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O Ministério Público do Mato Grosso do Sul exigiu do governo estadual um cronograma de implementação do Plano de Mitigação de de Fauna Atropelada na Rodovia MS-040, elaborado em 2017 pela Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira (INCAB), projeto do IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas. A questão foi discutida em reunião técnica convocada pela INCAB/IPÊ e MP, no dia 28 de fevereiro, em Campo Grande, e contou com a presença da imprensa e de representantes dos órgãos responsáveis pela rodovia e pelos processos de licenciamento ambiental do Estado.

A MS-040 liga os municípios de Campo Grande e Santa Rita do Pardo.  A rodovia apresenta um grave problema de atropelamentos de animais silvestres, em sua maioria mamíferos de médio e grande porte. Muitas dessas espécies animais são ameaçadas de extinção, como a anta-brasileira e o tamanduá-bandeira.

Entre janeiro de 2015 e fevereiro de 2018 (cerca de 3 anos), foram registradas pela equipe do projeto 97 ocorrências de atropelamento de antas na MS-040. Entre fevereiro de 2013 e fevereiro de 2018 (5 anos), 370 antas foram atropeladas em todo o estado do Mato Grosso do Sul. Os acidentes envolvendo animais de grande porte são também um alto risco para as pessoas trafegando pelas rodovias, uma vez que as colisões com antas, um animal com cerca de 250 kg, já causaram a morte de 23 pessoas e ferimentos de 46 em todo o Estado, entre 2013-2017.  

O Plano de Mitigação mencionado acima foi entregue ao Estado do MS em 2017, mas ainda não foi implementado. Patrícia Medici e Fernanda Abra, responsáveis pelo trabalho (foto), afirmam que, embora existam passagens inferiores por sob a rodovia (passagens de gado, redes de drenagem e pontes), muitos animais atravessam pela pista e que isso pode ser evitado com medidas simples. "O cercamento nas laterais das passagens inferiores reduz em até 86% as chances de acidentes com animais em rodovias, uma medida simples que poderia salvar vidas humanas e dos animais silvestres. Todo o monitoramento já foi feito. Agora é hora de parar de monitorar e agir”, afirmaram.

 

Um levantamento preliminar da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (AGESUL) mostra que a colocação de cercas nas 39 travessias existentes demandaria algo em torno de R$ 8 milhões. O representante da agência, Pedro Celso de Oliveira Fernandes, afirmou que o governo pretende aproveitar o estudo da INCAB/IPÊ na MS-040. Uma das possibilidades é a instalação de radares para forçar os motoristas a diminuírem a velocidade e assim reduzirem as chances de atropelamento de animais.  Na MS-040, a velocidade máxima permitida é de 80 km/h. A outra possibilidade, segundo ele, é o cercamento em alguns pontos, como está proposto no plano.

 

O promotor de Justiça Luiz Antônio Freitas de Almeida, que convocou a reunião, pediu aos representantes do governo do Estado que apresentem um plano com um cronograma de ações na MS-040, o mais rápido possível e sugeriu aos representantes do governo um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). Os representantes da AGESUL e IMASUL (Instituto de Meio Ambiente de MS), comprometeram-se a dar andamento ao trabalho.

Enquanto isso, segue rodando a petição pública pela implementação do plano de mitigação na MS-040. Assine e compartilhe!

 

 

O Parque Nacional do Jaú (Parna Jaú) e a Reserva Extrativista do rio Unini (Resex Unini), no Amazonas, tiveram uma temporada recorde de soltura de filhotes de quelônios, no mês de fevereiro. Ao todo foram soltos na natureza 6.000 filhotes de quatro espécies típicas da Amazônia: tartaruga-da-amazônia, tracajá, irapuca e cabeçudo. Os eventos de soltura contaram com a participação do IPÊ e dos monitores formados pelo projeto Monitoramento Participativo de Biodiversidade, em parceria com o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade). Além disso, voluntários e colaboradores do Parna estiveram presentes, apoiando as solturas.

