Curso na Amazônia capacita jovens comunitários para monitoramento de seus próprios recursos naturais

 

O IPÊ e a Fundação Vitória Amazônica (FVA), em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), realizaram nos dias 16 e 17 de maio o IX Curso de Capacitação de Monitores do Sistema de Monitoramento do Uso de Recursos Naturais do Rio Unini (SiMUR), no Espaço FVA, em Novo Airão/AM. Participaram 12 jovens monitores de nove, das 10 comunidades do rio Unini, localizado no município de Barcelos, Amazonas. O objetivo foi capacitar, reciclar e atualizar os monitores quanto aos protocolos de coleta de dados de uso de recursos naturais do rio Unini, bem como a elaboração junto com os próprios monitores do novo formulário de consumo de quelônios, para teste e consolidação em campo.

Há nove anos, recursos naturais do rio Unini são monitorados por comunitários treinados, através do SiMUR, programa criado e implementado pela FVA. Em 2014, o ICMBio criou o Programa MONITORA, que conta com os subprogramas Monitoramento Florestal e Monitoramento de Biodiversidade Aquática Continental. Coordenado pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Amazônica (CEPAM), do ICMBio, o subprograma de Monitoramento de Biodiversidade Aquática Continental ganhou reforço com a implementação do Projeto Monitoramento Participativo da Biodiversidade em Unidades de Conservação da Amazônia (MPB), idealizado e executado pelo IPÊ. Como inovação, surgiram os Protocolos Complementares, especialmente voltados à biodiversidade amazônica. Entre os vários protocolos (castanha, caça, pirarucu e outros), insere-se o Grupo Alvo Quelônios Amazônicos, subdividido em três componentes: ninhos, status populacional e consumo.

O rio Unini foi o território escolhido como piloto para consolidação do Protocolo Complementar do Grupo Alvo Quelônios Amazônicos, levando-se em consideração a confiabilidade, relevância e quantidade de informações coletadas e sistematizadas pelo SiMUR. Por abranger três unidades de conservação de diferentes esferas, estadual e federal, (Parque Nacional do Jaú, Reserva Extrativista do Rio Unini e Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Amanã), o SiMUR foi fundamental para a definição da metodologia a ser seguida e replicada em outras unidades de conservação de uso sustentável na Amazônia.

Todas essas iniciativas interagem diretamente com o Programa de Conservação de Quelônios do Mosaico do Baixo Rio Negro (PCQMBRN), bem como com o Programa de Monitoramento da Biodiversidade e do Uso de Recursos em Unidades de Conservação Estaduais do Amazonas (ProBUC) e do Programa Pé-de-Pincha, da Universidade Federal do Amazonas (UFAM).

SiMUR e comunidades

Aproximadamente 150 famílias participam do SiMUR. Elas são entrevistas mensalmente pelos monitores sobre seus hábitos de uso de recursos naturais no rio Unini. Ao longo de quase uma década de operação do SiMUR, o sistema conta com uma base de dados com mais de 100 mil registros de declarações que incluem dados georreferenciados sobre cerca de 250 espécies da flora e fauna, dados sobre ocorrência de 24 espécies da fauna de interesse para a conservação e dados sobre produção agrícola.

Participam do curso monitores das comunidades Lago das Pedras, Terra Nova, Patauá, Tapiira, Manapana. Lago das Pombas, Floresta, Vista Alegre e Vila Nunes, todas localizadas no rio Unini.

O projeto Monitoramento da Biodiversidade (MPB), do IPÊ, em parceria com o ICMBio, é financiado pela USAID e pela Gordon and Betty Moore Foundation.