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Ex-aluna do Metrado Profissional da ESCAS, Gabriela Rezende nos conta todo o processo criativo para produção do seu livro "Mico-Leão-Preto: A História de Sucesso da Conservação de uma espécie ameaçada." Bióloga e formada pelo mestrado profissional em "Conservação da Biodiversidade e Desenvolvimento Sustentável da ESCAS/IPÊ, Gabriela Rezende, acaba de escrever um livro sobre a história da conservação do mico-leão-preto.

Tal trabalho é o resultado de um desdobramento de seu produto final entregue para a conclusão do mestrado e aqui, você confere uma entrevista com a escritora e descobre o motivo da escolha pelo tema e outras curiosidades.

Houve influência da metodologia de imersão dos cursos ESCAS/IPÊ em seu trabalho?
Estar imersa no IPÊ durante 1 ano, acompanhando a rotina e a dinâmica dos pesquisadores, além de influenciar na qualidade do meu produto final, trouxe inúmeros benefícios à minha formação profissional, a partir das oportunidades que apareciam e da possibilidade de networking.

Você escolheu um tema (Conservação do Mico-Leão-Preto) que faz parte de um dos projetos pioneiros do IPÊ. Qual foi o motivo?
Ao longo do primeiro ano do mestrado, quando estávamos pensando a respeito do assunto para o produto final, eu dizia que gostaria de trabalhar com unidades de conservação. Mas em uma conversa, fui instruída a desenvolver um tema que já estivesse em minha gama de domínio, por vários motivos, dentre eles, o tempo que tínhamos para construção da tese. Sendo assim, isso me fez mudar de ideia e escolher trabalhar com conservação de espécies ameaçadas, pois era um assunto que já fazia parte da minha formação. Daí para decidir sobre o mico-leão-preto, foi mais um passo.

Então, no seu caso, a experiência e a teoria "andaram juntas"?
Com certeza vai de encontro! No mestrado, pude aliar, de fato, a prática de campo e a pesquisa e isso foi fundamental para o processo criativo do meu livro.

Como você acredita que seu livro pode contribuir com a sociedade, de uma forma geral?
Quanto à contribuição para com a sociedade, comecei a ver como a conservação de espécies pode seguir uma linha única, independente da espécie. E que a história da conservação do mico-leão-preto poderia servir de exemplo para outras pessoas que trabalham ou desejam trabalhar na mesma área.

Gabriela estará, hoje (19/03), às 20h, na Livraria da Vila, situada no bairro da Vila Madalena em São Paulo/SP para o lançamento do livro. Parte da renda com a venda do livro será destinada ao projeto do IPÊ pela conservação da espécie.

A publicação está à venda na Loja do IPÊ: www.lojadoipe.org.br
 

O IPÊ, em parceria com o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), trabalha pela implementação de um Programa de Monitoramento da Biodiversidade na Amazônia. A iniciativa tem como objetivo desenvolver um modelo que facilite o monitoramento inicialmente de seis Unidades de Conservação na Amazônia brasileira, dentre elas o Parque Nacional do Jaú e a RESEX do Rio Unini, ambos localizados no município de Novo Airão (AM). O projeto executado pelo IPÊ faz parte do Programa de Monitoramento in situ da Biodiversidade em Unidades de Conservação Federais, que também acontece nos biomas Mata Atlântica e Cerrado.

A principal motivação do programa na Amazônia é acompanhar o estado da biodiversidade das suas UC e envolver a comunidade local na gestão dessas áreas. Esse processo é fundamental para entender e moderar a extensão de mudanças que possam levar à sua perda e reduzir quaisquer impactos que sejam negativos. Com o monitoramento será possível criar estratégias que podem ajudar a reduzir as ameaças aos ecossistemas e à espécie humana.

Na Amazônia, a implantação do programa serão desenvolvidos de forma integrada, entre IPÊ, ICMBio, Gordon and Betty Moore Foundation e Cooperação Alemã para o Desenvolvimento (GIZ). As ações foram iniciadas em outubro de 2013, sempre considerando o princípio fundamental do projeto, que consiste no envolvimento legítimo das comunidades e instituições locais ligadas à gestão das UCs.

“A participação dos diferentes atores sociais que compõe o processo de gestão dessas UC é fundamental para um programa de monitoramento, uma vez que ele vai gerar respostas que irão subsidiar os diversos pactos de gestão desse território. A construção participativa fortalece os laços institucionais e tende a maior sucesso durante a fase de implementação. Na Amazônia não dá para imaginar estabelecer estratégicas de longo prazo, como é o monitoramento, sem envolver as comunidades locais”, afirma Fabiana Prado, coordenadora de projetos do IPÊ.

