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Já é possível acessar online as mais importantes informações e dados sobre todas as 327 Unidades de Conservação federais (UCs) do Brasil. Está no ar o Painel Dinâmico de Informações Gerenciais do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), criado com o IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas.

O painel será lançado oficialmente dia 06 de junho, na semana do meio ambiente, no auditório do ICMBio em Brasília, mas já pode ser acessado aqui.

Dados de pesquisas, gestão e atividades das UCs de todos os biomas brasileiros estão reunidos em um único local para consulta, de forma atualizada e simplificada. O painel é resultado da utilização do software QlikView®, ferramenta de business intelligence, voltado aos processos de coleta, organização, análise, compartilhamento e monitoramento de dados que oferecem suporte à gestão de uma organização.

O banco de dados está disposto em grupos temáticos interativos, que reagem de imediato ao uso de filtros e caixas de seleção. Com isso, é permitido ao usuário realizar a navegação e o cruzamento de informações oriundas de diversas áreas temáticas, obtendo uma visualização rápida e integrada dos importantes resultados produzidos pelo ICMBio.

As informações revelam resultados de 10 anos de trabalho do ICMBio e também a transparência da aplicação dos recursos nas UCs como: números da Fauna avaliada pelo ICMBio, Gestão Administrativa e de Pessoas, Uso Público, Turismo, Pesquisa de Biodiversidade, Orçamento e Finanças. Tais dados podem ser utilizadas para fins educativos, de pesquisa, turistas, cidadãos e imprensa.

“A ferramenta é bastante intuitiva e muito poderosa para consulta, análise e integração de dados. Todos os seus gráficos e tabelas são interconectados, de modo que, ao fazer qualquer seleção na visualização, as informações são rearranjadas segundo o critério selecionado”, afirmou Marcelo Kinouchi, chefe da Divisão de Gestão Estratégica e Modernização do ICMBio.

A coordenadora de projetos do IPÊ, Fabiana Prado, destaca a importância da ferramenta para os gestores das UCs federais. "Além da transparência dos dados e de reunir em um único lugar informações tão relevantes, a ferramenta vai proporcionar um ganho de escala no trabalho de gestão das unidades de conservação, otimizando e qualificando a tomada de decisão de quem trabalha diariamente para o desenvolvimento das UCs federais".

O IPÊ, organização que atua há 25 anos pela proteção da biodiversidade, foi um dos responsáveis pela elaboração dessa ferramenta, por meio do projeto Motivação e Sucesso na Gestão de UCs, apoiado pela Fundação Moore. O projeto acontece em parceria com o ICMBio há seis anos e busca ampliar a qualidade da gestão das UCs no Brasil, por meio do incentivo as boas práticas dos gestores de áreas protegidas. Para isso, dá apoio técnico, capacitação e promove debates entre os seus principais articuladores e interessados.

 

O projeto Monitoramento Participativo da Biodiversidade realizou em maio seu primeiro curso de capacitação de protocolos para monitoramento da biodiversidade na Reserva Extrativista (Resex) Rio Ouro Preto, em Guajará-Mirim, Rondônia. O objetivo foi preparar a comunidade local para a realização de coleta de dados do monitoramento da diversidade biológica na Resex, trabalho que já vem sendo feito em mais sete Unidades de Conservação da Amazônia pelo IPÊ em parceria com o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade).

Para a instrução do protocolo de Mamíferos e aves, bem como o de Borboletas frugívoras, o evento foi realizado com a participação e apoio da equipe de consultores do IPÊ e para o protocolo de plantas lenhosas contou com o apoio do Serviço Florestal Brasileiro - SFB.

Ao todo, participaram do curso 12 extrativistas moradores da Resex, 12 alunos do curso de Gestão Ambiental da Universidade Federal de Rondônia e oito colaboradores do ICMBio, Polícia Militar Ambiental, Corpo de Bombeiros, Emater, e da Sema de Porto Velho.

