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Projeto “Semeando Água”, do IPÊ, leva informação a proprietários rurais da região que abrange o Sistema Cantareira

DSCN0077Durante os dias 22, 23 e 24 de abril, o IPÊ realizou o II Curso de Manejo de Pastagem Ecológica nos municípios de Piracaia (SP) e Joanópolis (SP), com o objetivo de ensinar produtores rurais, representantes de prefeituras, sindicatos rurais e Casas de Agricultura (CATI) a converterem a pastagem convencional para o pastoreio rotacional.

A capacitação está prevista no projeto “Semeando Água”, que é patrocinado pela Petrobras e vem desenvolvendo ações para a conservação de recursos hídricos em municípios que abrangem o Sistema Cantareira, por meio de manejo de pasto, restauração e educação ambiental.

A capacitação foi ministrada pelo professor e engenheiro agrônomo, Jurandir Melado, que apresentou aos participantes as vantagens e benefícios do Sistema de Pastagem Ecológica: diminuição de uso de pesticidas; ganho na produção animal, uma vez que o gado gastará menos energia pastoreando em áreas menores e ainda consumirá a melhor parte das forrageiras; conservação da água, por meio da recuperação do solo que passará por períodos de descansos. Segundo o professor, a implantação do sistema tem baixo custo para o produtor e permite o equilíbrio entre animal, solo e pasto.

Nos dois primeiros dias, o curso aconteceu na Fazenda Cravorana, propriedade parceira do projeto onde estão sendo implantados cerca de cinco hectares do manejo ecológico de pastagem. “Uma grande preocupação para nós é a sustentabilidade da fazenda, estamos trabalhando para isso, aprimorando técnicas, preservando as APPs - Áreas de Proteção Permanente e futuramente construiremos um viveiro de mudas. O ‘Semeando Água’ veio de encontro a essa nossa vontade, e como já conhecíamos o IPÊ aceitamos o convite de participar do projeto. Estamos animados para ver os primeiros resultados do manejo, inclusive para replicá-lo em minha outra fazenda em Goiás”, comenta João Roberto de Arruda Sampaio, proprietário parceiro do município de Piracaia.

No último dia de curso, o grupo conheceu o Sítio dos Compadres, propriedade no município de Joanópolis (SP), onde ocorreu o I Curso de Manejo de Pastagem Ecológico e local onde o sistema foi implantado. Lá, o proprietário rural introduziu 11 cabeças de gado que permanecem três dias em cada piquete, enquanto os outros 15 descansam o solo. “Senti diferença em meu pasto e no solo que parece estar armazenando mais água agora”, comenta José Bragion.

Para o professor, que também ministrou o primeiro curso em outubro de 2013, é notável a diferença na paisagem. “Mesmo com a falta de chuva já podemos observar a melhora no solo, apenas por ele estar descansando. A tendências é melhorar ainda mais com o manejo do gado”, afirma Jurandir Melado.
Os próximos passos do projeto é implantar outras quatro unidades demonstrativas do sistema de pastagem ecológico.

Nos dias 14 e 15 de abril, o Clube de Mães Maria de Nazaré recebeu a visita do Consulado da Mulher, com o objetivo de dar início a uma parceria com o IPÊ na assessoria a empreendimentos de mulheres na região do Baixo Rio Negro (AM). Formado por mulheres ribeirinhas e agricultoras da Comunidade São Sebastião, o Clube existe há 13 anos. Desde 2009, segundo Maria de Jesus Pascoal, 49, que é uma das fundadoras, elas trabalham na produção de doces, biscoitos, geleias e balas com frutas regionais e contam com a parceria e apoio do IPÊ.

Representante do IPÊ no encontro, Mariana Semeghini, ressaltou que isso significa o primeiro passo da parceria com o consulado. “A ideia é que com a concretização da parceria e todo o conhecimento e experiência do consulado na assessoria de empreendimentos femininos, nós possamos melhorar nossa atuação com os grupos de mulheres da região do Baixo Rio Negro, na gestão e aprimoramento da produção. Além disso, os empreendimentos serão monitorados pela metodologia de gestão de empreendimentos solidários por meio de indicadores desenvolvida pelo consulado”, ressaltou.

A experiência da visita serviu também para o consulado ter um diagnóstico do grupo, conforme destacou Aldaci Sousa, educadora do consulado. “O momento foi de conhecer o grupo, ver como tudo funciona e apontar alguns indicadores da vigilância sanitária, por exemplo”, disse Aldaci ao resumir a experiência do primeiro dia.

No segundo dia, três integrantes do clube participaram de uma atividade com mulheres do Sabores do Tarumã, que trabalham com sorvetes e já são assessoradas pelo consulado. “Tivemos uma troca de experiências para que de alguma forma as experiências dessas mulheres ajudem nas atividades do clube”. Ainda segundo Aldaci, atuar em conjunto com o IPÊ para o clube será importante também devido a dificuldade de acesso a comercialização delas.

Quem gostou e aprendeu com o que foi falado durante os encontros foi a própria Maria de Jesus. “Se tudo que foi falado aqui der certo vai ser maravilhoso pra gente. Gostamos muito e estamos animadas para ver o resultado”. Hoje, após a parceria com IPÊ, o grupo já leva os produtos para feiras e eventos que valorizam o trabalho delas.

“Já vendemos nosso produtos em feiras no Rio de Janeiro e isso é muito gratificante. Então, sentimos que essa melhoria só vai nos ajudar a crescer”, finalizou Maria de Jesus.