Em janeiro de 2014, foi realizada a primeira reunião de apresentação do projeto às comunidades do Parque Nacional do Jaú e, de 20 a 30 de março, o projeto será apresentado às comunidades da RESEX do Rio Unini. A partir desta etapa, o projeto segue com outras ações junto às instituições locais, comunidades e demais parceiros da iniciativa.

Biodiversidade e Unidades de Conservação

A biodiversidade tem papel central para a espécie humana. Animas, plantas e microrganismos fornecem alimentos, medicamentos e matérias-primas, e são a nossa conexão mais evidente com a natureza, e nos oferecem serviços importantes para a nossa sobrevivência e modo de vida.

Em meio à destruição de diferentes ecossistemas, o mundo reage e se organiza para conter o processo de perda de biodiversidade. O Brasil é protagonista nessa área e signatário de diversos acordos internacionais, como a Convenção sobre Biodiversidade Biológica da ONU. Além de possuir uma Política voltada para biodiversidade.

A implantação de Unidades de Conservação é uma das estratégias mais eficientes para a conservação da biodiversidade, porém a melhor gestão dessas áreas se faz cada vez mais importante, para garantir a eficácia da conservação da biodiversidade. Por esta razão, novos esforços de monitoramento e fiscalização devem ser promovidos e apoiados no âmbito de todos os biomas.

Em 16 de março é celebrado o Dia Nacional da Conscientização sobre as Mudanças Climáticas. A data chama a atenção da população para essa questão e também para a necessidade de ações que reduzam o impacto dessas mudanças sobre a Terra.

O aumento da emissão de gases de efeito estufa (GEEs), como o dióxido de carbono (CO2), é considerado a principal causa do aquecimento global e das mudanças no clima. Estudos do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU), apresentados ainda em 2013, comprovaram que a ação humana tem intensificado e provocado essas mudanças, principalmente por conta da emissão em excesso de GEEs, seja por queima de combustíveis fósseis para geração de energia ou por desmatamento.

Juntamente com toda a degradação ambiental, a perda de biodiversidade e o desgaste dos recursos naturais no mundo, a emissão desses gases têm causado efeitos importantes na vida do planeta. Já é possível constatar nos últimos anos elevação do nível do mar, derretimento de geleiras, intensificação de tempestades, dos períodos chuvosos e de secas, entre outros fenômenos, que já vêm afetando a vida de milhares de pessoas no mundo. Aliás, os cientistas do IPCC já comprovaram o aumento de 0,8 graus a temperatura média da Terra nos últimos anos e indicam que ela aumentar até 1,5 graus, se as ações de combate às emissões não forem suficientes para reduzir essa elevação.

Nossas árvores, mudanças climáticas e o ar que respiramos

Perceber a natureza como parte importante do cotidiano de uma cidade é o primeiro passo para compreendermos a necessidade de mudanças no comportamento humano frente aos recursos naturais cada vez mais escassos. A falta de áreas verdes e a poluição por emissões de veículos e indústrias, por exemplo, contribuem com os efeitos das mudanças climáticas, bem como afetam diretamente a qualidade de vida das pessoas principalmente nos grandes centros urbanos.

A relação das árvores com o bem estar coletivo é direta. A perda de cobertura vegetal afeta tanto zona rural como zonas urbanas, estabelecendo um ciclo de ação e consequência. Já é sabido que um dos impactos das mudanças climáticas é a intensificação de períodos de seca e períodos de chuva, que desequilibram o ambiente e o clima. Além disso, a perda de árvores nativas faz com que se percam também os chamados “serviços ecossistêmicos” prestados pela natureza, como regulação das chuvas, manutenção da boa qualidade do ar, além da produção de água em quantidade e qualidade.

Na área urbana, a escassez de áreas verdes e intensa ocupação, com construções e impermeabilização de áreas, “sufocam” as áreas verdes que ainda sobrevivem. A mistura de altas temperaturas, elevadas emissões de gases de efeito estufa e falta de áreas verdes faz com que se formem “ilhas de calor” nas cidades. Isso afeta o dia a dia de toda a população, ocasionando, entre outros problemas mudanças significativas na qualidade do ar.

Nas áreas rurais, a falta de árvores e de cobertura florestal (principalmente em locais de proteção ambiental com nascentes e corpos d´água) causa desgaste do solo, erosão e a consequente falta de água. Com o solo empobrecido pela falta de vegetação, mesmo em tempos chuvosos, o solo não consegue absorver quantidade suficiente de água, alimentar nascentes, rios e córregos, e nem armazená-la.