Com os biólogos Camila Lemke e Samuel Nienow, os alunos vivenciaram a prática de instalação e revisão de nove armadilhas de borboletas e foram capacitados quanto à biologia e identificação de espécies. Em uma trilha, realizaram a prática de censo de aves e mamíferos com as orientações do biólogo Paulo Bonavigo e prática de plantas, com o engenheiro florestal Adriano Ferreira.

Atualmente, a Resex está em processo de implementação de estações amostrais e possui uma trilha de 5km já implementada para o protocolo de mamíferos e aves. Ainda em 2017, a UC pretende abrir as demais trilhas e implantar as cruzes de malta para a coleta dos dados de plantas lenhosas.

O IPÊ acaba de lançar o Atlas do Sistema Cantareira. A publicação sintetiza os resultados de muitos anos da atuação do Instituto na região de influência do Sistema Cantareira, entre eles a criação de um banco com informações geoespaciais com mapas de alta resolução sobre o uso do solo, a hidrografia, o relevo e os remanescentes de Mata Atlântica.  O download do material pode ser realizado no LINK.

Uma das organizações mais atuantes no cenário do Sistema Cantareira, o IPÊ tem como foco de atuação a proteção dos recursos hídricos em municípios que influenciam a qualidade da água no sistema. Ações como combate a erosão e produções sustentáveis junto com produtores rurais, reflorestamento e educação ambiental estão no escopo deste trabalho. O Atlas traz informações relevantes dentro deste contexto como as áreas prioritárias para conservação e restauração; áreas mais vulneráveis a processos erosivos; e áreas com maiores passivos ambientais, relacionados à ausência de APPs (Áreas de Preservação Permanente). A publicação contém também informações socieconômicas das populações dos 12 municípios que compõem o Sistema Cantareira, a partir de levantamentos de campo e de dados secundários.

"Acreditamos que esse trabalho será especialmente útil para o planejamento futuro dessa região, fornecendo as bases para criarmos os melhores cenários, que aliem a conservação da biodiversidade com o desenvolvimento sustentável, permitindo ao mesmo tempo a manutenção dos serviços ecossistêmicos e a produção responsável no meio rural", afirma Alexandre Uezu, coordenador de projetos e organizador da publicação.

O Sistema Cantareira tem hoje um déficit de 35 milhões de árvores, de acordo com dados do IPÊ. As árvores seriam um dos caminhos mais importantes para se conquistar segurança hídrica na região onde 60% das APPs, que deveriam ser florestas, por lei, estão tomadas por eucalipto ou pasto. O Instituto é responsável pelo plantio de 300 mil árvores em áreas de mananciais, um passo importante para a conservação local, mas ainda insuficiente perto da necessidade. Além disso, testou e aprovou modelos de manejo de pastagem ecológica, que trazem benefícios para a água e para a produção rural, mostrando que conservação e produção podem caminhar em conjunto. 

Produção do Atlas

A produção dos dados e ideias originais do Atlas se desenvolveram no contexto de dois projetos do IPÊ: o projeto Embaúba: recuperação de áreas degradadas no corredor Cantareira-Mantiqueira, que recebeu o apoio do Funbio e o projeto Semeando Água, patrocinado pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental.

Após esta fase inicial de coleta de dados e tratamento das informações que viraram mapas, a produção dos textos se deu através do braço de educação do IPÊ, a ESCAS – Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade.

Parte dos textos foram produzidos por alunos de duas turmas em uma disciplina do Mestrado Profissional da escola intitulada Resolução de Desafios. Para isto contaram com a contribuição de professores e pesquisadores do IPÊ.

"Foi um trabalho escrito a várias mãos, o que o enriquece ainda mais.  O Atlas traz o apelo único da transformação dessa região ímpar, que tem sua importância justificada por inúmeros atributos relacionados à cultura do seu povo, à riqueza de sua fauna e flora e à abundância dos recursos naturais", complementa Alexandre, um dos professores da disciplina.

As versões impressas serão distribuídas gratuitamente para tomadores de decisão locais e proprietários rurais interessados nos dados.