Projeto com abelhas sem ferrão busca geração de renda e melhoria nos serviços ecossistêmicos

Moradores de oito assentamentos no Pontal do Paranapanema fazem parte do projeto "Jardineiras da Floresta", que incentiva o uso de abelhas Jataí (Tetragonisca angustula), sem ferrão, para a produção de mel em suas propriedades. O projeto começou em 2016 e envolve 20 famílias. Cada uma implementou quatro colmeias de abelhas nos sistemas agroflorestais de suas propriedades, com apoio do IPÊ. Além da obtenção de produtos como mel, cera, resina e própolis, para comercialização, as colmeias são instrumentos para aumentar a polinização na produção agrícola dos assentados, incluindo as áreas de "Café com Floresta" - uma iniciativa agroecológica desenvolvida pelo IPÊ há mais de 15 anos na região. As 20 propriedades participantes ainda beneficiam indiretamente a polinização de outras 80 áreas vizinhas: estima-se que as abelhas polinizem em um raio de até 1.000 metros.

O projeto é considerado uma inovação local porque fortalece as ações sociais e ambientais na região, promovendo a geração de renda e combinando produção com conservação do meio ambiente. O grande desafio nessas propriedades é a adaptação das colmeias nos sistemas agroflorestais, principalmente em assentamentos expostos a pulverização aérea de agrotóxicos. Para isso, o IPÊ promoveu a capacitação de 60 produtores (participantes do projeto e interessados), trabalhou com assistência técnica, e trocou experiências com os produtores para tentar criar mecanismos para facilitar a adaptação das colmeias nos bosques. A coleta do mel e condução das colmeias também foram pontos de preocupação nesse sistema, por isso o Instituto vai manter as atividades de assistência técnica.

"Nosso objetivo é também melhorar a relação dos produtores e sua família com a produção diversificada de subsistência e agroecológica. Monitoramos a adaptação das colmeias e criamos estratégias conjuntas dentro dos bosques para a condução dos enxames", explica Haroldo Borges, do IPÊ.

O assentado Antonio Nicolau de Andrade apostou na ideia. Ele tem em seu terreno quatro colmeias e já começa a ver os primeiros resultados. "É uma coisa que não dá muito trabalho e que pode render alguma coisa pra gente. Acho que vai ser positivo", diz ele, que já produz alimentos no Sistema Agroflorestal. Mandioca, batata, maxixe, abobrinha, entre outros, dividem harmoniosamente o espaço com árvores nativas da Mata Atlântica e garantem renda ao produtor, que comercializa os alimentos em feiras e na Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).