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No dia 5 de outubro, Suzana Padua recebeu o prêmio Lifetime Achievement Award 2018, durante um evento na Universidade da Flórida (UF), Estados Unidos. A presidente do IPÊ foi homenageada pelo Conselho do Centro de Estudos Latino-Americanos (LAS) da Universidade, que reconhece ex-alunos da universidade cujas realizações ao longo dos anos tiveram um impacto significativo em seu campo de forma regional, estadual ou nacional.

 

O prêmio levou em conta o papel de liderança e serviço à comunidade e à sociedade de Suzana, bem como as conquistas significativas na sua carreira, o seu histórico na capacitação para conservação e educação ambiental por meio da criação do IPÊ, do programa de educação ambiental da organização e da ESCAS - Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade.

Com mestrado concluído na Universidade da Flórida (UF), em 1991, com foco em educação ambiental e, posteriormente, o doutorado na Universidade de Brasília (UnB), em 2004, Suzana publicou mais de 50 artigos e orientou 30 estudantes de Mestrado, ao longo de sua carreira até o momento. Por conta de ações que influenciaram a transformação socioambiental e a vida de muitos estudantes, profissionais e membros da comunidade rural, especialmente mulheres, foi reconhecida por 17 prêmios nacionais e internacionais. O trabalho ao lado de seu marido, Claudio Padua, desenvolvendo programas de pós-graduação pioneiros, foi inspirado pela formação interdisciplinar que ambos receberam no Centro de Estudos Latino-Americanos da UF e no programa de Tropical Conservation Development - TCD (Conservação e Desenvolvimento Tropical) do Centro.

“Estou extremamente feliz por esse prêmio, que divido com toda a equipe do IPÊ e nossos parceiros, porque não fazemos nada sozinhos. O Centro de Estudos Latino-Americanos e o TCD influenciaram Claudio e eu tremendamente. Quando estávamos montando o currículo dos cursos de curta duração do IPÊ, Masters e até do MBA, usamos nossa experiência interdisciplinar na UF como base para o que queríamos oferecer. É assim que os temas sociais e ambientais se tornam inseparáveis, dando à vida mais significado e valor”, afirmou Suzana.

 

Criada em 2002, no Acre, a Reserva Extrativista (Resex) do Cazumbá-Iracema ocupa quase 40% do território de Sena Madureira. A área abriga 350 famílias que lutaram e continuam lutando para conservar a floresta e seus castanhais, de onde retiram o sustento.

Há quatro anos, por meio do projeto Monitoramento Participativo da Biodiversidade, realizado em parceria com o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), o IPÊ chegou para apoiar ainda mais o processo de conservação no local. Para isso, desenvolve cursos para formação de monitores e oficinas para implementação e aperfeiçoamento de protocolos de monitoramento dos castanhais. Confira no VIDEO

Com o projeto, a comunidade é protagonista e cria o seu próprio futuro. São os moradores e extrativistas que fazem a coleta de dados e sabem a hora e a maneira certa de coletar as castanhas, para que o extrativismo seja realizado de forma sustentável. Essa prática foi fruto de uma integração entre o conhecimento tradicional das populações que vivem na Resex e o aprendizado com os cursos do projeto. Jovens e adultos estão engajados para manter a floresta e os castanhais.

"Nosso maior legado para a Resex foi proporcionar a troca de conhecimentos e levar ainda mais informação. Os cursos sobre manejo dos castanhais e como aplicar o protocolo para realizar o monitoramento foram muito importantes para o processo de engajamento das pessoas pela conservação dos castanhais. Hoje, você consegue perceber de fato o envolvimento das pessoas porque, com informação, eles têm um cuidado maior, sabem o momento certo de cortar e o que cortar nos castanhais, garantindo que aquele recurso permaneça por mais tempo na Unidade de Conservação", afirma Ilnaiara Gonçalves de Sousa, pesquisadora de campo do IPÊ.

O projeto Monitoramento Participativo da Biodiversidade tem apoio de USAID, Gordon and Betty Moore Foundation e ARPA.