Retirado de: Blog Eco-Polos

Projeto “Semeando Água”, do IPÊ, ensina método sustentável de uso de solo a proprietários rurais da região


Durante os dias 22, 23 e 24 de abril, o IPÊNegociação Sr Durval realizará o segundo Curso de Manejo Ecológico de Pastagem, com o objetivo de capacitar produtores rurais, representantes de prefeituras e técnicos de Casas de Agricultura (CATI) a converterem a pastagem convencional para o pastoreio rotacional.

A capacitação está prevista no projeto “Semeando Água”, que é patrocinado pela Petrobras e vem desenvolvendo ações para a conservação de recursos hídricos por meio de manejo de pasto, restauração e educação ambiental.

A proposta da capacitação é apresentar as vantagens e benefícios da implantação do manejo ecológico de pastagem como um aliado importante na recuperação do solo. Nos dois primeiros dias, o curso acontecerá no município de Piracaia (SP), local onde está sendo implantado o Manejo Ecológico, um sistema que favorece a dinâmica da pastagem de modo a beneficiar a infiltração de água no solo e a produção animal em si. No último dia de curso, o grupo conhecerá uma propriedade onde o Sistema já funciona, na cidade de Joanópolis. As aulas serão realizadas pelo professor e engenheiro agrônomo Jurandir Melado, que explica: “Antes de se tornar um bom produtor de carne ou leite o pecuarista precisa se tornar um excelente produtor de capim.”

Nesta semana (14 a 16 de abril), a ESCAS recebeu a Professora Marianne Schmink no curso de mestrado profissional para seminários referentes à complexidade da interface da conservação biológica e o desenvolvimento econômico, com olhos voltados para duas dimensões: social e ecológica.

Dentre os vários assuntos pertinentes ao tema da disciplina, há a preocupação em despertar nos alunos a prática da aprendizagem como um processo coletivo. Para isso, foi mencionado, por exemplo, Paulo Freire e sua filosofia que diz respeito à utilização do conceito, apenas, como ponto de partida. Deste modo, a possibilidade em incentivar a criatividade dos alunos é maior e, com isso, obtém-se também, um leque de dimensões e perspectivas sob o mesmo estudo. “Isso ajuda no momento de agir”, diz a professora.

Somada à extensa dedicação em pesquisas, Marianne tem um histórico profissional preenchido de experiências enriquecedoras. Nascida nos Estados Unidos, permaneceu em seu país até 1970, quando veio ao Brasil para elaborar sua pesquisa de doutorado em Belo Horizonte, na UFMG. De lá para cá, como docente da Universidade da Flórida, trabalhou por 16 anos no sul do Pará, realizando um estudo sobre migrações internas para a região norte e, em 1986, se instalou no estado do Acre a fim de fazer um trabalho em parceria com a Universidade Federal do Acre (UFAC). Segundo ela: “Depois de viver todos os dramas do sul do Pará, ver a situação do Acre, com as propostas dos seringueiros, que eram povos da floresta com ideias próprias, foi uma grande inspiração.”

Marianne Schmink faz parte, atualmente, do corpo de docentes da ESCAS e atua, principalmente, no Mestrado Profissional oferecido em dois formatos: modular e intensivo.
Para saber mais sobre o mestrado e os demais cursos, veja aqui:
http://www.ipe.org.br/mestrado/

O site Scientific Report publicou hoje, 17/04, um artigo com a participação de Clinton Jenkins, professor visitante da ESCAS – Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade, sobre uma crise de extração ilegal de madeira que ocorre atualmente na Amazônia Peruana. http://dx.doi.org/10.1038/srep04719

Jenkins e um grupo de pesquisadores descobriram que 68% das concessões oficialmente inspecionadas pelo governo peruano estão canceladas ou sob investigação por graves violações dos regulamentos florestais. Além disso, a natureza das violações indica que as licenças associadas com concessões legais são utilizadas para coleta e transporte de árvores em áreas não autorizadas na Amazônia peruana.

A Amazônia peruana é uma arena global importante quando se trata de promover a exploração madeireira sustentável. Apesar dos esforços para alcançar a sustentabilidade, incluindo uma Lei Florestal moderna e um importante anexo Florestal no Acordo EUA-Peru de Promoção Comercial, a extração ilegal de madeira continua a assolar a região. Estes instrumentos reformaram o sistema legal de registro de concessão - o que permite que o governo peruano conceda contratos de longo prazo para os direitos de exploração em áreas específicas de terra pública. Atualmente, há 609 concessões madeireiras na Amazônia peruana.

Os resultados derivam da análise de nove anos de informações oficiais do OSINFOR, o órgão de fiscalização no Peru, que realiza inspeções pós-registro. Na maioria das concessões inspecionadas, OSINFOR documentou: a extração de madeira fora dos limites de concessão, extração ou transporte de madeira ilegal, não-conformidade com os planos de gestão e apresentação de informações falsas ou incompletas.

Muitas das violações referem-se à extração ilegal de espécies ameaçadas de cedro que estão listados no âmbito da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Silvestres (CITES), que visa garantir que o comércio internacional de espécies não ameace a sua sobrevivência.
Através da análise dos relatórios de concessões inspecionados, o estudo constatou que donos de concessão da exploração madeireira geralmente indicam a presença de madeira abundante, especialmente cedro, no seu plano de gestão e, em seguida, afirmam que a autorização ocorreu. No entanto, quando OSINFOR eventualmente inspeciona área de concessão, pode-se avaliar que as informações contidas no plano de gestão eram falsas, porque não existem tocos das árvores supostamente colhidas.

"Apesar de importantes reformas, grande parte da madeira que sai da Amazônia peruana é ainda provavelmente originada de fora das áreas de concessão autorizadas. Mais reformas e aplicação de regulamentos são, obviamente, ainda necessários", afirma Clinton Jenkins.
Confira o artigo completo, em inglês: http://dx.doi.org/10.1038/srep04719