Oportunidade não se deixa passar

Vanessa Martins é moradora do assentamento Água Sumida, zona rural de Teodoro Sampaio, um dos locais onde o IPÊ, há mais de 10 anos, realiza trabalhos para conservação e geração de renda. Ali, a partir das atividades de educação ambiental e capacitação em artesanato, Vanessa viu a oportunidade que precisava para desenvolver o seu talento. Nas aulas de artesanato, a proposta do IPÊ foi sempre estimular os potenciais artesãos a olharem para a biodiversidade presente no seu cotidiano, e representá-la em seus produtos.

"No grupo de mulheres, formado pelo IPÊ com a gente, começamos as atividades visitando os viveiros e participando das oficinas. Os cursos me fizeram pensar na natureza, porque colocaram os bichos da nossa região no nosso trabalho. E surpreendeu. Quando a gente colocou o mico-leão-preto numa das camisetas, a gente nem acreditava como ficou bonito!", conta ela.

O trabalho junto com o IPÊ fez com que Vanessa seguisse com a profissão de artesã. Além das peças criadas com o grupo de mulheres formado pelo Instituto, ela foi além, aperfeiçoou-se ainda mais e tornou-se professora de artesanato, em um projeto da prefeitura de Teodoro Sampaio, contribuindo com a capacitação profissional de 80 alunos, em seis assentamentos.

"Eu vi a oportunidade e agarrei. Oportunidade não se deixa passar. Quando você recebe o incentivo, tem que enxergar nele um jeito de utilizar para melhorar de vida. Comecei como aprendiz com os cursos do IPÊ e hoje sou professora. Até hoje eu ensino aos meus alunos como fazer peças com os bichos da região, como o mico. Peço para eles pensarem na natureza, a não deixar os bichinhos de lado. Hoje, ajudo pessoas carentes a encontrar no artesanato uma atividade pra gerar renda", comemora Vanessa, que também é voluntária na Escola da Família em uma unidade de ensino, dando aulas aos finais de semana.