainda inicial. O IPÊ colabora com planejamento e capacitações dos comunitários em atividades econômicas diretamente relacionadas ao receptivo de turistas e visitantes, tais como capacitações na produção de artesanato e de comidas regionais, intercâmbios de experiências entre as comunidades, cursos rápidos para formação de condutores locais e o uso da interpretação ambiental em trilhas na floresta.

  • Contribuir para a conservação socioambiental do mosaico do baixo Rio Negro, por meio do turismo de base comunitária;
  • Efetivar este tipo de turismo como uma das alternativas de desenvolvimento para a região;
  • Integrar os diferentes atores relacionados ao mosaico de unidades de conservação através da informação e capacitação.
  • 2003- Oficinas para ordenamento da visitação no baixo Rio Negro; Sensibilização das comunidades estabelecidas na região sobre as Unidades de Conservação;
  • 2005 - Início das oficinas de ordenamento de turismo, entre IPÊ, gestores públicos de turismo e meio ambiente e trade turístico; Apoio a Elaboração do código de conduta consciente para visitantes do baixo Rio Negro;
  • 2006 - Elaboração do Plano de Negócios para o desenvolvimento do turismo sustentável no Parque Estadual do Rio Negro – setores Norte e Sul;
  • 2007 - Oficinas para ordenamento da visitação no baixo Rio Negro;
  • 2008 – Apoio a elaboração do Plano de Uso Público da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Tupé e Apoio a elaboração do plano Emergencial de uso publico do PARNA Anavilhanas;
  • 2009 - Realização de capacitações de guias e condutores locais dos municípios de Manaus e Novo Airão. Início de avaliação da efetividade das ações propostas pelo projeto;
  • 2010 - Projeto “Apoio a iniciativas de turismo de base comunitária na região sul do Parque Nacional de Anavilhanas”; Criação do Grupo de Trabalhos sobre Turismo nas Unidades de Conservação Estaduais da região.
  • Nailza Pereira de Sousa
  • Oscar Sarcinelli
  • Sherre Prince Nelson
  • Eduardo Badialli
  • ICMBio - Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - Cooperação Técnica para o Parque Nacional de Anavilhanas.
  • MTur – Ministério do Turismo
  • PCE – Projeto Corredores Ecológicos/ MMA – Ministério do meio Ambiente
  • SDS - Secretaria de Meio Ambiente e desenvolvimento Sustentável do Estado do Amazonas / CEUC – Centro Estadual de Unidades de Conservação - Cooperação Técnica para as unidades de conservação estaduais do baixo Rio Negro
  • SEMMAS - Secretária de Meio Ambiente e Sustentabilidade do munícipio de Manaus - Cooperação Técnica para a Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Tupé.
  • USAID - United States Agency for International Development /Forest Enterprise Cluster.  
  • Grupo Martins