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Artigo de Suzana Padua (presidente do IPÊ e professora da ESCAS) e Oscar Sarcinelli (pesquisador do IPÊ e professor da ESCAS), aborda as consequências do mau uso do solo nas áreas rurais que abrangem o complexo do Sistema Cantareira. Abaixo, um trecho do artigo. A íntegra está no site O ECO: http://www.oeco.org.br/suzana-padua/28050-cantareira-agua-pode-faltar-por-negligencia-e-desperdicio

 

Ao invés de olharmos para o céu em busca de nuvens, devemos olhar para baixo para enxergarmos outras razões para a escassez de água.

A água que chega a esses milhões de habitantes vem da cabeceira da bacia PCJ (rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí), que compõem os reservatórios do Sistema Cantareira, localizados na região bragantina de São Paulo e sul de Minas Gerais. O que acontece diariamente é uma grande transposição de água, a maior sendo direcionada para a Região Metropolitana de São Paulo. Rios, córregos e nascentes formam a bacia que alimenta reservatórios e, logo, todo o sistema.

Maus tratos

Um diagnóstico com imagens de satélite de alta resolução realizado pelo IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas mostrou que, embora haja boa cobertura de Mata Atlântica na bacia de drenagem do Sistema Cantareira (aproximadamente 40%), há um déficit nas Áreas de Preservação Permanente (APPs). Mais conhecidas como matas ciliares, as APPs têm o papel, entre outras funções, de proteger as cabeceiras de rios e nascentes, contribuindo para a manutenção da qualidade e da quantidade de água. O estudo, realizado em 8 municípios - Mairiporã, Nazaré Paulista, Piracaia, Joanópolis, Vargem (SP), e Extrema, e Camanducaia (MG) – descobriu que 53% dessas APPs estão cobertas com floresta, mas os 47% restantes são pastos para pecuária ou plantações de eucalipto, que ocupam 12% da bacia, e sua produção continua em franca expansão, devido à elevada demanda de carvão e lenha das grandes cidades.

A produção pecuária na região têm origens que remetem à colonização, há mais de 300 anos. Já a silvicultura para lenha e carvão teve início com a construção dos reservatórios do Sistema Cantareira, que, ao alagar as áreas planas e férteis próximas às cidades e onde, tradicionalmente, se plantava gêneros alimentícios como milho, arroz e feijão, fez a população se deslocar para as encostas e buscar uma cultura apropriada a essas áreas, como é o caso do eucalipto. Ambos os sistemas produtivos praticados na região carecem de práticas conservacionistas de solo e assistência técnica rural na escala de paisagem, visto que, quase metade da região de abastecimento desse sistema apresenta uso do solo e manejo da produção inadequados; inovações em ciência e tecnologia não vêm sendo implementadas com frequência.

A ausência de cobertura florestal nas APPs permite uma maior degradação ambiental, e consequências nefastas aos recursos hídricos. O relevo da região é ondulado a acidentado, o que favorece processos erosivos e sedimentação nos corpos hídricos, provocando assoreamento. As áreas florestais que abrangem represas que abastecem o Sistema Cantareira são fundamentais para a recarga hídrica do sistema, pois conferem uma infiltração mais lenta e limpa da água da chuva no solo.

Há também uma falta de ações coerentes com a proteção de um manancial dessa importância. As estradas rurais, por exemplo, são mal projetadas e com manutenção deficitária. A quantidade de barcos a motor navegando nos reservatórios tem aumentado, e as atividades turísticas surgem de forma desorganizada. Consequências incluem especulação imobiliária, parcelamento e impermeabilização do solo por construções inadequadas, resíduos de combustíveis e óleos lubrificantes das embarcações, presença de pousadas e marinas.

Esse cenário, somado ao desrespeito à legislação ambiental e à sedimentação provocada pelo uso inadequado do solo estão "sufocando" nascentes e corpos d'água que desaguam nos reservatórios. Portanto, estamos cuidando mal das áreas situadas na bacia de drenagem do Sistema Cantareira.

IMG 0397O projeto “Semeando Água”, patrocinado pela Petrobras, tem concentrado esforços para influenciar mudanças em práticas de uso do solo em propriedades rurais que compõe o Sistema Cantareira de abastecimento de água.