No Parna Jaú, de uma só vez, foram soltos filhotes de 42 ninhos de tartarugas-da-amazônia, eclodidos nas praias da foz do Rio Jaú. O evento de soltura contou com a participação de aproximadamente 70 pessoas, entre crianças e educadores da Fundação Almerinda Malaquias - FAM, de Novo Airão. Filhotes eclodidos no Rio Unini, também foram soltos em mais oito eventos, realizados com crianças das comunidades Terra Nova, Patauá, Tapiira, Manapana, Floresta II, Lago das Pombas, Vista Alegre e Vila Nunes, localizadas nas áreas do Parna Jaú, da Reserva Extrativista do Rio Unini e RDS Amanã.

"Esta foi a primeira vez que conseguimos proteger tantos ninhos. Sinal que as fêmeas de tartaruga-da-amazônia estão aumentando ou se sentindo à vontade para desovar nas nossas praias protegidas", comentou o monitor base Carabinani Parna Jaú, Ademilson Cabral.

 

 

O papel dos monitores                            

O sucesso das solturas está ligado ao trabalho realizado durante mais de cinco meses por monitores voluntários, que protegeram as praias e ninhos desde a desova à eclosão dos filhotes de quelônios. Eles recebem o apoio do projeto Monitoramento Participativo de Biodiversidade em UC's da Amazônia - parceria IPÊ/ICMBio com o programa MONITORA do ICMBio/COMOB e subprograma Aquático Continental realizado pelo ICMBio/CEPAM.

O monitoramento dos quelônios no Parna Jaú e Resex Unini segue o protocolo de coleta de dados do ICMBio. Embora tenha diretrizes básicas estabelecidas pelo Instituto, o protocolo é construído de forma participativa: comunitários, especialistas e gestores desenham a melhor forma de coletar informações sobre a biodiversidade local, buscando proteger os quelônios amazônicos mais comuns e que sofrem pressão para consumo na Amazônia.

"A participação da comunidade é de grande importância nesse processo. Além de apoiarem conservação e sensibilização ambiental, os monitores estão coletando informações populacionais importantes para um monitoramento a longo prazo dos quelônios da região", afirma Virgínia Bernardes, pesquisadora do projeto do IPÊ.

Para Josângela da Silva Jesus, analista do Parna Jaú, o monitoramento de quelônios tem uma grande importância para a gestão da UC. "Vai além do fator ecológico, trabalha a sensibilização dos atores envolvidos. É muito gratificante ver a felicidade dos participantes desses eventos de soltura de quelônios e não há dúvida que muda a relação das pessoas, sejam moradores ou visitantes, com as Unidades de Conservação", diz.

Suzane Cruz, voluntária do Parque Nacional, que participou da etapa de proteção de praias e ninhos de tartarugas-da-amazônia, concorda: "Além de ter sido uma experiência incrível, poder contribuir para o equilíbrio do meio ambiente e possibilitar que milhares de vidas estejam livres na natureza, me motiva a engajar mais pessoas para participarem do monitoramento".

O Programa de Monitoramento Participativo da Biodiversidade do Parque Nacional do Jaú e da Reserva Extrativista do Rio Unini é realizado pelo ICMBio, com apoio do IPÊ projeto Monitoramento Participativo de Biodiversidade, com recursos do Programa ARPA, Fundação Gordon and Betty Moore e USAID. Outros parceiros também apoiam a iniciativa: WCS-Brasil, FVA, UFAM/Pé-de-Pincha, SEMA-AM e Prefeitura Municipal de Novo Airão pelo Programa de Conservação de Quelônios do Mosaico do Baixo Rio Negro - PCQMBRN. 

 

(FOTOS: Virginia Bernardes)

O processo seletivo para as vagas de jornalista, de estágio em Educação Ambiental, e estágio em Comunicação Social para o projeto "Semeando Água" foi encerrado. Confira os selecionados:

Jornalista
Tatiane Ribeiro

Estágio em Educação Ambiental:
Daniellen do Nascimento Oliveira
Luan Cauê de Abreu

Estágio em Comunicação Social:
Amanda Da Silva Castro Teixeira

 

 

O projeto Monitoramento Participativo de Biodiversidade busca um assistente de monitoramento aquático continental, com ênfase em uso de recursos animais (protocolo de consumo de Quelônios). O profissional irá auxiliar o IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas e a Fundação Vitória Amazônica (FVA) na continuidade de coleta de dados e capacitação do protocolo complementar quelônios, na UC piloto Reserva Extrativista do Rio Unini e Parque Nacional do Jaú.

Mais informações neste EDITAL.
Inscrições encerram-se no dia 18/02.