 

O biólogo do IPÊ Haroldo Borges Gomes participou do Fórum sobre Experiências de Monitoramento de Restauração e Conservação de Bosques, em San Juan Nepomuceno, na Colômbia. A convite do Proyecto Titi (Projeto Tití), Haroldo, que também é Mestre em agronomia, fez uma palestra sobre o sucesso do projeto de restauração florestal e de paisagens no Pontal do Paranapanema e participou de atividades de intercâmbio.

"Foi uma grande experiência. O projeto da Colômbia já vem trocando informações conosco há algum tempo, pois têm desafios semelhantes aos nossos, que são o de conservar um primata por meio da proteção e restauração de seu habitat. No evento, pude falar mais sobre a nossa atuação no Pontal e os resultados do corredor da Mata Atlântica para um público mais amplo, de diversas instituições de projetos e pesquisas, estudantes, universidades, representantes de parques nacionais de conservação da natureza", afirma Haroldo.

O Fórum compartilhou experiências sobre esforços de restauração de bosques, incluindo métodos, estratégias e resultados que possam inspirar outras organizações interessadas em promover as mesmas práticas em suas localidades.

O Projeto Tití luta para conservar o sauim-cabeça-de-algodão (Saguinus oedipus), um dos primatas mais ameaçados do mundo. A espécie foi declarada ameaçada em 1973 após a exportação de 20.000 a 40.000 micos para os Estados Unidos para uso em pesquisa biomédica. No final da década de 1970 e durante a maior parte da década de 80, verificou-se que esses primatas desenvolvem espontaneamente adenocarcinoma do cólon. Eles serviram como o principal modelo para estudos aprofundados desta doença ao longo de grande parte desta década. Hoje, a maior ameaça à sobrevivência do sauim-cabeça-de-algodão é o desmatamento para agricultura, combustível e habitação, além da coleta para o comércio local de animais de estimação na Colômbia.

 

Com apoio de um fundo de conservação da empresa inglesa de cosméticos LUSH (Sustainable LUSH Fund), o IPÊ implementou mais 12 ocos artificiais em fragmentos da Mata Atlântica no Pontal do Paranapanema para serem usados por micos-leões pretos (Lentopithecus chrysopygus).

caixamicoOs ocos estão sendo testados desde 2017 em áreas florestais da região, a fim de servirem como abrigos temporários para os micos. Diante das respostas positivas obtidas, em breve, os abrigos serão implementados também no corredor de Mata Atlântica do Oeste Paulista. O corredor é o maior do Brasil e foi plantado pelo IPÊ para conectar o Parque Estadual Morro do Diabo (PEMD) à Estação Ecológica Mico-Leão-Preto (ESEC-MLP). Apesar de pesquisas já indicarem que existe alimentação disponível para os micos no corredor, como frutas e insetos, as árvores ainda são muito recentes e não têm ocos naturais formados, que são usados pela espécie como abrigo e dormitório. Assim, as caixas de madeira poderão fazer essa função e ajudar a monitorar o comportamento da espécie na área.

Juntamente com os ocos artificiais, a equipe instala armadilhas fotográficas para monitoramento do uso pelos micos e do seu comportamento. Resultados preliminares já indicam o uso das caixas não somente pelos micos, mas por outros animais arborícolas ou que utilizam a copa das árvores, tais como roedores, marsupiais e aves. São pelos menos 12 espécies registradas até o momento em 131 vídeos gravados pelas armadilhas fotográficas.

O programa de conservação do mico e a utilização dos ocos artificiais foram apresentados pela pesquisadora e coordenadora Gabriela Cabral Rezende, no final do mês de setembro, no evento Show Case, da LUSH, em Manchester, Reino Unido. "Passaram por lá mais de duas mil pessoas, que ouviram sobre nosso projeto e o que vamos realizar com o recurso doado pela empresa. Além dos ocos dos micos, também estamos trabalhando com restauração através da condução da regeneração de florestas para a formação do corredor norte. Este é o próximo passo para a continuidade da implementação dos corredores da Mata Atlântica, que reconectam a paisagem tirando animais do isolamento e aumentando suas chances de sobrevivência", afirma Gabriela.

O trabalho com ocos artificiais é feito em parceria com o Durrell Wildlife Conservation Trust e o Laboratório de Primatologia (LaP) da UNESP Rio Claro (SP). Em 2018, recebeu também apoio do Disney Conservation Fund.