Um dos objetivos do projeto é implantar o Sistema Voisin (lê se “voasan”) em seis propriedades piloto. O professor Jurandir Melado, da Universidade Federal do Mato Grosso, explica os princípios básicos desse sistema: o capim deve ser consumido pelo gado no ponto certo do seu desenvolvimento e o pastoreio deve ser feito no menor período possível pelo criador. Desta forma, o capim ficará em repouso para mais um ciclo de crescimento. Para que isso ocorra o procedimento é dividir o pasto em números de piquetes, de forma a permitir que o capim seja sempre consumido no momento mais adequado.

“É conveniente que se tenha pelo menos 40, sendo que quanto mais piquetes tivermos mais fácil é gerenciar o sistema.”, explica o professor.
Ainda segundo o professor, qualquer pastagem pode ser convertida em uma Pastagem Ecológica, desde que o manejo seja voltado para a diversificação das gramíneas, arborização adequada, que respeite os conceitos do Sistema Voisin, além de deixar de utilizar: adubos altamente solúveis, fogo e herbicidas .
O “Semeando Água” já implantou uma unidade demonstrativa no município de Joanópolis (SP) e continua formando novas parcerias com proprietários rurais da região. 

“Estou animado para ver os resultados. Minha maior preocupação é a proteção das encostas, já que minha propriedade fica localizada em um vale e sofro constantes enxurradas, que além de me gerar gastos, compromete as nascentes que tenho aqui”, afirma o produtor parceiro, José Bragion.

mico leao capa face1Já está à venda na Loja do IPÊ o livro "Mico-Leão-Preto: A História de Sucesso na  Conservação de uma Espécie Ameaçada". 

Escrito pela bióloga Gabriela Cabral Rezende, a publicação conta a história dos esforços para a conservação deste primata que só existe na Mata Atlântica do Estado de São Paulo e que já foi considerado extinto da natureza. Ao ser redescoberto nos anos 70, o mico-leão-preto foi alvo de pesquisas científicas e ações de mobilização comunitária que contribuíram para a sua sobrevivência, tornando-se símbolo de sucesso em conservação de espécies ameaçadas no Brasil e no mundo. 

Por meio de um levantamento enriquecido por entrevistas com personalidades brasileiras e internacionais que ativamente contribuíram para salvar essa espécie, a autora relata e analisa as ações do Programa de Conservação do Mico-Leão-Preto, realizado pelo IPÊ. O livro conta os esforços de pessoas engajadas para recuperar as populações de micos da natureza e, ao mesmo tempo, restaurar o habitat da espécie: a floresta Atlântica do interior de São Paulo. Utilizando o Programa como um modelo, são identificadas as principais estratégias que podem levar um programa de conservação ao sucesso.

A publicação é resultado do produto final do Mestrado Profissional em Conservação da Biodiversidade e Desenvolvimento Sustentável da qual a autora foi aluna pela ESCAS - Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade, escola criada pelo IPÊ, para multiplicação do conhecimento em meio ambiente e conservação. Parte da renda gerada com a venda do livro será destinada ao Programa de Conservação do Mico-leão-preto, do IPÊ, e revertida em ações para a conservação da espécie e seu hábitat.

Título: Mico-leão-preto - A história de sucesso na conservação de uma espécie ameaçada
Autora: Gabriela Cabral Rezende
Prefácio: Claudio e Suzana Padua
176 páginas
Editora Matrix
Preço: R$34,90 (+ envio) 

Compre pela Loja do IPÊ: http://www.lojadoipe.org.br/mico-leao-preto-a-historia-de-sucesso-na-conservacao-de-uma-especie-ameacada.html

A Secretaria de Estado do Meio Ambiente de São Paulo apresentou no dia 14 de fevereiro, na Câmara Municipal de Teodoro Sampaio, o projeto de criação da ASPE Pontal do Paranapanema. As chamadas ASPEs - Áreas Sob Proteção Especial, servirão como áreas de proteção e de reconexão da Mata Atlântica do Interior do estado. A medida tem como meta contribuir para a restauração de uma área com um histórico de devastação florestal que resultou na fragmentação florestal e isolamento dos animais que habitam o bioma, elevando ainda mais o seu risco de extinção.