Na natureza, tudo está interligado. Por isso, que tal olhar mais e cuidar mais das árvores ao seu redor? No campo ou na cidade elas são extremamente importantes para um ar mais limpo, a produção de água mais pura e em quantidade, a manutenção de um ambiente equilibrado, a produção de alimentos, o hábitat de importantes espécies da fauna, a manutenção e regulação do clima, entre outros elementos fundamentais para a vida de todos.

Como colaborar?
A necessidade de se reduzir emissões de gases de efeito estufa é urgente, com vistas a evitar um aumento ainda maior da temperatura do planeta. As formas apontadas para isso são a ampliação do uso de energias renováveis, melhoria na eficiência energética, nos transportes principalmente em grandes centros urbanos, além de reduzir o desmatamento.

O cidadão comum pode contribuir para a redução do aquecimento global e para um melhor enfrentamento das mudanças climáticas. Utilizar os recursos naturais com responsabilidade; fazer melhores escolhas ao consumir bens, produtos e serviços (consumir com consciência e apoiar iniciativas de carbono neutro, por exemplo) e dar prioridade a atividades que reduzam a emissão de gases de efeito estufa (reduzir o consumo de energia é uma delas) são importantes para colaborar na busca pela solução do problema que afeta a todos.


Saiba mais
No Brasil, a maior parte das emissões de GEEs na atmosfera é causada pelo desmatamento. Quando se desmata uma floresta, seja por corte ou queimadas, há liberação de uma grande quantidade de carbono na forma de CO2 para a atmosfera. As florestas são grandes depósitos de carbono, inclusive o solo. Por esta razão, manter as florestas de pé e recompor áreas desmatadas é um importante mecanismo de contribuição para a mitigação dos efeitos do aquecimento global na Terra, além de contribuir para a manutenção dos serviços ecossistêmicos – responsáveis por diversos benefícios que garantem as condições e processos para a vida e que, de maneira direta ou indireta, contribuem para a sobrevivência e o bem-estar humano, como  regulação climática e hídrica, conservação da biodiversidade, fertilidade dos solos e ciclagem de nutrientes, polinização, belezas cênicas e outros. Veja alguns projetos do IPÊ que colaboram com a restauração florestal e, consequentemente com a mitigação dos efeitos do efeito estufa: Semeando Água, Nascentes Verdes, Rios Vivos; Corredores da Mata Atlântica.

Em entrevista para o Blog Eco-Polos Amazônia XXI, o reitor da ESCAS e vice-presidente do IPÊ Claudio Padua fala sobre uma nova economia e como as comunidades devem ser inseridas nesse processo.

"Na economia tradicional, a pecuária, os avanços da atividade agrícola sobre as florestas, eles são inevitáveis. Para fazer isso mudar, é preciso criar uma economia que faça uma competição saudável com as formas tradicionais e onde as comunidades possam sair do extrativismo tradicional, para um novo processo de produção, mantendo a sua condição intrínseca, seus valores, sua felicidade e permitindo que outros entrem no processo da cadeia produtiva e ganhem também", afirma Padua.

Leia a entrevista em: http://ipe.org.br/blogecopolos/801/

Nos meses de Abril e Maio, a ESCAS/IPE oferecerá três cursos de curta duração na sede, em Nazaré Paulista/SP . Veja abaixo:

O concorrido "Viveiros e Mudas" terá sua segunda edição deste ano. Coordenado pelo pesquisador Jefferson Lima e pelo técnico em meio ambiente Nivaldo Campos, o curso trabalha na capacitação de agentes de restauração na formação de mudas.
Dias: 25 a 27/04
Acesse : http://www.ipe.org.br/curso-viveiros-mudas

Já no início de Maio, Natália Tôrres, gerente de conservação e componente da diretoria Instituto Onça-Pintada (IOP), estará à frente do curso em "Modelagem de Biodiversidade", que tem como principal objetivo instruir o participante na utilização de técnicas de modelagem de distribuição potencial de espécies.
Dias: 02 a 04/05
Acesse: http://www.ipe.org.br/curso-modelagem-biodiversidade

Por último, pela primeira vez, acontecerá o curso " Introdução à Fotografia de Natureza". Nele, Daniel de Granville, biólogo e diretor da Photo in Natura, abordará fundamentos e conceitos teóricos e práticos, com destaque à fotografia em ambientes naturais, estimulando a troca de experiências como instrutor e entre os participantes.
Dias: 08 a 10/05
Acesse: http://www.ipe.org.br/introducao-fotografia-natureza