A necessidade da criação de áreas especiais no interior de Sâo Paulo, veio por meio de levantamentos sobre a biodiversidade local, que identificaram a importância de se conservar os remanescentes florestais da Mata Atlântica, marcando assim uma nova fase de mobilização para a integração de esforços para conectividade dos fragmentos florestais e conservação regional.

Unindo o conhecimento científico do IPÊ ao longo de mais de 21 anos de atuação na região, junto com dados de  Biota FAPESP, Comissão Paulista da Biodiversidade, Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, Instituto Florestal, Fundação Florestal, MMA e Apoena, a secretaria estadual de meio ambiente estabeleceu um mapa que vai orientar onde será realizada a restauração florestal na ASPE, para reconectar os fragmentos florestais, restabelecendo a paisagem e a biodiversidade local. O mapa, inclusive, conta com dados do “Mapa dos Sonhos” do Pontal, criado pelo IPÊ, que aponta as áreas mais estratégicas a serem restauradas com o objetivo de proteger espécies da fauna ameaçadas de extinção, como é o caso do mico-leão-preto e da onça-pintada.

Com base no seu “Mapa dos Sonhos” o IPÊ já restaurou 700 hectares de Mata Atlântica, que formam hoje o maior corredor de biodiversidade já reflorestado no Brasil: são 1,4 milhões de árvores que ligam a Estação Ecológica Mico-Leão-Preto (ESEC) ao Parque Estadual Morro do Diabo (PEMD), as principais Unidades de Conservação do Pontal do Paranapanema.

Além da ASPE Pontal do Paranapanema, a secretaria já apresentou projeto para a criação das ASPES do Rio do Peixe e do Rio Aguapeí (SP).

Acesse o mapa da ASPE Pontal do Paranapanema: http://www.ambiente.sp.gov.br/biodiversidade/files/2014/02/PONTAL_ASPE_29.01.2014.pdf

O mês de Janeiro na ESCAS, escola do IPÊ, terminou com quatro cursos de curta duração realizados, com um total de 60 participantes. O último deles, Sistema de Informação de Geográfica (SIG) Aplicado à Biologia da Conservação, trouxe alunos de diversas áreas para a ESCAS, como a bióloga Tatiane Rech. Responsável pela gestão dos Programas de Monitoramento e Conservação da Fauna Terrestre e Manejo Arqueológico da empresa em que trabalha, Tartiane aproveitou o mês para fazer dois cursos de curta duração que foram complementares para o seu conhecimento.Após a conclusão do curso de verão, que aconteceu ainda no início de Janeiro, optou pelo curso de SIG.

"Conheço o IPÊ e sua competência desde a época da faculdade, no Rio Grande do Sul e há tempos gostaria de fazer um curso de curta duração. Somado a isso, estou a frente de um trabalho que me demanda a busca estratégica de manuseio de dados e informações para que se ponha em prática ações que sejam mais efetivas na conservação da biodiversidade", disse.

Os cursos de Verão e o de SIG, dos quais Tatiane participou são, respectivamente, introdução ao conhecimento de ferramentas, abordagens e estratégias direcionadas a enfrentar os atuais desafios de conservação; e técnicas para preparar e interpretar imagens de satélite e como utilizar SIG para integrar e analisar dados especializados. Os dois, tiveram duração de 7 e 5 dias, em Nazaré Paulista, cidade que fica a menos de 100 km de São Paulo.

Sobre a estrutura de imersão utilizada pela ESCAS, a aluna diz: "Além dos seminários e práticas intensivos, ainda há os intervalos fora da sala de aula que possibilitam a troca de conhecimento e experiência com pesquisadores e colegas. Posso dizer que o “pacote" oferecido pela Instituição - e a isso me refiro ao conteúdo dos cursos, ambiente em que acontece, contatos, etc, é o que faz da Escola uma referência."

Saiba mais sobre nossa grade de cursos: http://www.ipe.org.br/cursos/calendario-de-cursos